Facebook anuncia mudanças para evitar viés político. De acordo com assessor-geral, Colin Stretch, temas conservadores e liberais tem destaque idênticos

Facebook anuncia mudanças para evitar viés político. De acordo com assessor-geral, Colin Stretch, temas conservadores e liberais tem destaque idênticos

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O Facebook anunciou, nesta segunda-feira,que fará mudanças para garantir a objetividade política das publicações em destaque, embora a empresa garanta que uma investigação interna revelou não haver qualquer viés de seleção.  “Nossa investigação não revelou qualquer prova de parcialidade política sistemática na seleção, ou no destaque das publicações que figuram na função de assuntos do momento”, disse o assessor-geral do Face, Colin Stretch, em uma carta, na qual respondia a uma pergunta do senador republicano John Thune, que integra a Comissão do Comércio.

“Nossa análise indicou que as taxas de inclusão de temas conservadores e liberais nas histórias de destaque eram praticamente idênticas”, acrescentou Stretch. Além dos resultados do estudo, a empresa anunciou “várias mudanças” no funcionamento de suas equipes de revisão. O pessoal será submetido a mais controles e a mais supervisão para “minimizar o risco” de viés, nos casos em que uma avaliação humana é necessária.

“Queremos que as pessoas tenham certeza de que nossa comunidade inclui todos os pontos de vista”, insistiu Stretch.

Na semana passada, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, convocou uma reunião na sede californiana da empresa, após a publicação no periódico de tecnologia Gizmodo, com acusações de que a rede social omitia artigos com pontos de vista conservadores em sua seleção de histórias mais populares, na barra lateral da página. Zuckerberg garantiu que os conservadores representam uma parte importante da rede social. (Correio do Povo)

Substituto de Moisés Mendes já trabalha na redação da Zero Hora

Substituto de Moisés Mendes já trabalha na redação da Zero Hora

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Zero Hora não deve ir ao mercado contratar um profissional para substituir o colunista Moisés Mendes. A ideia que já está sendo trabalhada há algum tempo é uma “solução caseira”. Nesta sexta-feira, na interatividade das redes sociais surgiram sugestões de jornalistas gaúchos com “visão de esquerda”. O “viés”  é pré-requisito para contrapor os “liberais”que escrevem no jornal. Não há ainda uma definição por parte da direção de quem será a pessoa a ocupar o espaço, mas o “vestibular” pela vaga já começou. Nos últimos dias vários jornalistas da redação com “olhar de esquerda”, estão tendo seus textos analisados. A resposta do público pelos canais dos leitores de Zero Hora, será um dos critérios para a escolha definitiva do nome. A opção de trazer alguém de fora da empresa existe, mas poucos apoiam ela.

Com todos que eu conversei, ficou claro a intenção de que o futuro articulista tem que cair no agrado dos “socialistas gaúchos” – veja o elogio de Tarso Genro – e provocar reações do outro lado. Como por exemplo fez Moisés no texto: A direita estudantil. Ali ele dizia: “A direita brasileira só consegue produzir alguma reflexão em cima da reflexão alheia, quando o assunto é a autocrítica sob um mínimo de honestidade intelectual.” A resposta do instituto Liberal foi forte: “A história da corrupção brasileira é indubitavelmente atrelada ao tamanho do Estado, que é o seu verdadeiro e único genitor. A “direita” de Moisés não passa de um bode expiatório, um chiste, um clichê, uma fabula moderna criada nos diretórios dos partidos de esquerda. A “direita” de Moisés é um moldura adequada de inimigo que na realidade não existe. ” O texto publicado no site da instituição e assinado por Guilherme Macalossi, leva o título de: A direita de Moisés Mendes.

A intenção de Zero Hora, que deve anunciar o nome até maio, é que quem ocupar o cargo tenha ótimo texto, seja polêmico para causar repercussão e que tenha perspectiva de vida longa no novo posto. As apostas estão abertas, a roleta está girando e a única certeza que se tem é a bolinha tem que que parar na cor vermelha.

 

Entrevista de Bolsonaro na Rádio Guaíba é marcada por protestos e apoio de público

Entrevista de Bolsonaro na Rádio Guaíba é marcada por protestos e apoio de público

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A entrevista do deputado federal Jair Bolsonaro (PP) ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, rendeu protestos e vivas ao político em frente ao Estúdio Cristal. Desde a primeira fala, o parlamentar mostrou estar disposto à polêmica: “as minorias tem de se curvar às maiorias”. Com essa declaração, o progressista (que pensa em deixar a legenda e ingressar no PSC) abriu caminho para reafirmar posicionamentos referentes à contrariedade aos direitos humanos e àquilo que chamou de “doutrinação homossexual” nas escolas.

