RS: ARI celebra Dia da Imprensa e emite nota em defesa da democracia. Associação Riograndense de Imprensa promove Painel sobre Hipólito da Costa, Debates e Ciclo de Cinema sobre Liberdade de Imprensa até 08 de junho

RS: ARI celebra Dia da Imprensa e emite nota em defesa da democracia. Associação Riograndense de Imprensa promove Painel sobre Hipólito da Costa, Debates e Ciclo de Cinema sobre Liberdade de Imprensa até 08 de junho

Comunicação Destaque

Para celebrar o Dia da Imprensa, comemorado neste sábado, 1º de junho, a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) emitiu uma nota oficial, enfatizando os trabalhos necessários para defender a democracia e as dificuldades enfrentadas pelos profissionais da imprensa. A instituição ressalta que o ofício do jornalismo e a atividade da comunicação necessitam ampliar a convergência indispensável ao enfrentamento dos novos desafios, que são “representados pela proliferação de notícias falsas pelos novos hábitos de consumo de informação e pela polarização das manifestações repressoras e autoritárias sobre temas de grande interesse para a sociedade brasileira”.

A nota também reforça que é preciso seguir atuando contra “tentativas espúrias de cerceamento da liberdade de imprensa, garantia constitucional seguidamente atacada por interesses políticos e econômicos dissociados do ideal democrático”. Nesse contexto, a ARI destaca a celebração de mais um Dia Nacional da Imprensa como momento para o jornalismo profissional e independente transformar tais ameaças em oportunidades. O documento emitido pela instituição reforça que a Lei Federal 9.831, sancionada em 13 de setembro de 1999, homenageia Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça e seu Correio Braziliense, jornal impresso em Londres a partir de junho de 1808, que chegava ao Brasil Colônia na clandestinidade e era perseguido pela Censura Régia.

Por conta disso, apoiada também na Lei Estadual 11.300, de 29 de dezembro de 1998, a ARI promove a Semana Hipólito José da Costa entre 1º e 7 de junho. Tanto o Conselho Deliberativo como a Diretoria Executiva da entidade afirmam que os eventos organizados para registrar a data oferecerão à população gaúcha uma oportunidade de reflexão sobre a importância da prática jornalística livre e responsável como garantia da democracia e dos direitos dos cidadãos.

A ARI promove entre 1º de junho (Dia da Imprensa) e 7 de junho, uma extensa programação para homenagear o Patrono da Imprensa do Brasil, Hipólito José da Costa. A semana inclui atividades em parceria com a Assembleia Legislativa do RS, Museu de Comunicação Hipólito José da Costa e cursos de Jornalismo. Serão apresentados filmes sobre jornalismo, no Cinema Universitário (Sala Redenção) da UFRGS, eventos públicos em ruas de municípios dedicadas ao jornalista que lançou o Correio Braziliense, em junho de 1808, almoço de confraternização, por adesão via secretaria da ARI e a edição, ao vivo, do programa Conversa de Jornalista pela Rádio da Universidade.

Os eventos são abertos a estudantes de jornalismo e profissionais não associados da ARI. É mais uma ação da Casa do Jornalista na defesa da qualificação do debate sobre o jornalismo.

Confira a programação abaixo:

Sábado, 1º de junho

10h30 – ARI (Salão Nobre)
• Abertura da Semana Hipólito da Costa
• Painel: O legado de Hipólito da Costa e a responsabilidade atual do Jornalismo
• Posse da Diretoria da Associação dos Amigos do Museu de Comunicação Hipólito José da Costa. Assinatura de Protocolos de Colaboração com diversas entidades.
12h-13h – Apresentação do programa Conversa de Jornalista pela Rádio da Universidade
13h – Almoço de confraternização, por adesão, Restaurante Copacabana (Praça Garibaldi)
16h – Oficina de Jornalismo Comunitário no Residencial Hipólito da Costa (Rua Hipólito da Costa, bairro Santa Tereza, Porto Alegre).

