Motoristas e cobradores receberam salário reduzido e apenas um terço do valor dos tickets alimentação; Bibiana Borba/Rádio Guaíba

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Rodoviários da Nortran realizam paralisação em Porto Alegre. Foto: Samuel Maciel/CP
Rodoviários da Nortran realizam paralisação em Porto Alegre. Foto: Samuel Maciel/CP

Apesar de o Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre ter encaminhado acordo, ontem, com os empresários de ônibus, grande parte da categoria defende mais paralisações em protesto contra a redução dos salários. Além do movimento iniciado na Nortran, parte dos funcionários da Auto Viação Navegantes cruzou os braços por volta das 10h.

O delegado sindical da empresa, Alessandro dos Santos, diz que tentou buscar um acordo com os patrões, mas não foi possível conter os ânimos dos colegas. Os ônibus da empresa também circulam a partir da zona Norte da Capital e, até então, estavam suprindo as linhas paradas da Nortran.

Já na Sopal, terceira empresa que compõe o consórcio MOB, o delegado sindical Ronei de Almeida descarta o início de uma greve, ao menos por enquanto. O representante demonstra preocupação quanto à possibilidade de os trabalhadores serem ainda mais penalizados, por existir um acordo através da entidade sindical oficial. “Como o sindicato não apoia a greve, a gente pode receber multas. Vamos aguardar até o 5º dia útil, quando eles têm o prazo legal pra pagar”, disse.

Além de não terem recebido o dissídio de 11,8%, os motoristas e cobradores dos quatro consórcios privados de ônibus tiveram o valor dos tickets alimentação reduzido para um terço: de R$ 21 para R$ 7. Os salários de março são pagos entre esta quinta-feira e o quinto dia útil de abril. Apenas os funcionários da companhia pública Carris recebem as remunerações completas.

Mais protestos tomam forma também em outras regiões da cidade, como a zona Sul. Na empresa Restinga, duas assembleias marcadas para as tardes de sábado e domingo podem levar a protestos dos funcionários no início da próxima semana. O delegado sindical, Rodrigo da Silva, aponta que a falta de representatividade do Sindicato dos Rodoviários gera as dissidências. De qualquer forma, acredita que uma greve poderia beneficiar ainda mais os patrões. “Não queremos ser usados como massa de manobra para eles aumentarem ainda mais a passagem”, avaliou.

Os empresários propuseram a compensação dos valores ao longo do mês de abril. O argumento do gerente técnico da ATP, Gustavo Simionovschi, é de que, mesmo com o aumento da passagem desde ontem, os caixas estão reduzidos em razão da suspensão do reajuste por mais de um mês. Os diretores do consórcio MOB não se manifestaram sobre as paralisações, até o momento.

Reajuste acertado no dissídio não será cumprido, afirma Seopa; Fernanda Pugliero / Correio do Povo

Reajuste acertado no dissídio não será cumprido, afirma Seopa; Fernanda Pugliero / Correio do Povo

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Após o Tribunal Regional do Trabalho (TRT4) não reconhecer o pedido do Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa) para a suspensão do dissídio, o advogado do grupo de concessionários do transporte público da Capital, Alceu Machado, adiantou: “A tarifa de R$ 3,25 impossibilita o cumprimento do dissídio deste ano.” Ele explicou que a intenção da petição, protocolada no final da tarde de terça-feira no TRT, era apenas comunicar ao órgão trabalhista que não haverá condições financeiras para honrar o acordado no dissídio com a categoria, assinado em 5 de fevereiro.

Segundo Machado, o objetivo de repercutir a situação foi alcançado. O advogado afirmou ainda que a decisão do judiciário de barrar o reajuste da tarifa prejudicará não apenas a categoria, mas também todo o acordo firmado na licitação do transporte público de Porto Alegre. Ele não descartou a possibilidade de devolução dos ônibus novos, que começaram a circular no dia 22 de fevereiro, quando a passagem passou a custar R$ 3,75 – valor derrubado por liminar judicial três dias depois. “Os ônibus novos, que estão circulando aí, foram financiados, não estão pagos”, informou.

Uma reunião entre os empresários, que ocorrerá hoje ou amanhã, deve bater o martelo sobre o pagamento do dia 15. Nessa quarta-feira, após reunião com a patronal, a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários ameaçou paralisar a operação do transporte público caso o reajuste definido em dissídio não seja pago. Sobre o descumprimento do acordo, o representante do Seopa reconhece que trata-se de “locaute” (quando há recusa por parte da patronal em ceder aos trabalhadores os instrumentos de trabalho necessários para a atividade ou não cumprimento de decisão proferida em dissídio coletivo).

TRT4 não reconhece pedido do sindicato das empresas de ônibus de não pagar dissídio dos rodoviários de POA. Juiz não reconheceu pedido do Seopa para suspender reajuste do salário da categoria

TRT4 não reconhece pedido do sindicato das empresas de ônibus de não pagar dissídio dos rodoviários de POA. Juiz não reconheceu pedido do Seopa para suspender reajuste do salário da categoria

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O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região divulgou nessa quarta-feira o resultado da petição feita pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa) e não deu conhecimento à petição para suspender o reajuste de rodoviários. O vice-presidente do TRT, desembargador João Pedro Silvestrin, não analisou o pedido e, dessa forma, as companhias de ônibus serão obrigadas a pagar o dissídio à categoria.

No entender do TRT, o pedido do Seopa foi considerado impróprio e não pôde ser analisado porque o palco processual não comporta a discussão. Além disso, a petição não foi originada por uma ação e representa apenas uma comunicação do descumprimento do que foi acordado com o Sindicato dos Rodoviários.

Nessa quarta-feira, após a reunião entre os dois sindicatos, o Seopa comunicou oficialmente que não haveria condições de bancar o dissídio justamente pela suspensão da nova tarifa dos ônibus em Porto Alegre. O presidente do sindicato dos rodoviários, Adair da Silva, informou que não há cláusula no dissídio que atrele o salário à tarifa dos ônibus.

Conforme Silva, a greve depende do valor depositado nos contracheques dos trabalhadores, que recebem em 15 de março. A paralisação pode ser deflagrada no dia seguinte.

Silva disse ainda que a prefeitura deixou uma “brecha” ao ignorar o trâmite do aumento da passagem. “Todo reajuste de tarifa tem que passar pelo Comtu”, avaliou. Ele descartou ainda a possibilidade de greve no momento, apontando que a categoria esperará para ver se o valor do dissídio aparecerá no contracheque deste mês. “A Carris é a primeira a pagar o salário, no dia 15. Primeiro vamos ver se vão pagar para então definir que rumo tomar.” (Correio do Povo)