Bolivianos decidem neste domingo sobre futuro de Morales.  Pesquisas de intenção de voto realizadas nos últimos dias mostram vantagem do não

Bolivianos decidem neste domingo sobre futuro de Morales. Pesquisas de intenção de voto realizadas nos últimos dias mostram vantagem do não

Mundo Notícias

Os bolivianos irão às urnas neste domingo (21) para votar uma reforma constitucional que deve decidir se o presidente Evo Morales, no poder desde 2006, poderá voltar a se candidatar ao cargo nas próximas eleições, marcadas para 2019. Pesquisas de intenção de voto realizadas nos últimos dias mostram vantagem do “Não” sobre o “Sim”, especialmente após virem à tona denúncias de que Morales teria usado sua influência para que uma ex-namorada conseguisse um emprego como alta executiva em uma multinacional chinesa. Gabriela Zapata, com quem Morales chegou a ter um filho que morreu antes de completar um ano, foi contratada pela China CAMC Engineering Co. Ltd., empresa com a qual o governo boliviano assinou ao menos sete contratos milionários, entre eles, a construção de uma mina de potássio no Salar de Uyuni. Morales nega as acusações. “Não sei de nada de tráfico de influência ou corrupção, mas sei que perto de votações como o referendo aparece qualquer mentira”, disse, pedindo que as denúncias de tráfico de influência sejam investigadas.

“Eu nunca mais a vi e não sabia que trabalhava naquela empresa”, disse, em rede nacional. Logo depois, no entanto, a imprensa boliviana divulgou uma foto dos dois juntos no ano passado.

Morales está no poder desde 2006. Caso a medida não seja aprovada, ele deve ficar na presidência do país até janeiro de 2020. Se os bolivianos aprovarem a mudança constitucional e ele for eleito a um novo mandato, Morales ocupará o cargo até 2025.

Primeiro presidente de origem indígena, Morales manteve uma aprovação alta em seus primeiros anos no poder, especialmente após medidas que ajudaram a distribuir melhor a renda no país e a políticas de empoderamento de minorias.

Além disso, Morales esteve à frente do país no maior boom econômico de sua história, com crescimentos anuais que chegaram a 6%. Calcula-se ainda, segundo dados do Banco Mundial, que o índice de pobreza extrema na Bolívia tenha passado de 38,2% para 17% em seu governo, e que a renda per capita tenha subido de US$ 873 para US$ 3.119, criando uma nova classe média.

No mesmo período, no entanto, aumentaram as denúncias de corrupção dentro do governo e a superlotação em penitenciárias, assim como surgiram diversas denúncias de perseguição à liberdade de imprensa. (Agência Brasil – Foto: Freddy Zarco/ ABI)

Espanhóis vão às urnas em eleições gerais neste domingo. A pesquisa indica ainda que um em cada três eleitores não sabe em quem votar

Espanhóis vão às urnas em eleições gerais neste domingo. A pesquisa indica ainda que um em cada três eleitores não sabe em quem votar

Mundo Notícias Poder Política

Pela primeira vez na história da democracia espanhola, a disputa pelo Parlamento não estará concentrada nos dois partidos de mais tradição: o Popular (PP), do atual primeiro-ministro, Mariano Rajoy(foto), e o Partido Socialista (PSOE), que esteve à frente do governo anterior e, agora, tem o economista Pedro Sanchez como candidato.

A última pesquisa oficial, feita pelo Centro de Pesquisa Sociológica, apontou o PP à frente, com 28,6% dos votos, seguido dos Socialistas, com 20,8%. Mas outros dois partidos aparecem logo atrás: 19% das intenções de voto ficaram com a legenda liberal, de centro-direita, Ciudadanos, liderada pelo advogado Albert Rivera, e 15,7% apontam para o jovem Podemos, com tendência à esquerda e postura anti-austeridade. O partido, criado há menos de dois anos, tem à frente o professor universitário Pablo Iglesias.

A pesquisa indica ainda que um em cada três eleitores não sabe em quem votar. Pesquisas encomendadas por diferentes jornais espanhóis e divulgadas na última segunda-feira (14) também mostram o PP na liderança, mas não o suficiente para conseguir maioria no Parlamento.

“Provavelmente, haverá quatro partidos com grande número de assentos e a governabilidade poderá ser bem mais complicada do que foi nos últimos quatro anos”, prevê o cientista político José Fernandez Albertos, do Conselho de Pesquisa Espanhol.