No decorrer do discurso, Bolsonaro ainda reafirmou que deve ser candidato à Presidência em 2018. A partir disso, garantiu que, se eleito, vai nomear um general do Exército para o Ministério da Educação. Também defendeu que o ideal para o produtor rural defender a propriedade contra o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) é o direito ao porte de fuzil.

As declarações polêmicas fizeram o deputado ser ovacionado e criticado. Gritos de “mito” e “fascista” foram ouvidos durante boa parte do programa. Os vidros do Estúdio Cristal também foram tomados por cartazes com dizeres contrários e favoráveis ao parlamentar. Da entrevista, Bolsonaro seguiu para a Assembleia Legislativa.

Militar da reserva, o deputado, de 60 anos, está na Capital para participar da troca de comando no Comando Militar do Sul e de uma audiência pública que discute uma “perspectiva de novo País”, organizada por três deputados do PP – Luiz Carlos Heinze, Adolfo Brito e Covatti Filho. (Reportagem e foto: Ananda Müller/Rádio Guaíba)

Luciana Genro defende necessidade de rediscutir sistema político brasileiro. Líder do Psol não vê força no movimento pró-impeachment(Pamela Mascarenhas/Jornal do Brasil)

Luciana Genro defende necessidade de rediscutir sistema político brasileiro. Líder do Psol não vê força no movimento pró-impeachment(Pamela Mascarenhas/Jornal do Brasil)

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Luciana Genro não vê força no movimento pró-impeachment e acredita que este não representa, por exemplo, os interesses da burguesia brasileira. Líderes de partidos de oposição de direita lançaram nesta semana o Movimento Pró-Impeachment, com uma petição eletrônica para recolher assinaturas. A presidenta da Fundação Lauro Campos, ex-deputada, uma das fundadoras do Psol, quarta colocada nas eleições presidenciais do Brasil em 2014, não descarta, contudo, que a situação possa evoluir para uma gravidade maior, que possa transformar a queda de Dilma em uma possibilidade real. Ela também critica a “indignação seletiva” com a corrupção e defende a necessidade de rediscutir o sistema político.

A necessidade real do país, defende Luciana Genro, seria uma rediscussão do conjunto das instituições, uma Assembleia Popular Constituinte que fosse eleita sob novas regras, sem o dinheiro das empreiteiras e dos bancos, e sem diferença na cobertura da mídia. “Só que um processo como esse não nasce de um Parlamento reacionário e conservador como o que nós temos”, atesta.

Em entrevista por telefone, ela também comentou sobre a trajetória da esquerda em países latino-americanos e na Grécia, falou dos reflexos de uma “fraqueza do governo e do PT” e apontou Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, como o representante de uma máfia política e do que há de mais reacionário no cenário político.

“A fraqueza do governo e do PT que têm permitido o crescimento de figuras como o Eduardo Cunha. Mas eu vejo que os dias dele, com a força política que ele tem, estão contados, principalmente agora com a delação do Fernando Baiano que deve entregar esse jogo todo do PMDB e com isso levar o Eduardo Cunha também para as margens da política”, alerta.

Luciana Genro chamou atenção ainda para os limites da atuação do seu partido, o Psol. “Eu não tenho dúvida que muitos dos que se decepcionaram com a Dilma procuram uma alternativa que não seja o retrocesso ao PSDB no poder. (…) mas para nós é muito difícil, porque a falta de estrutura e até mesmo de cobertura da grande mídia, para as nossas iniciativas políticas e opiniões, nos prejudica muito.”

Confira a entrevista, na íntegra:

Jornal do Brasil – O fato de que teríamos um Congresso conservador já era bem claro desde as eleições, e pautas conservadoras acabaram ganhando espaço rapidamente. Como você tem percebido a atuação da Câmara dos Deputados? O que essa configuração acarreta para o país?

Luciana Genro – Eu acho que o crescimento dessa bancada conservadora é resultado, por um lado, do abandono do PT das bandeiras que o partido historicamente defendeu, que foram relegadas ou ao segundo plano ou diretamente abandonadas, como foi o fato da Dilma ter suspendido o kit anti-homofobia nas escolas, como é o fato de ter permitido, silenciado, melhor dizendo, diante da decisão do Supremo de manter a anistia aos torturadores, que são pautas democráticas que o PT carregou ao longo da sua história, e defendeu com muita força e que, ao eles abandonarem, essas pautas acabaram sendo alvo de uma reação dos conservadores.

