Feira do Livro: Leticia Wierzchowski autografa hoje O menino que comeu uma biblioteca. Obra cria protagonista que se alimenta de palavras na Polônia da II Guerra Mundial

Feira do Livro: Leticia Wierzchowski autografa hoje O menino que comeu uma biblioteca. Obra cria protagonista que se alimenta de palavras na Polônia da II Guerra Mundial

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Hoje, às 19:30, a melhor romancista brasileira da atualidade autografa seu novo livro, na Praça de Autógrafos, da Feira do Livro de Porto Alegre. Leticia Wierzchowski nasceu em Porto Alegre, estreou na literatura em 1998 com o romance “O anjo e o resto de nós”. Com 28 livros publicados, entre ficção adulta e infantil, tem obras editadas em Portugal, na Espanha, Croácia, Alemanha, França, Itália, Grécia Sérvia e Montenegro. O best-seller “A casa das sete mulheres” foi adaptado pela Rede Globo em 2003, em uma série veiculada em mais de 40 países.

O menino que comeu uma biblioteca conta a história de Jósik, rodeado de livros, ele mora em uma casa velha no interior da Polônia. A muitos e muitos quilômetros dali, Eva vive com sua avó em uma cidade simples do Uruguai. Enquanto o passatempo do menino e de seu avô é mergulhar na literatura, a menina se distrai com as cartas de tarô da avó. E é assim que as vidas de Eva e Jósik se cruzam.

Em uma tarde de verão sob uma figueira centenária, Eva vê nas cartas a imagem de Jósik comendo a biblioteca de seu avô Michael. Ele estava escondido numa sala lotada de livros. Do lado de fora, o exército nazista avançava com seus tanques e soldados armados de fuzil.

A partir daí, a menina começa a acompanhar os infortúnios de Jósik e luta para mudar seu próprio destino, também marcado pela falta de perspectiva e tristeza. “O menino que comeu uma biblioteca” é uma fábula sobre a guerra, a literatura e o amor.

TRECHO

Ele começou com Conrad e, então, passou para Shakespeare, que o alimentou por toda uma quinzena. Depois, dedicou-se a Kafka, Tolstói e Oscar Wilde — um judeu, um russo e um homossexual; vejam só, três exemplos de tipos muito malvistos na tenebrosa época na qual começa esta história. Esses três grandes gênios sustentaram as tripas do menino em questão por um longo, gélido e branco inverno polonês.

E, então, ao final de um verão azul em Terebin, o imortal Shakespeare, cuja obra, traduzida em várias línguas, ocupava várias estantes da vasta biblioteca, passou a ser o principal ingrediente da sua dieta, mantendo o menino saciado em seu esconderijo que cheirava a mofo, enquanto as prateleiras se esvaziavam gradativamente para encher-lhe a barriga faminta.

O nome do menino era Jósik.

Jósik Tatar.

Ele tinha grande pena de comer aqueles livros todos, pois eles constituíam o grande tesouro do seu avô Michael, o homem que mais amara no mundo.

Conheci Jósik nas lâminas do tarô da minha avó. E a minha avó, preciso dizer a vocês, jamais teve uma biblioteca… A coisa mais perto de um livro que ela chegou em toda a sua laboriosa vida foram aqueles velhos arcanos ensebados pelos anos de uso.

Bem, esta é mesmo uma longa história…

Aliás, duas longas histórias: a de Jósik Tatar e a minha. Duas longas histórias que, muitos anos mais tarde, a milhares de quilômetros daquela biblioteca empoeirada no meio da Polônia convulsionada pela mais terrível guerra da qual já se teve notícia, entrecruzaram-se e viraram uma única história.

Vou contar tudo a vocês, prometo.

Eu sei, isto pode parecer bastante confuso: um menino que comia livros… Sempre fui uma garota complicada, era o que dizia minha avó. Mas a velha Florência era uma mulher ranzinza, e a única coisa de bom que guardo dela é o velho baralho de tarô onde vi, numa modorrenta tarde de verão sob uma figueira centenária, a curiosa e inexplicável imagem do pequeno Jósik comendo a biblioteca do seu avô Michael.