O resultado pode ser uma aliança entre diferentes forças políticas. Se isso acontecer, será o primeiro governo de coalizão nacional na história da Espanha. As eleições municipais e regionais, em maio deste ano, já haviam colocado em xeque o bipartidarismo no país, com a ascensão do Ciudadanos e do Podemos. A expectativa é que o mapa político mude também no nível nacional.

Os escândalos de corrupção envolvendo o partido do governo, a economia em crise, que não mostrou sinais consistentes de recuperação após as medidas de austeridade e a alta taxa de desemprego, de 21%, a segunda maior da Europa, atrás apenas da Grécia, fizeram com que os espanhóis olhassem para alternativas.

Criar empregos e apresentar soluções para a economia sem perda de direitos e benefícios sociais para a população serão os principais desafios do próximo governo, que ainda precisará lidar com o movimento pela independência da Catalunha, cada vez mais forte. (Agência Brasil – Foto: Diego Crespo/ Pool Moncloa)

Correio do Povo: Manuela D’Ávila lidera disputa eleitoral em Porto Alegre

Eleições 2016 Notícias Poder Política Porto Alegre prefeitura

A pesquisa realizada em Porto Alegre teve por objetivo avaliar a opinião da população da Capital sobre a administração municipal. Foram apresentados três cenários aos eleitores. Segundo os dados da consulta, a deputada estadual do PC do B, Manuela D´Ávila, venceria o pleito nos diversos cenários, incluindo eventual segundo turno onde ganharia mesmo com alternância de candidatos.

No primeiro cenário, Manuela D´Ávila lidera a pesquisa com 25,3%, pouco mais que o dobro da segunda colocada, a ex-candidata do PSol à Presidência da República, Luciana Genro, que aparece com 12,2% dos votos. Em terceiro lugar estaria o deputado federal do Dem Onyx Lorenzoni (9,7%), seguido da deputada federal do PT Maria do Rosário (9,1%) e do secretário de Educação do governo Sartori, Vieira da Cunha (PDT), com 8,7%, vindo a seguir o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, do PMDB, com 5,7%; o presidente estadual do PSB, Beto Albuquerque, com 4,8%; o presidente estadual do PSDB, Nelson Marchezan Júnior, com 3,8% e Kevin Krieger, com 1,6%, presidente do PP em Porto Alegre. Neste pesquisa estimulada, 9,1% disseram não saber em quem votariam e 10,1% revelaram que não votariam em nenhum dos candidatos apresentados.

Em um segundo cenário, com o ingresso do senador Lasier Martins (PDT), da ex-governadora Yeda Crusius (PSDB), do deputado federal Henrique Fontana (PT) e do deputado estadual Marcel Van Hatten (PP) como eventuais candidatos, Manuela D´Ávila segue na liderança, com 26,4%, seguida de Lasier Martins com 13,8%.

No terceiro cenário, quando é citado o nome de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) no lugar da ex-governadora Yeda Crusius (PSDB), Manuela D’Ávila mantém a liderança com 26,8%, vindo logo a seguir Luciana Genro, com 13,6%.

A pesquisa também consultou os eleitores sobre a possibilidade de segundo turno nas eleições. Em três cenários pesquisados, quando Manuela D’Ávila disputaria com Luciana Genro (PSol), Onyx Lorenzoni (Dem) ou Maria do Rosário (PT), a candidata manteria a liderança em qualquer uma das situações. Em razão da mudança no cenário no município de Canoas, o Correio do Povo não publicará os resultados da pesquisa eleitoral realizada antes da nova situação.



Guinter Spode e Luiz Felipe Difini disputam presidência do Tribunal de Justiça na segunda-feira

Direito Notícias Poder Política

As eleições para a Administração do Tribunal de Justiça do Estado ocorrerão no dia 14/12, às 14h, no Plenário do Tribunal de Justiça (Av. Borges de Medeiros, 1565, 13º andar, na Capital). Após a escolha da nova gestão, serão votados os Desembargadores que vão compor a metade eleita do Órgão Especial.

