Presidente da Câmara reduz prorrogação de CPI que investiga o Carf. De acordo com o despacho assinado dia 15, a CPI terá agora 26 dias corridos, a contar do dia 17 de julho, para concluir os trabalhos

Presidente da Câmara reduz prorrogação de CPI que investiga o Carf. De acordo com o despacho assinado dia 15, a CPI terá agora 26 dias corridos, a contar do dia 17 de julho, para concluir os trabalhos

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O novo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), revogou a prorrogação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf – por 60 dias, em um de seus primeiros atos, logo após ter sido eleito dia 15 último. De acordo com o despacho assinado dia 15, a CPI terá agora 26 dias corridos, a contar do dia 17 de julho, para concluir os trabalhos.

A prorrogação por 60 dias havia sido aprovada por comissão especial e assinada pelo ex-presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), três dias antes. A CPI do Carf investiga denúncias de favorecimento a empresas em julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda que é a última instância recursal contra cobranças tributárias.

Na semana passada, o relator da CPI, deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), justificou a necessidade da prorrogação pela dificuldade em convocar testemunhas. “Não trouxemos aqui vários atores, inclusive beneficiários econômicos do esquema”, disse.

Entre as companhias investigadas estão grandes bancos, siderúrgicas e montadoras de veículos. Segundo investigações da Polícia Federal, os empresários pagavam propinas a intermediários para que intercedessem junto a conselheiros do Carf. Os resultados fraudados são tratados pela Polícia Federal como sonegação fiscal.

Para o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que integra a comissão, isso [a revogação da prorrogação] significa, “na prática, o fim da CPI do Carf… Ou seja, a corrupção que a sociedade tanto espera combater, nesse caso, pode sair ilesa”. (Agência Brasil)

CPI do Carf convoca ex-conselheiros, empresários e advogados. Presidentes do Grupo Gerdau e do Bradesco não devem ser convocados

CPI do Carf convoca ex-conselheiros, empresários e advogados. Presidentes do Grupo Gerdau e do Bradesco não devem ser convocados

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara que investiga esquema de venda de sentenças no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) convocou hoje (15) os ex-conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Antônio Lisboa Cardoso e Evanice Canário da Silva, além de pessoas que atuavam na Receita Federal, como João Batista Gruginski, ex-auditor do órgão, e em escritórios de advocacia. Por falta de requerimentos, não foram convocados o presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, e o presidente do grupo Gerdau, André Gerdau, também investigados.

Em bloco, outros mais de 15 requerimentos foram aprovados, incluindo os advogados Vladimir Spíndola e Camilo Spíndola, filhos da ex-assessora da Casa Civil Lytha Spíndola, investigados por lavagem de dinheiro pela Operação Zelotes, da Polícia Federal, acusados de terem recebido pagamento da empresa Marcondes e Mautoni (M&M) por serviços não prestados. Também foi aprovada a convocação do empresário Walter Faria, dono da Cervejaria Petropolis, e a transferência do sigilo das informações bancárias e fiscais do empresário para a CPI.

Os advogados Benedicto Celso Benício Júnior, Guilherme Macedo Soares, que foram denunciados por tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro também serão convocados para depor. A retirada da pauta dos pedidos para ouvir Trabuco e Gerdau foi resultado de um acordo no colegiado, que trabalha nas investigações desde fevereiro deste ano. Ainda assim, alguns integrantes do colegiado fizeram questão de declarar insatisfação com a decisão. Suplente na comissão, o deputado Ivan Valente (SP), líder do PSOL, acusou a CPI de blindar alguns nomes.

Foco

Luiz Trabuco é apontado pela Operação Zelotes, da Polícia Federal, por ter se reunido com integrantes do esquema de compra de decisões no Carf. Gerdau, suspeito de corrupção, comanda o grupo empresarial que fez diversas doações para campanhas políticas e é suspeito de ter sonegado R$ 1,5 bilhão a partir do pagamento de propina a alguns integrantes do Carf.

