Ricardo Boechat: um livro de memórias. Eduardo Barão e Pablo Fernandez resgatam 100 histórias de momentos emocionantes e divertidos dos quarenta anos de carreira do jornalista

Ricardo Boechat: um livro de memórias. Eduardo Barão e Pablo Fernandez resgatam 100 histórias de momentos emocionantes e divertidos dos quarenta anos de carreira do jornalista

Comunicação Notícias
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Barão com o livro que escreveu sobre o amigo.

Vencedor de 18 estatuetas do Prêmio Comunique-se e à frente do microfone da BandNews por 13 anos, Ricardo Boechat se consagrou como um dos jornalistas mais ácidos, eloquentes e bem-humorados do país. Dois de seus amigos mais próximos, Eduardo Barão e Pablo Fernandez, trazem 100 histórias que mostram o ser humano dedicado e o profissional exigente que ele foi em Eu sou Ricardo Boechat, livro oficial de memórias recém-lançado pela editora Panda Books. Com mais de quarenta anos de trabalho nos principais veículos de comunicação do país, Boechat descobriu no rádio, em 2005, a sua verdadeira vocação. Na obra, Barão e Pablo lembram que, empolgado com a interação que o rádio possibilita, Boechat muitas vezes divulgava seu número de celular para receber informações dos ouvintes. Em um dos relatos, vemos como (para o enlouquecimento dos diretores da rádio!) ele nunca respeitava o horário de fechamento dos programas, por sempre ter algo a mais para contar ou alguém a mais para ouvir. Nesse caso, a história não está no livro, mas Diego Casagrande e eu sofríamos com os atrasos do Boechat, Nosso programa na Bandnews Porto Alegre, entrava todos os dias  atrasado por causa do “estouro de tempo” provocado pelo Mestre em nível nacional. No dia do aniversário de cinco da emissora, Boechat veio ancorar a programação conosco “ao vivo”do Chalé da Praça XV, um restaurante tradicional do Centro Histórico. Ele encerrou “a-tra-sa-do” como sempre. Imediatamente abri a programação local, olhei para ele e disse,

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Comemoração dos cinco anos da BandnewsPoa

“Boechat, nós temos um pedido para você.”

“Felipe, com esse tratamento que vocês estão me dando, peça o que quiser. Vou atender”

“Boechat, não estoura mais o programa.  A gente tem muita coisa na pauta e fica difícil porque os teus atrasos reduzem muito o nosso tempo local.”

“Felipe, você é um gentleman e por isso vou dizer claramente  – fez um pausa dramática  e soltou – neeeeeemmmmmm fudendo !!!”

 

