Ministério Público Federal denuncia Lula, Delcídio, Esteves e outros 4 por obstrução

Ministério Público Federal denuncia Lula, Delcídio, Esteves e outros 4 por obstrução

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O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) ratificou hoje (21), na Justiça Federal em Brasília, denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-senador Delcídio do Amaral, e mais cinco acusados pelo crime de obstrução das investigações da Operação Lava Jato. Os detalhes do aditamento da denúncia não foram divulgados em razão do segredo de Justiça.

Além de Lula e Delcídio, são alvo das investigações o ex-controlador do Banco BTG André Esteves, Diogo Ferreira, ex-chefe de gabinete de Delcídio, o empresário José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai, e o advogado Edson Ribeiro.

Todos os envolvidos são acusados de tentar impedir o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró de assinar acordo de delação premiada com a força-tarefa de investigadores da Operação Lava Jato.

Os fatos foram alvo de denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, no dia 24 de junho, o ministro Teori Zavascki remeteu o processo para a Justiça Federal em Brasília, por entender que a suposta tentativa de embaraçar as investigações ocorreu na capital federal. Além disso, nenhum dos envolvidos tem foro privilegiado na Corte.

A Agência Brasil entrou em contato com a defesa dos investigados e aguarda retorno. (Agência Brasil)

Delegado da PF confirma informações de Veja. Revista garante que PGR não tem mais dúvidas de que Lula comandou trama contra a Lava Jato

Delegado da PF confirma informações de Veja. Revista garante que PGR não tem mais dúvidas de que Lula comandou trama contra a Lava Jato

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Parceria: Em acordo de delação premiada, o ex-senador Delcídio do Amaral revelou que seguia ordens do ex-presidente
Parceria: Em acordo de delação premiada, o ex-senador Delcídio do Amaral revelou que seguia ordens do ex-presidente. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/VEJA

Em sua última aparição pública, na manhã de quinta-feira, Lula estava abatido. Cabelos desgrenhados, cabisbaixo, olhar vacilante, entristecido. Havia motivos mais que suficientes para justificar o comportamento distante. Afinal, Dilma Rousseff, a sucessora escolhida por ele para dar sequência ao projeto de poder petista, estava sendo apeada do cargo. O fracasso dela era o fracasso dele. Isso certamente fragilizou o ex-presidente, mas não só. Há dois anos, Lula vê sua biografia ser destruída capítulo a capítulo. Seu governo é considerado o mais corrupto da história. Seus amigos mais próximos estão presos. Seus antigos companheiros de sindicato cumprem pena no presídio. Seus filhos são investigados pela polícia. Dilma, sua invenção, perdeu o cargo. O PT, sua maior criação, corre o risco de deixar de existir. E para ele, Lula, o futuro, tudo indica, ainda reserva o pior dos pesadelos. O outrora presidente mais popular da história corre o risco real de também se tornar o primeiro presidente a ser preso por cometer um crime.

VEJA teve acesso a documentos que embasam uma denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente. São mensagens eletrônicas, extratos bancários e telefônicos que mostram, segundo os investigadores, a participação de Lula numa ousada trama para subornar uma testemunha e, com isso, tentar impedir o depoimento dela, que iria envolver a ele, a presidente Dilma e outros petistas no escândalo de corrupção na Petrobras. Se comprovada a acusação, o ex-presidente terá cometido crime de obstrução da Justiça, que prevê uma pena de até oito anos de prisão. Além disso, Lula é acusado de integrar uma organização criminosa. Há dois meses, para proteger o ex-presidente de um pedido de prisão que estava nas mãos do juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, a presidente Dilma nomeou Lula ministro de Estado, o que lhe garantiu foro privilegiado. Na semana passada, exonerado do governo, a proteção acabou.