Candidatos

Concorrem ao comando do TJ dois grupos:


Des. Guinther Spode, Presidente;
Des. Aymoré Roque Pottes de Mello,1º Vice-Presidente;
Desa. Vanderlei Teresinha Tremeia Kubiak, 2ª Vice-Presidente;
Des. André Luiz Planella Villarinho, 3º Vice-Presidente e Des. Eduardo Uhlein, Corregedor-Geral da Justiça

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Des. Luiz Felipe Silveira Difini, Presidente;
Des. Carlos Eduardo Zietlow Duro, 1º Vice-Presidente
Desa. Maria Isabel de Azevedo Souza, 2ª Vice-Presidente;
Des. Paulo Roberto Lessa Franz, 3º Vice-Presidente; Desa. Iris Helena Medeiros Nogueira, Corregedora-Geral da Justiça  
 

Boca de urna aponta vitória de Macri na Argentina

Mundo Notícias
Macri deseja presidir a Argentina com ideias liberais | Foto: Eitan Abramovich / AFP / CP

Macri deseja presidir a Argentina com ideias liberais | Foto: Eitan Abramovich / AFP / CP

O conservador Mauricio Macri deve ser confirmado como presidente eleito da Argentina, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas após o encerramento da votação, numa eleição em que ele enfrentou o governista Daniel Scioli e colocou fim a 12 anos de kirchnerismo.

Enquanto entre a equipe de Scioli reinava a cautela e eram aguardados os resultados oficiais, na sede do comitê de campanha de Macri o clima era de euforia e certeza da vitória da aliança Cambiemos, formada com os radicais da UCR (social-democratas).

Enquanto quatro pesquisas de TVs argentinas apontavam Macri como vencedor, a equipe de Daniel Scioli informava que irá aguardar os resultados oficiais para se pronunciar.

Mais de 32 milhões de eleitores foram convocados a votar nesta eleição histórica, que irá designar o sucessor de Cristina Kirchner.

“Devemos estar atentos unicamente aos interesses da pátria, aos interesses do nosso país”, publicou a presidente em sua conta no Twitter durante a votação.

“Estamos felizes por termos participado de um dia histórico como este. A Argentina não será a mesma”, comemorou o líder do radicalismo Ernesto Sanz, em meio à festa no comitê de Macri.

Se este último vencer, será a primeira vez que um líder de direita chegará ao poder por meio de eleições livres, sem o apoio de uma ditadura ou de fraudes.

Cristina Kirchner votou na região da Patagônia, berço de sua carreira política com seu falecido marido. “Hoje, vota-se em paz, num país com desemprego em 5,9%”.

“Nunca houve 12 anos com a estabilidade econômica e social que ofereceram estes governos”, afirmou, após votar em Río Gallegos, na província de Santa Cruz, que seu marido governou por três mandatos.

Seu governo deixa uma economia com sinais de crescimento fraco, de 2,2% no primeiro semestre, uma inflação superior a 20%, e reservas minguadas no Banco Central.

O consumo se sustenta com programas de incentivo e ajustes salariais em negociações livres entre sindicatos e empresas (paritárias).

Em 12 anos, foram criados 5 milhões de empregos, estimulou-se a ciência e a tecnologia, e milhares de pessoas recebem subsídios e aposentadorias especiais do governo.

“O futuro será como os argentinos quiserem, com memória e a certeza de que nada é para sempre”, disse a presidente.

A mudança e a continuidade

Defensor da livre empresa e formado em engenharia, Macri capitaliza o voto de rejeição ao kirchnerismo, e sua força eleitoral está nas grandes cidades do centro do país.

No primeiro turno, venceu o peronismo em seu reduto histórico, a província de Buenos Aires, governada por Scioli desde 2007.

Este último começou na política com o apoio do ex-presidente peronista de direita Carlos Menem (1989-1999), e depois se tornou vice-presidente de Néstor Kirchner.

Em sua campanha, mostrou posturas diferentes. Antes do primeiro turno, foi conciliador, mas, ao se ver derrotado, lançou uma campanha agressiva, denunciando que Macri “representa a desvalorização que corrói os salários. É o demônio do capitalismo selvagem!”. (Correio do Povo)

Manuela e Luciana lideram corrida eleitoral em Porto Alegre

Manuela e Luciana lideram corrida eleitoral em Porto Alegre

Notícias Poder Política

A pouco menos de um ano das eleições municiais de Porto Alegre, o Instituto Methodus,corrida  em parceria com o Correio do Povo, foi ouvir a opinião dos moradores da Capital sobre suas preferências eleitorais. No questionamento espontâneo, onde o eleitor cita o nome do candidato em quem gostaria de votar para prefeito sem ser estimulado com possíveis nomes, ainda temos um percentual de 63,9% que não definiram sua opção de voto. Entre os nomes mais citados estão o prefeito José Fortunati (que não poderá concorrer novamente) com 8,5%, seguido de Manuela d’Ávila com 3,4% e Olívio Dutra com 2,8% dos votos. Este número ainda alto de indecisos mostra que a eleição está em aberto e vários nomes podem chegar ao segundo turno.