O deputado Ivan Valente alertou que a comissão precisa “focar” os trabalhos. “Estamos aprovando um congestionamento da CPI. Vamos selecionar meia dúzia, que são os advogados, os que foram ex-conselheiros, os que dirigiam a Receita e os empresários. Não podemos criar algo que não tenha foco”, sugeriu. (Agência Brasil)

Zelotes: Ex-ministro Guido Mantega depõe na Polícia Federal e sai sem falar

Zelotes: Ex-ministro Guido Mantega depõe na Polícia Federal e sai sem falar

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O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, prestou depoimento hoje (9) por cerca de três horas, na sede da superintendência da Polícia Federal, na capital paulista. Ele foi conduzido de forma coercitiva (quando a pessoa é levada para depor e depois é liberada) na nova fase da Operação Zelotes, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira. Mantega entrou e saiu por uma entrada privativa do prédio sem falar com a imprensa.

Conversei no programa Agora/Rádio Guaíba, com o deputado federal Hildo Rocha (PMDB-MA), vice-presidente da CPI do Carf na Câmara. Ele falou sobre as investigações da Comissão e garantiu que Guido Mantega já está entre os relacionados para depor publicamente na Comissão.

A Polícia Federal pretende apurar a ligação do ex-ministro com a empresa Cimento Penha, suspeita de comprar decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda. No Carf, são julgadas as ações de empresas que recorrem contra multas aplicadas pela Receita Federal.

Esta etapa da operação foi desenvolvida no Distrito Federal, Pernambuco e São Paulo. A operação Zelotes foi deflagrada em março de 2015, com o alvo principal sendo um esquema de fraudes nos julgamentos do Carf.

De acordo com investigações, conselheiros do Carf participantes do esquema passavam informações privilegiadas para escritórios de assessoria, consultoria ou advocacia, que prometiam a empresas multadas controlar os julgamentos dos recursos. Felipe Vieira com informações da Agência Brasil.

“Acertar com os nossos” Deputado gaúcho pede que Ministério Público federal investigue de diálogo de Lula sobre renegociação da dívida dos estados

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Eu não sei se você caro leitor, já conseguiu ouvir todos os áudios liberados legalmente pela Justiça Federal do Paraná, envolvendo conversas do ex-presidente Lula. Só hoje tomei conhecimento desse áudio. onde ele fala vergonhosamente e sem nenhum caráter republicano da questão envolvendo a dívida dos Estados. Em um outro trecho, aqui você tem a gravação completa, Lula e José Guimarães, o líder do governo na Câmara na Câmara – aquele do dinheiro na cueca – tratam sobre a CPI do Carf, originada pela Operação Zelotes. “Seguramos a CPI”, diz Guimarães. Eu fico pensando o que passa pela cabeça dos militantes petistas? Aqueles que acreditam ainda em Lula e que pediam o “sangue” dos empresários denunciados ouvindo que a Comissão foi abafada pelo PT. Vou voltar ao assunto em outro post.

Neste vou tratar da ação do deputado estadual Gabriel Souza (PMDB/RS). Ele protocolou na manhã dessa sexta-feira (18) uma representação no Ministério Público Federal (MPF) pedindo investigação sobre o áudio em que Lula e José Guimarães falam sobre a renegociação da dívida dos estados com a União.

Na gravação, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), critica a forma como o governo estaria conduzindo o processo de renegociação da dívida dos estados. O ex-presidente Lula, em sua resposta, concorda com Guimarães e sugere que, primeiro, o governo deve “acertar com os nossos”. A fala, segundo o deputado peemedebista, faz referência aos estados governados pelo PT em detrimento dos estados com governadores de oposição.

“O áudio mostra que os dois estavam tramando que o governo federal não renegociasse a dívida do estado do Rio Grande do Sul e de São Paulo, em virtude de que esses estados não são governados por petistas. E o ex-presidente Lula diz que vai falar com ela que, imagino eu, seja a presidente Dilma”, apontou.

No pedido de investigação entregue ao MPF, Souza alega que tais fatos apontam para quebra dos princípios de moralidade, legalidade e impessoalidade. No documento, Souza alega ainda que o áudio demonstrada intenção de Lula e Guimarães em utilizar “sua influência política a fim de prejudicar Estados-Membros”, caracterizando o crime de tráfico de influência.