Há várias investigações sobre o ex-­presidente. De tráfico de influência a lavagem de dinheiro. Em todas elas, apesar das sólidas evidências, os investigadores ainda estão em busca de provas. Como Al Capone, o mafioso que sucumbiu à Justiça por um deslize no imposto de renda, Lula pode ser apanhado por um crime menor. Após analisar quebras de sigilo bancário e telefônico e cruzar essas informações com dados de companhias aéreas, além de depoimentos de delatores da Lava-Jato, o procurador-geral Rodrigo Janot concluiu que Lula exerceu papel de mando numa quadrilha cujo objetivo principal era minar o avanço das investigações do petrolão. Diz o procurador-geral: “Ocupando papel central, determinando e dirigindo a atividade criminosa praticada por Delcídio do Amaral, André Santos Esteves, Edson de Siqueira Ribeiro, Diogo Ferreira Rodrigues, José Carlos Costa Marques Bumlai e Maurício de Barros Bumlai (…), Luiz Inácio Lula da Silva impediu e/ou embaraçou a investigação criminal que envolve organização criminosa”.

Senado cassa mandato de Delcídio do Amaral

Senado cassa mandato de Delcídio do Amaral

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O plenário Senado decidiu hoje (10), por 74 votos favoráveis, uma abstenção e nenhum voto contrário, cassar o mandato do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS). A votação aberta foi feita por meio de painel eletrônico. A  abstenção foi da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE). Com a perda do mandato de Delcídio, o suplente do senador, Pedro Chaves dos Santos (PSC-MS), será convocado para assumir a vaga. Ele terá até 30 dias para assumir a cadeira de Delcídio.

Delcídio teve o pedido de cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar aprovado após um longo processo iniciado logo depois do senador ter sido preso, em novembro do ano passado, por obstrução da Justiça. O senador foi flagrado em conversa com o filho do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, oferecendo propina e um plano de fuga para que Cerveró não firmasse acordo de delação premiada com o Ministério Público no âmbito da Operação Lava Jato.

Para que o parlamentar perdesse o mandato eram necessários os votos favoráveis da maioria absoluta dos 81 senadores, ou seja, 41 votos.

Ausente na votação

Delcídio do Amaral não compareceu à sessão que julgou a cassação do seu mandato por quebra de decoro parlamentar por obstrução à Justiça. Por causa disso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) suspendeu a sessão por cinco minutos para designar um defensor dativo. O servidor do Senado Danilo Aguiar, diretor da Consultoria Legislativa do Senado Federal, foi definido como defensor de Delcídio.

Antes da nomeação do defensor, os senadores se revezaram na tribuna para pedir a perda de mandato de Delcídio. Integrante do partido que representou contra Delcídio no Conselho de Ética, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que o momento é de constragimento para o Senado. “Este não é o primeiro caso que membros desta Casa que são presos, mas o caso do senador Delcídio é um dos poucos casos de prisão de um parlamentar por tentativa de obstrução da Justiça e não há dúvida de que isso constrangeu o Senado”, disse.

O relator do processo contra Delcídio no Conselho de Ética e Decoro parlamentar, Telmário Mota (PDT-RR), ao se dirigir ao plenário, disse que o mandato de Delcidio deveria ser cassado pelo senador não possuir condições morais e éticas de permanecer na Casa. “Trata-se da última instância de preservar a própria imagem da democracia representativa”.

Cerceamento de defesa

Durante o processo, a defesa de Delcídio pediu a nulidade do procedimento alegando cerceamento de defesa. “O processo tramitou enquanto ele [Delcídio] se encontrava em licença médica”, diz documento da defesa. A defesa também argumentou que o pedido de cassação estaria embasado numa gravação obtida de maneira irregular.

O relator do processo na Comissão de Constituição e Justiça, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) rebateu as acusações . “Não observamos qualquer tipo de violação a ampla defesa e ao contraditório. Por isso o relatório foi aprovado por unanimidade pela comissão. A meu juízo e da comissão esse processo deve proseguir em razão das conclusões a que o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar chegou”, disse.

