Inflação para pessoas com mais de 60 anos chega a 11,13%

Inflação para pessoas com mais de 60 anos chega a 11,13%

Economia Negócios Notícias Saúde

O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que mede a variação da cesta de consumo de pessoas com mais de 60 anos de idade, fechou o ano de 2015 em 11,13%. A taxa foi superior à observada pelo Índice de Preços ao Consumidor Brasil (IPC-BR), que mede a inflação média para todas as faixas etárias e de renda e que ficou em 10,53%.

Apenas no quarto trimestre do ano passado, a taxa do IPC-3i ficou em 2,87%, superior ao 1,23% do terceiro trimestre do ano. Seis das oito classes de despesa analisadas pelo índice tiveram alta na taxa de inflação na passagem do terceiro para o quarto trimestre.

Alimentos O aumento dos preços dos alimentos foi a principal razão para a alta da inflação no período, já que a taxa subiu de 0,54% no terceiro trimestre para 5,37% no último trimestre. O item que mais contribuiu para esse movimento do grupo alimentação veio das hortaliças e legumes, que tiveram alta de preços de 20,81%, no quarto trimestre, ante uma deflação (queda de preços) de 16,33%, no trimestre anterior.

Outros impactos importantes vieram dos grupos de despesa transportes (a taxa passou 0,35% para 4,52%), educação, leitura e recreação (de 0,94% para 2,51%) e vestuário (0,24% para 1,99%). O IPC-3i é calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). (Agência Brasil)

Economia: Marcelo Portugal avalia 2015 no Brasil

Economia Entrevistas Negócios Notícias Opinião Poder Política

Nesta quarta-feira(30.12) conversei no programa Agora/Rádio Guaíba, com o professor da Ufrgs, Marcelo Portugal sobre a economia brasileira no ano de 2015 e perspectivas para 2016. Entre outros aspectos ele avaliou o aumento do deficit acumulado por União, Estados e municípios levou a dívida pública do Brasil em novembro a atingir 65,1% do PIB. É a maior porcentagem desde 2006, ano de início da série histórica. O Banco Central espera que no final do ano ela chegue a 66,9%. No final de 2014, era 57,2%. Entre as razões para a alta do deficit estão o desequilíbrio nas contas públicas e os juros elevados.

Federasul fecha 2015 como “ano para ser esquecido” e projeta 2016 ainda pior

Federasul fecha 2015 como “ano para ser esquecido” e projeta 2016 ainda pior

Economia Notícias Poder Política

A Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul) anunciou, em reunião-almoço nesta quarta-feira, o balanço das atividades de 2015, que classificou como “ano a ser esquecido”. Conforme o presidente da Federasul, Ricardo Russukowsky, as previsões negativas para o ano corrente se concretizaram, levando o Estado ao segundo pior desempenho do País, caindo de 3% positivos para 8,9% negativos no ranking da atividade varejista. Este já é considerado o pior resultado desde o ano 2000.

Para o economista André Azevedo, que exemplificou em números o problema enfrentado, um cenário ainda pior está sendo projetado para 2016, mais um ano de recessão econômica. Conforme Azevedo, o possível impeachment da presidente Dilma Rousseff pode ser a solução “menos pior” para projetar uma melhora no cenário para 2017. Caso Dilma permaneça no cargo, o próprio economista garante que “só em 2019 para haver uma possibilidade de  mudança significativa na economia”.

De acordo com a Federasul, são quatro os principais fatores que contribuirão para mais um ano negativo: o atraso nos pagamentos dos servidores públicos, o aumento da taxa de desemprego, o menor aumento do mínimo regional e a redução do crédito. O aumento das alíquotas do ICMS também contribuirão para piorar o desempenho do setor, aliado a fatores externos como mais um rebaixamento da nota do país vinda da agência Fitch de classificação de risco.

O Brasil encerrou 2015 em 18º lugar no ranking do G20 e com desempenho negativo de 2,5% no crescimento econômico para o período 2001-2016. (Ananda Müller/Radio Guaíba)

Fiergs: instabilidade política ainda gera desconfiança no mercado para 2016. Presidente da entidade não quis opinar sobre o impeachment de Dilma

Fiergs: instabilidade política ainda gera desconfiança no mercado para 2016. Presidente da entidade não quis opinar sobre o impeachment de Dilma

Economia Notícias

Apesar de não querer opinar sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor Müller, afirmou, nesta terça-feira, que a persistência da instabilidade política no País deve continuar impactando negativamente o setor produtivo em 2016. Em evento de divulgação do balanço econômico de 2015, o dirigente ressaltou que as crises econômica e política também seguem retraindo o consumo, com a consequente redução da produtividade.

“Não é necessariamente a questão do impeachment (a instabilidade). Esse imbróglio político, que está armado já praticamente durante todo o ano de 2015, é que está freando as soluções dos problemas econômicos. Nós esperamos um desfecho bem rápido, que seja sim ou que seja não (pelo impeachment), mas que haja de uma vez um entendimento entre os três Poderes, para que algumas medidas possam ser apresentadas, votadas, discutidas, aprovadas, ou não, pelo Congresso Nacional, para reencaminhar a solução do problema econômico”, disse Heitor Müller.

O presidente da Fiergs complementou que após uma reunião com empresários alemães e chineses, na semana passada, notou que o mercado internacional ainda confia no Brasil, mas só vai retomar os investimentos com a volta da estabilidade política.

Para 2016, a perspectiva da Federação das Indústrias, baseada em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), é de retração negativa do PIB em até 2,5%. Além disso, a entidade apontou que a “turbulência atual (no Brasil) não pode ser atribuída ao cenário internacional”, tendo em vista que os países desenvolvidos conseguiram crescer em 2015, diferente do Brasil, que teve queda de 3,5%.

Com relação ao agronegócio gaúcho para o próximo ano, o economista da Fiergs André Nunes apontou que a estimativa da próxima safra é positiva, mas não deve superar a produção dos dois últimos anos. Além disso, apesar do parecer positivo para o setor, a tendência é que o nível da atividade em outras áreas, como a indústria, seja menor no Rio Grande do Sul, em comparação com o Brasil. O economista relembrou que, somente nos últimos 12 meses, 87 mil postos de trabalho foram fechados no Rio Grande do Sul, 80% deles em postos da indústria. (Vitória Famer / Rádio Guaíba)

Impeachment: Felipe Vieira entrevista Fernando Ferrari Filho

Economia Educação Entrevistas Negócios Notícias Poder Política

Conversei com o presidente do Corecon-RS e professor da Ufrgs, Fernando Ferrari Filho, sobre o quadro econômico depois do anúncio do processo de impeachment contra a presidente Dilma na Câmara e frente aos baixo desempenho da economia brasieira. Para ele, o país ainda se encontra em recessão e não chegou no nível de depressão econômica. Em entrevista ao Programa Agora, disse que em 2016 a perspectiva deve se manter inalterada. O especialista destacou que o PIB não vai cair tanto quanto caiu em 2015, mas isso não altera substancialmente o cenário.

PIB sob risco de depressão. Economia tem queda generalizada no 3º tri. Resultado só não é pior que o da Ucrânia. Crise pode ser a mais grave em 35 anos

Notícias

O PIB caiu 4,5% no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2014, o pior resultado da série do IBGE, iniciada em 1996. Investimentos e consumo das famílias tiveram queda recorde. E a indústria de transformação não amargava resultado tão ruim desde a crise global, em 2009. Muitos analistas já veem a economia em depressão, que é uma recessão mais profunda e duradoura. A atual recessão, iniciada em 2014, poderá durar 11 trimestres e representar, no período, um tombo de 8,1% do PIB, segundo a FGV. Caso confirmada, será a pior crise em 35 anos. (O Globo)

Impeachment pode destravar a crise, afirma Armínio Fraga

Impeachment pode destravar a crise, afirma Armínio Fraga

Economia Notícias Poder Política

Com ou sem Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, o Brasil caminha para o “caos profundo”. A constatação é de Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, em entrevista a Ana Estela de Sousa Pinto. O cenário no curto prazo é de alta da inflação, do dólar e do desemprego, diz ele, que considera o impeachment da presidente Dilma (PT) uma solução para destravar a crise. A reportagem completa está na Folha de São Paulo.

Marcelo Portugal critica falta de rumo do governo Dilma e propostas do presidente do PT para economia brasileira

Economia Entrevistas Notícias Poder Política

Conversei hoje (19.10) com o professor da Ufrgs, Marcelo Portugal, sobre declarações do presidente do PT Rui Falcão pedindo a saída de Joaquim Levy, do ministério da Fazenda. Também falamos sobre os prejuízos causados pelas chuvas no RS e o crescimento da China.

Gastronomia & Economia: Helena Rizzo volta a Porto Alegre para falar sobre criatividade e inovação no setor de alimentação

Gastronomia & Economia: Helena Rizzo volta a Porto Alegre para falar sobre criatividade e inovação no setor de alimentação

Gastronomia Notícias

A chef do restaurante – Maní, apontado como um dos 50 melhores do mundo, vai falar durante Painel do 1º Fórum da Hospedagem e Alimentação do Sindha, que será realizado no dia 9 de novembro noSalão de Eventos do Plaza São Rafael – Avenida Alberto Bins, 514 – Centro Histórico, Porto Alegre – RS.

Ela começou a realizar seu sonho de ser chef com uma temporada de oito anos pela Europa, estagiando e fazendo cursos. Ao regressar ao Brasil, em 2006, abriu o restaurante Maní, que hoje é apontado como um dos 50 melhores do mundo. Foi eleita a melhor chef do mundo por uma das mais prestigiosas premiações do gênero, a “Veuve Clicquot World’s Best Female Chef Award”.Helena Rizzo volta a Porto Alegre para debater a criatividade e inovação no setor de alimentação, no 1º Fórum da Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região – Sindha.
Ingressos poderão ser adquiridos diretamente no Sindha – Rua Barros Cassal, 180, conjunto 801. Informações pelo fone (51) 3225.3300/ email: sindha@sindha.org.brou site www.sindha.org.br.
Helena vai debater o cenário econômico, a maior concorrência que tem obrigado as empresas a buscar alternativas para ganhar competitividade, sendo a inovação elemento-chave. “O objetivo desse painel é identificar as práticas inovadoras implantadas por empresas do setor, bem como sua perspectivade inovação em um futuro próximo,” diz o presidente do Sindha, Henry Chmelnistsky. A expectativa é reunir cerca de 350 participantes.
Helena Rizzo fará ainda uma demonstração de Criatividade e Inovação na Gastronomia. Serão desenvolvidos e apresentados dois pratos sobre o tema.
Para participar das palestras é necessário efetuar inscrição prévia. Ingressos poderão ser adquiridos diretamente no Sindha – Rua Barros Cassal, 180, conjunto 801. Informações pelo fone (51) 3225.3300/ email: sindha@sindha.org.br ou site www.sindha.org.br

Ingressos:
• Isentos – Sócios Sindha
• R$ 30,00 – Estudantes
• R$ 80,00 – Não sócios
• R$ 120,00 – Público em geral

Ingresso no Sindha das 8h12 às 18h.

Rua Barros Cassal, 180, conjunto 801. Informações pelo fone (51) 3225.3300/ email: sindha@sindha.org.brou site www.sindha.org.br.

Delfim Netto: ‘A Dilma é simplesmente uma trapalhona’

Delfim Netto: ‘A Dilma é simplesmente uma trapalhona’

Economia Negócios Notícias Poder Política

O ex-ministro, ex-deputado e economista Delfim Netto criticou o pacote fiscal do governo e a presidente Dilma Rousseff em entrevista a Eliane Cantanhêde, para o jornal Estado de S. Paulo. “Ela é simplesmente uma trapalhona”, disse Delfim Netto.

Para Delfim, o envio do Orçamento com déficit ao Congresso foi “a maior barbeiragem política e econômica da história recente do Brasil”, e o pacote é “uma fraude, um truque, uma decepção, não tem corte nenhum, é uma cobra que mordeu o rabo”.

O economista também criticou a intenção de recriar a CPMF: “A CPMF é um imposto cumulativo, regressivo, inflacionário, tem efeito negativo sobre o crescimento e quem paga é o pobre”. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Confira os principais trechos da entrevista do Estado de S. Paulo:

Como o sr. vê a situação hoje?

Com muita preocupação. As pessoas sabem que a presidente é uma mulher com espírito muito forte, com vontades muito duras, e ela nunca explicou porque ela deu aquela conversão na estrada de Damasco. Ela deveria ter ido à televisão, já no primeiro momento, e dizer: “Errei. Achei que o modelo que nós tínhamos ia dar certo e não deu”. Mas, não. Ela mudou sem avisar e sem explicar nada para ninguém. Como confiar?

Como define a conversão na estrada de Damasco?

Ela mudou um programa econômico extremamente defeituoso, que foi usado para se reeleger. Em 2011, a Dilma fez um ajuste importante, aprovou a previdência do funcionalismo público, o PIB cresceu praticamente no nível do Lula. Mas o vento que era de cauda e que ajudou muito o Lula tinha mudado e virado um vento de frente.

Os ventos internacionais?

Sim. Então, ela foi confrontada em 2012 com essa mudança e com a expectativa de que a inflação ia aumentar e o crescimento ia diminuir e ela alterou tudo. Passou para uma política voluntarista, intervencionista, foi pondo a mão numa coisa, noutra, noutra, noutra… Aquilo tudo foi minando a confiança do mundo empresarial e, de 2012 a 2014, o crescimento vai diminuindo, murchando.

E o uso na reeleição?

A tragédia, na verdade, foi 2014, porque ela usou um axioma da política, que diz que ‘o primeiro dever do poder é continuar poder’. No momento em que ela assumiu isso, ela passou a insistir nos seus equívocos. Aliás, contra o seu ministro da Fazenda, o Guido Mantega, que tinha preparado a mudança, tanto que as primeiras medidas anunciadas pelo Joaquim Levy já estavam prontas, tinham sido feitas pelo Guido.

Então, o sr. discorda da versão corrente de que a culpa foi do Mantega?

O Guido não tem culpa nenhuma. E, para falar a verdade, nenhum ministro da Fazenda da Dilma tem culpa nenhuma, porque o ministro da Fazenda é a Dilma, é ela. E o custo da eleição é o grande desequilíbrio de 2014.

Qual o papel do Levy?

Como a credibilidade do governo é muito baixa, o ajuste que ele fez encontrou muitas dificuldades, não teve sucesso porque não foi possível dizer que o ajuste era simplesmente uma ponte.

A presidente não vive dizendo que é só uma travessia?

Travessia sem ponte?

E o pacote fiscal?

O primeiro equívoco mortal foi encaminhar para o Congresso uma proposta de Orçamento com déficit. Foi a maior barbeiragem política e econômica da história recente do Brasil. A interpretação do mercado foi a seguinte: o governo jogou a toalha, abriu mão de sua responsabilidade, é impotente, então, seja o que Deus quiser, o Congresso que se vire aí.

A briga interna do governo não é um complicador?

A briga interna ocorre em qualquer governo, mas o presidente tem de ter uma coisa muito clara: ele opta por um e manda o outro embora. Um governo não pode ter dentro de si essas contradições, senão vira um Frankenstein.

Quem tem de sair, o Levy, o Nelson Barbosa ou o Aloizio Mercadante?

Quem tem de sair é problema da Dilma, mas quem assessorou isso do Orçamento com déficit levou o governo a uma decisão extremamente perigosa e desmoralizadora e isso produziu um efeito devastador.

De tudo o que o sr. diz, conclui-se que o ponto central da crise é que Dilma é uma presidente fraca?

Ela tem uma visão do Brasil que não coincide com o Brasil.

Por que o sr. defendia o aumento da Cide, não a recriação da CPMF?

O aumento da Cide seria infinitamente melhor. CPMF é um imposto cumulativo, regressivo, inflacionário, tem efeito negativo sobre o crescimento e quem paga é o pobre mesmo. Ele está sendo usado porque o programa do governo é uma fraude, um truque, uma decepção – não tem corte nenhum, só substituição de uma despesa por outra e o que parece corte é verba cortada do outro. Dizem que vão usar a verba do sistema S. Ora, meu Deus do céu! R$ 1 do sistema S produz infinitamente mais do que R$ 1 na mão do governo. Alguém duvida de que o governo é ineficiente?

A presidente Dilma…

Acho que não, nem ela. Ela sabe disso, só não tira proveito.

E a Cide?

A CPMF é coisa do século 19, a Cide é do século 21, porque você corta consumo de combustível fóssil, reduz emissão de CO2 e vai salvar um setor que você destruiu, o sucroalcooleiro. Tem 80 empresas quebrando por conta dos erros da política econômica. Na hora que você fizer isso, toda essa indústria renasce.

Quais as chances de o pacote passar?

Eles vão ter de negociar com a CUT e com o PT, que é o verdadeiro sindicato do funcionalismo público. Então, é quase inconcebível e vai ter uma greve geral que vai reduzir ainda mais a receita. É uma cobra que mordeu o rabo. O aumento de imposto é 55% do programa; o corte, se você acreditar que há corte, é de 19%; e a substituição interna representa 26%. Ou seja, para cada real que o governo finge que vai economizar com salários, ele quer receber R$ 3 com as transferências e o aumento de imposto. No fundo, o esforço é nulo.

O sr. diz que os grandes problemas começam em 2014, mas muitos analistas respeitados dizem que começam antes. Qual a responsabilidade do governo Lula?

Até 2011, o vento de cauda era de tal ordem, a entrada da China foi de tal ordem, que dava a sensação de que você tinha entrado no paraíso e o Lula aproveitou bem para um crescimento mais inclusivo, mais equânime. Depois, eu estou convencido de que foi a intervenção extravagante, extraordinária, exagerada no sistema econômico que gerou tudo isso. Mexeu na eletricidade, mexeu nos portos, foi criando um estado de confusão que matou o “espírito animal” dos empresários, com uma queda dramática do nível de investimento e do nível de crescimento.

A diferença é que o Lula nunca fez questão de ser de esquerda, mas a Dilma, que vem do velho PDT brizolista, nacionalista e estatizante, tem esse compromisso?

O Lula é um pragmático, uma inteligência extraordinária. Já a Dilma tem, sim, o velho problema do engenheiro, o engenheiro Brizola, que por onde passou destruiu tudo, destruiu de tal jeito o Rio Grande do Sul que ninguém mais salva. Ela tem uma ideia intervencionista, realmente não acredita no sistema de preços. Veja essa escolha dela no pré-sal, é inteiramente arbitrária. Foi dar para a Petrobrás uma tarefa muito acima do que ela é capaz. Nada mais infantil no Brasil do que a sua esquerda, facilmente manobrável.

Quem é a esquerda no Brasil hoje?

No Brasil de hoje, esquerda e direita são sinais de trânsito. O fato é que a Dilma é uma intervencionista e foi a crença de que ela não mudou, e de que a escolha do Joaquim foi simplesmente um expediente para superar uma dificuldade, que não deu credibilidade ao plano de ajuste.

Além de perder credibilidade junto aos empresários, a presidente também está perdendo apoios na base social do PT.

Como ela não explicou que errou e por que iria mudar a política econômica, o 1/3 que votou nela se sentiu traído de verdade e o 1/3 que votou contra ela disse: ‘Viu? Eu não disse?”. Sobraram para ela só 8%.

Em quem o sr. votou?

Na Dilma. Mas acho que o Aécio era perfeitamente “servível”. Teria as mesmas dificuldades que a Dilma enfrenta, porque consertar esse negócio que está aí não é uma coisa simples para ninguém, mas ele entraria com uma outra concepção de mundo, faria um ajuste com muito menos custo e a recuperação do crescimento teria sido muito mais rápida.

Se a presidente está com 8% de popularidade, pior até que o Collor, o impeachment seria uma solução?

Se houver algum desvio de conduta materialmente provado, o impeachment é um recurso natural dentro da Constituição. Então, não há nenhuma quebra de institucionalidade, não tem nenhum problema. Agora, o Brasil não é nenhuma pastelaria e não é nenhuma passeata cívica de verde e amarelo nem panelaço que decide se vai ter ou não impeachment. Não há recall de presidentes. A sociedade votou, que pague os seus erros para aprender e volte em 2018. Está em segunda época, volte em 2018 para fazer nova prova.

Então, o sr. não votaria na Dilma novamente em 2018, se ela pudesse ser candidata?

Não, primeiro porque ela não pode ser candidata. É preciso dizer que eu acho a Dilma absolutamente honesta, com absoluta honestidade de propósito, e que ela é simplesmente uma trapalhona.

Numa eventualidade, o vice Temer seria adequado para a Presidência como foi o Itamar Franco?

Acho que sim. Nós somos muito amigos. O Temer tem qualidades, é uma pessoa extraordinária, um gentleman e um sujeito ponderado, tem tudo, mas eu refugo essa hipótese enquanto não houver provas, e vou te dizer: ele também. (Jornal do Brasil-Foto: Jornal GGN)