Rádio Guaíba/Esfera Pública: Lula enaltece líderes gaúchos do passado e lamenta RS “muito conservador”. Veja o vídeo

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O programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, ouviu nesta quinta-feira o ex-presidente Lula, que está em caravana pelo Rio Grande do Sul. Em São Miguel das Missões, o petista falou, com exclusividade, aos jornalistas Juremir Machado da Silva e Taline Oppitz sobre a condenação no caso do triplex, a situação política brasileira e a possibilidade de candidatura no pleito de outubro, entre outras questões.

Desde o começo, o petista enalteceu as lideranças gaúchas que se sobressaíram em nível nacional. ”Nós quisemos fazer uma homenagem a Getúlio Vargas, a (o ex-presidente João Goulart) Jango e a (Leonel de Moura) Brizola”, começou. “Quem conhece a historia sindical, dos trabalhadores, sabe que está ligada de forma umbilical a Getúlio Vargas. Estabelecer legislação trabalhista nos anos 30 praticamente foi extinguir a escravidão uma segunda vez”, ponderou. Lula também salientou que “criticou e muito” as ações de Getúlio Vargas do ponto de vista autoritário e nas semelhanças com o regime fascista italiano, mas reconheceu a importância da figura dele para a criação dos direitos dos trabalhadores.

Também comentou sobre o encontro, já em Santana do Livramento, com o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica. Lula elogiou o estadista e a postura que adotou como chefe de Estado. Sobre a visita a Bagé, ressaltou a criação da Unipampa, e acusou o Ministério Público local de ter ameaçado o reitor do campus da cidade para evitar a aproximação dele dos estudantes. Lamentou, ainda, a tentativa de manifestantes de impedir a entrada dele na cidade: “eu já protestei tantas vezes contra os outros, não posso achar ruim quando é contra mim. O que eu achei uma afronta foi as pessoas acharem que você não pode entrar numa cidade”.

Lula ainda apontou que “o ódio é uma coisa que está disseminada no País desde 2013 e principalmente depois da campanha do Aécio contra Dilma (em 2014)”, e que “nunca teve na história do País momento em que o RS recebeu mais recursos federais do que nos 12 anos do governo do PT.” O ex-presidente garantiu que “você pode pegar até o (ex-presidente Emilio Garrastazu) Médici, que era de Bagé, e ver se algum presidente colocou 10% do que eu e Dilma colocamos aqui”.

Sobre a importância dele como figura política, o petista foi enfático: “não fico analisando a minha importância política ou histórica, eu apenas me considero um cidadão que cresceu politicamente à medida que foi crescendo a consciência política dos trabalhadores brasileiros. A razão de eu fazer política é fazer com que as pessoas de baixo, as pessoas que nunca foram sujeitos da história comecem a ter mais poder, decidindo, propondo e fazendo”. O ex-presidente também lamentou que não haja mais grandes figuras políticas no País e que o fenômeno (Jair Messias) Bolsonaro deve ser levado a sério: “quem tem que cuidar do Bolsonaro são os tucanos, foi a política de ódio deles que deu origem ao Bolsonaro.”

Sobre a condenação em segunda instância pelo caso do triplex do Guarujá, Lula disparou para todos os lados: “a única coisa que eu quero desse processo é que alguma instância superior julgue o mérito do processo. Eu não posso aceitar o conjunto de mentiras que foi montado para tentar condenar o Lula. Eles não estão julgando Lula, eles estão julgando o governo de Lula e de Dilma”. Ele também garantiu que não cogita sair do Brasil: “já me disseram para sair, eu não vou sair do Brasil, eu vou ficar aqui. A caravana vai acabar em Curitiba, na ‘boca maldita’”, completou, negando que isso se trate de provocação. “Podíamos ter começado por Curitiba, mas tínhamos agenda com o Mujica, então começamos pelo Rio Grande do Sul”, justificou.

Do mesmo modo, Lula criticou o processo montado pelo juiz Sérgio Moro e a defesa feita pelo procurador Daltan Dallagnol, que coordena a força-tarefa responsável pela operação Lava Jato. “Eu estou com a tranquilidade dos inocentes, e eles estão com a intranquilidade dos culpados, porque eles sabem que montaram uma farsa pra me culpar”. Também relembrou a ocasião da condução coercitiva para prestação de depoimentos e a crença de que essas ações pioraram a situação da saúde da esposa, Marisa Letícia, falecida em 2017: “eu acho que eles ajudaram a matar a Marisa. Ela piorou, ela perdeu o prazer pela vida depois que ela viu invadirem a casa dela e dizerem que ela participava de uma quadrilha.”

