Essa guria vai longe… Vai, vai, vai…

Essa guria vai longe… Vai, vai, vai…

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Meus primeiros 10 anos de trabalho, em Porto Alegre, foram na Rádio Gaúcha. Ali aprendi muito e fiz amigos que guardo do lado esquerdo do peito. Cobri política, economia, rebeliões prisionais (inclusive a que Porto Alegre parou e os nossos companheiros que estavam cobrindo a Copa dos EUA ficaram ligados via retorno da Central Técnica no trabalho da gurizada), Festivais Nativistas (saudades do Glênio Reis e Paulo Deniz), viagens presidenciais e de governadores pelo Rio Grande do Sul, outros estados e no exterior, futebol (sim, futebol! Quando a galera do esporte precisou por falta de gente), li o Ipiranga, apresentei todos os programas de jornalismo quando os âncoras precisavam de substituto ( inclusive o Gaúcha na Madrugada, no lugar do grande Jayme Copstein), o Gaúcha no Mercosul, o Gaúcha Fim de Semana (onde entrevistei por 1h50 minutos, Luis Fernando Veríssimo. Pauta marcada pelo Gerson Silva. “Gerson, tu tá louco! O LFV não fala” ; “”Calma Felipe, tem aqui um perfil dele e a gente vai dar um jeito”. Ele tinha razão e a Lucia Veríssimo elogiou muito aquela entrevista) e Carnaval…

Tenho momentos que nunca sairão da minha mente, estão gravados e não há alzheimer que me fará esquece-los.. A primeira vez que entrei no ar ao vivo, Eleições de 1989, apuração de votos no Gigantinho. A primeira vez substitui o Glênio Reis em um Festival, nossa! A primeira vez que substitui o Bemfica, no Gaúcha Hoje de Sábado; com a ordem expressa de Marcos Antonio Baggio: “Sem opinião. É só para chamar os boletins dos repórteres.” A primeira vez que entrei no Atualidades com Mendes Ribeiro (entrevistei Zélia Cardoso de Mello, em Sta Maria e lembro dos elogios que ouvi dele pelo retorno durante o comercial: “Regina, (Regina Tubino Pereira, produtora) quem é esse repórter? Ele é muito bom”. A primeira vez que apresentei o Atualidades no lugar do Ranzolin. A primeira vez que substitui o Lauro Quadros, com todas as perguntas do Quadro de Saúde, escritas pela minha querida Mágda Cunha). As entradas no Sala de redação(a bancada odiava, mas a gente se matava para participar com alguma informação do jornalismo). A primeira vez que fiz o Gaúcha Repórter, nas férias do Lasier Martins (Até hoje não sei quem estava mais nervoso… Se eu ou a Lilica Chagas, que me brifou antes, durante e acho que escreveu até o despedida do programa). Das vezes que substitui Ruy Carlos Ostermann entre elas uma inesquecível, onde entrevistei os irmãos Ivan e Jose Antonio Pinheiro Machado sobre o Guia L&PM. Falamos de restaurantes, bares, casas noturnas e livros (programa produzido divinamente pelo Paulo Moreira). Das vezes que substitui os apresentadores do Chamada Geral (sempre com o apoio da Vera Monteiro, do Jacaré e da Lucia Padilha Mesquita). A noite que eu tava de bobeira na Rádio e o Pedro Ernesto Denardin, ficou rouco e eu li os comerciais e dei uns pitacos no Show do Esporte. Das substituições que fiz na parte de jornalismo do Plantão, no lugar do Antonio Carlos Macedo( como era um tabu, alguém do jornalismo apresentar a parte de esporte… O programa era dividido entre eu e Nando Gross). Nada é claro me dava mais prazer que substituir o Rogerio Mendelski, no Gaúcha Hoje e comandar o programa aos sábados (onde Lucia, Paulinho, Zé Alberto Andrade, Mágda, Paulo Boanova e outros tinham quadros especiais sobre cinema, vídeos, turismo, mundo agro… Era uma festa!!!!).

Obrigado ao Baggio, Ranzolin, Luciano Klockner, Claudio Moretto, Domingos Martins, Flávio Dutra e Valter Gonçalves dos Santos que me deram grandes oportunidades. Vocês foram muito importantes na minha formação. Por sinal, todos os citados e mais todos os editores, colegas de reportagem, produção, operadores de áudio e externa (que não arrisco escrever os nomes por medo de esquecer alguém ) foram muito importantes na década que vivi na Gaúcha. Como nessa época telefone não tinha câmera e fotos no trabalho não eram comuns.. Fiquei com os muitos registros na memória e poucos em papel fotográfico. De qualquer forma, quem me conhece sabe que adoro Carnaval e o Cláudio Brito, me deu oportunidade de trabalhar ao lado dele, do Matias Flach, do Bemfica, Zé, Éldio Macedo, Fernanda Zaffari, Renato Dornelles, Luiz Armando Vaz, Roberto Villar, Marcelo Magalhaes e tanta gente que veio de fora na cobertura desta festa popular brasileira. E ele fez mais… permitiu que eu estivesse (com o microfone dois pontos mais baixo para não atrapalhar quem sabe cantar) ao lado do Djair e do Déco acompanhando o Cláudio Barulho e puxando a Escola de Samba que homenageou os 70 anos da Gaúcha cantando que essa guria vai longe. E 20 anos depois, o canto se comprova e a gente sabe que vem muita coisa por aí. Nos 90 anos, como tantos fizeram ao longo do dia, minha homenagem ao aniversário da emissora e a imortalidade do Rádio.