RS: Cairoli fala sobre pedido de auxílio ao Exército para enfrentar crise na Segurança

RS: Cairoli fala sobre pedido de auxílio ao Exército para enfrentar crise na Segurança

Destaque Direito Poder Política Porto Alegre Segurança

 

 

Conversei com o vice-governador José Paulo Cairoli sobre o encontro dele nesta terça-feira, com o Comando Militar do Sul, em busca de auxílio para a crise de segurança que o Rio Grande do Sul enfrenta. O Comando é responsável pelo contingente do Exército em toda a região Sul do Brasil (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná).

Conforme a assessoria do governo, o encontro serviu para Cairoli expôr as dificuldades. O oficial que o recebeu garantiu que o assunto vai ser levado adiante. O comandante militar do Sul, general de Exército Edson Leal Pujol, não participou da reunião por estar em viagem pela Argentina.

Desde as 6h desta terça-feira, 136 soldados da Força Nacional de Segurança, cedidos pelo governo federal, passaram a integrar o efetivo da Brigada Militar em função da sequência de crimes com repercussão ocorridos em Porto Alegre. O efetivo vai atuar em áreas de maior incidência de delitos e por tempo indeterminado. Custeada pelo Ministério da Justiça, a Força Nacional se une a 160 soldados da BM que já compõem a Operação Avante, empregada em ações de patrulhamento, barreiras móveis e abordagens.

Também por tempo indeterminado, Cairoli mantém o comando interino da Secretaria da Segurança Pública até que se defina o nome do sucessor de Wantuir Jacini – que pediu exoneração na quinta-feira passada. (Felipe Vieira com informações de Camila Diesel/Rádio Guaíba)

General que pediu “despertar de luta patriótica” é afastado do Comando Militar do Sul

Destaque Poder Política
General foi exonerado de cargo após críticas ao governo | Foto: Tarsila Pereira / CP Memória

General foi exonerado de cargo após críticas ao governo | Foto: Tarsila Pereira / CP Memória

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, decidiu transferir o general Antonio Hamilton Martins Mourão do Comando Militar do Sul para a Secretaria de Economia e Finanças do Exército, em Brasília. O general Mourão, assim, perde o comando de uma tropa e passa a exercer um cargo mais burocrático.

A decisão de afastá-lo do comando foi tomada em virtude das declarações dadas a oficiais da reserva na qual fez duras críticas à classe política, ao governo e convocou os presentes para “o despertar de uma luta patriótica”. Em palestra, há pouco mais de um mês, o comandante do CMS fez também críticas indiretas à presidente Dilma Rousseff e ao comentar a possibilidade de impeachment de Dilma, disse que “a mera substituição da PR (presidente da República) não trará mudança significativa no status quo” e que “a vantagem da mudança seria o descarte da incompetência, má gestão e corrupção”.

O general Mourão afirmou ainda que “a maioria dos políticos de hoje parecem privados de atributos intelectuais próprios e de ideologias, enquanto dominam a técnica de apresentar grandes ilusões”. A gota d’água para o afastamento do general Mourão veio no início da semana, quando o Comando Militar do Sul fez uma homenagem póstuma ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto no dia 15 deste mês, acusado de torturar presos durante o
regime militar.

Convites para homenagem a Ustra chegaram a ser expedidos

O Comandante da 3ª Divisão de Exército, general José Carlos Cardoso, subordinado a Mourão chegou a expedir convites para a cerimônia realizada em Santa Maria (RS), cidade natal de Ustra. A presidente Dilma Rousseff foi presa e torturada nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do 2º Exército em São Paulo, unidade chefiada pelo então major Ustra.

O requerimento do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) ao ministro da Defesa questionando se o general Mourão estaria incitando os militares, aprovado ontem na Comissão de Relações Exteriores do Senado, fez com que o processo fosse ainda mais rapidamente deflagrado e o desfecho do caso, com o afastamento do general Mourão tivesse sido imediata.

Rapidez

A rapidez da solução do problema agradou o Planalto. O ministro da Defesa, Aldo Rebelo (PCdoB), já havia conversado com Dilma sobre as declarações do general, há pelo menos dez dias. Na ocasião, Aldo relatou as conversas que vinha mantendo com o comandante do Exército sobre o caso de Mourão e de outras declarações de militares que surgiram pelo País.

A ideia era transferir o general Mourão de cargo, mostrando que ele perdeu o posto, para dar uma demonstração de este tipo de postura não é aceitável por parte de um general de Exército da ativa, falando para seus comandados. A proposta obteve a plena concordância da presidente.

Nesta quinta-feira após reunião do Alto Comando do Exército, a transferência do general Mourão foi efetivada, e para o seu lugar foi designado o general Édson Leal Pujol, que já foi comandante das tropas no Haiti e atualmente estava na Secretaria de Economia e Finanças do Exército, para onde vai Mourão. Na reunião do Alto Comando, o assunto foi tratado e houve recomendação do general Villas Bôas para que este tipo de comportamento seja evitado por todos. (Correio do Povo)