STF notifica Dilma para que esclareça o termo ‘golpe’ no discurso; por Leandro Mazzini/Blog Coluna Esplanada/UOL

STF notifica Dilma para que esclareça o termo ‘golpe’ no discurso; por Leandro Mazzini/Blog Coluna Esplanada/UOL

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A Câmara dos Deputados não deixou barato e o Supremo Tribunal Federal, em decisão liminar da ministra Rosa Weber, deu aval para a cobrança da responsabilidade da verborragia política.

A ministra determinou ontem que presidente afastada Dilma Roussef seja notificada para responder a ação da Procuradoria Parlamentar da Câmara. O STF e a Câmara querem que ela esclareça o uso do termo “golpe” nos discursos públicos, sobre o processo de impeachment, ocorrido dentro da lei, conforme citam as duas instituições.

Assim que for notificada, Dilma terá até 10 dias para enviar à Corte a à Câmara a sua justificativa.

De acordo com a assessoria da Procuradoria da Câmara, a ação foi levada pelo órgão ao STF no último dia 5 “e atendeu a um pedido do deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ) (…). O deputado questiona o que consistiria o suposto golpe, quem seriam os golpistas e o motivo de a Presidente não ter recorrido a nenhuma instituição para evitar o que considera ser golpe”.

Lula afirma que país precisa “restabelecer a paz” em discurso em São Paulo. Ex-presidente convocou a população com o grito “não vai ter golpe, vai ter luta”. Confira o discurso de Lula

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Cerca de 380 mil pessoas, de acordo com a Central Única de Trabalhadores (CUT) – 80 mil, conforme a Polícia Militar –, ouviram o discurso do ex-presidente Lula, em ato a favor do governo federal na avenida Paulista, em São Paulo. Lula destacou a necessidade do país “restabelecer a paz” e conclamou os “defensores da democracia”: “Quero dizer na cara de vocês: não vai ter golpe, vai ter luta”. Em Porto Alegre, caminhada a favor do governo também reuniu milhares no fim da tarde.

O presidente reforçou o discurso de que aceitou o cargo na Casa Civil para “ajudar a presidente Dilma” no governo. “A gente tem que provar que este país é maior que qualquer crise do planeta Terra. Que este país vai crescer e sobreviver”, afirmou.

“Precisamos recuperar o humor desse país, a alegria de ser brasileiro. A auto-estima. É isso que está em jogo”, acrescentou Lula. “Não pode tentar antecipar eleições dando um golpe na Dilma. Temos que dizer para eles que nós lutamos para derrubar o regime militar, para conquistar a democracia e não admitimos um golpe”, criticou o ex-presidente.

Ex-presidente convocou a população com o grito "não vai ter golpe, vai ter luta". Foto: Juca Varella / ABr/ CP
Ex-presidente convocou a população com o grito “não vai ter golpe, vai ter luta”. Foto: Juca Varella / ABr/ CP

Ele destacou o caráter popular das diversas concentrações em todo o país contra o impeachment. “Essas pessoas estão aqui de graça, não foram convocadas pelos meios de comunicação durante a semana inteira”, ressaltou. “Estão aqui, pois sabem o valor da democracia. Sabem o que é o valor de fazer o pobre subir um degrau na escala social desse país”, frisou Lula.

O ex-presidente aproveitou para citar as conquistas e mudanças dos seus mandatos. “Estão aqui por saber o que é uma filha de empregada doméstica chegar à universidade. Eles sabem o que é dar valor ao filho coveiro de cemitério que estuda advocacia ou vira até médico”, discursou.

Lula também comentou que perdeu as eleições muitas vezes, mas nunca protestou contra quem ganhou. “Tem gente que fala em democracia da boca pra fora. Perdi as eleições em 89, em 94 e em 98 e em nenhum momento vocês viram eu ir pra rua protestar contra quem ganhou”, lembrou. (Agência Brasil)