Expoagas 2016 encerra com R$ 461 milhões em negócios.  Crescimento nas negociações é de 13% em relação à edição do ano passado

Expoagas 2016 encerra com R$ 461 milhões em negócios. Crescimento nas negociações é de 13% em relação à edição do ano passado

Destaque Expoagas Negócios

Em sua edição de 35 anos, a Expoagas 2016 chega ao final nesta quinta-feira (25), no Centro de Eventos Fiergs, em Porto Alegre, garantindo aos 347 expositores um volume recorde de negócios da ordem de R$ 461 milhões. Realizada desde terça-feira (23) pela Associação Gaúcha de Supermercados, a feira apresentou ao varejo mais de 800 lançamentos e novidades em produtos, equipamentos e serviços para todo o comércio. Em seus três dias, o evento recebeu 44,2 mil visitantes e destacou as apostas da indústria e as tendências do varejo para o segundo semestre, e promoveu uma série de palestras, oficinas práticas e seminários sobre áreas técnicas e táticas para o ramo de supermercados. Puxado sobretudo por expositores de alimentos e de produtos de higiene, o resultado positivo nas negociações representa um crescimento de 13% em relação à edição passada do evento, superando as estimativas iniciais dos organizadores.

 

O montante transacionado entre visitantes e expositores significa uma venda média de R$ 1,3 milhão por estande. “Em média, cada expositor investiu na feira cerca de 4% do que vendeu somente nos três dias. Além disso, muitos negócios são levantados na Expoagas e concretizados posteriormente”, lembra o presidente da Associação, Antônio Cesa Longo, destacando que os gaúchos mais uma vez foram maioria entre os estandes – 76% do total de empresas expositoras. “Defendemos que o varejo, a indústria e o setor produtivo cresçam juntos, já que crescimentos isolados de setores não são sustentáveis. O comércio precisa de uma indústria forte para que o consumidor tenha poder de compra, e por isso saudamos que a Expoagas 2016 tenha oportunizado esta vitrine de negócios à indústria gaúcha”, sublinhou Longo.

 

Durante a feira, a Agas encomendou um estudo ao Instituto Segmento Pesquisas, que ouviu 101 expositores para saber o índice de satisfação com o evento. Na pesquisa, foram ouvidas companhias de todos os portes, sendo 72% da indústria, 14% do serviço e 13% do setor de comércio. Segundo dados apurados nos dois primeiros dias da mostra, 70,9% das vendas concretizadas na Expoagas 2016 foram junto a varejistas gaúchos, 16,1% a compradores de outros estados brasileiros e 12,9% junto a companhias de outros países.

 

Neste ano o levantamento revelou uma mudança em relação ao principal objetivo de participação na feira: o motivo maior passou a ser estreitar o relacionamento com o supermercadista (91%), que superou pela primeira vez as opções de fazer novos clientes (87%) e o aumentar os negócios/vendas (85%). Expor seus produtos (84%), fixar sua marca no mercado (78%), divulgar lançamentos (70%) e manter-se atualizado com as tendências do setor (42%) são outros motivadores dos expositores da feira.

 

Para ampliar o leque de oportunidades a outros setores do comércio, a Agas mais uma vez garantiu gratuidade nas inscrições realizadas com antecedência não apenas a profissionais de supermercados, como também a membros de segmentos como padaria, açougue, restaurantes, hotéis, farmácias, petshops e lojas. Indagados pelo Instituto Segmento Pesquisas sobre a movimentação de negócios nos estandes, 64% dos expositores informaram que realizaram negócios com profissionais destes outros setores, que não supermercados. Os segmentos mais citados pelos fornecedores participantes da feira foram, pela ordem, restaurantes (45%), padarias (42%), hotéis (37%) e lojas de conveniência e bares, ambos com 31%.

 

Segundo a pesquisa, 86,5% dos 347 expositores da Expoagas 2016 pretendem voltar à feira em 2017. A Agas já iniciou a comercialização dos estandes para a próxima edição, oferecendo condições especiais para a renovação automática dos espaços. “Essa antecipação na comercialização permite que preparemos os detalhes da Expoagas 2017 com mais cuidado aos detalhes. Entretanto, sempre buscamos uma mudança de pelo menos 15% entre os expositores, para que oportunizemos a novas empresas os benefícios da Expoagas”, destaca Longo, lembrando que o Centro de Eventos Fiergs é ocupado na totalidade pela feira supermercadista. As empresas expositoras ouvidas pela Segmento apontaram que, em média, as vendas na Expoagas representam 16,4% do total do faturamento de agosto. 76% dos expositores ampliaram a carta de clientes nos dois primeiros dias da feira, e 100% atribuíram à Expoagas 2016 a classificação de muito importante ou importante para o desenvolvimento da dos negócios da sua companhia. Somente 2% dos entrevistados estimam que não atingirão ou superarão seus objetivos no evento.

