Gestão e educação dominam debate dos candidatos à Prefeitura de Porto Alegre

Gestão e educação dominam debate dos candidatos à Prefeitura de Porto Alegre

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Críticas à atual gestão municipal, problemas na educação e segurança foram os temas que dominaram o debate promovido pelo Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas do Estado do Rio Grande do Sul (Sescon-RS), realizado nesta quinta-feira e transmitido pela Rádio Guaíba e site do Correio do Povo.

Palavras como falta de gestão, inchaço da máquina pública, insegurança e falhas administrativas foram usadas pela maioria dos concorrentes contra Sebastião Melo (PMDB), atual vice-prefeito e que tenta a continuidade do projeto de governo.

Melo não se esquivou de responder. O atual vice-prefeito ressaltou as obras da Anita, da Cristóvão, o novo transporte público e projetos como o da Orla do Guaíba. “Nós sabemos que precisamos melhorar, mas já fizemos muita coisa. Eu me preparei para ser prefeito e junto com meus companheiros de chapa iremos continuar melhorando a cidade”.

Na abertura, o presidente do Sescon-RS, Diogo Chamun, fez uma pergunta para todos os candidatos, baseado no relatório do Projeto Gestão Pública Eficaz, que analisou a administração pública da Capital. Diogo questionou a necessidade de implementar um novo modelo de gestão da educação e de como resolver o problema. O primeiro candidato a responder foi Raul Pont (PT) e o último foi João Carlos Rodrigues (PMN)

Raul Pont (PT)

Diz que vai implementar uma escola de inclusão, retomando o modelo das gestões passadas do Partido dos Trabalhadores, como o projeto dos ciclos. Criticou a falta de vagas na área infantil e que irá atacar essa frente.

Luciana Genro (Psol)

Fala que Porto Alegre vive uma grave crise na educação. Que a cidade não está oferecendo escolas infantis de qualidade. Para ela, a Prefeitura não tem um projeto pedagógico. Diz que irá construir um modelo discutindo com a família, professores e diretores e incrementar a escola infantil.

Fábio Ostermann (PSL)

Propõe a criação de bolsas de estudo em escolas privadas.

Sebastião Melo (PMDB)

Enaltece os feitos realizados pela gestão atual, que segundo ele, aumentou de 14 para 24 mil o número de crianças nas escolas. Além disso, citou a garantia de US$ 80 milhões, via empréstimo do BID para reforma das escolas e implementação de wi-fi e qualificação de bibliotecas.

Júlio Flores (PSTU)

Começa criticando o governo municipal, estadual e federal. Diz que como professor sabe das dificuldades dos alunos e das escolas. Cita a necessidade de um novo projeto educacional que esteja à serviço de todos.

Maurício Dziedricki (PTB)

Promete aumentar o número de escolas, diz que é preciso uma escola que ajude a pensar e não só a obedecer. Defende uma reforma pedagógica, o horário estendido para creches e um maior incentivo ao Funcriança.

Nelson Marchezan Jr (PSDB)

Defende uma mudança radical no setor público. Para ele, a educação de Porto Alegre é uma das piores do Brasil.

João Carlos Rodrigues (PMN)

Segundo o candidato, a retomada de gincana entre as escolas irá motivar os alunos a frequentarem as aulas. Defende o turno integral.

No segundo bloco, os candidatos fizeram perguntas entre si, com temas sorteados sobre segurança, saúde, educação, funcionalismo, mobilidade urbana, desenvolvimento, sustentabilidade e infraestrutura.

Sobre desenvolvimento, Luciana Genro criticou o grande número de cargos de confiança, o que chamou de “loteamento partidário” e que isso acarreta em má qualidade de gestão. Propõe um governo técnico, com os melhores de cada área e promete cortar 70% dos CCs.

Sebastião Melo iniciou se defendendo. Disse que tem candidato que só vê problema e defendeu a sua coligação. Para ele, trata-se de uma aliança em torno de um projeto para a cidade. Prometeu diminuir a máquina pública e aumentar a oferta de vagas para crianças de 0 a 4 anos nas escolas.

Raul Pont criticou o processo de contratação das obras de infraestrutura da cidade. Ressaltou que elas são importantes, mas a maneira como foi feita, para ele é um erro administrativo que aumenta o valor.

Nelson Marchezan Jr (PSDB) citou dados onde apontou que Porto Alegre é a cidade que recebe maior volume per capta de recursos para a saúde. O problema, segundo Marchezan é que os recursos não são destinados para o setor. Fala em retomar parcerias pública/privadas. A respeito da sustentabilidade, promete dar uma atenção especial para a região das Ilhas.

Luciana Genro e Júlio Flores criticaram o modelo de transporte público. Luciana relembrou as promessas de BRts, transporte hidroviário. “Nos ônibus, mudaram as cores e a passagem aumentou, pois nem ar-condicionado tem”. Júlio Flores defende a retirar as concessões dos ônibus e passar para a Carris. Promete ampliar as ciclovias e lutar pelo metrô e o passe livre para os estudantes.

No terceiro bloco, os candidatos fizeram perguntas com temas livres. Novamente, vieram à tona a insegurança, os problemas com o transporte público e as críticas à gestão do atual governo.

Luciana Genro prometeu qualificar a guarda municipal, implementar os alarmes comunitários e que os agentes da EPTC ajudem a guarda municipal.

Sebastião Melo e Júlio Flores trocaram farpas sobre a cultura em Porto Alegre. O candidato do PMDB defendeu uma parceria pública/privada para o Porto Seco. Para Júlio Flores, isso só irá beneficar os empresários.

Luciana Genro e Fábio Ostermann também se “estranharam”. Ele comentou que a candidata do Psol defende a Venezuela e a política de Nícolas Maduro. Ela rebateu dizendo que discutiria a Venezuela se fosse candidata lá.

No último bloco, os candidatos apresentaram suas considerações finais. Enalteceram a iniciativa do Sescon-RS e da Rádio Guaíba. Valorizaram a oportunidade de trocar ideias, debater projetos e apresentar propostas para Porto Alegre.