Sigo aqui pensando o que passa pela cabeça dos meus amigos e da militância petista ao ouvir uma história dessas? Definitivamente não é uma conversa republicana! Se algum acredita que é deixo a indagação e se fosse o ex-presidente FHC falando com o líder do governo? Também não seria né! Vergonha!! Não sei se o MPF vai tomar alguma atitude e se ação vai ter inclusive um julgamento final. Mas, isso não é necessário para que os cidadãos de bem condenem esta conversa indecorosa entre duas pessoas que deveriam ter respeito pela República, mas não tem. Lula cada vez mais mostra isso e José Guimarães que depois de flagrado com dinheiro na cueca deveria, se tivesse vergonha na cara, ter saído da vida pública é premiado com a liderança do governo Dilma na Câmara. Se você não sabe o que isso significa, vou simplificar! Ele é a voz de Dilma na Câmara dos Deputados! Dilma que normalmente não fala bem de improviso, mostra que também não sabe escolher quem vai falar por ela. Seja no plenário da Câmara, seja ao telefone com Lula. Eu fico aqui imaginando o que eles não dizem nos colóquios pessoais…  ( Felipe Vieira, com informações do repórter Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba)

 

 

CPI do Carf: delegado, promotor e presidente do Conselho darão primeiros depoimentos

CPI do Carf: delegado, promotor e presidente do Conselho darão primeiros depoimentos

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Com 79 requerimentos de convocação, convites e pedidos de acesso a informações sobre a mesa, deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) decidiram usar a primeira reunião de trabalho apenas para definir regras de procedimento, como o tempo reservado para os depoentes, e apreciar os documentos menos polêmicos. Por acordo, os parlamentares aprovaram um bloco de mais de dez requerimentos, que incluem o convite aos responsáveis pela Operação Zelotes: o delegado Marlon Oliveira dos Santos Cajado e o procurador da República Frederico Paiva, além da convocação do presidente do Carf e ex-secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Freitas Barreto.

“Ouví-los será um sinal para fazer a CPI funcionar sem qualquer tipo de blindagem”, disse Rubens Bueno (PPS-PR), autor da maior parte dos pedidos. A lista aprovada ainda inclui o pedido de compartilhamento de informações à CPI do Carf, conduzida pelo Senado, e à Polícia Federal, incluindo todos os inquéritos policiais instaurados no âmbito da Operação Zelotes e eventuais desdobramentos, como sigilos quebrados.

Ficaram de fora da lista de requerimentos aprovados hoje, convocações polêmicas, como a do atual ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, do ex-ministro da pasta Guido Mantega e de Jorge Rachid, secretário da Receita Federal. Na pauta que estava prevista para hoje, o presidente do colegiado, deputado Pedro Fernandes (PTB-MA), retirou os requerimentos de convocação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu filho Luis Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, apresentados pelos deputados José Aleluia (DEM-BA) e pelo líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), e o requerimento de quebra de sigilo de informações sobre o filho de Lula.

“Ontem fizemos a análise de mais de 51 requerimentos e, de início, tiramos três deles porque não se trata de assunto especifico da CPI. Pode, no futuro, voltar se houver aditamento”, explicou.

Logo no início da reunião, o relator da comissão, deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), que propôs a criação da CPI, disse que estava com o processo da Zelotes em mãos. Ele pediu prazo maior para analisar os dados da investigação conduzida pela Justiça Federal do Distrito Federal, abrindo brecha para que os outros parlamentares também pedissem mais tempo para apresentar novos requerimentos e priorizar os outros depoimentos que serão tomados.

Bacelar se comprometeu a debruçar sobre as mais de 6 mil páginas do processo durante o fim de semana e agendou para a próxima terça-feira (15), às 11h, uma nova sessão. A CPI foi criada no dia 4 de fevereiro para investigar denúncias de fraudes no conselho, ligado ao Ministério da Fazenda. Em 120 dias de trabalho, os parlamentares vão apurar supostos pagamentos de propina para manipular resultados dos julgamentos referentes a casos de sonegação fiscal.