 

Tendências – Tradicional termômetro de tendências e hábitos de consumo dos gaúchos, a Expoagas 2016 deu o tom dos produtos que deverão estar em destaque nas gôndolas do varejo nos próximos meses. Ao contrário de outras edições, quando fornecedoras de equipamentos lideraram o ranking dos expositores que mais venderam, neste ano empresas de alimentos e de produtos de higiene despontam na lista. “Atendendo aos anseios do consumidor, que está fazendo valer o seu dinheiro, o supermercadista está buscando acertar o básico, corrigir seu mix de produtos e dar giro aos itens na gôndola. Ainda assim, os expositores de máquinas e equipamentos também tiveram bom desempenho na feira, já que um em cada três supermercadistas está investindo em reformas ou ampliações em 2016. Em todo o Brasil, os supermercados abriram mais de 10 mil postos de trabalho nos últimos meses”, registra o presidente da Agas.

 

Para 89% dos expositores ouvidos pelo Instituto Segmento, a crise influenciou diretamente o hábito de consumo dos gaúchos. Apenas 24% das empresas entrevistadas afirmam que ainda não perceberam uma retomada nos seus negócios.

 

Perfil dos visitantes – Mais uma vez, os varejistas foram maioria entre os visitantes (81%):

 

Setor %
Supermercados 67,9%
Atacados 10,7%
Padarias 5,7%
Restaurantes 3,2%
Lojas de Conveniência 0,8%
Açougues 0,7%
Farmácias 0,4%
Bares 0,3%
Hotéis 0,3%
Outros 9,6%

 

 

Os 44,2 mil visitantes da Expoagas 2016 são oriundos de 6,4 mil empresas diferentes. A feira recebeu participantes de 26 estados brasileiros, além de varejistas da Argentina, Anguilla, Chile, Colômbia, Espanha, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Com relação ao gênero dos visitantes, a Expoagas recebeu 66,2% de homens e 33,7% de mulheres ligados ao setor.

 

Programação – A 35ª Convenção Gaúcha de Supermercados também foi marcada por uma extensa programação, que contemplou gestores e colaboradores dos mais diferentes setores do varejo e da indústria. As tradicionais palestras magnas, realizadas pela manhã, trouxeram ao debate os jornalistas Caio Blinder, Diogo Mainardi e Lucas Mendes, apresentadores do programa Manhattan Connection, da GloboNews; o colunista e economista Samy Dana; o educador físico e apresentador do Fantástico, Marcio Atalla; e o escritor e psicanalista Augusto Cury. A programação jovem do evento teve o consultor Max Gehringer abordando conceitos de carreira, sucesso e empreendedorismo em um debate com o diretor da Stemac Geradores, Valdo Marques, que contou sua experiência no quadro “Chefe Secreto”. Já no Agas Mulher, a escritora Cecília Troiano falou sobre a rotina e as dificuldades da mulher moderna em um encontro que congregou mais de 700 mulheres ligadas ao ramo supermercadista. O evento teve, ainda, visitas-técnicas, palestras e oficinas práticas sobre áreas operacionais e técnicas da rotina varejista, como açougue, padaria, hortifrúti, tendências, mudanças em legislações, gerenciamento do mix de produtos, conceitos de layout de loja e outros assuntos.

 

Às 20 horas desta quinta-feira, pouco antes de encerrar o evento, a Agas vai sortear um automóvel Hyundai HB20 zero quilômetro entre as empresas que tiverem efetuado pelo menos R$ 1 mil em compras na Feira.

 

A Expoagas 2017, que terá o tema “Conectando os Bons Negócios”, ocorrerá de 22 a 24 de agosto do ano que vem no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre. A estimativa da Agas é que pelo menos 80% dos estandes para a feira do próximo ano tenham seus contratos renovados até o final desta quinta-feira (27).

