Esse Tal de Borghettinho: Biografia do gaiteiro de carreira internacional será lançada neste sábado na 61º Feira do Livro de Porto Alegre

Esse Tal de Borghettinho: Biografia do gaiteiro de carreira internacional será lançada neste sábado na 61º Feira do Livro de Porto Alegre

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O jornalista Márcio Pinheiro lança o livro Esse Tal de Borghettinho, na 61º Feira do Livro de Porto Alegre, no dia 31 de outubro, às 19h. Haverá bate-papo com a presença de Renato Borghetti e mediação de Juarez Fonseca. Na biografia escrita por Márcio Pinheiro, lançada pela Belas-Letras, descubra como uma brincadeira que começou aos 12 anos se transformou em uma sólida carreira musical internacional. Com influências dos Irmãos Bertussi, Tio Bilia, Raulito Barboza, entre tantos outros, Borghetti é símbolo da geração que se reunia em CTGs e califórnias, festivais realizados no interior do Rio Grande do Sul.

Hoje são cerca de 150 shows por ano, todos negociados pelo irmão, Marcos, empresário desde o início da carreira. As apresentações ocorrem também nos Estados Unidos e na Europa.

Nas folgas da concorrida agenda, é na Fazenda do Pontal que Renato reúne a esposa, os cinco filhos e os amigos para churrascos que podem durar dias. Também cuida da Fábrica de Gaiteiros, herança que deixa para novos músicos. “Lá no futuro, um dia alguém vai perguntar por que tem tanto gaiteiro no Rio Grande. E alguém vai lembrar que muito disso começou com um projeto chamado Fábrica de Gaiteiros, inventado por um cabeludo maluco”, aposta Borghetti.

Serviço: Lançamento do livro Esse Tal de Borghettinho, de Márcio Pinheiro

Quando: 31 de novembro, sábado

Horário: 19h bate-papo e 20h sessão de autógrafos

Onde: Bate-papo no Teatro Carlos Urbim (Av. Sepúlveda, próximo a área infantil) e sessão de autógrafos na Praça de Autógrafos (área central)

Valor da obra: capa dura R$ 56,00 e capa brochura R$ 36,00

Entrada gratuita

Esses tais de Borghettinho e Márcio Pinheiro. Músico e jornalista gaúchos lançam livro nesta quinta em Porto Alegre

Esses tais de Borghettinho e Márcio Pinheiro. Músico e jornalista gaúchos lançam livro nesta quinta em Porto Alegre

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Livro e disco Esse Tal de Borghettinho
Estes são meus: o primeiro livro do Márcio e o primeiro disco do Borghetti

Nesta quinta-feira, Renato Borghetti e Márcio Pinheiro (ou será Márcio Pinheiro e Borghettinho?) autografam na Livraria Saraiva do Shopping Praia de Belas, o livro Esse tal de Borghettinho, da editora caxiense Belas Letras. E o evento para mim é imperdível, não apenas por causa do livro, mas por causa da carga emocional que significa ver esses dois juntos.

Nunca fui amigo do gaiteiro, mas o conheço há mais tempo do que conheço o Márcio. Como boa parte dos jovens gaúchos do Interior e vários da Capital, fui tomado pela onda nativista do fim da década de 70, início dos 80. Pela Rádio Sobral, de Butiá, cobri alguns festivais nativistas e vi o gaiteiro se formando. Nunca consegui entrevistá-lo direito. Por sinal, não entendia como ele, que contava causos e proseava com outros músicos nas rodas que se formavam, não era falante no rádio.

Engana-se quem pensa que Borghetti é um tímido. Não é. Na volta dele sempre se formam boas parcerias para relembrar histórias. Muitas dele mesmo, porque já viveu e correu bastante o mundo, muitas ouvidas ao lado do pai, Borghettão — outra grande figura.

O guri tocava muito, a fama cresceu e, com aquelas estampa e cabeleira, fez muito sucesso no Rio Grande do Sul. Sacaram que havia espaço para voos maiores. E o guri nascido na terra do Tio Bília se transformou em um fenômeno nacional. O disco que tenho e ouço (por sinal, acho que finalmente vou criar coragem e pedir um autógrafo na capa) se transformou no álbum instrumental mais vendido da história do Brasil. Um feito es-pe-ta-cular!

Quando comecei a trabalhar na Rádio Gaúcha, meus colegas amantes do rock, jazz, pop, MPB não queriam saber dos Festivais, e eu ali, quieto. Um dia, meu guru Glênio Reis não pode transmitir um desses eventos. Lá fui eu ao lado do meu querido Paulo Denis. Tchê, nunca um microfone de rádio pesou tanto na minha mão. Não era por causa dos 100 kw e sim porque eu tava do lado do Paulo (que muito ouvi com minha amada e hoje colega Maria Luiza Benitez no Discorama nas tardes da Guaíba) e substituindo o Glênio. Nossa! Era muita responsabilidade. Pois não é que o Borghettinho tava lá e eu o entrevistei rapidinho? Afinal,  diferente dos depoimentos para o Márcio no livro, no rádio ele é econômico nas palavras.