A Zelotes foi deflagrada em março do ano passado pela Polícia Federal, investiga 24 pessoas e pelo menos 15 escritórios de advocacia e consultoria suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção. (Agência Brasil)

Câmara dos Deputados vai instalar CPI para investigar o Carf. Deputado João Carlos Bacelar, que propôs nova investigação diz que comissão no Senado não conseguiu atingir seus objetivos

Entrevistas Notícias Poder Política

Conversei nesta segunda-feira (25.01) com o deputado federal João Carlos Bacelar (PR-BA). Ele criticou o trabalho concluído em dezembro passado pelo Senado na CPI que investigou denuncias da Operação Zelotes, da Polícia Federal e Ministério público Federal. Os senadores aprovaram um relatório final citando irregularidades no julgamento de mais de 70 processos pelo órgão, envolvendo 73 empresas e pessoas físicas, como bancos, montadoras e siderúrgicas.  Para Bacelar, uma CPI da Câmara pode apurar novas fraudes.

Ele garantiu que a CPI do Carf na Câmara vai investigar a fundo o sistema bancário brasileiro. Em entrevista ao Programa Agora, da Rádio Guaíba, o parlamentar pede investigação das denúncias contra bancos e grandes empresas, mediante supostos pagamentos de propinas para manipular os resultados dos julgamentos referentes à sonegação fiscal pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.

Exclusivo! Operação Zelotes: Uma empresa gaúcha deve ser denunciada pelo MPF ainda em setembro

Economia Negócios Notícias Poder Política

Uma empresa gaúcha, deve ser denunciada esse mês por crime de sonegação de impostos e corrupção no Carf.  Conversei hoje(04.04) com o Procurador da República, Frederico Paiva, sobre os desdobramentos da ação de busca e apreensão feita pela Polícia Federal, em Escritórios de Contabilidade, nesta quinta-feira. Ele me garantiu que 6 empresas devem ser denunciadas em setembro. Hoje são 20 empresas investigadas e segundo ele o total apurado é R$6 bilhões. Acompanhe a entrevista e confira mais informações.

Carf: maiores devedores contestam R$ 357 bilhões em dívidas com a União. PF estima desvio de cerca de R$ 20 milhões dos cofres públicos

Comunicação Direito Economia Notícias Poder Política

Um conjunto de 489 grupos empresariais tenta derrubar no Ministério da Fazenda a cobrança de R$ 357 bilhões em dívidas fiscais com a União, em um universo de 797 processos pendentes de julgamento. Essas empresas, que integram a lista dos maiores devedores do país – com débitos, no mínimo, de R$ 100 milhões cada – contestam os valores no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão da Fazenda responsável pela análise das pendências com o governo federal e também principal alvo da Operação Zelotes, da Polícia Federal.O “grupo dos cem milhões” responde por, aproximadamente, 65% do total das pendências fiscais no Carf. De acordo com o mais recente relatório gerencial do conselho, há 116.944 os processos de contestação de multas aplicadas pela Receita Federal em análise no colegiado. Os valores cobrados pela União chegam a mais de meio trilhão de reais (mais precisamente, R$ 541,68 bilhões). São pessoas jurídicas e físicas que, em decorrência de sua atividade empresarial, contraíram dívidas fiscais com a União e, agora, recorrem administrativamente para tentar reduzir a cobrança.

Do total das contestações de dívidas, 94.483 mil são por meio dos chamados “recursos voluntários”, em que a empresa interessada procura o Carf para tentar rever suas pendências. Esse grupo de processos é responsável, na mais recente atualização do Carf, por um total de R$ 289,8 bilhões sob análise.

Os bancos Santander e Itaú são responsáveis pelas maiores dívidas em discussão no Carf. Em um dos casos, a filial brasileira do Banco Santander S.A. negocia 24 processos de execução fiscal junto à União. Ao todo, a instituição financeira foi autuada em R$ 27,3 bilhões pela Receita Federal. O segundo maior devedor  é o Itaú Unibanco Holding .S.A., que contesta um total de R$ 22,8 bilhões. No entanto, empresas do grupo Itaú não figuram entre as investigadas na Zelotes, que desvendou um esquema de corrupção no âmbito do Carf. O terceiro maior devedor é a Petrobras, que questiona cobrança de R$ 20,6 bilhões em multas aplicadas pela Receita em 17 processos.