Sobre relação dele com a também ex-presidente Dilma Rousseff, Lula tratou de desmentir supostos desentendimentos ou brigas. Falou ainda sobre as mulheres, e que devem ocupar mais os espaços públicos, e que uma lei de cotas não é o suficiente. “Falavam que a gente era o povo mais alegre do mundo. Cadê nossa alegria?”

O ex-presidente finalizou criticando os gaúchos do ponto de vista político: “acho que o RS hoje está muito conservador. Esse povo (gaúcho) teve acesso à educação antes do restante do País. Mas agora estou endo que tem mais ódio disseminado, ontem uns meninos tentando evitar nossa entrada em Bagé”, repetiu.

Por fim, Lula foi enérgico ao afirmar que “essa gente que tá aí não sabe governar, não sabe cuidar do Brasil, eles estão vendendo nosso País, e eu quero dizer que, se o PT quiser, eu sou candidato. Se eu puder ser candidato porque nós vamos fazer um referendo revogatório ou uma nova Constituinte para desfazer essa ‘safadeza’ que eles estão fazendo com nosso povo”, finalizou.

Bolsonaro volta a criticar a Folha e defende uso de auxílio-moradia. Deputado emprega servidora fantasma que vende açaí no RJ

Bolsonaro volta a criticar a Folha e defende uso de auxílio-moradia. Deputado emprega servidora fantasma que vende açaí no RJ

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Em entrevista à Folha, o presidenciável e deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) voltou a criticar o jornal e a defender o recebimento de auxílio-moradia da Câmara, mesmo tendo imóvel próprio em Brasília. Ao ser questionado sobre o uso do benefício para pagar o apartamento, o deputado afirmou que estava solteiro à época e utilizou o dinheiro para “comer gente”. A íntegra da entrevista está na Folha de São Paulo.

Deputado emprega servidora fantasma que vende açaí no RJ

Jair Bolsonaro usa verba da Câmara para empregar vizinha dele em Angra Dos Reis (RJ), onde ela vende açaí. Walderice da Conceição é listada desde 2003 como funcionária do gabinete do deputado em Brasília. Bolsonaro nega que ela seja funcionária fantasma. A reportagem completa está na Folha de São Paulo.

‘Espero que seja retórica eleitoral’, diz Meirelles sobre intenções de Lula na economia. Ex-presidente sinaliza que pode rever ações tomadas no governo Temer; por por Bárbara Nascimento/O Globo

‘Espero que seja retórica eleitoral’, diz Meirelles sobre intenções de Lula na economia. Ex-presidente sinaliza que pode rever ações tomadas no governo Temer; por por Bárbara Nascimento/O Globo

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O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta quarta-feira à “Rádio Guaíba”, do Rio Grande do Sul, que espera que o discurso do ex-presidente Lula na área econômica seja “meramente uma retórica eleitoral”. Lula tem sinalizado que pode reverter, se eleito em 2018, algumas ações tomadas na área econômica durante o governo Michel Temer.Ele lembrou que existia um receio similar em relação a Lula em 2002 e que, quando eleito, o ex-presidente o convidou para a direção do Banco Central, onde teve autonomia para atuar.

— Agora, o que ele está propondo eu discordo. Eu espero que seja meramente uma retórica eleitoral. Respeito a diferença de opinião, mas claramente o que estamos fazendo está dando certo. Mais informações em O Globo.

Brasil está indo tão bem ou melhor do que no governo Lula, diz Meirelles; por Elizabeth Lopes/ Broadcast Estadão

Brasil está indo tão bem ou melhor do que no governo Lula, diz Meirelles; por Elizabeth Lopes/ Broadcast Estadão

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Entrevista completa do Ministro Henrique Meirelles ao programa Agora/Rádio Guaíba, com Felipe Vieira.

 

 

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quarta-feira. 13, em entrevista à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul, apostar na vitória de um candidato, nas eleições presidenciais do ano que vem, que priorize uma agenda de mudanças modernizantes na economia brasileira, mudanças que gerem emprego, reduzam a inflação e juros, melhorem a qualidade de vida da população, foquem nas reformas necessárias que o País precisa e fujam das bandeiras populistas.