E isso é o legal do livro do Márcio: está recheado de histórias que só os mais próximos sabiam e agora todos nós podemos nos deliciar. Tá Felipe, até agora nenhuma novidade. Sim! Se você quer novidades, vai comprar o livro do meu amigo. Era só o que faltava o jornalista ficar meses enfurnado em casa, convivendo menos com a queridona da Cássia, a linda e esperta Lina, os amigos,  sem ver direito os jogos do Inter e secar o Grêmio do Borghettinho, e eu entregar o “fim do filme”.

Falando nisso, o documentário que o Márcio fez o roteiro e o Rene Goya dirigiu sobre o gaiteiro é muito bom! Não viu? Da um jeito de ver.

Já do Márcio, fui contemporâneo de Famecos em meados da década de 80. Mas lembro muito pouco da nossas cruzadas na PUC. A gente foi “apresentado” mesmo na Ipiranga, 1075. Ele na Zero Hora, eu na Gaúcha. Jogávamos bola com uma galera maravilhosa no Colégio Rosário e nos deliciávamos com X e cerveja pós-jogo. O mundo do futsal não perdeu muito com nossa aposentadoria precoce das quadras, mas o Alcides, dono do bar… esse deixou da faturar.

Fomos trabalhar juntos na TVCOM. E era uma turma incrível. A partir dali, sedimentamos nossa amizade no cimento do Beira-Rio. E olha que na década de 90 não era fácil ser colorado. Mas a gente ia em todas. Como eu, ele gosta de um volantão na frente da área. Se souber sair jogando, melhor, mas o essencial mesmo é não deixar o adversário passar.

Como profundo conhecedor de música, o Márcio me arrastou para alguns shows muito legais. Por causa de uma dica dele  vi um show que passa batido para muita gente. Não sei nem se está no meu top ten,  mas gostei muito e sempre recordo de João Bosco e Nico Assumpção. Vai daqui, vai dali… assisti in loco o começo do namoro com a Cássia. Para poupar vocês, quero deixar registrado que tenho o maior orgulho de ver os dois juntos duas décadas depois. E foi uma alegria não tê-los como padrinhos do meu casamento. Como assim alegria? Explico. Uma semana antes do meu enlace, nasceu a Lina! E para “pais velhos”como eu e Marcito, nada supera a alegria de ver a Lina e o Theo correndo e rindo juntos.

Pois o meu conhecido de três décadas, parceiro sempre presente nos últimos vinte e poucos anos tomou coragem e resolveu escrever seu primeiro livro. Quem como eu acompanha os textos dele em jornais — e foram alguns: Zero Hora, Gazeta, Jornal da Tarde, Gazeta Mercantil, JB… — e revistas especializadas sabe que o cara é muito bom. Conhece muito de música e sabe colocar o conhecimento dele no papel (Ops! Não só papel. Isso é mania de quem é do século passado) e em todas plataformas multimídias. (Ficou bem assim Cássia, nossa — minha e do Márcio — consultora para nem tão novas tecnologias?) 

O Márcio é leitor voraz de biografias e história da música. Tem uma memória fantástica para detalhes e curiosidade para pesquisar e aprender. O caminho natural É se transformar em um grande escritor. Acredito mesmo que estamos vendo nascer um sujeito que vai entrar para o clube do Tinhorão, Ruy Castro, Sérgio Cabral…

Pois bem, o Márcio escreve um livro daqueles da gente devorar na leitura. Mesmo autorizado pelo biografado, o livro não tem concessões. O que tinha de estar ali, está. Se você quer escândalos e polêmicas, lembre-se, o Borghettinho nunca foi disso. Contudo, tenho certeza que você vai se deliciar com os causos e histórias de um sujeito que podia ser mais um excelente gaiteiro dos tantos que temos, mas que ganhou o mundo com sua música. Um sujeito respeitado de Barra do Ribeiro a Paris. Uruguaiana a Viena. Porto Alegre a Berlim.

Uma dica final: faça como eu fiz com o disco, guarde o livro. Você terá a primeira de muitas edições de uma obra que fará sucesso e o primeiro livro do jornalista Márcio Pinheiro. Tenho certeza que como o Borghettinho não parou no primeiro “ainda vinil”, esse será primeiro de muitos livros do Márcio — só não sei em que plataforma.

 

(Foto: Rene Goya Filho)