Votação do impeachment

Brasília - Presidente do Senado, Renan Calheiros, na sessão para votar parecer do Conselho de Ética que pede a cassação do mandato do senador Delcídio do Amaral (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Renan Calheiros apresentou para os senadores os procedimentos da sessão para votar o parecer da Comissão Especial do Impeachment. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
 

Antes de anunciar o resultado, Renan apresentou para os senadores os procedimentos da sessão para votar o parecer da comissão especial constituída para avaliar o afastamento da presidenta Dilma Rousseff por susposto crime de responsabilidade, marcada para amanhã (11).

Segundo Renan, a sessão marcada para iniciar às 9 h começa com as falas dos senadores inscritos por ordem de inscrição. “A palavra será distribuida por 15 minutos por cada orador. Temos que assegurar o tempo regimental de cada senador”, disse.

Os trabalhos serão suspensos em dois momentos, ao meio-dia e depois às 19h para que os senadores possam se alimentar ou fazer outras tarefas. “Guardamos os dois intervalos para preservar esse bloco [de senadores] que já passa dos 60 anos”, brincou Renan.

Até o início da noite desta terça-feira havia mais de 50 oradores inscritos. Antes de encerrar a discussão da sessão de amanhã, o plenário terá as falas do relator do processo na Comissão Especial do Impeachment no Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), e do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo.

Não haverá orientação de bancada e nem a participação dos autores do pedido. “A votação será feita pelo processo eletrônico de votação”, disse Renan. (Agência Brasil)

Delcídio: “Lula comandava o esquema”. Delcídio do Amaral, ex-líder do governo, diz que tanto Lula como Dilma tinham pleno conhecimento da corrupção na Petrobras — e, juntos, tramaram para sabotar as investigações, inclusive vazando informações sigilosas para os investigados

Delcídio: “Lula comandava o esquema”. Delcídio do Amaral, ex-líder do governo, diz que tanto Lula como Dilma tinham pleno conhecimento da corrupção na Petrobras — e, juntos, tramaram para sabotar as investigações, inclusive vazando informações sigilosas para os investigados

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Delcídio do Amaral
O Senador Delcídio do Amaral. Foto: Jefferson Coppola/VEJA

O senador Delcídio do Amaral participou do maior ato político da história do país. No domingo 13, ele pegou uma moto Harley-Davidson, emprestada do irmão, e rumou para a Avenida Paulista, onde protestou contra a corrupção e o governo do qual já foi líder. Delcídio se juntou à multidão sem tirar o capacete. Temia ser reconhecido e hostilizado. Com medo de ser obrigado pela polícia a remover o disfarce, ficou pouco tempo entre os manifestantes, o suficiente para perceber que tomara a decisão correta ao colaborar para as investigações. “Errei, mas não roubei nem sou corrupto. Posso não ser santo, mas não sou bandido.” Na semana passada, Delcídio conversou com VEJA por mais de três horas. Emocionou-se ao falar da família e ao revisitar as agruras dos três meses de prisão. Licenciado do mandato por questões médicas, destacou o papel de comando de Lula no petrolão, o de Dilma como herdeira e beneficiária do esquema e a trama do governo para tentar obstruir as investigações da Lava-Jato. O ex-líder do governo quer acertar suas contas com a sociedade ajudando as autoridades a unir os poucos e decisivos pontos que ainda faltam para expor todo o enredo do mais audacioso caso de corrupção da história. A seguir, suas principais revelações.

Por que delatar o governo do qual o senhor foi líder?

Eu errei ao participar de uma operação destinada a calar uma testemunha, mas errei a mando do Lula. Ele e a presidente Dilma é que tentam de forma sistemática obstruir os trabalhos da Justiça, como ficou claro com a divulgação das conversas gravadas entre os dois. O Lula negociou diretamente com as bancadas as indicações para as diretorias da Petrobras e tinha pleno conhecimento do uso que os partidos faziam das diretorias, principalmente no que diz respeito ao financiamento de campanhas. O Lula comandava o esquema.

Qual é o grau de envolvimento da presidente Dilma?