Indagado se seria este candidato, já que vem pregando pelo País, como condutor da economia brasileira, um discurso baseado nessas premissas, Meirelles voltou a dizer que tomará uma decisão a esse respeito apenas entre final de março e começo de abril do próximo ano.

“Agora é foco total na economia, gosto de olhá-la com números e estamos na direção certa”, destacou Meirelles na entrevista. Ao falar de suas ações para a criação empregos, manutenção da inflação e juros em níveis mais baixos e consolidação do crescimento, ele disse que a atual agenda econômica é liberal e vem contribuindo para reduzir o tamanho do Estado. “Com o estabelecimento do teto dos gastos públicos, o tamanho governo federal – que já foi superior a 20% – chegará a 15% do PIB.” E disse que isso contribui para muitos avanços, inclusive a redução de impostos. “O brasileiro não aguenta pagar mais imposto; mas agora estamos no caminho certo, da modernização da economia.”

Quesrtionado sobre a possibilidade de disputar o Palácio do Planalto, tendo como concorrente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem foi presidente do Banco Central, Meirelles disse que mantém uma relação cordial e de amizade com o petista, que o convidou pra ser a autoridade monetária de seu governo. Apesar de manter uma relação de amizade com Lula, Meirelles pontuou que os dois têm pontos de vista diferentes. “Não concordo com a atual retórica de Lula”, disse, reiterando que sob sua batuta, o País está voltando ao rumo certo, depois de enfrentar uma das maiores crises de sua história.

O ministro da Fazenda respondeu também como seria uma eventual disputa entre “criatura e criador”, no caso Lula, que o alçou à vida pública como presidente do BC de sua gestão. Meirelles refutou tal comparação e deixou claro que ao ser convidado para integrar a equipe do então governo petista, como presidente do Banco Central, já tinha uma carreira bem consolidada, inclusive a nível internacional. “E quando Lula me chamou, me deu total autonomia para resolver os problemas do País, o que foi bom para ele e para o governo dele, pois sempre respeitou minhas decisões no BC, mesmo não concordando às vezes.” E alfinetou: “Agora o Brasil está indo tão bem ou melhor (do que na gestão de Lula).”

Sobre o debate que estará em pauta no pleito presidencial do ano que vem, Meirelles disse que “é simples”: “Ou vamos manter a presente política que está dando certo, de crescimento e geração de emprego ou vamos voltar atrás em políticas recessivas e gerar desemprego.” E citou que o governo Temer está sob fogo direto da oposição, “o que é normal, faz parte da democracia”. Meirelles aproveitou a entrevista para alfinetar outro potencial concorrente, o deputado Jair Bolsonaro, dizendo que até o momento ele não esclareceu qual será o seu projeto econômico. “Não está clara linha econômica de Bolsonaro, espero que ele coloque isso com clareza.”

Bolsonaro reedita briga com deputada em sessão sobre violência contra a mulher; do IG/SP com fotos: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Bolsonaro reedita briga com deputada em sessão sobre violência contra a mulher; do IG/SP com fotos: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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 Os deputados Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e Maria do Rosário (PT-RS) batem-boca na comissão geral, no plenário da Câmara dos Deputados, que discute a violência contra mulheres e meninas, a cultura do estupro, o enfrentamento à impunidade e políticas públicas de prevenção, proteção e atendimento às vítimas no Brasil.
Brasília - O deputado Jair Bolsonaro discute com a deputada Maria do Rosário durante comissão geral, no plenário da Câmara dos Deputados, que discute a violência contra mulheres e meninas, a cultura do estupro, o enfrentamento à impunidade e políticas públicas de prevenção, proteção e atendimento às vítimas no Brasil (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília - O deputado Jair Bolsonaro discute com a deputada Maria do Rosário durante comissão geral, no plenário da Câmara dos Deputados, que discute a violência contra mulheres e meninas, a cultura do estupro, o enfrentamento à impunidade e políticas públicas de prevenção, proteção e atendimento às vítimas no Brasil (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi até a mesa do plenário para questionar decisão da deputada Maria do Rosário (PT-RS)
Deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi até a mesa do plenário para questionar decisão da deputada Maria do Rosário (PT-RS). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os deputados Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e Maria do Rosário (PT-RS) protagonizaram mais uma confusão na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (14). Durante a reunião da comissão geral no plenário da Casa, que ocorreu para discutir casos de violência contra mulheres e meninas, Bolsonaro foi alvo de críticas e tumultuou a sessão em diversas ocasiões.