Segunda a sexta-feira, 3 a 7 de junho na UFRGS (Cinema Universitário / Sala Redenção). Ciclo de filmes A Imprensa na Tela Grande, em promoção conjunta com a Pró-Reitoria de Extensão / Departamento de Difusão Cultural. Entrada franca. confira abaixo a lista de filmes:

Segunda, 3/06
16h
– A Montanha dos Sete Abutres. Debatedor Mário Rocha
19h – O Mercado de Notícias. Debatedor Mônica Kanitz

Terça, 4/06
16h
– O Mercado de Notícias. Debatedor Jorge Furtado

Quarta, 5/06
16h
– Primeira Página: por dentro do NYT. Debatedor Roger Lerina

Quinta, 6/06
16h
– Spotlight: Segredos Revelados. Debatedor Marcos Santuário
19h – The Post – A Guerra Secreta. Debatedor Marco Antonio Campos

Sexta, 7/06
16h
– The Post – A Guerra Secreta. Debatedor Ivo Stigger
19h – Spotlight: Segredos Revelados. Debatedor  Humberto Trezzi

Terça-feira, 4 de junho
8h30min – 12h / FABICO/UFRGS (Auditório I)
Painel: Empreendedorismo, Assessorias de Imprensa e Consultorias em Comunicação:
relatos de experiências.

Quarta-feira, 5 de junho

9h – MUSA na ARI – Evento alusivo ao Dia Mundial do Meio Ambiente.
Encontro de trabalho das entidades vinculadas à criação do Museu das Águas de Porto Alegre e das pessoas interessadas na Associação dos Amigos do Museu das Águas.

Quinta-feira, 6 de junho

13h30min – 17h30min – Auditório da Emater
Vinculação da ARI a evento alusivo ao Dia Mundial do Meio Ambiente, coordenado pela CIEA-RS – Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental. Painel Desafios institucionais na questão ambiental

17h – Museu Hipólito José da Costa. Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo da ARI, em conjunto com a Diretoria Executiva, no Museu Hipólito da Costa, com visita à exposição de acervo.

Sexta-feira, 7 de junho

10h – Assembleia Legislativa (Espaço de Convergência Adão Pretto) Painel Liberdade de Imprensa, Crimes de Honra e Fake News

Sábado, 8 de junho

12h – 13h – Programa Conversa de Jornalista pela Rádio da Universidade

Medalha Alberto André?!! Obrigado ARI !! Que responsabilidade e coroamento para 2018

Medalha Alberto André?!! Obrigado ARI !! Que responsabilidade e coroamento para 2018

Agenda Comunicação Cultura Destaque Porto Alegre Tecnologia Trabalho

“Pelo jornalismo faria tudo de novo”, a frase é de Alberto André, poderia ser minha ou de milhares de outros apaixonados pela profissão que escolhemos. O ano de 2018, já tinha entrado para minha vida profissional, com a volta ao comando de um telejornal, o SBT Rio Grande – Segunda Edição. O desafio proposto pelo gerente de jornalismo da emissora, Danilo Teixeira, me encantou e acredito que estejamos no rumo certo. A busca da qualidade é uma obsessão diária da equipe e a resposta dos telespectadores, mostra uma audiência crescente no programa que apresento com Luciane Kohlmann,  ou seja estamos acertando mais que errando. Nem tudo é perfeito, a ida para o SBT me tirou do veículo Rádio – o que espero seja temporário -, sinto saudade da interatividade dos ouvintes. A compensação vem através de encontros com o público nas minhas andanças pelas ruas, no Zaffari da Otto, no açougue do Zanini, no Beira-Rio… e algumas vezes em forma de troféus e medalhas. Fiquei muito contente ao receber o Prêmio Press de Melhor Apresentador de TV 2018, eu estava afastado da televisão aberta – por vontade própria -, desde 2012. Já havia conquistado a premiação 7 vezes, mas esse ano teve um “gosto especial”, ainda mais que minha indicação foi feito pelos colegas de profissão. No segundo semestre incentivado por Guaracy Andrade, Ricardo Orlandini e Zento Kulczynski colocamos no ar, no BAH TV, o programa de entrevistas BahTchêPapo! que tem me oportunizado conversar com personalidades gaúchas. Por tudo isso, o ano profissional já seria maravilhoso.