Custos de Produção apresentam deflação em 2016, aponta Farsul

Custos de Produção apresentam deflação em 2016, aponta Farsul

Economia Negócios Notícias Poder Política

A sazonalidade dos preços dos fertilizantes e a taxa de câmbio resultaram na terceira queda consecutiva do Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP). O indicador fechou o mês de abril em -1,02%. O acumulado do ano está em -0,75%. Já o Índice de Inflação dos Preços Recebidos apresenta uma alta de 3,99% puxada por Milho e Soja, que aumentaram 17% e 4% respectivamente. As informações estão no relatório dos Índices de Inflação dos Custos de Produção e da Receita dos Produtores do RS, referente ao mês de abril, produzidos pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul. Em 2016, os fertilizantes apresentam uma queda superior a 13%. Essa redução é sazonal e tem, historicamente, no mês de maio sua maior baixa que foi acentuada com a apreciação do Real dos últimos meses. Em seu relatório de final de ano, a Farsul já havia indicado que este é o melhor período para a compra de fertilizantes. Porém, a retração nos preços não ocorre em todos os insumos, os químicos mantêm alta.

Mesmo com o aumento nos preços recebidos pelos produtores, ele foi inferior ao do praticado nas prateleiras neste ano. Enquanto o IPCA Alimentos acumula alta de 5,79%, o IIPR está em 0,3%. Nos últimos 12 meses o IIPR atinge 22,79%, enquanto o IPCA Alimentos chega a 13,38%. O que demonstra, mais uma vez, a falta de relação entre as altas aos consumidores e o valor recebido pelos produtores.

Levantamento dos Custos de Produção

A Farsul, junto com CNA e Esalq/Cepea, está realizando o levantamento de custos de produção da safra 2015/2016, dentro do projeto Campo Futuro. Na sexta-feira, dia 13, foi concluída a coleta de dados, que teve o acompanhamento do economista do Sistema Farsul, Ruy Silveira Neto. O próximo passo é a consolidação das informações. A pesquisa serve, também, para traçar uma projeção da próxima safra. O levantamento dos custos de produção de grãos é realizado anualmente desde 2006. As culturas analisadas são arroz, soja, trigo e milho. O economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, explica que a partir dos resultados do levantamento é possível fazer uma avaliação, comparando com anos anteriores, identificando as variações que permitem fazer as cobranças corretas, “as nossas políticas se orientam por dados objetivos”, afirma.

As informações preliminares apontam o que já vinha sido mostrado em levantamentos realizados pela Federação. A comparação entre as safras 2014/2015 e 2015/2016 indicam um aumento de 25% nos custos de produção. “É sem dúvida o maior aumento que nós tivemos de um ano para outro desde o Plano Real. Ele decorre do forte aumento na taxa de câmbio no momento que os produtores estavam comprando seus insumos”, analisa Luz. Em Cruz Alta também é feita a comparação entre as lavouras sequeiro e irrigado. O objetivo é avaliar a viabilidade econômica do projeto de irrigação, que aumenta a receita, mas tem custo maior. “Ao levantarmos os custos de produção e a receita de sequeiro e irrigado, conseguimos ter um bom panorama  de que se vale a pena ou não irrigar uma lavoura “, comenta o economista.

Faturamento do polo moveleiro de Bento Gonçalves cai 20% no primeiro trimestre

Faturamento do polo moveleiro de Bento Gonçalves cai 20% no primeiro trimestre

Economia Negócios Notícias

A grave crise econômica do país segue deixando marcas também no setor moveleiro. No polo de Bento Gonçalves, dados do primeiro trimestre deste ano indicam uma queda de 20,8% no faturamento em termos nominais, o que intensifica a queda de 13,4% ocorrida no ano de 2015. No RS, a queda nominal é de 13,5% no trimestre. As exportações de Bento Gonçalves, por sua vez, caíram 24,6% em dólares no primeiro trimestre, agravando ainda mais a situação das empresas, que já haviam registrado queda de 27% no ano passado.

O desempenho negativo generalizado também afeta de forma violenta os empregos no setor. Após o fechamento de mais de 1,1 mil postos de trabalho em 2015, o primeiro trimestre de 2016 registrou uma queda de 96 empregos diretos na indústria de móveis de Bento Gonçalves, o que evidencia o grave momento enfrentado pelo setor. No Brasil, foram fechadas quase 2 mil vagas de empregos na indústria moveleira no período.

Embora o momento seja de cautela para o polo moveleiro, o presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), Henrique Tecchio, pontua que a indústria ainda deverá sentir nos próximos meses os efeitos da participação na feira Movelsul Brasil, realizada em março, em Bento Gonçalves. “Uma das saídas é, justamente, investir na diversificação de mercados e estratégias de promoção comercial. O Sindmóveis contribui com ações que fomentam a adoção do design e inovação como estratégia competitiva, além da promoção comercial em si e pesquisas de inteligência de mercado”, pontua.