A Dilma herdou e se beneficiou diretamente do esquema, que financiou as campanhas eleitorais dela. A Dilma também sabia de tudo. A diferença é que ela fingia não ter nada a ver com o caso.

Lula e Dilma atuam em sintonia para abafar as investigações?

Nem sempre foi assim. O Lula tinha a certeza de que a Dilma e o José Eduardo Cardozo (ex-ministro da Justiça, o atual titular da Advocacia-Geral da União) tinham um acordo cujo objetivo era blindá-la contra as investigações. A condenação dele seria a redenção dela, que poderia, então, posar de defensora intransigente do combate à corrupção. O governo poderia não ir bem em outras frentes, mas ela seria lembrada como a presidente que lutou contra a corrupção.

Como o ex-presidente reagia a essa estratégia de Dilma?

Com pragmatismo. O Lula sabia que eu tinha acesso aos servidores da Petrobras e a executivos de empreiteiras que tinham contratos com a estatal. Ele me consultava para saber o que esses personagens ameaçavam contar e os riscos que ele, Lula, enfrentaria nas próximas etapas da investigação. Mas sempre alegava que estava preocupado com a possibilidade de fulano ou beltrano serem alcançados pela Lava-Jato. O Lula queria parecer solidário, mas estava mesmo era cuidando dos próprios interesses. Tanto que me pediu que eu procurasse e acalmasse o Nestor Cerveró, o José Carlos Bumlai e o Renato Duque. Na primeira vez em que o Lula me procurou, eu nem era líder do governo. Foi logo depois da prisão do Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, preso em março de 2014). Ele estava muito preocupado. Sabia do tamanho do Paulo Roberto na operação, da profusão de negócios fechados por ele e do amplo leque de partidos e políticos que ele atendia. O Lula me disse assim: “É bom a gente acompanhar isso aí. Tem muita gente pendurada lá, inclusive do PT”. Na época, ninguém imaginava aonde isso ia chegar.

Quem mais ajudava o ex-presidente na Lava-Jato?

O cara da confiança do Lula é o ex-deputado Sigmaringa Seixas (advogado do ex-presidente e da OAS), que participou ativamente da escolha de integrantes da cúpula do Poder Judiciário e tem relação de proximidade com ministros dos tribunais superiores.

Quando Lula e Dilma passam a trabalhar juntos contra a Lava-Jato?

A presidente sempre mantinha a visão de que nada tinha a ver com o petrolão. Ela era convencida disso pelo Aloizio Mercadante (o atual ministro da Educação), para quem a investigação só atingiria o governo anterior e a cúpula do Congresso. Para Mercadante, Dilma escaparia ilesa, fortalecida e pronta para imprimir sua marca no país. Lula sabia da influência do Mercadante. Uma vez me disse que, se ele continuasse atrapalhando, revelaria como o ministro se safou do caso dos aloprados (em setembro de 2006, assessores de Mercadante, então candidato ao governo de São Paulo, tentaram comprar um dossiê fajuto contra o tucano José Serra). O Lula me disse uma vez bem assim: “Esse Mercadante… Ele não sabe o que eu fiz para salvar a pele dele”.

O que fez a presidente mudar de postura?

O cerco da Lava-­Jato ao Palácio do Planalto. O petrolão financiou a reeleição da Dilma. O ministro Edinho Silva, tesoureiro da campanha em 2014, adotou o achaque como estratégia de arrecadação. Procurava os empresários sempre com o mesmo discurso: “Você está com a gente ou não está? Você quer ou não quer manter seus contratos?”. A extorsão foi mais ostensiva no segundo turno. O Edinho pressionou Ricardo Pessoa, da UTC, José Antunes, da Engevix, e Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez. Acho que Lula e Dilma começaram a ajustar os ponteiros em meados do ano passado. Foi quando surgiu a ideia de nomeá-lo ministro.