Porque, na realidade, eu vejo que do ponto de vista social nós avançamos nessas pautas que hoje o Congresso tenta fazer retroceder. Por exemplo, a pauta LGBT é uma pauta que se avançou muito nos últimos tempos, as pessoas “saíram do armário” com muito mais frequência e legitimidade do que faziam alguns anos atrás. A discussão da maconha, por exemplo, e a possibilidade do STF descriminalizar o porte ganhou muito apoio na sociedade.

Então eu vejo que há uma reação conservadora, uma contraofensiva conservadora, e esses políticos, que representam esses setores, eles têm mais dinheiro, têm mais estrutura do que as lideranças dos movimentos sociais que defendem essas pautas. Portanto, eles conseguem obter maior sucesso eleitoral. Mas eu não creio que na sociedade eles sejam efetivamente majoritários.

Jornal do Brasil – Como você analisa a atuação do presidente da Casa, Eduardo Cunha, especificamente?

Luciana Genro – O Eduardo Cunha, para mim, representa um tipo de máfia da política, uma máfia que atua para defender os seus interesses, os interesses do seu grupo, dos grupos que financiam os seus interesses, e o fato de ele estar investigado é uma demonstração muito contundente desse caráter mafioso que ele tem. Além disso, representa o que tem de mais reacionário no cenário político brasileiro. Ele consegue criticar o PT pelo que o PT ainda tem de progressista nas suas pautas, e dá voz a esses segmentos mais fundamentalistas que são totalmente reacionários.

E ao mesmo tempo é um político que representa os interesses da manutenção desse modelo econômico. Então há uma estranha coincidência entre a política de ajuste defendida pelo Levy e a política de ajuste defendida pelo Eduardo Cunha. Há um encontro dessas duas visões, o que demonstra que justamente a fraqueza do governo e do PT que têm permitido o crescimento de figuras como o Eduardo Cunha. Mas eu vejo que os dias dele, com a força política que ele tem, estão contados, principalmente agora com a delação do Fernando Baiano que deve entregar esse jogo todo do PMDB e com isso levar o Eduardo Cunha também para as margens da política.

Jornal do Brasil – E como você viu esse rompimento dele com o governo? 

Luciana Genro – Eu acho que isso tudo faz parte de um jogo de interesses, um jogo de chantagens. Hoje ele não tem os seus interesses atendidos e rompe com o governo. Não representa uma ruptura que tenha fundamentos legítimos do ponto de vista político ou ideológico. É uma ruptura pragmática que tem em vista os interesses dele de defender a sua possibilidade de não ir preso e ao mesmo tempo esse jogo de emendas, recursos, cargos, que provavelmente não está sendo bem atendido pelo governo.

Jornal do Brasil – Você chegou a ser interpelada extrajudicialmente pela Câmara dos Deputados recentemente, por causa de um comentário no Twitter, de que os grandes traficantes estão, inclusive, no Congresso. Como está essa história?

Luciana Genro – Eu respondi a interpelação reafirmando o que eu havia dito e citando o exemplo do senador ‘Zezé’ Perrella, o helicóptero pertencente à família dele foi apreendido com 420 kg de cocaína. E o fato dele e do filho dele, que era diretamente o proprietário da empresa, não terem sido presos, confirma de forma muito explícita o que eu havia afirmado naquele tweet, de que essa política de guerra às drogas só atinge os pequenos traficantes. Na verdade atinge os operadores do tráfico e não os financiadores, que são os donos dos aviões, dos helicópteros e do dinheiro que banca o tráfico que depois vai para as favelas de forma pulverizada, em pequenos traficantes, que são os que acabam indo atrás das grades.

17/03/2009- Brasilia- DF, Brasil- Deputada Luciana Genro em sessão na Camara. Foto: Diogenis Santos/ Agencia Camara

Jornal do Brasil – Sobre o movimento de defesa da saída da presidente Dilma Rousseff do cargo, entre todos os capítulos desta história, qual a sua análise sobre esse Movimento Parlamentar Pró-Impeachment que foi lançado nessa última quinta-feira?

Luciana Genro – Eu tenho a impressão que esse movimento não representa os interesses da burguesia brasileira. Nós vimos inclusive vários representantes da burguesia se pronunciarem em semanas antecedentes dizendo que não queriam impeachment, desde setores ligados a bancos até setores ligados à indústria. Então, eu não vejo que isso seja um movimento que tenha força real dentro da classe dominante. Vejo que isso é assim porque não há interesse, de fato, da classe dominante no impeachment da Dilma, porque isso traria uma instabilidade política ainda maior do que a que se tem hoje e uma dificuldade maior em fazer o ajuste fiscal e garantir, portanto, o superávit primário para os pagar juros da dívida pública e seguir sustentando a especulação financeira, o rentismo, toda essa lógica da satisfação dos interesses do capital financeiro.