Alguns resultados desse trabalho das empresas já estão sendo sentidos com ganhos nas exportações, como é o caso de Reino Unido (19%), Estados Unidos (959,5%), Colômbia (125%) e Bolívia (55,7%).

Daer investe R$ 197 milhões em obras rodoviárias em 2015

Daer investe R$ 197 milhões em obras rodoviárias em 2015

Notícias Poder Política

O Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem (Daer) investiu R$ 197 milhões em programas de recuperação, manutenção, conservação e construção de rodovias estaduais em 2015. Os recursos aplicados por programas são provenientes de financiamentos com o Banco Mundial (Bird), BNDES e do Tesouro do Estado. Para 2016, a previsão de investimentos vai mais do que triplicar, alcançando R$ 709,2 milhões.

Do total investido em 2015, R$ 19,4 milhões foram destinados para contratos de apoio técnico (CAT) e outros R$ 5,5 milhões foram aplicados em seis convênios municipais, totalizando 18,57 quilômetros. De acordo com previsão do Daer, este ano o investimento em convênios municipais será ampliado para R$ 43 milhões. Os recursos serão destinados a 15 contratos, totalizando 44,70 quilômetros de rodovias.

Veja o que foi executado em cada programa 

Acessos Municipais

No programa Acessos Municipais, financiado pelo BNDES, foram destinados R$ 20.595.390,02 em obras de pavimentação de acessos asfálticos. Dez acessos foram contemplados:

– VRS-874 (São José do Hortêncio a São Sebastião do Caí)

– ERS-456 (Esmeralda)

– VRS-843 (Feliz a Linha Nova)

– acesso a Muliterno, acesso a Tapejara

– Tapejara (Santa Cecília)

– ERS-737 (Arroio do Padre)

– ERS-485 (Carlos Gomes)

– ERS-575 (Porto Vera Cruz)

– acesso a Eugênio de Castro

-ERS-163 (Tenente Portela a Barra do Guarita).

Todos os dez trechos estão com obras em andamento, com previsão de conclusão ainda em 2016.

2016: a meta do Daer é concluir 28 acessos totalizando 537,47 km. O investimento previsto é da ordem de R$ 169,5 milhões.

Restauro
Em 2015, por meio do programa Restauro, o Daer investiu R$ 41.147.875,04, financiados pelo Banco Mundial (Bird), na recuperação completa de trechos asfaltados. Os recursos foram aplicados em 214,98 km, localizados nos seguintes trechos:

– ERS-168 (entroncamento com a ERS-561, passando por Roque Gonzales até São Paulo das Missões)

– ERS-344 (Santa Rosa, passando por Giruá e Santo Ângelo)

– RSC-472 (Tuparendi a Santo Ângelo

– RSC-392 (Entre-Ijuís a Santa Rosa)

– ERS-324 (Três Palmeiras – Ronda Alta – Rondinha)

– ERS-404 (Sarandi a Ronda Alta)

– ERS-406 (Goi-En até Serraria)

– ERS-223 (Ibirubá até o entroncamento com a BR-377 para Cruz Alta)

– ERS-561 (São Nicolau até o entroncamento com a ERS-168).

2016: as obras nesses trechos terão continuidade este ano e as intervenções serão ampliadas para 15 lotes. A previsão de investimento é de R$ 220 milhões.

CREMA SERRA
Financiado também pelo Banco Mundial (Bird), o programa Crema Serra somou investimentos de R$ 50.323.876,00 na recuperação de quatro trechos rodoviários da Serra. Em dezembro de 2015, foram concluídas as obras nos 53 quilômetros da RSC-453 (Rota do Sol) do entroncamento com a BR-116 para São Marcos até Lajeado Grande.

As outras rodovias que receberam recursos foram:

– ERS-324 (43,32 quilômetros entre o entroncamento com a ERS-129 para Guaporé, até Nova Prata)

– RSC-470 (57,18 quilômetros de Nova Prata a São Valentim do Sul)

– ERS-122 (42,24 quilômetros de Antônio Prado a Campestre da Serra)

2016: o programa prevê ainda dois anos de recuperação das estradas e mais três para a manutenção desses trechos. A previsão de investimentos para 2016 é de R$ 98,8 milhões.