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Marco Maia fala sobre Lula no ministério e denuncia contra ele feita por Delcídio em delação premiada

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Conversei hoje no Agora/Rádio Guaíba, com deputado federal Marco Maia (PT). Ele reforçou que o PT tem discutido muito uma solução para a crise política no País. Disse que a tentativa é de superar esse momento a partir das preocupações com a economia e o desenvolvimento do Brasil. Disse que não é possível tolerar intervenção militar ou ruptura com o processo democrático, refutando a possibilidade de impeachment da presidente Dilma. Também não acha possível que o enfrentamento político dure indefinidamente. Sugeriu um acordo político que permita a superação de dificuldades que temos no plano econômico. Para Maia não há uma solução fácil para resolver esses impasses e Lula pode auxiliar atuando no Ministério.

Ele também falou sobre a citação do nome dele na delação premiada do senador Delcídio do Amaral e liberada pela Justiça nesta terça-feira, 15. No texto, Delcídio destaca haver um “pedágio” que foi cobrado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que se encerrou no final de 2014. Segundo Delcídio, “houve apresentação de requerimentos convocando muitos empresários que tinham preocupação com exposição pública, que em razão disso, em determinado momento, Léo Pinheiro, diretor de OAS, começou a coordenar uma espécie de força tarefa envolvendo diversos empresários no intuito de blindá-los em razão desses requerimentos”.

Delcídio afirmou ainda que este grupo liderado por Pinheiro, “se reunia normalmente nas segundas-feiras; que essas reuniões ocorriam na casa de alguns dos participantes; que sabe dizer que essas reuniões ocorreram na casa do ex-senador Gim Argelo”, que quem organizava tais encontros era Pinheiro.

Segundo o senador, “participavam dessas reuniões empresários e membros da CPMI; que o objeto dessas reuniões era negociar a derrubada ou a não votação de requerimentos que fossem sensíveis, ou seja, que fossem desfavoráveis aos empresários que compunham o grupo liderado por Pinheiro. Esse grupo era integrado por Julio Camargo (Camargo Corrêa), Ricardo Pessoa (UTC), José Antunes Sobrinho (Engevix) e outros empresários

Onyx fala sobre ação contra Lula no ministério e citação ao PFL na delação premiada de Delcídio

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Conversei hoje no programa Agora/Rádio Guaíba, com o  deputado federal Onyx Lorenzoni (Dem). Ele explicou que o partido preparou ações populares no sentido de contestar eventual nomeação do presidente Lula como ministro na Secretaria Geral de Governo, baseado na lei 4.717 que determina que se anule por pleno direito por ser considerada um verdadeiro drible na lei, que mesmo havendo a nomeação, não acompanha a alteração do fórum, segue o mesmo da ação original. Disse que a medida cautelar é devido à evidência de que a intenção é blindar Lula de dar as devidas explicações na justiça. Se for tomada essa decisão fica evidente que o governo acabou e que não vê mais chance de continuar. Disse que seu partido toma a iniciativa de confrontar “essa quadrilha que tomou conta do Brasil”.

Na entrevista ao Agora, o deputado disse acreditar na celeridade da Justiça, mas evidentemente é preciso aguardar a nomeação para ingressar com a ação. Do contrário ela será desconsiderada. Ao ser questionado sobre o envolvimento de parlamentares do antigo PFL, que deu origem ao atual Democratas, Onix foi claro ao dizer que não passa a mão na cabeça de ninguém, afirmando que eventualmente pessoas cometerem irregularidades ou ato de corrupção serão colocados para a rua, diferentemente de outros partidos, como o PT, que colocam a sujeira para debaixo do tapete.

Delação de Delcídio cita favorecimento de Marco Maia em ‘pedágio’ na Câmara. Deputado nega, diz que tomará medidas cabíveis e que a delação deixa clara a intenção em desgastar o Partido do qual Maia faz parte

Notícias Poder Política

O deputado Marco Maia (PT-RS) foi citado na delação premiada do senador Delcídio do Amaral e liberada pela Justiça nesta terça-feira, 15. No texto, Delcídio destaca haver um “pedágio” que foi cobrado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que se encerrou no final de 2014. Segundo Delcídio, “houve apresentação de requerimentos convocando muitos empresários que tinham preocupação com exposição pública, que em razão disso, em determinado momento, Léo Pinheiro, diretor de OAS, começou a coordenar uma espécie de força tarefa envolvendo diversos empresários no intuito de blindá-los em razão desses requerimentos”.

