“Lava Jato, sozinha, não transforma o País”, adverte procurador Deltan Dallagnol

“Lava Jato, sozinha, não transforma o País”, adverte procurador Deltan Dallagnol

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O coordenador da Força-Tarefa da Operação Lava Jato, procurador da República Deltan Dallagnol, reiterou, em São Paulo, que a investigação não vai alterar o cenário político em função do histórico recorrente de corrupção no Brasil. “A Lava Jato, sozinha, não transforma o País. Nós temos um fundo de corrupção e a nossa crença é de que podemos mover esse mundo de corrupção (…) nós, brasileiros, não podemos ter memória curta. A corrupção não vem de hoje e não é problema de um partido A ou de um partido B ”, advertiu.

Após dois anos de Lava Jato, Dallagnol apresentou um balanço sobre as investigações acerca do esquema bilionário de corrupção na Petrobras em palestra promovida, nessa quarta-feira, pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), na capital paulista. O procurador reafirmou que o pagamento de propina para arrecadação de dinheiro busca apenas dois objetivos: financiar campanhas e garantir enriquecimento ilícito.

O procurador da República também elencou os três pilares que embasaram o avanço das fases da Lava Jato. Segundo Dallagnol, os acordos de colaboração realizados em série, além da cooperação internacional de mais de cem países, somados à grande quantidade de informações vindas por meio eletrônico. “Toda essa investigação permitiu revelar um esquema de que, apenas na Petrobras, houve desvio de R$ 6,2 bilhões em propinas pagas”, sintetizou. De acordo com o coordenador, pelo menos R$ 3 bilhões foram recuperados ou garantidos judicialmente, até o momento. Em investigações anteriores, no máximo R$ 100 milhões haviam retornado aos cofres públicos, lembrou.

Para Dallagnol, a corrupção está instalada em todo o sistema político e das três esferas – federal, estadual e municipal – passando por órgãos como Petrobras, Eletrobras e Caixa Econômica Federal, por exemplo. Para ilustrar o cenário atual, o procurador ainda parafraseou Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro e responsável pela delação que, até agora, mais repercutiu. “A Petrobras, de todas as moças do bairro, era a mais honesta”, sublinhou.

Como alternativa para alterar um sistema que hoje favorece a corrupção, Dallagnol defende a realização de uma reforma política aliada à aprovação do PL 4.850/16, elaborado pelo Ministério Público, que estabelece dez medidas anticorrupção.

A proposta foi enviada ao Congresso Nacional com o apoio de mais de 2 milhões de assinaturas. Entre as ações sugeridas, está o aumento de penas para crimes relacionados com a corrupção e a criminalização das doações não declaradas em campanha. “A corrupção, ela sangra o nosso País. Ela tira o remédio, a comida e a escola do povo brasileiro. A corrupção é um ‘serial killer’ que mata de modo silencioso por meio de buracos em estradas, crimes de rua, por meio de pobreza e falta de medicamentos”, concluiu. (Rádio Guaíba)