Caímos na gargalhada os três s seguimos o programa. Ele foi uma das pessoas mais agradáveis que convivi no jornalismo. Entrava no ar pela manhã e não parava mais. Muitas vezes liguei para o celular dele e pedi que conversasse comigo na Band AM sobre fatos em andamento. “Vai ser curto?”, “Vai.”, eu respondia. Mas, o papo invariavelmente se estendia porque ele adorava conversar e agregar fatos e histórias. Após a morte do Boechat, ouvi muitos relatos de que ele tratava todo mundo igual, do presidente da República ao ouvinte mais simples, não concordo. Estive várias com ele e o melhor tratamento era dispensado aos mais humildes. Parava para ouvir todo mundo e quando entendia que ali havia uma história para contar se concentrava no relato da pessoa, deixando autoridades esperando. Boa, Boechat!
livroboeRicardo Boechat ganhou notoriedade e respeito por não ter papas na língua. Os autores dão exemplos de como o amigo não poupava críticas e denúncias, citando desde uma discussão acalorada com o pastor Silas Malafaia até a sua total indignação com a displicência com as vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), em janeiro de 2013. Em um dos momentos mais tocantes do livro, Barão e Pablo descrevem os bastidores da redação da BandNews FM no dia do trágico acidente de helicóptero que matou Ricardo Boechat. Com a equipe em choque, coube a Sheila Magalhães, diretora de jornalismo, dar a triste notícia. Até ali, eu não conhecia a Doce Veruska e a Dona Mercedes, por isso liguei para o Barão e tentei conversar com ele, de alguma forma eu sabia o que eles estavam passando. Nós vivemos em 2005, uma experiência semelhante na Band Porto Alegre, quando de forma trágica perdemos Bira Valdez. Barão me ouviu, choramos a distância, mas vida que segue, de algum lugar até hoje o “Toca o barco!”, ecoa nas nossas mentes. Coube ao Barão, ex-jogador de vôlei e chapeiro em uma rede de restaurantes fastfood, até encontrar sua vocação no jornalismo, substituir a “Matraca”, das nossas manhãs. Poucas vezes estive com o Barão, mas ele se transformou em um amigo, daqueles que só as ondas do rádio podem fazer. A gente mal conhece a figura, mas se sente íntimo. Por isso nesta segunda-feira vou a São Paulo dar um abraço nele no lançamento do livro. Barão é fera, nascido em São Paulo em 1981, está em rádio desde 1997. Dividiu o microfone da BandNews FM com Boechat por 13 anos e atualmente comanda o noticiário matutino da rádio com muito talento e sensibilidade. Não conheço o Pablo Fernandez, mas pelos relatos que recebo o editor-chefe dos programas matutinos da BandNews FM é vinho da mesma pipa do Boechat e Barão.
Eu sou Ricardo Boechat termina com uma comovente carta escrita pela mãe do jornalista, Mercedes Carrascal, que conta como foi passar o primeiro Dia das Mães sem o filho. O livro traz ainda um caderno de fotos que retrata muitos momentos importantes da vida de Boechat. A mulher do jornalista, Veruska (ou Doce Veruska, como ele costumava chamá-la) assina o prefácio, e ajuda a desmistificar a figura do marido, cujo objetivo de vida definiu como simplesmente ajudar o próximo.
TRECHO
“Ricardo Boechat era padrinho da filha do empresário Paulo Marinho com a atriz Maitê Proença, de quem se tornou grande amigo. Juntos, passaram por alguns perrengues, e um deles foi em 1987, quando Boechat era secretário estadual de Comunicação no Rio de Janeiro. Ficou apenas seis meses no cargo e dizia ter sido o pior período de sua vida. Na época, ele vivia na capital e os filhos em Niterói. Em um sábado de manhã, como não tinha carro, Boechat não pensou duas vezes e pediu o da Maitê – o mais novo e bonito que existia – emprestado. Era um Monza, fabricado pela General Motors (GM). Um dos mais desejados na época. Boechat vestiu bermuda e camiseta, calçou chinelos de dedo e pegou o volante para ver os filhos, com um pequeno detalhe: ele não tinha carteira de habilitação. E ele fazia isso desde os 15 anos. Na ponte Rio-Niterói, o Monza da Maitê Proença, sem a atriz, foi parado pela Polícia Rodoviária Federal. Naquela época, Boechat não aparecia na TV e, por isso, não tinha o rosto conhecido.

‘Por favor, a habilitação.’
‘Olha, seu guarda, eu não tenho, não’, disse Boechat.
‘Você não tem habilitação? Então sai do carro.’
O policial olhou-o de cima a baixo e perguntou:
‘Esse carro é seu?’
‘Não, não é meu. É da minha comadre’, afirmou.
‘Os documentos do carro. E como chama sua comadre?’
‘Maitê Proença.’ Isso no auge da carreira dela. (…)”
78891072_1179114792280092_3364850995149406208_nEU SOU RICARDO BOECHAT

Autores: Eduardo Barão e Pablo Fernandez| 224 pp.

14 X 21 cm | R$ 59,90

Editora: Panda Books

Assunto: jornalismo; crônicas, memórias

Liberdade para empreender e de imprensa são defendidas no 29º Fórum da Liberdade

Liberdade para empreender e de imprensa são defendidas no 29º Fórum da Liberdade

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A solenidade de abertura do 29º Fórum da Liberdade, promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) ressaltou pontos importantes que pautam as discussões econômicas atuais, como a melhora das condições para se empreender e a liberdade de imprensa. Durante a cerimônia, foram apresentadosos vencedores do Prêmio Libertas, José Galló, e do Prêmio Liberdade de Imprensa, Diego Casagrande. O evento contou com a participação de representantes do poder público, empresarial e do terceiro setor, tais como o governador, José Ivo Sartori; o vice-governador, José Paulo Cairoli; a presidente da Assembleia Legislativa, Silvana Covatti; o presidente da FIERGS, Heitor José Müller; o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn; entre outras autoridades. 