Capa O menino que comeu a Biblioteca V6 MFEu estava lá…

Na estância onde cresci, num descampado sob a figueira, à espera de alguma brisa enquanto o pampa ardia sob o fogoso sol de janeiro. A cavalhada fora recolhida à sombra e os peões faziam a siesta no galpão. Nem os perros andavam por ali àquela hora; eu me sentia completamente sozinha no mundo.

Eu detestava aquele lugar, queria ver largas avenidas e pisar em carpetes felpudos, andar de navio e usar finas meias de seda. Queria partir como a minha mãe fizera um dia, com a boca pintada de batom vermelho e a mala de couro que ela encerara três vezes, deixando-nos distraidamente para trás, a mim e ao meu irmão, aos cuidados da avó Florência, que era velha e atarefada demais para ter paciência com crianças.

Por isso, eu roubara o tarô naquela tarde de janeiro — ele era proibido para crianças, sendo, na verdade, um ganha-pão da minha avó, uma coisa com a qual ela juntava dinheiro extra para comprar cigarros ou sapatos novos para usar na quermesse natalina.

Lembro que cortei o baralho em três montes, tal e qual vira minha avó fazer diante das suas consulentes. Surgiram-me O Louco, A Torre e Os Enamorados, três arcanos maiores. E, então, quando fui me concentrar no primeiro deles, o décimo segundo arcano maior, O Louco, quando fixei meu olhar na sua figura zombeteira, um manto caiu sobre meus olhos, uma escuridão tão negra como a mais densa das noites de inverno. Com o suor escorrendo pelas minhas têmporas, eu o vi…

Vi o garoto…

Jósik.

Ele estava escondido numa sala esquisita e absolutamente atulhada de livros. Era loiro e alto, e parecia magro. Estava morrendo de frio e de medo numa pequena vila onde o vento soprava com fúria. Perto dali, tropas de um terrível exército avançavam com seus tanques e soldados de capacete e fuzil.

Escondido naquela estranha e desconjuntada casa, enfiado no útero de uma desconjuntada biblioteca, não parecia haver ninguém que pudesse cuidar dele. (Acho que foi naquele tempo que Jósik Tatar começou a comer a biblioteca do avô, e creio que foi mesmo uma excelente ideia.)

A visão, como veio, desapareceu de chofre.

Foi como um soco no estômago. Dei um pulo para trás e caí deitada na grama seca. Quando sentei outra vez, o menino desaparecera e, com ele, toda a imensa biblioteca que o cercava como uma cordilheira.

Lá estavam, outra vez, apenas os três arcanos sob o sol ardente do verão. Juntei as cartas e corri para casa, interrompendo minha avó, que sovava o pão para o café da tarde. Eu tinha visto uma coisa impressionante e gritei, mostrando o baralho como quem mostra um tesouro.

Florência ralhou-me furiosamente por ter roubado o seu tarô:

“Cozinheiros demais estragam o mingau”, disse, arrancando-me as cartas da mão. “Esse tarô é meu. É para mim que ele sopra o futuro!”

Tentei explicar que eu tivera uma visão.

O menino loiro. Os livros, muitos livros. A neve.

Mas minha avó retrucou que tudo não passara de uma insolação ou coisa parecida. Ademais, as cartas não se mostravam para crianças; era preciso um pouco de tutano dentro da cabeça. Desde quando uma menina de oito anos poderia ver a vida de alguém numa simples carta de baralho?

A minha avó era boa com os arcanos. Lá na estância onde morávamos, Florência fazia uns bons pesos com o seu tarô. Via pequenas coisas, principalmente brigas em família, casamentos, uma ou outra traição amorosa, problemas intestinais, amores naufragados e meia dúzia de doenças cardíacas. Certa vez, salvou a vida de um vizinho ao diagnosticar, com a ajuda das cartas, uma apendicite quase supurada.

Mas, naquela tarde, quando eu abrira o baralho, vi mesmo aquele garoto! Ele era bonito, de uma beleza diferente, e mais velho do que eu. Lembro como se fosse hoje…

Ah, a propósito, eu me chamo Eva.

Eu já lhes disse que Jósik comeu uma biblioteca inteira. Mas, de fato, foi um livro que salvou a sua vida.