No primeiro cenário estimulado, onde é apresentado ao entrevistado um disco contendo os nomes de possíveis candidatos, a deputada estadual Manuela d’Ávila (PCdoB) é a mais citada pelos entrevistados com 23,9%, seguida por Luciana Genro (PSol) com 14,5%, Vieira da Cunha (PDT) com 10,2%, Sebastião Melo (PMDB) com 8,1%, Beto Albuquerque (PSB) com 7,8%, e Nelson Marchezan Jr. (PSDB) com 6,5%. Ainda estão em dúvida 11,9% dos eleitores e declararam votar branco ou nulo 17,1%.

No segundo cenário apresentado, onde é suprimido o nome da deputada Manuela d’Ávila, Luciana Genro assume a liderança com 19% dos votos, seguida por Vieira da Cunha com 12,7%, Maria do Rosário com 10,1%, Beto Albuquerque com 9,3%, Sebastião Melo com 8,5% e Nelson Marchezan Jr. com 6,8%. Indecisos são 14,5% e branco/nulo 19,1%.

No terceiro cenário eleitoral, Luciana Genro permanece em primeiro lugar com 19,8% dos votos, seguida por Vieira da Cunha com 12,9%, Beto Albuquerque com 9,5%, Raul Pont com 9%, Sebastião Melo com 8,2% e Nelson Marchezan Jr. com 7,3%. Indecisos são 14,8% e branco/nulos ficam em 18,5%.

Quanto à rejeição, a deputada federal Maria do Rosário (PT) apresenta o maior percentual com 32,4%, seguida por Luciana Genro com 24,7%, Raul Pont (PT) com 24,6%, Manuela d’Ávila com 21,1%, Nelson Marchezan Jr. com 17%, Sebastião Melo com 16,2%, Beto Albuquerque com 13,1% e Vieira da Cunha com 10,9%.

Segundo o diretor do Instituto Methodus, Jefferson Jaques, os dados que mais chamam a atenção na pesquisa são a liderança de Manuela d’Ávila e o crescimento de Luciana Genro quando o nome de Manuela sai de cenário.




André, o filho do Dilamar volta a ter filiação partidária e está apto a concorrer em 2016

André, o filho do Dilamar volta a ter filiação partidária e está apto a concorrer em 2016

Notícias Poder Política

O jornalista André Machado foi inoculado por dois vírus que já haviam vitimado seu pai, Dilamar Machado: o rádio e a política. Alguém pode dizer e estará correto que está no DNA, a molécula da vida, como ensinam os cientistas. O André anunciou que iria deixar o jornalismo para iniciar uma carreira política em setembro de 2013. Optou pelo PCdoB, concorreu a deputado federal, não se elegeu e voltou à labuta no jornalismo. Há dois meses, anunciou a saída da agremiação comunista e ontem se filiou ao PDT. Partido do pai.

Conheci Dilamar pessoalmente em 1986, ele era candidato preferencial pelos trabalhistas em Butiá. O comitê ficava a dez metros da minha casa. Antes disso, o ouvi no rádio. Era muito bom nas duas atividades. Depois, eu o acompanhei como repórter no governo Collares, uma figura. Daqueles com quem a gente se impressiona pela capacidade de trabalho, agilidade mental nas respostas, língua ferina quando necessário e sempre pronto para o diálogo. Carismático, dominava o ambiente em que se encontrava.

Desde que conheci o André, na década de 90, vi muitas semelhanças nos dois. Exceção talvez da facilidade de retórica que o Dilamar tinha, e o André, não. Mas o filho compensa isso com a obsessão pela busca da informação correta e o estudo de cada assunto. Se você vai debater com o André, estude muito. Porque ele fez isso. Sempre o admirei pela garra e determinação.

Pois bem, a fruta nunca cai longe e finalmente ela está junto ao “pé ideológico” da árvore. O André tinha sido na minha opinião, pragmático na escolha do seu primeiro partido. Ele acreditou que ganharia o número de Manuela e, isso somado à visibilidade que tinha no Rádio, o catapultaria para a Câmara dos Deputados.

