Ombudsman diz que Folha “errou e persistiu no erro” ao ocultar dados de pesquisa

Ombudsman diz que Folha “errou e persistiu no erro” ao ocultar dados de pesquisa

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A ombusdman da Folha de S.Paulo, Paula Cesarino Costa, escreveu hoje (24) em sua coluna que o jornal “errou e persistiu no erro” ao publicar dados incompletos sobre pesquisa Datafolha de avaliação do governo do presidente interino, Michel Temer.

A pesquisa, divulgada no último sábado (16), foi alvo de críticas e acusada pelo site de notícias independente The Intercept, de cometer “fraude jornalística” em relação à preferência do brasileiro sobre a permanência de Michel Temer, a volta da presidenta afastada Dilma Rousseff ou a realização de novas eleições.

Na publicação original, a Folha informou que 50% dos entrevistados preferiam a permanência de Temer à volta de Dilma, e que, diante dessa questão, 3% disseram defender novas eleições. No entanto, quando a possibilidade de novas eleições aparece entre as respostas estimuladas, o percentual de entrevistados que optam por essa alternativa chega a 62%, o que não foi dito pelo jornal.

A Folha só publicou a versão com esse percentual após as críticas e disse que não errou, mas que optou por não destacar cenário considerado “pouco relevante” pela direção do jornal. A ombudsman diz que sugeriu à redação “que reconhecesse seu erro editorial e destacasse os números ausentes da pesquisa em nova reportagem”.

“A meu ver, o jornal cometeu grave erro de avaliação. Não se preocupou em explorar os diversos pontos de vista que o material permitia, de modo a manter postura jornalística equidistante das paixões políticas. Tendo a chance de reparar o erro, encastelou-se na lógica da praxe e da suposta falta de apelo noticioso. A reação pouco transparente, lenta e de quase desprezo às falhas e omissões apontadas maculou a imagem da Folha e de seu instituto de pesquisas. A Folha errou e persistiu no erro”, escreveu a Paula Cesarino Costa na edição deste domingo.

Além da polêmica sobre o trecho da pesquisa que tratava de novas eleições, a ombudsman também critica a escolha do jornal de destacar na manchete sobre a pesquisa o otimismo com a economia, “subaproveitando temas políticos”. (Agência Brasil)

Maioria quer que Dilma e Temer saiam, mostra pesquisa Datafolha; por Fernando Canzian/Folha de São Paulo

Maioria quer que Dilma e Temer saiam, mostra pesquisa Datafolha; por Fernando Canzian/Folha de São Paulo

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Para o levantamento, foram realizadas 2.779 entrevistas em 170 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa também detectou uma redução, de 65% para 60%, no apoio à renúncia da presidente Dilma. As taxas dos que apoiam seu afastamento via o processo de impeachment ou pela renúncia voltaram para os patamares de fevereiro.

No caso de vacância dos cargos de presidente e vice-presidente, 79% dos brasileiros são favoráveis à realização de uma nova eleição para a Presidência da República. Uma parcela de 16% é contrária, e 4% são indiferentes ou não opinaram a respeito.

O levantamento indica que, em março, quando o apoio à saída da presidente chegou ao patamar mais elevado, a população estava sob o impacto da maior manifestação contra o governo registrada até agora, quando cerca de 500 mil pessoas, segundo o Datafolha, protestaram contra Dilma e o PT na av. Paulista, em São Paulo.

Além da capital paulista, várias outras cidades tiveram manifestações no dia 13 de março. O campo da pesquisa no mês passado foi feito logo depois, nos dias 17 e 18. A reportagem completa está na Folha de São Paulo.

Na Câmara, 42% apoiam e 31% rejeitam impeachment. 27% dos deputados não se definiram ou não responderam, aponta Datafolha

Na Câmara, 42% apoiam e 31% rejeitam impeachment. 27% dos deputados não se definiram ou não responderam, aponta Datafolha

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Hoje há mais deputados decididos a votar a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff do que os que se dizem contrários ao afastamento dela, aponta pesquisa Datafolha. Nenhum dos lados, no entanto, reúne os votos suficientes para sair vencedor. A decisão caberá a 27% dos deputados (138 parlamentares), que não se definiram ou não responderam. No levantamento, realizado entre os dias 7 e 18 de dezembro, 42% dos parlamentares afirmaram que são favoráveis ao afastamento, o equivalente a 215 votos. Para o impeachment passar na Câmara, são necessários 342 votos, ou dois terços do total — faltam 127 votos. Do outro lado da disputa, 31% dos deputados disseram que votariam contra o impeachment, o que corresponde a 159 votos pró-Dilma, que precisa de 171. Este é o segundo levantamento do tipo que o Datafolha faz na Câmara. No primeiro (de 19 a 28 de agosto), 39% eram a favor do impeachment e 32%, contra. Caso a Câmara aprove a abertura do impeachment, caberá ao Senado decidir se ele seguirá adiante. A pesquisa completa está na Folha de São Paulo. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)