Delcídio afirmou ainda que este grupo liderado por Pinheiro, “se reunia normalmente nas segundas-feiras; que essas reuniões ocorriam na casa de alguns dos participantes; que sabe dizer que essas reuniões ocorreram na casa do ex-senador Gim Argelo”, que quem organizava tais encontros era Pinheiro.

Segundo o senador, “participavam dessas reuniões empresários e membros da CPMI; que o objeto dessas reuniões era negociar a derrubada ou a não votação de requerimentos que fossem sensíveis, ou seja, que fossem desfavoráveis aos empresários que compunham o grupo liderado por Pinheiro. Esse grupo era integrado por Julio Camargo (Camargo Corrêa), Ricardo Pessoa (UTC), José Antunes Sobrinho (Engevix) e outros empresários”.

Ainda de acordo com o senador, “nessas reuniões, os parlamentares pediam dinheiro para os empresários em troca da derrubada dos requerimentos; que conversou com Ricardo Pessoa (deputado) sobre esse tema e o mesmo narrou ao depoente esses fatos e se mostrou “revoltado” com o pedido de dinheiro; que não tem certeza, mas tem a impressão, pelo comportamento de Pessoa, que a propina chegou a ser paga”.

Delcídio disse que não compareceu a nenhuma dessas reuniões, uma vez que não era membro da CPMI. De acordo com ele, “pelas informações que teve, participaram da reunião os parlamentares Marcoa Maia (PT-RS), Fernando Francischini, Vital do Rego e Gim Argelo. Esses nomes foram mencionados por Julio Camargo e Ricardo Pessoa. Gim Argelo coordenava o grupo de parlamentares; Julio Camargo também se mostrou bastante “revoltado” com o pedido de dinheiro; a revolta de Julio também indica que ele cedeu e pagou o “pedágio”; os parlamentares diziam que precisavam de dinheiro para uma campanha; porém, os valores foram pagos em espécie”.

O deputado Marco Maia é bastante identificado na região Alto Uruguai do Rio Grande do Sul, tendo feito expressiva votação nas duas últimas campanhas para deputado federal.

O QUE DIZ O DEPUTADO MARCO MAIA

Na tarde desta terça, após conhecer a denúncia feita por Delcídio, o deputado se manifestou através de uma nota.

“A delação deixa clara a intenção em desgastar o Partido do qual faço parte. Não fui investigado no escândalo do Petróleo e, fui relator da CPMI da Petrobrás em 2014, pedindo ao final, o que foi aprovado pela comissão, indiciamento de 52 pessoas, entre elas , as citadas pelo delator. Ainda pedi ao CADE a abertura de investigação por prática de cartel de 20 empresas, todas elas investigadas na CPMI”, destaca Marco Maia.

“Não recebi nenhuma doação, durante a campanha eleitoral de 2014, de qualquer empresa que estivesse sendo investigada pela CPMI, conforme comprova minha prestação de contas à Justiça Federal. Tal situação só se justifica pela tentativa de vingança, já que fui o primeiro a pedir o indiciamento de Nestor Cerveró, reconhecido amigo do ora delator”, amplia o deputado através de nota enviada à redação do jornal Atmosfera.

“Por fim, após análise detalhada do fato, tomarei as medidas cabíveis na esfera jurídica para sanar prejuízos a minha imagem”, encerra Marco Maia. (Atmosferaonine.com.br)

Teori Zavascki homologa delação de Delcídio Amaral. Senador envolve a presidente Dilma Rousseff na Operação Lava-Jato; por JAILTON DE CARVALHO/O GLOBO

Teori Zavascki homologa delação de Delcídio Amaral. Senador envolve a presidente Dilma Rousseff na Operação Lava-Jato; por JAILTON DE CARVALHO/O GLOBO

Notícias Poder Política

O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta terça-feira a delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS). Segundo reportagem da “IstoÉ”, Delcídio afirmou em depoimento durante negociação de delação premiada que a presidente Dilma Rousseff pediu a ele que interferisse nas investigações da Lava-Jato ao solicitar que convencesse o desembargador Marcelo Navarro, hoje ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a votar pelo relaxamento da prisão dos presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo.