Todos vão negar, mas puxaram o tapete dele. Na minha opinião, para um sujeito que tinha seus sonhos e metas, ele agiu certo. Viu ali chances maiores de se eleger e tentou, não conseguiu. O André assinou na noite passada a ficha de filiação ao PDT. Como cumpriu o prazo legal, está apto para ser candidato a vereador, vice ou prefeito em 2016. Será?!

 

Luciana Genro defende necessidade de rediscutir sistema político brasileiro. Líder do Psol não vê força no movimento pró-impeachment(Pamela Mascarenhas/Jornal do Brasil)

Luciana Genro defende necessidade de rediscutir sistema político brasileiro. Líder do Psol não vê força no movimento pró-impeachment(Pamela Mascarenhas/Jornal do Brasil)

Economia Negócios Notícias Poder Política

Luciana Genro não vê força no movimento pró-impeachment e acredita que este não representa, por exemplo, os interesses da burguesia brasileira. Líderes de partidos de oposição de direita lançaram nesta semana o Movimento Pró-Impeachment, com uma petição eletrônica para recolher assinaturas. A presidenta da Fundação Lauro Campos, ex-deputada, uma das fundadoras do Psol, quarta colocada nas eleições presidenciais do Brasil em 2014, não descarta, contudo, que a situação possa evoluir para uma gravidade maior, que possa transformar a queda de Dilma em uma possibilidade real. Ela também critica a “indignação seletiva” com a corrupção e defende a necessidade de rediscutir o sistema político.

A necessidade real do país, defende Luciana Genro, seria uma rediscussão do conjunto das instituições, uma Assembleia Popular Constituinte que fosse eleita sob novas regras, sem o dinheiro das empreiteiras e dos bancos, e sem diferença na cobertura da mídia. “Só que um processo como esse não nasce de um Parlamento reacionário e conservador como o que nós temos”, atesta.

Em entrevista por telefone, ela também comentou sobre a trajetória da esquerda em países latino-americanos e na Grécia, falou dos reflexos de uma “fraqueza do governo e do PT” e apontou Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, como o representante de uma máfia política e do que há de mais reacionário no cenário político.

“A fraqueza do governo e do PT que têm permitido o crescimento de figuras como o Eduardo Cunha. Mas eu vejo que os dias dele, com a força política que ele tem, estão contados, principalmente agora com a delação do Fernando Baiano que deve entregar esse jogo todo do PMDB e com isso levar o Eduardo Cunha também para as margens da política”, alerta.

Luciana Genro chamou atenção ainda para os limites da atuação do seu partido, o Psol. “Eu não tenho dúvida que muitos dos que se decepcionaram com a Dilma procuram uma alternativa que não seja o retrocesso ao PSDB no poder. (…) mas para nós é muito difícil, porque a falta de estrutura e até mesmo de cobertura da grande mídia, para as nossas iniciativas políticas e opiniões, nos prejudica muito.”

Confira a entrevista, na íntegra:

Jornal do Brasil – O fato de que teríamos um Congresso conservador já era bem claro desde as eleições, e pautas conservadoras acabaram ganhando espaço rapidamente. Como você tem percebido a atuação da Câmara dos Deputados? O que essa configuração acarreta para o país?

Luciana Genro – Eu acho que o crescimento dessa bancada conservadora é resultado, por um lado, do abandono do PT das bandeiras que o partido historicamente defendeu, que foram relegadas ou ao segundo plano ou diretamente abandonadas, como foi o fato da Dilma ter suspendido o kit anti-homofobia nas escolas, como é o fato de ter permitido, silenciado, melhor dizendo, diante da decisão do Supremo de manter a anistia aos torturadores, que são pautas democráticas que o PT carregou ao longo da sua história, e defendeu com muita força e que, ao eles abandonarem, essas pautas acabaram sendo alvo de uma reação dos conservadores.

Porque, na realidade, eu vejo que do ponto de vista social nós avançamos nessas pautas que hoje o Congresso tenta fazer retroceder. Por exemplo, a pauta LGBT é uma pauta que se avançou muito nos últimos tempos, as pessoas “saíram do armário” com muito mais frequência e legitimidade do que faziam alguns anos atrás. A discussão da maconha, por exemplo, e a possibilidade do STF descriminalizar o porte ganhou muito apoio na sociedade.