Um daqueles muitos livros catalogados com amor, empilhados em ordem alfabética enquanto ainda havia espaço e, depois, enfiados aqui e ali, em qualquer cantinho, numa fenda, num oco de parede, sobre aparadores e mesas, roubando o lugar dos pratos e dos talheres, em todo o espaço disponível como uma espécie de vírus que nunca parasse de se reproduzir, tomando conta da casa inteira, subindo em pilhas até tocar as vigas do teto, entupindo a chaminé e vazando para um pequeno puxado construído para isso no fundo do quintal de pan Wisochy.

É que Michael Wisochy, o avô de Jósik, era um literato. Um professor universitário aposentado, um leitor voraz, um apaixonado por Shakespeare. Um desses homens de vasta cultura que parecem conhecer a humanidade e todos os seus defeitos. Sempre que alguém de Terebin — às vezes, até da vizinha Cracóvia — tinha uma dúvida muito importante, vinha bater à porta do velho Michael Wisochy.

Michael julgava muitas questões e era considerado uma espécie de sábio, embora meio maluco. De fato, avisara as gentes de Terebin desde o princípio sobre Hitler, o que logo se mostrou uma atitude bastante temerária. Ele chamara Hitler de louco e assassino aos gritos no meio da pequena praça, meses antes que o exército alemão atravessasse a fronteira — e é provável que tal episódio tenha realmente abreviado a sua vida. Talvez não, se as pessoas da cidade tivessem levado em consideração o que Michael Wisochy dissera sobre Hitler e o Reich; talvez sim, mas o que realmente poderiam ter feito?

Hitler já tinha criado e aparelhado a sua máquina de guerra na Alemanha, mais da metade dos judeus alemães havia fugido do país em meados de 1938 e a Áustria e a Tchecoslováquia já tinham sido invadidas pelas tropas nazistas antes que os tanques alemães cruzassem a frágil fronteira polonesa.

Toda aquela gente estava no lugar errado, na hora errada. E até mesmo o velho Michael não moveu uma única palha para mudar o próprio destino. Se vocês me perguntassem, eu diria que ele não tinha coragem de deixar os seus incontáveis livros para trás… Como fugir com tão pesada bagagem?

E quanto a Jósik, o seu amado neto? Creio que, analisando o jeito como tudo aconteceu depois, o velho Michael acabou mesmo por salvar Jósik.

Está bem, está bem. Sei que preciso pôr ordem nas coisas. Não posso sair narrando a história toda assim, sem qualquer lógica. E o que quero contar dá uma estrada bem comprida… Ademais, sei perfeitamente bem que contar uma história não é a mesma coisa que abrir o tarô. Não existem pistas, não mesmo. O melhor jeito que conheço para contar uma história é começar pelo começo.

Então vamos lá…

Esta é a história de um menino… …
e seu avô.
Havia uma guerra nascendo.
E milhares de livros.
Numa casa velha, numa aldeia perdida…
… nas entranhas da Polônia.

A Polônia ergue-se bem diante dos meus olhos — meus olhos, que nunca sequer cruzaram o Rio da Prata até a Argentina!

Ela está surgindo, ainda bela e intocada pelo Reich, elevando-se das cinzas do tempo exatamente como era antes da Segunda Guerra, no breve período de ilusória paz que experimentou durante o governo do ditador Piłsudski.

Num canto mais ao sul, a duas centenas de quilômetros de Cracóvia, lá está a pequena Terebin. Um pontinho no mapa, uma coisinha de nada que chegou mesmo a desaparecer depois das bombas e dos incêndios, quando suas lavouras foram queimadas e as casas de fazenda, destruídas por tropas de alemães e de mercenários ucranianos pagos pela máquina nazista.

Era uma cidade tão minúscula que não passava de uma aldeia; nem estação de trem possuía. Àquela época, seus habitantes tinham chegado ao seu primeiro milhar, mas a maioria vivia espalhada pelas fazendas da região, já que a economia do lugar era basicamente agrícola. Flora e Apolinary Tatar, os pais de Jósik, moravam na parte central de Terebin, perto da praça.

O velho Michael vivia numa ruazinha do outro lado da praça, para os lados da igreja onde, todas as tardes, à hora das vésperas, o sino de cobre soava, conclamando os fiéis à oração. Ora, vocês devem saber que os poloneses sempre foram católicos fervorosos, e a igrejinha enchia-se de fiéis para a missa vespertina.