Delcídio citou pelo menos cinco colegas de Senado. Entre eles estão o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e Aécio Neves (PSDB-MG), principal nome da oposição e candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014. A informação completa está no site de O Globo.

 

“É uma mentira deslavada”, diz Marco Maia sobre delação de Delcídio do Amaral. Segundo revista IstoÉ, senador afirmou em delação premiada que deputado gaúcho cobrava para livrar empreiteiros da CPI da Petrobras; por Carolina Bahia/Zero hora

“É uma mentira deslavada”, diz Marco Maia sobre delação de Delcídio do Amaral. Segundo revista IstoÉ, senador afirmou em delação premiada que deputado gaúcho cobrava para livrar empreiteiros da CPI da Petrobras; por Carolina Bahia/Zero hora

Negócios Notícias Poder Política

Não consegui contato com o Deputado Federal, Marco Maia-PT/RS. Mas, segundo informou o Jornal Nacional, ele disse que não foi investigado pela Lava Jato. Afirmou ainda que, como relator da CPI da Petrobras, pediu o indiciamento de mais de 50 pessoas. E que se a delação de Delcídio realmente existir, terá sido feita com a intenção de desgastar o Partido dos Trabalhadores. Já a colunista de Zero Hora, Carolina Bahia, conversou com ele. Confira abaixo a entrevista que ela realizou:

Reportagem da Revista IstoÉ sobre a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) cita o deputado Marco Maia (PT-RS). Delcídio teria dito que o gaúcho e outros parlamentares da CPI da Petrobras cobravam dinheiro para que empreiteiros não fossem prestar esclarecimentos na comissão. Confira o que Maia, que relatou a CPI, diz sobre o caso.

O senhor cobrou propina de empreiteiros para que eles não fossem convocados a prestar depoimento na CPI da Petrobras?
Isso é um negócio absurdo, fora do contexto. Eu não tinha relação próxima do Delcídio. Nunca tive nenhuma reunião com ele, e não há nada no meu relatório da CPI que possa deixar dúvidas sobre o meu comportamento. Inclusive, sugeri o indiciamento de todas aquelas pessoas citadas.

Mas o senhor cobrou alguma coisa dos empresários para eles que não fossem à CPI?
Jamais cobrei. É uma mentira deslavada. E também nunca recebi contribuições das empresas investigadas. Além disso, nos últimos 45 dias da CPI eu estava doente e não fui às sessões. Nem conseguia me levantar.

Então, por que Delcídio citaria o seu caso em uma situação tão séria quanto uma delação?
Pode ter sido vingança. Fui o primeiro a pedir o indiciamento do Nestor Cerveró (ex-diretor da Petrobras) lá na CPI.

E as acusações contra o ex-presidente Lula e a presidente Dilma? Quais os efeitos?
Acho que ele (Delcídio) viajou . O José Eduardo Cardozo (ministro da AGU) deu informações interessantes de como são feitas as indicações do ministro do STJ e de que não há nada daquilo que ele acusa a presidente Dilma.

O que o senhor pretende fazer com essas informações?
Vou ver se a delação é real. Depois, vou tomar as medidas cabíveis. Nunca vi nada tão fora de propósito. Hoje, qualquer um pode falar o que bem entende.