Mecanismo

Em resumo, o esquema de fraude consistia na ação de grupos interessados em diminuir suas dívidas, por meio de pagamento de propina em troca da elaboração de votos sob encomenda, no âmbito do conselho (leia mais abaixo). A partir das multas, e de eventuais condenações judiciais decorrentes de casos de corrupção, o Ministério da Fazenda espera fazer caixa em tempos de crise econômica – em uma primeira investida, a pasta já determinou a execução de R$ 70 bilhões. A ideia do governo é utilizar os recursos na atual etapa de recuperação das contas públicas, depois dos esforços pelo ajuste fiscal votado no Congresso.

O fato de diversas empresas e pessoas físicas terem pendências sob exame do órgão não quer dizer que elas cometeram algum tipo de irregularidade. Em 28 de julho, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, comandou a abertura da sessão de retomada dos julgamentos do Carf, paralisados desde a reestruturação promovida como resposta aos desdobramentos da Zelotes. O exame dos processos, já sob um novo regimento interno do Conselho, recomeçou neste mês. Os procedimentos foram suspensos justamente depois que a PF, auxiliada por diversos órgãos de investigação, descobriu que as grandes empresas subornaram membros do Carf para diminuir dívidas.

Abatimento

Os trabalhos da Zelotes foram iniciados em 2013 e se debruçaram sobre processos administrativos abertos desde 2005. Um dos principais indícios de manipulação de julgamento por meio de pagamento de propina, em acertos negociados entre conselheiros e representantes de corporações, envolve a Mitsubishi no Brasil. A empresa conseguiu junto ao Carf a redução de uma dívida em mais de 200%, em que uma autuação com valor inicial de R$ 266 milhões teve sua cobrança revista para R$ 1 milhão ao final do processo administrativo.

Em outro caso, uma multa de R$ 150 milhões foi extinta sem fundamentação legal. Os diversos casos sob apuração da PF, com auxílio do Ministério Público, levaram à instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Senado, a CPI do Carf. Como o Congresso em Foco revelou em 10 de agosto, a lista de suspeições engloba ao menos seis grupos empresariais enquadrados em outra investigação da PF, a Operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção na Petrobras. A reportagem mostrou que as corporações tentam derrubar ou diminuir a cobrança de quase R$ 2 bilhões em dívidas fiscais.

As investigações da Zelotes colocam sob suspeita mais de 70 empresários, companhias e entidades. Além da Mitsubishi, estão no foco da Polícia Federal, por exemplo, Petrobras, Embraer, Partido Progressista (PP) e instituições financeiras como Bradesco, Santander, Safra e Boston Negócios – cada um com seu grau de suspeita ou apenas com “elementos consideráveis de irregularidade”, destaca a PF.

Complexidade

O Carf é a última instância administrativa decisória para dívidas fiscais com a União. De estrutura complexa, o órgão tinha dinâmica que dava oportunidade a situações curiosas. Como este site também mostrou em 30 de junho, agentes da PF suspeitam de que um ex-integrante do conselho recorreu à 5ª Vara do Trabalho de Brasília para cobrar valores que podem ser fruto de propina não repassada por outro ex-conselheiro. Segundo a PF, a teia de corrupção nos julgamentos do Conselho provocou desvios de R$ 6 bilhões nos últimos anos, mas a estimativa é de que o rombo possa se aproximar do R$ 20 bilhões com a apuração dos casos restantes.

Ainda de acordo com a PF, ex-conselheiros do Carf e consultores na ativa procuravam empresários com grandes dívidas e lhes apresentavam a possibilidade de reduzi-las ou anulá-las por meio de pagamento de propina, que variava entre 1% e 10% do débito. No cardápio, pedidos de vista dos processos, emissão de pareceres favoráveis aos grupos empresariais e exames de admissibilidade de processos, entre outros favores. Nomes e valores estão sob sigilo judicial, mas as investigações da PF e da CPI já demonstram o grau de envolvimento de alguns investigados.