Agora, quero falar da casa do avô Michael Wisochy…

Era uma casa curiosa aquela onde ele vivia. Muito velha e pontilhada de goteiras, mas era uma boa e centenária casa polonesa. Tinha duas peças amplas e uma cozinha, onde reinava um enorme fogão à lenha. Construída no meio de um terreno plano, ficava escondida sob quatro carvalhos; não sei se alguém plantara as árvores ali intencionalmente ou se a casa fora erguida à sombra dos carvalhos para que seus moradores vivessem protegidos do olhar alheio. O certo é que Michael — segundo Jósik me contou muitos anos mais tarde — tinha certo receio das pessoas, preferindo conviver com os seus adorados livros.

Ele sempre dizia ao neto, com seus ares de maestro sem orquestra:

“Os livros são as pessoas passadas a limpo!”

Aquelas árvores frondosas escondiam a casa e enchiam suas peças de sombra e silêncio. Quando o vento soprava, as folhas dançavam, roçando as vidraças, provocando um rumor tão suave e tão único que, para Jósik Tatar, aquele sempre seria o ruído da infância.

O menino que comeu uma biblioteca

Leticia Wierzchowski

280 páginas

R$ 39,90

Editora Bertrand Brasil| Grupo Editorial Record

Feira do Livro: Academia Rio-Grandense de Letras homenageia Paixão Cortês.  Atividade ocorreu no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, neste sábado; por Cláudio Isaías/Correio do Povo

Feira do Livro: Academia Rio-Grandense de Letras homenageia Paixão Cortês. Atividade ocorreu no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, neste sábado; por Cláudio Isaías/Correio do Povo

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As lembranças e legados deixados pelo compositor, folclorista, radialista e pesquisador da cultura gaúcha Paixão Côrtes, falecido aos 91 anos em 27 de agosto deste ano, foram os temas das palestras dos escritores Waldomiro Manfroi e Alcy Cheuiche na manhã deste sábado na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre. O evento ocorreu no auditório do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs), na Praça da Alfândega. A homenagem foi prestada pela Academia Rio-Grandense de Letras e teve apoio do Instituto Estadual do Livro.

Em 1947, Paixão Côrtes liderou os estudantes que fundaram o Departamento de Tradições Gaúchas do Grêmio Estudantil do Colégio Júlio de Castilhos e que deflagraria o Movimento Tradicionalista Gaúcho. Ele e sete colegas, trajados e montados tipicamente à gaúcha, algo inédito na época, formaram o “Piquete da Tradição” que desfilou e fez guarda de honra da urna funerária dos restos mortais do general farroupilha Davi Canabarro. Solenidades culturais e cívicas, além de festivais de música e movimentos de afirmação de ser gaúcho, entre outros reflexos, surgiriam nas décadas seguintes graças ao pioneirismo daqueles estudantes.

Para Alcy Cheuiche, que recordou a convivência junto com o amigo, a maior obra de Paixão Côrtes foi resgatar a identidade cultural do gaúcho. “Ele teve a coragem”, resumiu, lembrando que na época de juventude havia uma norte-americanização muito forte. “Ele não era radical e sabia entender as coisas. Quando entrou a guitarra elétrica nos festivais de música foi aquele escândalo. Paixão Cortês disse que não havia problema e que a guitarra elétrica iria atrair os jovens à música gaúcha e não só no rock”, lembrou.

O escritor Alcy Cheuiche destacou ainda que a mais importante herança de Paixão Côrtes foi recuperar as músicas e danças típicas gaúchas que ainda existiam nos rincões do Rio Grande do Sul. “Ele fez uma pesquisa científica. Ele levava um gravador para toda a parte. Achava nos fundões alguém para resgatar um ritmo de época, aquelas festas folclóricas…”, ressaltou. “Tenho boas recordações dele”, concluiu.

 

A reportagem completa está no Correio do Povo.