A deputada Maria do Rosário, que presidia o debate, não cedeu aos pedidos de Bolsonaro de ter direito à palavra e disse que não se renderia a “atitudes intimidatórias”. A briga entre os parlamentares não é de hoje. No ano passado, o deputado foi condenado a indenizar Maria do Rosário por ter dito que não a estupraria “porque ela não merecia”.  Ele ainda enfrenta no Conselho de Ética da Câmara um processo por quebra de decoro pelo ocorrido.

Comissão

Em um dos discursos mais polêmicos da manhã, a presidente do coletivo de lésbicas Coturno de Vênus, Cláudia Macedo, provocou tumulto ao afirmar “que nesta Casa há pelo menos um deputado acusado de apologia ao estupro” e defender que o Parlamento o afaste para sinalizar empenho em acabar com este crime. Ela não citou nomes, mas Bolsonaro – um dos primeiros a chegar à sessão e se inscrever para falar – reagiu imediatamente.

O deputado cobrou que ela revelasse quem era o parlamentar que ela estava acusando. Bolsonaro gritava “palhaça” fora dos microfones – que estavam desligados – e a tensão aumentou.

A deputada Maria do Rosário pediu para que a oradora continuasse seu discurso tentando ignorar Bolsonaro que, em sua frente, com dedo em riste, acusava a parlamentar de “defensora de estuprador”. Sem conseguir a palavra, Bolsonaro chegou a levantar o pedestal dos microfones do plenário e provocando a movimentação de seguranças, mas acabou voltando para sua cadeira pouco depois.

Bolsonaro chegou a levantar o pedestal dos microfones do plenário, provocando a movimentação de seguranças
Bolsonaro chegou a levantar o pedestal dos microfones do plenário, provocando a movimentação de seguranças. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em outro momento, foi a vez da vice-presidente da OAB-DF exaltar os ânimos da sessão. A debatedora Daniela Teixeira defendeu a condenação de Bolsonaro sob a acusação de apologia ao estupro.

O parlamentar pediu a palavra por ter sido citado pela debatedora, mas novamente não foi atendido pela deputada Maria do Rosário. Segundo ela, os parlamentares inscritos falariam em outro momento do debate.

Bolsonaro dirigiu-se à mesa e protestou, gritando e com o dedo em riste, contra a decisão. Maria do Rosário pediu respeito quando uma mulher preside a mesa da Casa.

Desfesa

Após a conclusão da fala da última convidada para o debate, Bolsonaro falou na tribuna e defendeu-se das acusações.

Referindo-se ao caso de Liana Friedenbach, estuprada e morta em 2003 em Embu (SP), Bolsonaro disse que na ocasião saiu em defesa da vítima.  O deputado ainda criticou a atuação de Maria do Rosário naquela época. Também acusou a deputada de defender o cunhado, que seria estuprador. A parlamentar não quis se manifestar, por estar presidindo a sessão.

Para Bolsonaro, a realização da comissão geral estaria sendo um desserviço a mulheres vítimas de violência. Ele defendeu a castração química do estuprador e criticou a defesa dos direitos humanos dos acusados de estupro.

O parlamentar também criticou a defesa da discussão de gênero nas escolas, afirmando que estimula o sexo precocemente. Para o parlamentar, não existe cultura do estupro, e sim a “cultura da impunidade”.

Críticas

A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) afirmou que o projeto de castração química de acusados de estupro (PL 5398/13) não ajuda a coibir ou prevenir o crime. Segundo ela, o projeto ajuda que o criminoso possa sair da cadeia, já que permite ao condenado optar por castração química como remissão da pena.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) criticou a tentativa de intimidação à deputada Maria do Rosário e disse que isso não ocorre quando homens estão presidindo a sessão. Ele elogiou a firmeza da deputada na condução dos trabalhos e defendeu uma escola livre para discutir a igualdade de gênero.

Tensão

O clima já estava tenso desde os primeiros momentos da sessão, quando Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) – adversários ideológicos da petista – sentaram frente a frente com a parlamentar, que foi a primeira a discursar. Assim que Maria do Rosário reassumiu a presidência da sessão, Eduardo Bolsonaro deu início às provocações questionando o tempo que oradores teriam para falar.