Todavia, o ano só termina dia 31 de dezembro, eis que para coroar 2018, recebo o telefonema do meu professor e amigo, Luiz Adolfo Lino de Souza, presidente da nossa ARI – Associação Riograndense de Imprensa -,  comunicando que serei um dos homenageados com a medalha Alberto André. Quem me conhece sabe o que aconteceu pós despedida do Luiz Adolfo, chorei de alegria e emoção. Receber uma honraria de uma entidade do tamanho e história da nossa ARI e entrar para um seleto grupo onde estão grandes profissionais e amigos como: Alice Urbim, André Machado, Edieni Ferigollo, Enir Grigol, Eugenio Bortolon, Ivete Brandalise, Marques Leonam, Patrícia Comunello, Rosane de Oliveira e Walter Galvani; me deixa contente demais. Lembro daquele 16 de janeiro de 1979, inauguração da Rádio Sobral / Butiá, que mudou minha vida. Sim,  na quarta-feira, 16 de janeiro de 2019, se completarão 40 anos da primeira vez que falei em uma Rádio,  ainda como ouvinte. Mas logo depois em fevereiro de 1979, eu já atuava à convite de Heron oliveira, como repórter mirim na programação esportiva comandada por Brasil Oliveira Lucas. Aos 13 anos, o “vírus da comunicação” entrou pelo ouvido e tomou conta do corpo inteiro. Nunca me curei da “doença” e espero literalmente morrer trabalhando em jornalismo e comunicação, ativo como o homem que da nome a medalha que receberei.

imageConvivi pouco, mas o suficiente para conhecer a retidão, o caráter e a paixão pelo jornalismo de Alberto André. Por isso, a honra de receber uma distinção destas me deixa com a responsabilidade de tentar todos os dias fazer um jornalismo ético e de relevância para quem acompanha o meu trabalho. Em 29 de dezembro de 2015, o jornalista e pesquisador da Comunicação Social, Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite, na edição 883 do Observatório da Imprensa, resumiu assim a vida de um dos grandes jornalistas do Rio Grande do Sul, cujo centenário de nascimento havia acontecido dia 02 de dezembro de 2015:

Há 100 anos, no dia 2 de dezembro de 1915, sob o signo de Sagitário, nascia um dos maiores expoentes do jornalismo gaúcho: Alberto André (1915 – 2001). Filho dos imigrantes libaneses, Miguel e Sada André, ele nasceu em Porto Alegre. Ao longo de sua existência, desenvolveu um importante trabalho no campo do jornalismo, da política e da cultura, destacando-se como um exemplo de cidadania, dedicação e amor por sua terra.

Embora seu pai o incentivasse a formar-se em Medicina, Alberto André já sonhava, desde cedo, com o universo de uma sala de redação. Sua base educacional foi construída na Escola Lassalista de São João, no Colégio das Dores e no Colégio Júlio de Castilhos.

O profissional do jornalismo

Em 1936, começou a trabalhar na Rádio Sociedade Gaúcha, com o apoio do diretor da emissora, Nilo Ruschel (1911-1975), tendo apenas cinco minutos, duas vezes por semana, para falar acerca dos problemas de Porto Alegre, à qual devotou um amor incondicional. No ano seguinte, iniciaria sua vida acadêmica no Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mas sem abandonar sua paixão pelo jornalismo.

A sua primeira experiência na redação de um periódico foi no Jornal da Noite. Tratava-se de um jornal vespertino e político, sob a orientação de Flores da Cunha (1880-1959) e seu Partido Republicano Liberal. Com a criação do Estado Novo (1937-1945), o periódico encerrou a sua circulação. Nele, Alberto André redigia matérias muito ricas sobre a cidade de Porto Alegre.

Ainda em 1937, começou a trabalhar no jornal A Nação que pertencia à Tipografia do Centro e à Cúria Metropolitana de Porto Alegre, ganhando experiência em assuntos internacionais. Nesse período, ele teve o primeiro contato com a violência de origem ideológica contra a imprensa. O jornal A Nação, de origem germânica, acabou, em 1942, sendo depredado durante a II Guerra Mundial. Este episódio ficou conhecido, em nosso jornalismo, como a “Noite do Quebra-Quebra”. Alberto André trabalhou também no Correio da Noite, na Agência Brasileira de Notícias e colaborou no jornal, ligado ao Partido Libertador, O Estado do Rio Grande, fundado, em 1929, pelo médico e jornalista Raul Pilla (1892-1973).