Então eu vejo que há uma reação conservadora, uma contraofensiva conservadora, e esses políticos, que representam esses setores, eles têm mais dinheiro, têm mais estrutura do que as lideranças dos movimentos sociais que defendem essas pautas. Portanto, eles conseguem obter maior sucesso eleitoral. Mas eu não creio que na sociedade eles sejam efetivamente majoritários.

Jornal do Brasil – Como você analisa a atuação do presidente da Casa, Eduardo Cunha, especificamente?

Luciana Genro – O Eduardo Cunha, para mim, representa um tipo de máfia da política, uma máfia que atua para defender os seus interesses, os interesses do seu grupo, dos grupos que financiam os seus interesses, e o fato de ele estar investigado é uma demonstração muito contundente desse caráter mafioso que ele tem. Além disso, representa o que tem de mais reacionário no cenário político brasileiro. Ele consegue criticar o PT pelo que o PT ainda tem de progressista nas suas pautas, e dá voz a esses segmentos mais fundamentalistas que são totalmente reacionários.

E ao mesmo tempo é um político que representa os interesses da manutenção desse modelo econômico. Então há uma estranha coincidência entre a política de ajuste defendida pelo Levy e a política de ajuste defendida pelo Eduardo Cunha. Há um encontro dessas duas visões, o que demonstra que justamente a fraqueza do governo e do PT que têm permitido o crescimento de figuras como o Eduardo Cunha. Mas eu vejo que os dias dele, com a força política que ele tem, estão contados, principalmente agora com a delação do Fernando Baiano que deve entregar esse jogo todo do PMDB e com isso levar o Eduardo Cunha também para as margens da política.

Jornal do Brasil – E como você viu esse rompimento dele com o governo? 

Luciana Genro – Eu acho que isso tudo faz parte de um jogo de interesses, um jogo de chantagens. Hoje ele não tem os seus interesses atendidos e rompe com o governo. Não representa uma ruptura que tenha fundamentos legítimos do ponto de vista político ou ideológico. É uma ruptura pragmática que tem em vista os interesses dele de defender a sua possibilidade de não ir preso e ao mesmo tempo esse jogo de emendas, recursos, cargos, que provavelmente não está sendo bem atendido pelo governo.

Jornal do Brasil – Você chegou a ser interpelada extrajudicialmente pela Câmara dos Deputados recentemente, por causa de um comentário no Twitter, de que os grandes traficantes estão, inclusive, no Congresso. Como está essa história?

Luciana Genro – Eu respondi a interpelação reafirmando o que eu havia dito e citando o exemplo do senador ‘Zezé’ Perrella, o helicóptero pertencente à família dele foi apreendido com 420 kg de cocaína. E o fato dele e do filho dele, que era diretamente o proprietário da empresa, não terem sido presos, confirma de forma muito explícita o que eu havia afirmado naquele tweet, de que essa política de guerra às drogas só atinge os pequenos traficantes. Na verdade atinge os operadores do tráfico e não os financiadores, que são os donos dos aviões, dos helicópteros e do dinheiro que banca o tráfico que depois vai para as favelas de forma pulverizada, em pequenos traficantes, que são os que acabam indo atrás das grades.

17/03/2009- Brasilia- DF, Brasil- Deputada Luciana Genro em sessão na Camara. Foto: Diogenis Santos/ Agencia Camara

Jornal do Brasil – Sobre o movimento de defesa da saída da presidente Dilma Rousseff do cargo, entre todos os capítulos desta história, qual a sua análise sobre esse Movimento Parlamentar Pró-Impeachment que foi lançado nessa última quinta-feira?

Luciana Genro – Eu tenho a impressão que esse movimento não representa os interesses da burguesia brasileira. Nós vimos inclusive vários representantes da burguesia se pronunciarem em semanas antecedentes dizendo que não queriam impeachment, desde setores ligados a bancos até setores ligados à indústria. Então, eu não vejo que isso seja um movimento que tenha força real dentro da classe dominante. Vejo que isso é assim porque não há interesse, de fato, da classe dominante no impeachment da Dilma, porque isso traria uma instabilidade política ainda maior do que a que se tem hoje e uma dificuldade maior em fazer o ajuste fiscal e garantir, portanto, o superávit primário para os pagar juros da dívida pública e seguir sustentando a especulação financeira, o rentismo, toda essa lógica da satisfação dos interesses do capital financeiro.