O Psol nunca se alinhou com nenhum movimento pró-impeachment, não porque nós achamos que o governo Dilma tem alguma coisa de bom, mas porque nós achamos que as opções que são colocadas à Dilma neste momento seriam opções que significariam um retrocesso ainda maior, um governo encabeçado pelo Michel Temer, ou pelo próprio Eduardo Cunha ou mesmo pelo Aécio, que pudesse vencer uma eleição feita às pressas, com um processo democrático bastante precário como é o que nós temos hoje.

Então, nós achamos que a necessidade real do país seria uma rediscussão do conjunto das instituições, do funcionamento do sistema político. Por isso eu defendo a necessidade de uma Assembleia Popular Constituinte, que já fosse eleita sob novas regras, sem o dinheiro das empreiteiras, sem o dinheiro dos bancos, sem essa diferença brutal que existe no tempo de televisão, na cobertura da mídia, e, aí sim, também, nessa conjuntura de rediscussão total das instituições e do funcionamento do país, também novas eleições para presidência.

Só que um processo como esse não nasce de um Parlamento reacionário e conservador como o que nós temos, ele só poderia nascer de um movimento com a força de mobilização de um junho de 2013. Só que essa pauta, infelizmente, não está colocada na cabeça das pessoas como uma necessidade. Então a gente sabe que nós entendemos como uma necessidade, mas a maioria do povo ainda não compreende esse processo dessa maneira. Por isso, é uma proposta que não tem uma possibilidade imediata de se realizar.

Jornal do Brasil – E essa tese de impeachment você acha que realmente não tem força para se concretizar, ou teria?

Luciana Genro – Eu acho que não. Embora a Operação Lava Jato nos coloque no nível do imponderável, porque não se sabe tudo o que ainda pode aparecer na Lava Jato, com as delações premiadas e com as investigações que a Polícia Federal ainda está fazendo.

Então, eu digo isso [que a tese de impeachment não tem força para se concretizar] tomando os elementos que estão agora objetivamente colocados, mas eu não descarto que a situação possa evoluir para uma gravidade maior e que de fato a queda da Dilma possa ser uma possibilidade real.

Jornal do Brasil – E essa questão da corrupção tem servido como um dos principais argumentos desse movimento, só que alguns dos defensores dessa ideia são envolvidos com denúncias e suspeitas de corrupção. O que está em jogo, na sua opinião?

Luciana Genro – Exatamente, é que a indignação desses setores com a corrupção é uma indignação seletiva, eles só enxergam a corrupção do PT então eles fecham os olhos para a corrupção que também fez parte do governo do Fernando Henrique, eles fecham os olhos para a corrupção que atinge lideranças do PSDB, como o próprio senador do PSDB, Aloysio [Nunes], que está também investigado, o próprio Aécio [Neves], que também surgiram suspeitas sobre ele, e essa indignação ela não se materializa, e o próprio Eduardo Cunha, que é o maior exemplo disso. Os movimentos que foram para a rua pedir o impeachment da Dilma deram apoio ao Eduardo Cunha.

Então, fica evidente que é uma indignação seletiva, que não tem uma vocação verdadeira de transformar o modelo político do país, é simplesmente uma disputa pelo poder, para que os que hoje se apropriaram da máquina pública saiam para que eles tomem conta e reproduzam os mesmos esquemas que eles faziam antes, que o PT seguiu fazendo, e que eles mesmos querem fazer de novo. Então, nesse jogo o Psol não entra.

Jornal do Brasil – E como você vê a atuação do vice-presidente Michel Temer e do PMDB neste cenário?

Luciana Genro – Eu vejo que o Michel Temer e o PMDB estão sempre à espreita de uma possibilidade de chegar diretamente ao poder. Acho que em alguns momentos há algum exagero da mídia em explorar declarações do Temer, mas eu não tenho dúvida de que o PMDB, seja o PMDB do Temer e seja o PMDB do Cunha, não são confiáveis para ninguém. Então, eles podem estar sempre querendo preparar algum tipo de bote político.

Jornal do Brasil – Luciana, você acredita que a gente está em uma crise política e econômica, como você analisa esse debate de crise que paralisa o país?