O Estado Novo de Getúlio Vargas e o jornalismo

Em 1940, Alberto André recebeu o convite de Manoelito de Ornellas (1903-1969) – figura de destaque em nossas letras – para trabalhar como censor de notícias sobre a II Guerra Mundial (1939-1945), do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda, ligado Alberto-Andreao DIP. A princípio isso parece ir de encontro a sua figura democrática, porém, como censor, poupou jornais de empastelamento e avisou colegas acerca do risco de uma prisão iminente. A liberdade de informação foi o foco e a razão principal de sua carreira, como jornalista, ao longo dos anos.

Em 1941, Alberto André passou a lecionar Contabilidade no Colégio Nossa Senhora do Rosário. Na condição de professor, Alberto André assumiu a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas, um dos núcleos da futura PUCRS, lecionando em várias matérias durante 45 anos.

O jornalista do Correio do Povo

No ano em que ocorreu a famosa “Enchente de 41”, inundando de forma trágica a cidade, Alberto André se casou com Lourdes Cafruni, cuja união permaneceu sólida até a sua morte em 2001. O casal teve três filhos: Marlene (já falecida), Roberto e Fernando. Em 1941, Alberto André ingressou na redação do mais antigo e tradicional jornal da capital gaúcha, o Correio do Povo, onde trabalhou por 43 anos, atuando também como articulista na Folha da Tarde e na Folha da Tarde Esportiva que pertenciam à Empresa Jornalística Caldas Júnior. De 1942 a 1956 era Alberto André que dava a ordem para a rodagem do Correio do Povo. No ano de 1941, publicou o seu primeiro livro: Aspectos da Vida Internacional, pela Editora A Nação.

O presidente da ARI e sua visão democrática

Em 1943, formou-se em Direito pela UFRGS, atuando, por 15 anos, nessa área. Cinco anos depois, ele se filiou à Associação Riograndense de Imprensa (ARI), ocupando alguns cargos administrativos. Devido à insistência dos amigos da redação do Correio do Povo, Alberto André se candidatou à presidência da ARI, em 1956, e ganhou de forma excepcional o pleito por um voto de diferença. Dirigiu a entidade por 34 anos, posto no qual enfrentou o período do regime militar (1964-1985), auxiliando, principalmente, durante “os anos de chumbo” vários jornalistas e intelectuais, a exemplo de Flávio Tavares e Reinaldo Moura (1900-1965), então, diretor da Biblioteca pública do Estado, a escapar dos tentáculos do regime de força e repressão que havia se estabelecido no Brasil em 1964. Neste ano de 2015, no dia 19 de dezembro, a ARI comemora 80 anos de existência.

O homem político

Eleito, em 1951, para a Câmara Municipal de Porto Alegre, foi reeleito três vezes seguidas até 1963. Na condição de vereador, dedicou-se a buscar soluções para os problemas urbanos e sociais da nossa cidade, considerando isso um dever ético. Ainda em 1956, consegue seu registro, como professor, na Secretaria de Educação. Elege-se também para deputado estadual, no período de 56/60, exercendo o cargo por apenas dois meses. No ano seguinte, assumiu o cargo de Delegado Conselheiro da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), permanecendo por dois anos. Nesse ano, publicou o livro Coletânea de Legislação Tributária Municipal pela Editora Sulina.

O professor universitário

No ano de 1962, Alberto André começou a lecionar na cadeira de Direito Aplicado à Economia na Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, aposentando-se ao completar 70 anos, após 31 anos de trabalho como professor adjunto e chefe de departamento dessa universidade Ainda, em 1962, ele assumiu a presidência da Câmara Municipal de Porto Alegre, exercendo, com dignidade e altruísmo, essa importante função.

Em 1966, Alberto André é homenageado com a Medalha do Porto de Bremen na Alemanha Ocidental, que havia visitado em 1956. Um ano depois, publica, pela Editora Sulina, o livro Alemanha Hoje, no qual narra as duas viagens que fez a esse país.