O Psol nunca se alinhou com nenhum movimento pró-impeachment, não porque nós achamos que o governo Dilma tem alguma coisa de bom, mas porque nós achamos que as opções que são colocadas à Dilma neste momento seriam opções que significariam um retrocesso ainda maior, um governo encabeçado pelo Michel Temer, ou pelo próprio Eduardo Cunha ou mesmo pelo Aécio, que pudesse vencer uma eleição feita às pressas, com um processo democrático bastante precário como é o que nós temos hoje.

Então, nós achamos que a necessidade real do país seria uma rediscussão do conjunto das instituições, do funcionamento do sistema político. Por isso eu defendo a necessidade de uma Assembleia Popular Constituinte, que já fosse eleita sob novas regras, sem o dinheiro das empreiteiras, sem o dinheiro dos bancos, sem essa diferença brutal que existe no tempo de televisão, na cobertura da mídia, e, aí sim, também, nessa conjuntura de rediscussão total das instituições e do funcionamento do país, também novas eleições para presidência.

Só que um processo como esse não nasce de um Parlamento reacionário e conservador como o que nós temos, ele só poderia nascer de um movimento com a força de mobilização de um junho de 2013. Só que essa pauta, infelizmente, não está colocada na cabeça das pessoas como uma necessidade. Então a gente sabe que nós entendemos como uma necessidade, mas a maioria do povo ainda não compreende esse processo dessa maneira. Por isso, é uma proposta que não tem uma possibilidade imediata de se realizar.

Jornal do Brasil – E essa tese de impeachment você acha que realmente não tem força para se concretizar, ou teria?

Luciana Genro – Eu acho que não. Embora a Operação Lava Jato nos coloque no nível do imponderável, porque não se sabe tudo o que ainda pode aparecer na Lava Jato, com as delações premiadas e com as investigações que a Polícia Federal ainda está fazendo.

Então, eu digo isso [que a tese de impeachment não tem força para se concretizar] tomando os elementos que estão agora objetivamente colocados, mas eu não descarto que a situação possa evoluir para uma gravidade maior e que de fato a queda da Dilma possa ser uma possibilidade real.

Jornal do Brasil – E essa questão da corrupção tem servido como um dos principais argumentos desse movimento, só que alguns dos defensores dessa ideia são envolvidos com denúncias e suspeitas de corrupção. O que está em jogo, na sua opinião?

Luciana Genro – Exatamente, é que a indignação desses setores com a corrupção é uma indignação seletiva, eles só enxergam a corrupção do PT então eles fecham os olhos para a corrupção que também fez parte do governo do Fernando Henrique, eles fecham os olhos para a corrupção que atinge lideranças do PSDB, como o próprio senador do PSDB, Aloysio [Nunes], que está também investigado, o próprio Aécio [Neves], que também surgiram suspeitas sobre ele, e essa indignação ela não se materializa, e o próprio Eduardo Cunha, que é o maior exemplo disso. Os movimentos que foram para a rua pedir o impeachment da Dilma deram apoio ao Eduardo Cunha.

Então, fica evidente que é uma indignação seletiva, que não tem uma vocação verdadeira de transformar o modelo político do país, é simplesmente uma disputa pelo poder, para que os que hoje se apropriaram da máquina pública saiam para que eles tomem conta e reproduzam os mesmos esquemas que eles faziam antes, que o PT seguiu fazendo, e que eles mesmos querem fazer de novo. Então, nesse jogo o Psol não entra.

Jornal do Brasil – E como você vê a atuação do vice-presidente Michel Temer e do PMDB neste cenário?

Luciana Genro – Eu vejo que o Michel Temer e o PMDB estão sempre à espreita de uma possibilidade de chegar diretamente ao poder. Acho que em alguns momentos há algum exagero da mídia em explorar declarações do Temer, mas eu não tenho dúvida de que o PMDB, seja o PMDB do Temer e seja o PMDB do Cunha, não são confiáveis para ninguém. Então, eles podem estar sempre querendo preparar algum tipo de bote político.

Jornal do Brasil – Luciana, você acredita que a gente está em uma crise política e econômica, como você analisa esse debate de crise que paralisa o país?

Luciana Genro – Sem dúvida. Nós estamos numa crise econômica muito profunda, que está levando a um aumento do desemprego, está levando a uma carestia, levando a um arrocho salarial, a uma situação calamitosa dos estados. Aqui, o Rio Grande do Sul está em situação falimentar, os servidores públicos, inclusive, tem os salários parcelados pelo governo Sartori. Isso não é uma exceção no Rio Grande do Sul, tem outros estados também na mesma petição de miséria, por causa daqueles acordos que federalizaram as dívidas estaduais, com cláusulas draconianas, onde os estados pagam, pagam, pagam e devem cada vez mais.