E neste ano, o Daer prevê investimento de R$ 41,8 milhões no Crema Erechim. Os recursos deverão ser aplicados em 170,3 km das rodovias ERS-126, ERS-208, ERS-343, ERS-467 e ERS-478.

CONSERVAÇÃO
Durante o ano de 2015, o Daer e a Secretaria dos Transportes investiram R$ 60 milhões na manutenção da malha viária de responsabilidade das 17 superintendências regionais do órgão. Os recursos são oriundos do Tesouro do Estado.

Os principais trechos que receberam investimentos foram:

– ERS-522 (Ijuí a Augusto Pestana)

– ERS-786 (Tramandaí a Quintão)

– ERS-446 (Farroupilha a Bento Gonçalves)

– ERS-122 (Farroupilha a Caxias do Sul)

– RSC-453 (Caxias do Sul a Bento Gonçalves)

– ERS-717 (Tapes a Sentinela do Sul)

2016: devem ser aplicados R$ 110 milhões.

Fiergs: instabilidade política ainda gera desconfiança no mercado para 2016. Presidente da entidade não quis opinar sobre o impeachment de Dilma

Fiergs: instabilidade política ainda gera desconfiança no mercado para 2016. Presidente da entidade não quis opinar sobre o impeachment de Dilma

Economia Notícias

Apesar de não querer opinar sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor Müller, afirmou, nesta terça-feira, que a persistência da instabilidade política no País deve continuar impactando negativamente o setor produtivo em 2016. Em evento de divulgação do balanço econômico de 2015, o dirigente ressaltou que as crises econômica e política também seguem retraindo o consumo, com a consequente redução da produtividade.

“Não é necessariamente a questão do impeachment (a instabilidade). Esse imbróglio político, que está armado já praticamente durante todo o ano de 2015, é que está freando as soluções dos problemas econômicos. Nós esperamos um desfecho bem rápido, que seja sim ou que seja não (pelo impeachment), mas que haja de uma vez um entendimento entre os três Poderes, para que algumas medidas possam ser apresentadas, votadas, discutidas, aprovadas, ou não, pelo Congresso Nacional, para reencaminhar a solução do problema econômico”, disse Heitor Müller.

O presidente da Fiergs complementou que após uma reunião com empresários alemães e chineses, na semana passada, notou que o mercado internacional ainda confia no Brasil, mas só vai retomar os investimentos com a volta da estabilidade política.

Para 2016, a perspectiva da Federação das Indústrias, baseada em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), é de retração negativa do PIB em até 2,5%. Além disso, a entidade apontou que a “turbulência atual (no Brasil) não pode ser atribuída ao cenário internacional”, tendo em vista que os países desenvolvidos conseguiram crescer em 2015, diferente do Brasil, que teve queda de 3,5%.

Com relação ao agronegócio gaúcho para o próximo ano, o economista da Fiergs André Nunes apontou que a estimativa da próxima safra é positiva, mas não deve superar a produção dos dois últimos anos. Além disso, apesar do parecer positivo para o setor, a tendência é que o nível da atividade em outras áreas, como a indústria, seja menor no Rio Grande do Sul, em comparação com o Brasil. O economista relembrou que, somente nos últimos 12 meses, 87 mil postos de trabalho foram fechados no Rio Grande do Sul, 80% deles em postos da indústria. (Vitória Famer / Rádio Guaíba)

Adiamento do reajuste do mínimo e de servidores: Levy admite estudos, mas desmente decisão. Segundo o ministro, até agora, houve apenas sugestão da área técnica do Congresso, que elaborou cenários alternativos para conter os gastos caso os parlamentares atrasem a aprovação do pacote de ajuste fiscal

Adiamento do reajuste do mínimo e de servidores: Levy admite estudos, mas desmente decisão. Segundo o ministro, até agora, houve apenas sugestão da área técnica do Congresso, que elaborou cenários alternativos para conter os gastos caso os parlamentares atrasem a aprovação do pacote de ajuste fiscal

Economia Negócios Notícias Poder Política

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, negou hoje que o governo tenha tomado uma decisão em relação à data de reajuste do salário mínimo no próximo ano. Ao sair de um evento de premiação, ele disse que houve apenas estudos de técnicos do Congresso Nacional em relação ao tema, sem que o governo tenha acatado a sugestão de adiar por seis meses o aumento do salário mínimo em 2016 e o reajuste para os servidores federais.