O presidente do IEE, Ricardo Heller, destacou a relevância da escolha da obra A Revolta de Atlas, de Ayn Rand, como temática inspiradora para o Fórum desta edição. “A cada acontecimento em nosso País, notamos a importância de ressaltarmos esta obra. Isso se deu, infelizmente, pela grande semelhança da distopia criada por Rand com a realidade brasileira”, afirmou, complementando que além de um novo governo, é preciso defender um novo código moral para a sociedade. Heller enfatizou que no cenário atual, quem moverá o mundo são os indivíduos que empreendem e inovam. “Estes empresários acreditam no impacto positivo na sociedade”, disse o presidente.

20160411-untitled-0207-3Agraciado com o Prêmio Liberdade de Imprensa, o jornalista Diego Casagrande destacou que “a liberdade só é mesmo valorizada quando é perdida”. Defendendo o direito de que cada cidadão é dono de seu próprio pensamento, Casagrande foi taxativo ao afirmar que os locais de formação dos jovens devem ser imparciais. “As escolas devem criar seres pensantes, ao invés de militantes”, desabafou o radialista. Pleno defensor da liberdade, Casagrande definiu que a mesma não existe se não for de maneira plural e finalizou propondo uma reflexão: “Quem sabe não começamos a expandir esta liberdade pelas redações dos veículos de imprensa?”.

A árdua situação para empreender no Brasil também foi ressaltada com o discurso do empresário, José Galló, agraciado com20160411-untitled-0515-2 o Prêmio Libertas. “Na obra tema deste Fórum, os empresários deixam a cidade quando a atividade econômica está totalmente estagnada. Porém, nós, na vida real, não precisamos esperar chegar a este extremo caótico. É preciso de uma mudança de rota, e que seja a curto prazo”, confessou Galló. Referindo-se a administração pública, o diretor-presidente da Renner afirmou que em países sérios este segmento é povoado por especialistas e técnicos das respectivas áreas. “Atlas não tem mais força para carregar este Estado”, explicou.

O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, ressaltou a importância do debate das ideias da vida pública e privada proposto no Fórum da Liberdade. “O princípio da discussão de pensamentos é agente de inovação. Sem a circulação de ideias não somos capazes de refletir, inibindo a nossa liberdade”, ressaltou. Em sua exposição, Sartori destacou o papel fundamental da boa política para o avanço e a perspectiva de futuro da sociedade: “As palavras não podem esconder as ações”. Durante o seu discurso, Sartori aproveitou para revelar que acabara de chegar uma mensagem informando que o Rio Grande do Sul ganhou a liminar contra a dívida da União.

NET vai à justiça para manter o Canal 20 no ar

NET vai à justiça para manter o Canal 20 no ar

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Advogados da NET e de produtores locais trabalham em uma ação judicial para tentar manter o Canal 20/NET Cidade no ar.  Eles podem ingressar a qualquer momento no judiciário contra a ordem da Anatel/Ministério das Comunicações, de fechamento da emissora dia 30.  Segundo a ANCINE, que cobra a medida dos órgãos federais, o funcionamento da forma como acontece hoje fere a lei brasileira. A legislação determina que uma distribuidora de sinal não pode também ser  programadora de conteúdo. O fato é que se não conseguir uma liminar ou um outro instrumento jurídico para manter o 20 em funcionamento, a NET deverá ser retira-lo do ar a meia-noite do dia 30 de setembro. O NET Cidade também conhecido por Canal 20 conta com uma gama de produções locais independentes de variedades e entrevistas comandados por jornalistas como Diego Casagrande, Guaracy Andrade, Odalgir Lazzari, João Bosco Vaz, Cris Barth, Bibo Nunes entre outros… A programação é exibida em Porto Alegre, região metropolitana e litoral. Não conversei com meus amigos que mantém programas no 20, mas fontes do mercado indicam que alguns já estão se mexendo para conseguir espaço nas grades da TV Urbana, Poa TV ou nas emissoras que algumas “alugam horários”. Uma opção estudada pelos executivos da NET é repassar o canal para interessados em opera-lo. Essa alternativa eu diria é forte. Tem gente garantindo que negociações já estão bem adiantadas e os futuros gestores podem anunciar o fechamento do negócio até sexta-feira.