Maria do Rosário, visivelmente irritada, informou que responderia posteriormente e chamou a primeira oradora a falar. Bolsonaro lembrou que havia previsão de Ordem do Dia às 13h desta quarta-feira e que uma sessão longa poderia prejudicar parlamentares que pretendem participar da segunda reunião da Câmara. A petista respondeu citando o Regimento e o deputado começou a gritar ao ter tido o microfone fechado.

Maria do Rosário não cedeu a palavra ao deputado Jair Bolsonaro e disse que não se renderia a “atitudes intimidatórias”
Maria do Rosário não cedeu a palavra ao deputado Jair Bolsonaro e disse que não se renderia a “atitudes intimidatórias”. Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

A deputada o ignorou, chamando outra convidada a falar na tribuna. Jair Bolsonaro então questionou falas de pessoas que não estavam na lista da sessão. “A senhora não manda aqui não. Segue o regimento”, gritou.

Jair Bolsonaro não conseguiu mudar a sessão, mas conseguiu tumultuar o clima ao ser abordado por um grupo de simpatizantes, principalmente estudantes, que se concentrou no meio do espaço gravando vídeos e tirando fotos ao lado do parlamentar.

LEIA MAIS: Impasse deixa caso de Bolsonaro sem relator no Conselho de Ética da Câmara

Carla Zambelli Salgado, do Movimento Nas Ruas, convidada à tribuna, aumentou a temperatura do debate quando atacou partidos de esquerda no combate à violência contra a mulher e questionou que “espécie de proteção” legendas como PT e PCdoB defendem quando ignoram “um projeto verdadeiro”. “Por que não apoiam o projeto de castração química? Só porque foi apresentado por Jair Bolsonaro (PSC-RJ)?”, provocou. “É um projeto que pode acabar efetivamente com a violência contra a mulher e contra a cultura do estupro”, disse.

A parlamentar não reagiu e Thiago André Pierobom de Ávila, promotor de Justiça do Ministério Público no Distrito Federal, respondeu: “Nós não promovemos a defesa de direitos humanos através da violação de outros direitos humanos”, disse, sendo aplaudido pelos convidados.

Projetos de lei

Antes da confusão, Maria do Rosário já tinha se manifestado e defendeu mudança na legislação que trata de procedimentos policiais em casos de violência contra mulheres e meninas. Ela fez um apelo para que a Câmara conclua o Projeto de Lei 3.792, em tramitação desde o ano passado.

Durante a comissão geral realizada no plenário da Câmara para discutir a violência contra mulheres e meninas, a deputada destacou que a proposta cria um sistema integral de proteção às vítimas.

“O projeto prevê vários passos para que uma criança seja protegida quando chega a uma instituição. Prevê que a oitiva da criança seja gravada, que tenha o apoio de profissionais da psicologia atentos às necessidades da criança e que seja um depoimento único”, detalhou.

“As memórias vão se confundindo. Outras podem aparecer depois. Se ela for ouvida e gravada uma vez, não passara pela revitimização de tantas oitivas”, disse.

Uma das autoras do pedido para que a sessão fosse realizada nesta quarta-feira, Maria do Rosário lembrou que, em seu primeiro mandato na Câmara, participou da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre violência contra mulheres, adolescentes e crianças que resultou em novas leis que agravaram penas aplicadas nos casos de crimes sexuais.

“Todas as vezes que os senhores escutam no noticiário ou leem nos jornais a expressão ‘estupro de vulnerável’ ela é fruto do trabalho das mulheres e homens deste Parlamento. Não é mais possível pela lei uma criança e uma mulher serem julgada pela roupa que usa, pela festa a que compareceu”, exemplificou.

 

Conselho de Ética instaura processo contra Bolsonaro por apologia à tortura. Nome do relator será anunciado em duas sessões

Conselho de Ética instaura processo contra Bolsonaro por apologia à tortura. Nome do relator será anunciado em duas sessões

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Mesmo sem quórum, com apenas quatro deputados na sala da reunião marcada para esta terça-feira, o presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), instaurou processo contra o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). No prazo de duas sessões, Araújo disse que anunciará o nome do relator do caso a partir de uma lista tríplice que inclui os nomes de Zé Geraldo (PT-PA), Valmir Prascideli (PT-SP) e Wellington Roberto (PR-PB). O parlamentar é acusado, de acordo com uma representação do Partido Verde, de apologia ao crime de tortura.