No ano em que o Brasil ganhou a Copa Jules Rimet, em 1970, ele é escolhido, para assumir a direção da Faculdade dos Meios de Comunicação Social da PUCRS (Famecos). Ele permaneceu no cargo função até o ano de 1975. Ainda nesse ano, publica Ética e Códigos da Comunicação nos Cadernos de Comunicação da PUCRS. Em 1972, recebe o prêmio Destaques do Diário de Notícias e Medalha da Assembleia Legislativa. Passados dois anos, recebe o título de Comendador da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) / Secção Rio grande do Sul.

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Medalha Alberto André: ​Alice Urbim, André Machado, Edieni Ferigollo, Enir Grigol, Eugenio Bortolon, Ivete Brandalise, Marques Leonam, Patrícia Comunello, Rosane de Oliveira e Walter Galvani já receberam a homenagem Foto Luiz Ávila

O apoiador cultural

Durante o período nevrálgico da nossa política, que sucedeu ao golpe militar de 64, ele se envolveu em campanhas de interesse público, a exemplo da criação do Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa (Musecom), em 10 de setembro de 1974, em plena ditadura militar. O jornalista Sérgio Dillenburg – fundador e idealizador dessa instituição – teve o apoio incondicional da ARI e de seu presidente, em exercício, o jornalista e escritor Alberto André. Essa instituição prestou a sua homenagem, criando, no espaço do Musecom, a Sala Alberto André, na qual ocorrem diversos eventos culturais ligados à Comunicação. A campanha, para que fosse criada também a Casa de Cultura Mário Quintana, no prédio em que funcionou o famoso Hotel Majestic e morou o nosso poeta maior, teve a fundamental participação de Alberto André, então, representante da ARI no Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre,

Porto Alegre reconhece Alberto André

No ano de 1977, Alberto André recebe o título de professor Emérito da PUC, Ao iniciar a década de 80, Alberto André é agraciado com o título de Cidadão Emérito de Porto Alegre – fato que se repetiu em 1982.

Em 1980, é também escolhido Membro do Conselho Municipal do Plano Diretor de Porto Alegre, além de ser eleito chefe de Departamento de Direito Econômico e do Trabalho da UFRGS, aposentando-se em 1985. Em 1988, ele é homenageado como Patrono da 34ª Feira do Livro de Porto Alegre, em reconhecimento pelo seu trabalho, em prol da cultura gaúcha, e também por ter oficializado, por meio da criação de uma lei, esse tradicional evento cultural a céu aberto, criado, em 1955, pelo jornalista Say Marques do Diário de Notícias. A Feira do Livro ocorre, anualmente, na Praça da Alfândega no centro da capital gaúcha.

Em 1992, Alberto André publica 50 anos de imprensa, pela Editora FEPLAM. Um ano depois, ele recebe o título de Patrono das Agências de Propaganda do Rio Grande do Sul. Em 1995, o Jockey Club institui o Páreo Alberto André, sendo sua figura escolhida Decano dos Jornalistas do RS. O jornalista é homenageado pela Biblioteca da Câmara Municipal de Porto Alegre, cujo nome é Alberto André, localizando-se no terceiro andar do Legislativo.

Alberto André teve uma trajetória profissional notável, cuja palavra escrita foi utilizada, como instrumento, para o bem social e engrandecimento da cidade de Porto Alegre e do nosso estado. Esse exemplar profissional desenvolveu tantas atividades, no decorrer de sua existência, que é impossível enumerá-las nesse breve texto. A intenção, que me moveu a escrever, acerca da vida desse importante jornalista, foi a de prestar uma homenagem em seu centenário de nascimento. Alberto André fez escola, em nosso jornalismo, pela sua postura ética e tão cosmopolita em sua forma de pensar, ver e atuar como cidadão.

A presença do presidente Alberto André, na Associação Riograndense de Imprensa, foi tão marcante e significativa que recebeu o apelido de “Seu ARI”. Embora tenha se aposentado, ele jamais deixou de colaborar com artigos para jornais de todo o Rio Grande do Sul, escrevendo em sua velha e companheira máquina de escrever Remington.