Levy, no entanto, cobrou urgência na aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). “Não tem plano do governo nesse sentido [de adiar o reajuste do mínimo]. A ideia do governo é a gente dar atenção ao gasto. Tratar da reforma da Previdência e recriar a CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira]. O Brasil precisa de um Orçamento forte, robusto, que nos prepare para 2016 ser um ano de crescimento”, disse.

Segundo o ministro, até agora, houve apenas uma sugestão da área técnica do Congresso Nacional, que elaborou cenários alternativos para conter os gastos públicos caso os parlamentares atrasem a aprovação do pacote de ajuste fiscal. “Alguns técnicos do Legislativo apontaram alguns números. Só disso que tenho conhecimento. Não tem nada de mais. É um exercício aritmético, que adquire maior ressonância à medida que outras ações não avançaram no ritmo necessário”, explicou.

Segundo reportagem publicada hoje pelo jornal O Globo, o governo estuda postergar para junho o reajuste do salário mínimo, tradicionalmente feito em janeiro. Já o aumento dos servidores federais pode passar de agosto para dezembro do próximo ano. Em setembro, a equipe econômica tinha adiado o reajuste salarial de 2016 de janeiro para agosto.

Levy também cobrou o engajamento do PT e dos partidos da base aliada em relação ao pacote de ajuste fiscal. “É importante ter clareza. Temos de procurar meios. A base de apoio ao governo, incluindo o PT, tem que se mobilizar pelo Brasil. Não apenas pela Presidência, mas pelo Brasil”, afirmou.

De acordo com o ministro, as medidas de corte de gastos e a recriação da CPMF são essenciais para que o país volte a economizar para pagar os juros da dívida pública, tendo superávit primário a partir do próximo ano. “Para a gente ter o [resultado] fiscal que o Brasil precisa, com o Orçamento e receita que o Brasil precisa. Para não surgirem outras ideias mais difíceis. Porque se não tratar o que temos que tratar, elas daqui a pouco aparecem”, declarou.

Levy se pronunciou após cerimônia de entrega do Prêmio Nacional de Educação Fiscal, na Embaixada de Portugal, em Brasília. O prêmio foi concedido pela Federação Brasileira das Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite) em parceria com a Escola de Administração Fazendária (Esaf). (Agência Brasil / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Instituições financeiras projetam inflação acima do teto da meta em 2016

Instituições financeiras projetam inflação acima do teto da meta em 2016

Destaque Economia Negócios Poder Política

A projeção de instituições financeiras para a inflação em 2016 ultrapassou o limite da meta. Na 16ª alta consecutiva, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 6,50% (teto da meta de inflação) para 6,64%. Essa projeção faz parte de pesquisa semanal feita pela Banco Central (BC) com instituições financeiras. Para este ano, a estimativa subiu pela 10ª vez seguida, ao passar de 10,04% para 10,33%. O BC abandonou o objetivo de alcançar o centro da meta de inflação (4,5%) em 2016. Devido às indefinições e alterações na política fiscal do governo, o BC espera que a inflação fique na meta somente em 2017. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC diz que as indefinições e alterações significativas na meta fiscal mudam as expectativas para a inflação e criam uma percepção negativa sobre o ambiente econômico.

Antes de adiar o objetivo de levar a inflação ao centro da meta, o Copom elevou a taxa básica de juros, a Selic, por sete vezes consecutivas. Na reunião de setembro e de outubro, o Copom optou por manter a Selic em 14,25% ao ano. A expectativa das instituições financeiras para a última reunião do Copom deste ano, marcada para amanhã e quarta-feira (25), é de manutenção da Selic no atual patamar.

A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o BC contém o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

A pesquisa do BC também traz a projeção para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que passou de 10,54% para 10,90%, este ano. Para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a estimativa subiu de 10,26% para 10,38%, em 2015. A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) foi alterada de 10,26% para 10,32%, este ano.

A projeção para a alta dos preços administrados passou de 17% para 17,43%, este ano, e segue em 7%, em 2016.

A inflação alta vem acompanhada de encolhimento da economia. A projeção para a queda do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, este ano, chegou a 3,15%, contra 3,10%, previstos na semana passada. Para 2016, a projeção de retração passou de 2% para 2,01%, no sétimo ajuste consecutivo.

Na avaliação do mercado financeiro, a produção industrial deve ter uma queda de 7,5%, este ano, e de 2% em 2016.

A projeção para o dólar passou de R$ 3,96 para R$ 3,95, ao final deste ano, e permanece em R$ 4,20, no fim de 2016. (Agência Brasil)