Senadores gaúchos favoráveis ao impeachment de Dilma admitem também levar Temer a julgamento.

Senadores gaúchos favoráveis ao impeachment de Dilma admitem também levar Temer a julgamento.

Em dia de mais uma decisão dos senadores sobre a continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), os gaúchos que já abriram o voto pelo afastamento definitivo da petista reconhecem que denúncias recentes também podem levar ao afastamento do interino, Michel Temer (PMDB). Em entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, Lasier Martins (PDT) e Ana Amélia Lemos (PP) foram questionados sobre a incoerência de manter no poder um presidente e ministros acusados de receber propina em caráter pessoal. As denúncias foram feitas por executivos da Odebrecht em delações premiadas à Operação Lava Jato, nessa semana.

Ana Amélia defendeu que, se confirmada a tendência de afastamento definitivo de Dilma, Temer também seja investigado e julgado pelos parlamentares. “A minha régua para Dilma é a mesma para o Temer. Encerrado o afastamento definitivo da Dilma e entrando um processo sobre julgamento de Temer, eu penso que tem de ser o mesmo julgamento e o mesmo rito. Eu não posso ter um tipo de avaliação sobre um. Quem cometeu delito é igual perante a lei. Se os dois cometeram, os dois têm de pagar”, afirmou.

Lasier Martins admitiu que o momento é constrangedor para os senadores e defendeu que Temer também seja afastado. “Tudo é crime. Tem tudo o mesmo peso. Concorre contra Dilma que ela cometeu o mesmo crime de que é acusado o Temer. E, uma vez eleita, cometeu pedaladas e créditos complementares. Estamos diante de situação constrangedora, inegavelmente. O ideal seria que o tribunal, lá adiante, julgasse, e também afastasse o presidente que vai assumir”, sustentou.

Se Temer for julgado e também tiver mandato cassado antes das próximas eleições, cabe ao Congresso Nacional conduzir eleição indireta do próximo presidente do Brasil. Mesmo assim, os adversários de Dilma mantêm o argumento de que ela cometeu crimes de responsabilidade. Lasier corre risco, inclusive, de ser expulso pelo PDT por votar pela admissibilidade do processo de impeachment.

Já o senador gaúcho Paulo Paim (PT) aproveitou as delações premiadas contra Temer para reforçar o discurso em defesa de Dilma. Paim foi um dos primeiros senadores a falar na tribuna, no início da tarde, na sessão que define se a presidente eleita vai a julgamento definitivo. ”Não tem como eu não falar nesse assunto. Foram R$ 37 milhões pagos em propina ao presidente, ao chefe da Casa Civil (Eliseu Padilha) e ao ministro de Relações Exteriores (José Serra). Pelo outro lado, não há prova de crime de responsabilidade. Os principais jornais do mundo dizem que a presidenta, por exemplo, não foi acusada de corrupção e as regras estão nas mãos de homens que estão sendo acusados”, defendeu.

Ao contrário de Lasier e Ana Amélia, Paim entende que a votação definitiva sobre o afastamento de Dilma ainda está indefinida, já que os apoiadores da petista dizem contar com 30 votos e os adversários com 60, sendo que há 81 senadores aptos a votar. Enquanto hoje o processo deve ser aceito por maioria simples — 41 votos ou mais —, serão necessários 54 votos para o impeachment no julgamento final, previsto para o final do mês. (Rádio Guaíba)

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