Arnaldo Jabor: “O Brasil não vive uma crise, o País vive uma mutação”

Arnaldo Jabor: “O Brasil não vive uma crise, o País vive uma mutação”

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O jornalista, cineasta, roteirista, diretor de cinema e TV, dramaturgo e escritor brasileiro, Arnaldo Jabor, foi protagonista de uma palestra especial no 29º Fórum da Liberdade, nesta terça-feira, dia 12 de abril. Jabor afirmou que, para caracterizar uma crise, precisa-se ter um objetivo não atingido. No caso do Brasil, não existe estratégia para se alcançar a meta. Com isto, o momento do Brasil é de mutação, define o jornalista.

Jabor fez uma conexão com uma, das várias, características que o Brasil herdou de Portugal: o patrimonialismo, e o define como “uma doença interna que perturba o País”, pois a sociedade se torna patrimônio do Estado. E mediante este processo, o Governo criou vícios, que atrasam o país. O primeiro vício, definido por Jabor, é que no Brasil o fracasso é elevado à qualidade: “uma das características da gestão autoritária”. A corrupção é outro ponto taxado pelo jornalista: “Não há na tradição brasileira a compreensão do dano causado pela corrupção, isso sempre foi considerado um pequeno pecado”.

Ressaltando os diversos episódios desmascarados de corrupção nos escândalos da Operação Lava-jato, Arnaldo Jabor relembrou um ex-chefe de campanha para contextualizar o tamanho do problema vivido no Brasil. “A corrupção está com uma dimensão tão elevada, que o PC Farias seria julgado no Tribunal de Pequenas causas mediante a quantia que dizem que ele desviou”, afirmou. Com o objetivo de transparecer o cenário incapaz dos representantes públicos, Jabor citou Itamar Franco: “O ex-presidente reuniu as pessoas mais cultas e capacitadas para ajustas a economia destruída por Collor. Convocou pessoas capacitadas, com PhD, com diplomas de Harvard e MIT. Pessoas totalmente distintas das que hoje assumem estas responsabilidades”, taxou.

‘Cunha parece dizer: Eu sou o Darth Vader, o coisa ruim’, Arnaldo Jabor

‘Cunha parece dizer: Eu sou o Darth Vader, o coisa ruim’, Arnaldo Jabor

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“O Eduardo Cunha é uma figura nefasta, mas é muito interessante do ponto de vista psicológico. Só Freud explica esse cara. Por exemplo, ele não estaria com o perigo de cassação se não tivesse mentido na CPI da Petrobras. Mas aí é que mora o espanto.

Vocês sabiam que ninguem convocou o Eduardo Cunha para depor na CPI? Ele foi por iniciativa própria para dizer que não tinha conta na Suíça. Só que ninguem perguntou. E aí ficou suspeito. Isso é o que a psicanálise chama de “contrafobia”.

O cara tem medo de ser indiciado e foi mentir por antecipação. Aí vieram as provas da Suíça. É um caso clínico. O prazer do psicopata é a mentira compulsiva. Ele goza em ser o contrário do que parece. Só que o psicopata também tem um fundo desejo de mostrar a sua competência.

Vejam: apesar de sua esperteza, ele deixou pistas óbvias, fáceis de encontrar no rastro de seus malfeitos. As contas suíças têm provas de tudo, e ele justificou isso cinicamente dizendo que vendia carne enlatada.

Ele não se altera e fala como se nada estivesse acontecendo com ele e com o país. Essa frieza é patológica.

Outro exemplo: o taxista Altair que, teria recebido grana do Fernando Baiano, ainda tem seu táxi na casa do Cunha. A conclusão única é que ele queria ser pego. Há algo de exibicionista em seu show atual. Ele parece orgulhoso: “Eu sou o Darth Vader, eu sou o coisa ruim!”. (Arnaldo Jabor/Jornal da Globo)