Então, a vida está muito dura para o povo. E ao mesmo tempo há uma crise política, porque a Dilma ao ganhar as eleições com um discurso de diferenciação com o PSDB, de suposta defesa dos interesses populares, ela simplesmente traiu esses compromissos. Então, ela perdeu de fato legitimidade junto ao povo. E obviamente que a direita explora essa falta de legitimidade, essa falta de apoio popular. Isso tudo forma um caldo que gera uma crise política também bastante grave.

Infelizmente, o Psol é um partido que ainda não tem uma força política social capaz de se apresentar como uma alternativa. Porque eu não tenho dúvida que muitos dos que se decepcionaram com a Dilma procuram uma alternativa que não seja o retrocesso ao PSDB no poder. Uma parte consegue enxergar o Psol, já enxergou, inclusive, nas eleições, e percebe pela atuação da nossa bancada parlamentar que há um partido ali que busca construir um terceiro campo, que não é nem o campo do governo e nem o campo da oposição de direita, mas para nós é muito difícil porque a falta de estrutura e até mesmo de cobertura da grande mídia, para as nossas iniciativas políticas e opiniões, nos prejudica muito.

Os jornais televisivos que são os mais assistidos mostram a posição do governo e a posição da oposição representada pelo PSDB, como se não houvesse uma oposição de esquerda ao governo. Então, fica difícil de ganhar corpo uma alternativa à crise política e econômica pela esquerda do governo, e, por isso, acaba que a direita é que se beneficia, a direita, o PSDB, nesse sentido lato de direita, se beneficiando dessa situação e tentando capitalizar para si o descontentamento popular.

Jornal do Brasil – Nesse sentido do que você disse agora, como você analisa o caminho que o Brasil vem seguindo em relação à trajetória de outros países latino-americanos e mesmo de alguns países europeus, como a Grécia e Espanha — agora, com o Podemos? 

Luciana Genro – Eu acho que os povos latino-americanos, o povo grego e uma parte hoje do povo espanhol estão buscando uma alternativa pela esquerda. A vitória de governos como foi a do PT no Brasil, como foi o Chávez na Venezuela, como foi o Equador, a Bolívia com o Evo Morales, isso tudo são tentativas do povo de construir uma alternativa, cada uma delas tem as suas características, os seus problemas, as suas qualidades, e eu acho que o Brasil acabou sendo, neste contexto latino-americano, um dos governos que menos propiciou mudanças estruturais.

Aqui, por exemplo, se manteve toda a estrutura política, oligárquica, de castas partidárias intocadas, coisa que não aconteceu, por exemplo, na Venezuela ou na Bolívia, que tiveram processos constituintes, onde o povo teve uma oportunidade maior de se expressar, onde se abriram canais mais democráticos como o próprio referendo revogatório, que foi, inclusive, aplicado na Venezuela numa ocasião, quando o Chávez ainda era presidente.

Mas esses processos ao não avançarem acabam também retrocedendo. Então hoje nós vemos na Venezuela o desastre que está acontecendo com o governo Maduro, inclusive com características autoritárias, se pronunciando de forma bastante contundente, então são governos que não conseguiram dar consequência a essa disposição do povo de fazer mudanças mais estruturais e de enfrentar os principais problemas que são gerados pelo modelo capitalista.

E a Grécia me parece que o Tsipras também padeceu de uma ilusão de que a União Europeia, de que o Banco Central Europeu iriam afrouxar as condições do ajuste diante da pressão do governo. E isso não aconteceu, então ele acabou refém de um plano que se ele de fato executar vai significar a morte da Syriza como uma alternativa política de esquerda. E eu tenho expectativa ainda de que haja uma reviravolta na situação política da Grécia, e acho que a plataforma de esquerda, os deputados que romperam com a Syriza, apontam um caminho, que é o caminho de ser consequente com que o povo disse no plebiscito, que é não aceitar mais sacrifícios para a população em nome dos interesses do capital financeiro.

Mas é tudo um jogo onde a correlação de forças é sempre desfavorável para os trabalhadores, para aqueles que não detém o poder econômico. Então, não é fácil também avançar nesse caminho.

(Fotos: Diógenis Santos/ Agência Câmara e Fábio Pozzebom/ Agência Brasil)