Luciana Genro – Sem dúvida. Nós estamos numa crise econômica muito profunda, que está levando a um aumento do desemprego, está levando a uma carestia, levando a um arrocho salarial, a uma situação calamitosa dos estados. Aqui, o Rio Grande do Sul está em situação falimentar, os servidores públicos, inclusive, tem os salários parcelados pelo governo Sartori. Isso não é uma exceção no Rio Grande do Sul, tem outros estados também na mesma petição de miséria, por causa daqueles acordos que federalizaram as dívidas estaduais, com cláusulas draconianas, onde os estados pagam, pagam, pagam e devem cada vez mais.

Então, a vida está muito dura para o povo. E ao mesmo tempo há uma crise política, porque a Dilma ao ganhar as eleições com um discurso de diferenciação com o PSDB, de suposta defesa dos interesses populares, ela simplesmente traiu esses compromissos. Então, ela perdeu de fato legitimidade junto ao povo. E obviamente que a direita explora essa falta de legitimidade, essa falta de apoio popular. Isso tudo forma um caldo que gera uma crise política também bastante grave.

Infelizmente, o Psol é um partido que ainda não tem uma força política social capaz de se apresentar como uma alternativa. Porque eu não tenho dúvida que muitos dos que se decepcionaram com a Dilma procuram uma alternativa que não seja o retrocesso ao PSDB no poder. Uma parte consegue enxergar o Psol, já enxergou, inclusive, nas eleições, e percebe pela atuação da nossa bancada parlamentar que há um partido ali que busca construir um terceiro campo, que não é nem o campo do governo e nem o campo da oposição de direita, mas para nós é muito difícil porque a falta de estrutura e até mesmo de cobertura da grande mídia, para as nossas iniciativas políticas e opiniões, nos prejudica muito.

Os jornais televisivos que são os mais assistidos mostram a posição do governo e a posição da oposição representada pelo PSDB, como se não houvesse uma oposição de esquerda ao governo. Então, fica difícil de ganhar corpo uma alternativa à crise política e econômica pela esquerda do governo, e, por isso, acaba que a direita é que se beneficia, a direita, o PSDB, nesse sentido lato de direita, se beneficiando dessa situação e tentando capitalizar para si o descontentamento popular.

Jornal do Brasil – Nesse sentido do que você disse agora, como você analisa o caminho que o Brasil vem seguindo em relação à trajetória de outros países latino-americanos e mesmo de alguns países europeus, como a Grécia e Espanha — agora, com o Podemos? 

Luciana Genro – Eu acho que os povos latino-americanos, o povo grego e uma parte hoje do povo espanhol estão buscando uma alternativa pela esquerda. A vitória de governos como foi a do PT no Brasil, como foi o Chávez na Venezuela, como foi o Equador, a Bolívia com o Evo Morales, isso tudo são tentativas do povo de construir uma alternativa, cada uma delas tem as suas características, os seus problemas, as suas qualidades, e eu acho que o Brasil acabou sendo, neste contexto latino-americano, um dos governos que menos propiciou mudanças estruturais.

Aqui, por exemplo, se manteve toda a estrutura política, oligárquica, de castas partidárias intocadas, coisa que não aconteceu, por exemplo, na Venezuela ou na Bolívia, que tiveram processos constituintes, onde o povo teve uma oportunidade maior de se expressar, onde se abriram canais mais democráticos como o próprio referendo revogatório, que foi, inclusive, aplicado na Venezuela numa ocasião, quando o Chávez ainda era presidente.

Mas esses processos ao não avançarem acabam também retrocedendo. Então hoje nós vemos na Venezuela o desastre que está acontecendo com o governo Maduro, inclusive com características autoritárias, se pronunciando de forma bastante contundente, então são governos que não conseguiram dar consequência a essa disposição do povo de fazer mudanças mais estruturais e de enfrentar os principais problemas que são gerados pelo modelo capitalista.

E a Grécia me parece que o Tsipras também padeceu de uma ilusão de que a União Europeia, de que o Banco Central Europeu iriam afrouxar as condições do ajuste diante da pressão do governo. E isso não aconteceu, então ele acabou refém de um plano que se ele de fato executar vai significar a morte da Syriza como uma alternativa política de esquerda. E eu tenho expectativa ainda de que haja uma reviravolta na situação política da Grécia, e acho que a plataforma de esquerda, os deputados que romperam com a Syriza, apontam um caminho, que é o caminho de ser consequente com que o povo disse no plebiscito, que é não aceitar mais sacrifícios para a população em nome dos interesses do capital financeiro.

Mas é tudo um jogo onde a correlação de forças é sempre desfavorável para os trabalhadores, para aqueles que não detém o poder econômico. Então, não é fácil também avançar nesse caminho.

(Fotos: Diógenis Santos/ Agência Câmara e Fábio Pozzebom/ Agência Brasil)