Nas últimas audiências da CPI, manifestou-se a certeza de que, em resumo, os pequenos contribuintes se submetem às decisões do Carf e arcam com seus débitos a duras penas, dentro da legalidade. Por outro lado, empresas mais ricas pagavam propina aos conselheiros para se livrar total ou parcialmente das sanções do Fisco. (Fábio Góis/Congresso em Foco)

Artigos: Para velhos jornais, crime de sonegação não é notícia

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Editor põe o dedo na ferida: “Por que a mídia dá tão pouco destaque à Operação Zelotes, que flagrou fraudes fiscais de mega-empresas? Que interesses levam editores, em certos casos, a não cobrar Judiciário?”

carrijoLuís Humberto Rocha Carrijo, editor do Rapport Comunica *

O escândalo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que pode superar 19 bilhões de reais, recebe uma cobertura muito acanhada da imprensa brasileira, apesar de sua magnitude e implicações de toda ordem. Do ponto de vista jornalístico, não há nada que justifique um tratamento tão desinteressado e desatento por parte das redações. Ao contrário, os vultosos desvios de recursos da Receita, com a participação de personagens graúdos do PIB nacional (bancos e empresas, boa parte, grandes anunciantes), fundamentam os princípios do que é notícia, pelo menos em veículos que praticam jornalismo em sua mais ampla definição — corajoso e isento, dedicado a informar a população.

Inúmeros fatos novos, que merecem uma investigação jornalística profunda, recebem, ao contrário, coberturas episódicas. A imprensa ignora que há o risco de a investigação não chegar a um resultado efetivo. Em operações de caráter semelhante, essa fase já teria resultado em prisões preventivas, por exemplo. A mídia ignora também a inexplicável morosidade do Poder Judiciário, que não autoriza medidas invasivas, a fim de levantar provas contra a corrupção. Dentro dos critérios puramente jornalísticos e de interesse da sociedade, o que diferem os escândalos de corrupção envolvendo políticos, como a Operação Lava Jato, daqueles que atingem apenas empresas, como a Operação Zelotes?

A literatura de comunicação de massa é pródiga em episódios que mostram a imprensa interferindo até em resultados judiciais. Do outro lado da moeda, outros atores atuam com a intenção de esvaziar o “buzz” dos eventos. Há casos de a administração pública agir privando as redações de conteúdo sobre fatos, até levá-los ao esquecimento com a inanição de dados e novidades. No Brasil, é a ausência deliberada de notícias sobre certos temas, como sobre crimes tributários, que leva à inação da Justiça e à consequente impunidade dos envolvidos. Como não é incomodado pela imprensa, o Judiciário continua pouco comovido com o bilionário prejuízo causado por grandes empresas aos cofres públicos. A imprensa, com essa atitude, torna-se cúmplice e comete uma fraude contra sua audiência, tomando emprestado a frase do proeminente jornalista Peter Oborne sobre a postura do Daily Telegraph em relação à cobertura noticiosa do Swissleaks.

Enquanto na Suécia os jornais colocam a ética até mesmo acima das leis, no Brasil seus pares usam seu poder seletivo para cobrir fatos conforme interesses políticos e financeiros. A imprensa brasileira, nesse sentido, continua primitiva e longe dos ideais do que seja uma mídia livre e imparcial. O grave é que os veículos passam ao público a percepção de que são fiscais da sociedade, preocupados com o bem-estar e a lisura. Um ato sofisticado de cinismo.

As redes sociais ainda estão longe de ter a força e a influência para mobilizar a sociedade em torno de assuntos áridos. A ação conjunta e contínua de veículos alternativos e blogs de contestação mostra-se, por enquanto, incapaz de provocar uma reação popular e em rede em condições de mudar o estado das coisas. A população reage na medida proporcional em que é vítima direta, aguda, constante, objetiva e simplificada da opressão e da carência. As pessoas, no Brasil, pobres de educação política e leitura, não conseguem fazer conexões tão distantes e complexas. Ou seja, se não está na grande imprensa, é como se não existisse.

Por também serem “invisíveis” para a imprensa, sofrem do descaso público as parcelas mais vulneráveis da sociedade, que saem às ruas em movimentos reivindicatórios por acesso aos bens sociais. Mas como as mobilizações se dão na periferia, longe dos olhos da classe média e da elite, elas são ignoradas pela imprensa, deixando o Estado em situação confortável para manter seu desprezo pelas camadas populares.

* Texto originalmente publicado no site Outras PalavrasLuís Humberto Rocha Carrijo é jornalista e diretor-executivo do Rapport Comunica.