A morte do ícone

O presidente de Honra e do Conselho Deliberativo da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) faleceu, em 06 de setembro de 2001, em sua residência, devido a uma insuficiência hepática, após anos de dedicação ao jornalismo, ao magistério, à advocacia e à política. Seu velório ocorreu na Assembleia Legislativa do Estado. O prefeito de Porto Alegre, na época, Tarso Genro assinou o decreto N° 13.379, determinando luto oficial, por três dias, na capital gaúcha.

Em abril de 2010, A Associação Riograndense de Imprensa (ARI), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), inaugurou o Laboratório de Recuperação do Acervo que contempla a vida e o legado cultural do Jornalista Alberto André.

O amor pelo jornalismo, que está presente em sua alma, não desapareceu com sua morte, aos 85 anos, pois, com certeza, transcende, noutra dimensão, o seu legado cultural e a intensa influência de seu trabalho na área da Comunicação Social, eternizado em sua amada Porto Alegre.

A medalha será recebida em conjunto com outros colegas – que ainda não tive acesso aos nomes -, pois muitos estão sendo comunicados da homenagem hoje. A cerimônia acontece na próxima segunda-feira(10.12.2018 ), na sede da ARI, em Porto Alegre.

No debate do JÁ, críticas à imprensa e ao regime militar

No debate do JÁ, críticas à imprensa e ao regime militar

Comunicação Cultura Direito Notícias Poder Política

Avaliações sobre o desempenho da imprensa brasileira e uma revelação surpreendente sobre o destino de documentos do DOPS durante a ditadura pontuaram o debate promovido no sábado, 26, pelo jornal JÁ. O jornalista Flávio Tavares afirmou que os meios de comunicação são responsáveis “por toda esta balbúrdia e inoperância política que existe hoje no País”. E o advogado Jair Krischke revelou que os arquivos do DOPS, que foram queimados publicamente em 1986, foram antes microfilmados e hoje “estão no quinto andar do QG do Comando Militar do Sul”.

O debate foi realizado na ARI (Associação Riograndense de Imprensa) sob a coordenação do diretor da JÁ Editores, Elmar Bones, que lançou o Kit Antiditadura – três edições especiais da revista JÁ sobre o ciclo militar de 1964. “Posso dizer que vivi um dia histórico”, escreveu Elmar no site da publicação. “Tive a honra de ter a meu lado na mesa dois dos maiores lutadores pela democracia no Brasil, o jornalista Flávio Tavares e o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Kritschke”. Elmar registrou que o que mais o impressionou foi que nenhuma das cerca de 80 pessoas que estavam no auditório se ausentou durante as duas horas de conversa.

Flávio Tavares trouxe a ideia que norteou os debates: a prática de simulação introduzida pelo regime militar (era uma ditadura que simulava que era democracia) é o vírus que contamina até hoje o organismo político do País. “Até hoje vivemos isso, todos simulam que defendem o interesse público, mas cada um só defende seu próprio interesse”, disse. Ele também sustentou que os cronistas da imprensa brasileira tratam a política como se fosse a francesa ou a alemã. “É um erro porque não desmistificam o que existe. Por exemplo, este Ministério da Dilma tem oito políticos respondendo a processo e ninguém ressalta isso. Daí o desconhecimento da população e esta sensação de que o eleitor não sabe votar”.

O jornalista, que tem uma coluna semanal em Zero Hora, afirmou que Xuxa, Ratinho, Gugu e Faustão “são os ministros da Educação no Brasil e são eles os responsáveis pela deseducação da população brasileira”. Segundo ele, “os meios de comunicação atuam como caixas registradoras. O importante não são as ideias e sim seus balanços . Por isso são diretamente responsáveis pelo quadro político que temos aí”.

Jair Krischke, por sua vez, deu um exemplo concreto do que seria “a prática da simulação introduzida pelo regime militar”, apontada por Flávio: os documentos da polícia política do Rio Grande do Sul. O então governador, Amaral de Souza, anunciou publicamente em 1982 que eles foram queimados. Na verdade, revelou Jair, foram queimados os registros em papel, que antes foram microfilmados e estão mantidos em sigilo até hoje. “Estão no QG do Comando Militar do Sul”, assegurou. “Estão supostamente bem guardados, mas não podem ser consultados por ninguém. Por lógica e lei, deveriam estar no Arquivo Público do Estado”. (Coletiva.net)