O parlamentar que ficará responsável por elaborar parecer a favor ou contra a cassação do mandato de Bolsonaro deve ser do PT ou PR em função dos critérios definidos pelo Código de Ética, que restringe as indicações, excluindo parlamentares que sejam do mesmo partido, bloco ou estado do representado ou aliados.

“No passado, o único impedimento era o estado e partido do representado. Com a modificação feita por resolução, o presidente em exercício [da Câmara, Waldir] Maranhão fez modificações que impedem que também seja do mesmo bloco. Se perdurar desta forma e não tomarmos providência para voltar a ser como era, pode chegar a um determinado momento em que não poderá ter relator, se admitirem que amanhã pode ser formado um blocão”, alertou Carlos Araújo.

O colegiado tem agora 90 dias úteis para decidir o futuro do deputado fluminense. Bolsonaro é alvo de uma representação movida pelo Partido Verde – legenda que não tem assento no conselho. O partido acusa o parlamentar por apologia ao crime de tortura ao homenagear o coronel Brilhante Ustra durante a sessão da Câmara dos Deputados, em abril deste ano, que aprovou a abertura do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido como coronel Ustra, foi o primeiro militar reconhecido pela Justiça como torturador na ditadura.

Regimentalmente não havia necessidade de uma sessão para abertura do caso, mas Araújo agendou o encontro para dar publicidade à medida. Em função das mudanças de decisão do presidente interino, Waldir Maranhão (PP-MA), que cancelou e depois remarcou sessão de votação na Câmara para esta semana, a Casa está esvaziada e apenas Júlio Delgado (PSB-MG), Marcos Rogério (DEM-RO) e Alberto Filho (PMDB-MA) marcaram presença, além de Araújo.

Também havia a intenção de discutir uma consulta sobre a substituição de membros no colegiado, mas o tema acabou adiado. A consulta foi apresentada por Delgado, Rogério e Onyx Lorenzoni (DEM-RS) para tentar evitar o que ocorreu durante o processo envolvendo o presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quando várias substituições foram apontadas como manobras de aliados do peemedebista para tentar evitar a aprovação de sua cassação. (Agência Brasil)

Bolsonaro foi batizado em Israel enquanto impeachment ocorria no Senado

Notícias Poder Política

 

thumb.aspxO deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi batizado no Rio Jordão, em Jerusalém, enquanto ocorria no Senado o processo pela admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O parlamentar está em Israel, onde se reuniu com congressistas do país e participou das festividades dos 68 anos de aniversário da independência israelense. A cerimônia foi realizada pelo Pastor Everaldo, presidente do PSC. (Correio do Povo)

 
OAB-RJ quer a cassação do mandato de Bolsonaro por homenagem a torturador na votação do impeachment de Dilma

OAB-RJ quer a cassação do mandato de Bolsonaro por homenagem a torturador na votação do impeachment de Dilma

Direito Notícias Poder Política

A Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro (OAB-RJ) protocolou hoje na Câmara dos Deputados e na Procuradoria-Geral da República requerimento denunciando o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por quebra de decoro parlamentar e apologia à tortura. O pedido toma por base a atitude do parlamentar quando da votação – na Câmara – do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Na ocasião, Bolsonaro, da bancada do Estado do Rio, exaltou a ditadura militar e a memória do ex-coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, já falecido, e que chefiou o Destacamento de Operações de Informações/Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi) de São Paulo, local onde foram torturados presos políticos.

Argumentação

Na representação, de 24 páginas, encaminhada ao Conselho de Ética da Câmara, a OAB pede a cassação do deputado federal motivada por “diversas violações à Constituição brasileira, ao Regimento Interno da Câmara e ao Código de Ética parlamentar”. Na avaliação da OAB/RJ, “não cabe a essa Casa do Povo outra postura senão a cassação do mandato do representado, uma vez que sua presença macula e desrespeita o parlamento brasileiro”.

Classificando a declaração como um “ato abominável”, o ofício, também encaminhado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denuncia criminalmente Bolsonaro por apologia à tortura, e pede providências do Ministério Público. “Além de configurar quebra de decoro parlamentar, configura também [a atitude do parlamentar] ilícito penal, uma vez que é apologia ao crime e a criminoso, no caso, um dos maiores torturadores já conhecidos do período militar, que foi declarado como tal pela Justiça brasileira”.

Desde a sessão do último dia 17, quando da votação do processo do impeachment na Câmara, que o presidente da OAB/RJ, Felipe Santa Cruz, vem condenando as declarações do deputado.