 

(Felipe Vieira com informações do JN e Carolina Bahia/Zero Hora)

Pedágio na CPI da Petrobras: Delcídio cita deputado gaúcho na delação premiada

Pedágio na CPI da Petrobras: Delcídio cita deputado gaúcho na delação premiada

Direito Notícias Poder Política

A revista ISTO É divulgou trechos da edição desta semana onde traz revelações sobre o depoimento do Senador Delcídio Amaral. O ex-líder do governo no Senado acertou delação premiada e cita Dilma na Lava Jato. Ele também revelou bastidores da compra da refinaria de Pasadena/EUA e revela informações sobre o ex-presidente Lula. Confira a íntegra da reportagem divulgado no site da ISTO É.  Em um trecho, Delcído diz que os senadores Gim Argello (PTB-DF) e Vital do Rego (PMDB-PB) e os deputados Marco Maia (PT-RS) e Fernando Francischini (SD-PR) cobravam de empreiteiros para não serem convocados na CPI da Petrobras.

“Delcidio do Amaral sabe de ilicitudes envolvendo o desfecho da CPI que apurava os crimes no âmbito da Petrobras. A CPI obrigava Léo Pinheiro, Júlio Camargo e Ricardo Pessoa a jantarem todas as segundas-feiras em Brasília. O objetivo desses jantares era evitar que os empresários fossem convocados para depor na CPI. Os senadores Gim Argello, Vital do Rego e os deputados Marco Maia e Francischini cobravam pedágio para não convocar e evitar maiores investigações contra Léo Pinheiro, Júlio Camargo e Ricardo Pessoa.” Até agora não houve manifestação dos parlamentares citados na reportagem de Isto É.

Nesse caso é bom lembrar que em dezembro de 2014, o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, deputado Marco Maia (PT-RS), reformou o primeiro parecer para incluir o pedido d e indiciamento de 52 pessoas, o aprofundamento das investigações sobre outras oito e admitir o prejuízo de US$ 561,5 milhões na compra da Refirnaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Uma semana antes, quando apresentou o relatório, Marco Maia não pedia diretamente nenhum indiciamento, apenas reiterava os indiciamentos já feitos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público no âmbito da Operação Lava Jato. “Não cabe indiciamentos quando já foi feita a denúncia e alguns atores já até viraram réus. Mas, para que não pairem dúvidas, pedimos os indiciamentos”, esclareceu o relator em 17.12.2014, lendo em seguida os 52 nomes que incluem os ex-diretores Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró. Os indiciamentos diversos foram feitos pelos crimes de participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa ou passiva.

Ele também pediu o aprofundamento das investigações por crimes como pagamento de propina, fraude a licitações, formação de cartel e lavagem de dinheiro envolvendo as empresas Andrade Gutierrez Construções, Caide União, Consórcio Renest, Construções e Comércio Camargo Correia, Construtora OAS, Construtora Queiroz Galvão, Engevix Engenharia, Galvão Engenharia, Grupo Odebrecht, Iesa Projetos Equipamentos e Montagem, Daguá Equipamentos, Mendes Júnior, Metasa, Murano Brasil, OAS Engenharia e Participações, Toyo Setal e UTC Egenharia.

No relatório original, Marco Maia pedia que o Tribunal de Contas da União reavaliasse a decisão que considerou que a compra da Refinaria de Pasadena tinha causado prejuízo de US$ 792 milhões. Agora, no entanto, o relator disse ter recebido novas informações da Controladoria Geral da União (CGU), e admite que a compra da refinaria gerou prejuízos. “Nós estamos portanto, admitindo no relatório desta CPMI que há prejuízo potencial de US$ 561,5 milhões no negócio de Pasadena”, disse Maia ao apresentar a retificação.

Logo após as correções apresentadas pelo relator foi a vez de a oposição começar a leitura do seu voto em separado, que pede o indiciamento de 59 pessoas e instauração de inquéritos contra 36 pessoas citadas nas investigações da Operação Lava Jato, além de responsabilizar a presidenta Dilma Rousseff por improbidade administrativa na compra da refinaria norte-americana. Esse voto poderá ser incorporado por Marco Maia ao seu relatório principal, ou ser votado como alternativa ao dele. (Felipe Vieira com informações da Agência Brasil e Débora Bergamasco/Isto É – Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil)