“Não dá para dar cavalinho de pau”, pondera presidente do PT gaúcho sobre alianças com PMDB; por Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba

“Não dá para dar cavalinho de pau”, pondera presidente do PT gaúcho sobre alianças com PMDB; por Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba

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O presidente do PT no Rio Grande do Sul, Ary Vannazi, comemorou hoje a decisão do diretório nacional da legenda de restringir, mas não proibir, alianças com peemedebistas nas próximas eleições. A decisão foi tomada ontem, durante reunião da cúpula petista em Brasília, aceitando alianças com nomes do PMDB que não tenham defendido o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Segundo Vanazzi, trata-se de um processo de transição que deve ser realizado gradualmente.

“Também não dá para dar um cavalinho de pau. Esse é o nosso problema. Temos que ter um processo de transição. Essa decisão é um processo forte de transição na nossa política de alianças. Nós avançamos muito ontem, a nível nacional. Porque a nossa decisão também é fortalecer e ampliar alianças com PC do B, PSOL e PDT, e setores do PSB”, defendeu Vanazzi.

Na prática, o PT nacional reproduziu uma decisão que a cúpula petista gaúcha já havia tomada semanas antes. Após a reunião, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, chegou a dizer que “o PMDB é um partido enorme, teve uma participação na luta democrática no passado e que, Brasil afora, deve ter pessoas confiáveis”.

A reunião de ontem do PT também orientou a base para que realize forte oposição ao governo interino de Michel Temer (PMDB). Isso porque a avaliação do partido é que Temer promoveu um “golpe” político em Dilma para chegar ao poder.

As resoluções divulgadas após a reunião também trazem uma autocrítica do PT. Em um dos textos, os petistas admitem que cometeram falhas durante os mais de 13 anos de governos, sendo uma delas o fato de se deixarem “contaminar” pelo financiamento empresarial de campanha. No texto, não há citações diretas sobre o envolvimento de petistas em esquemas de corrupção.

“Fomos contaminados pelo financiamento empresarial de campanhas, estrutura celular de como as classes dominantes se articulam com o Estado, formando suas próprias bancadas corporativas e controlando governos. Preservada essa condição, mesmo após nossa vitória eleitoral de 2002, terminamos envolvidos em práticas dos partidos políticos tradicionais, o que claramente afetou negativamente nossa imagem e abriu flancos para ataques de aparatos judiciais controlados pela direita”, cita um trecho da resolução.

Em outro trecho, o partido adverte para os riscos de perda de direitos trabalhistas e sociais do governo interino de Temer.

“Afinal, seria risco imenso submeter a eleições livres e diretas um projeto calcado sobre arrocho de salários e aposentadorias; eliminação de direitos trabalhistas; corte de gastos com programas sociais; anulação das vinculações constitucionais em saúde e educação; privatização de empresas estatais e abdicação da soberania sobre o pré-sal; submissão do país aos interesses das grandes corporações financeiras internacionais”.