Em nota divulgada pela OAB/RJ, Santa Cruz sustenta que “houve [por parte de Bolsonaro] apologia a uma figura que cometeu tortura e também desrespeitou a imagem da própria presidente.” Na avaliação do presidente da OAB/RJ, além da falta ética do parlamentar, “que deve ser apreciada pelo Conselho de Ética da Câmara, é preciso que se julgue também o crime de ódio.” (Agência Brasil)

Manifestantes fazem protesto em frente à casa de Jair Bolsonaro, no Rio

Manifestantes fazem protesto em frente à casa de Jair Bolsonaro, no Rio

Notícias Poder Política

Manifestantes fizeram, neste domingo (24), um protesto em frente à casa do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), na Barra Tijuca, Rio de Janeiro. Os ativistas seguiram pela orla, chamando o deputado de “Bolsomonstro”. Um dos manifestantes estava fantasiado de Hitler.

No ato, os manifestantes cantavam: “Bom dia Bolsomonstro, como vai? Bom dia Bolsomonstro, como vai? Não aceito retrocesso, muito menos seu fascismo. Bom dia Bolsomonstro, como vai?”

O deputado se manifestou pelas redes sociais, escrevendo: “Minha propriedade privada é sagrada. Se um dia invadirem, não sairão”. “Bolsonaro ameaça o Levante [Levante Popular da Juventude]. Não nos intimidaremos!”, responderam os manifestantes.

Bolsonaro prosseguiu: “LPJ – Levante Popular da Juventude a serviço das ditaduras comunistas!”, dizia um dos posts do deputado. Ou ainda, na sua conta no Twitter: “Meu condomínio está cercado por simpatizantes do PT. Estão ameaçando invadi-lo! Espero que não cometam essa loucura!”. O ato terminou por volta das 12 horas.

Bolsonaro causou polêmica no dia da votação do impeachment, na Câmara de Deputados (domingo, 17), quando dedicou seu voto a favor ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra – chefe do DOI-Codi acusado de tortura durante a ditadura militar. No momento do voto, Bolsonaro exaltou a ditadura e a memória de Ustra.

A manifestação ocorreu sob o forte calor que predomina na cidade neste domingo. No ato, os integrantes do grupo seguraram uma grande faixa com a frase “Bolsonaro Golpista”. Havia ainda um retrato do deputado com o símbolo nazista (suástica) carimbado na testa.

Na última terça, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) anunciou que iria ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a cassação do mandato de Bolsonaro após sua homenagem. (JB)

FHC pede que PSDB repudie declarações de Bolsonaro sobre torturador

FHC pede que PSDB repudie declarações de Bolsonaro sobre torturador

Economia Notícias Poder Política

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) classificou como “estapafúrdia” a declaração do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), durante votação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, na Câmara, no último domingo. O deputado exaltou a ditadura militar e a memória do coronel reformado Carlos Brilhante Ustra, que foi chefe do Doi-Codi de São Paulo, um dos mais sangrentos centros de tortura do regime militar, e morreu no ano passado. Para FHC, o PSDB deve “repudiar” as declarações.  “É inaceitável que tantos anos após a Constituição de 1988 ainda haja alguém com a ousadia de defender a tortura e, pior, elogiar conhecido torturador. O PSDB precisa repudiar com clareza essas afirmações, que representam uma ofensa aos cidadãos do País e, muito especialmente, aos que sofreram torturas”, disse FHC. Durante a votação do impeachment, Bolsonaro disse: “Perderam em 1964, perderam agora em 2016. Contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, o meu voto é sim.”

FHC se manifestou na quarta-feira. “O processo do impeachment começa agora a tramitar no Senado. Esperamos que os trâmites legais sejam todos cumpridos, sem delongas. E quando chegar o momento da decisão dos senadores, que a votação se processe de forma conveniente, sem declarações estapafúrdias como algumas que testemunhamos na Câmara dos Deputados. Especialmente uma me desagradou, aquela proferida pelo deputado Bolsonaro.”

Ustra comandou o Doi-Codi entre 1971 e 1974. Nos últimos anos, procuradores da República em São Paulo vinham tentando processá-lo pela tortura e morte de vários militantes que foram encarcerados nas dependências daquela unidade militar do antigo II Exército em São Paulo. Há sete anos, Ustra é declarado torturador pela Justiça, após decisão do TJ de São Paulo. A reportagem completa está no Correio do Povo.