Porto Alegre: Katia Suman e os diários secretos da Ipanema FM. Comunicadora autografa obra dia 17 de novembro na Feira do livro

Porto Alegre: Katia Suman e os diários secretos da Ipanema FM. Comunicadora autografa obra dia 17 de novembro na Feira do livro

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Milhares de vezes ao longo de anos, ela percorreu o corredor do segundo andar do prédio do Grupo Bandeirantes, em Porto Alegre, atravessou a divisória de vidro que dá acesso aos estúdios das rádios, abriu a última porta à direita e se instalou soberana na cadeira de apresentadora da Ipanema FM. No início de tudo, esse caminho foi trilhado durante a noite, quando literalmente solitária – mais ninguém trabalhava naquele horário -, pilotava a “nave ipanêmica”, nos voos a companhia de milhares de ouvintes, inclusive eu, em Butiá.  Na hoje longínqua década de 80… sem email, redes sociais, whatsapp ou qualquer outra forma instantânea de conversar com os “colegas diurnos”, instituiu um caderno que ficava na mesa do estúdio e servia como veículo de comunicação interna. E é dali uma fonte maravilhosa de histórias, recados nem sempre bem educados e “viagens” escritas por Mary Mezzari, Nilton Fernando, Mauro Borba, Nara Sarmento, KG, Porã, Jimi Joe… que ela extrai a matéria-prima para formatar: Katia Suman e os diários secretos da Ipanema FM.

Há muito tempo, Katia sabia que os 23 cadernos carinhosamente guardados com relatos dos problemas, necessidades, ideias e brigas de 1985 a 1997,  seriam transformados em livro, ” Os cadernos são um  making of.  Ali tem tudo o que a gente pensava sobre a rádio que fazíamos. Eu não sabia direito como organizar a coisa e no doutorado, orientada pelo Professor Fischer, eu descobri.”

43636837_1388662984601271_2867803977695625216_nMuitas são as vozes femininas e masculinas que fizeram a história da rádio mais Rock and Roll do sul do mundo, certamente entre as que se destacaram na fantástica história da emissora, está a da baiana Katia Suman. Sim! Ela é baiana e porreta!  Nunca exitou em dar sua opinião entre os blocos musicais e chamava a atenção por isso. Dia 17 de novembro, na Praça da Alfândega, uma infindável legião de fãs formará uma daquelas filas que “serpenteará” o entorno do trono onde a  Rainha autografará: Katia Suman e os diários secretos da Rádio Ipanema FM. Por sinal, estou curioso para saber se ela vai falar do início de tudo no veículo rádio, que pode surpreender a muita gente, mas foi na Atlântida. Bem, essa é outra história. Anota aí e não esquece: o livro será lançado dia 17 de novembro, com sessão de autógrafos, às 19h30 na Feira do Livro. Antes tem um bate papo no Teatro Carlos Urbim com Katia, Mauro Borba, Jimi Joe, alemão Vitor Hugo… outros devem confirmar ainda, a mediação será do professor Luis Augusto Fischer.

Katia começou a subir o Morro Santo Antônio, em 1983, quando ainda era Rádio Bandeirantes FM,  apresentou uma proposta de trabalho privilegiando a música brasileira e participou da migração para a nova emissora. Na Ipanema entre idas e vindas foram mais de 20 anos. Ali ganhou projeção como locutora, comentarista e programadora musical, apoiando músicos e bandas emergentes e prestigiando na programação uma variedade de gêneros. Contribuiu de forma importante para consolidar o prestígio da Rádio Ipanema, e nas palavras do professor de Rádio da UFRGS, Luiz Artur Ferraretto, ela ganhou notoriedade: “Graças à sua performance ao microfone nas noites dos 94,9 MHz, quando abre espaço para os, na sua expressão frequente, ‘radiouvintes’, em conversas que variam do hilário a uma profundidade ‘papo-cabeça’, não usual na programação jovem de consumo rápido de outras estações.  Na gerência de programação da rádio, Katia aprofundou o posicionamento de mercado da emissora, que se autodefiniu como uma estação voltada ao ‘segmento AB Rock Forever Young’, em outras palavras: rock, a música, e atitude rock, a rebeldia, para todas as idades”.

Ela acompanhou de dentro ou de fora – sempre bem informada -, os 32 anos da Ipanema FM e agora prepara o lançamento do livro com bastidores de tudo o que viu, ouviu e participou. A exemplo da velha Continental, a Ipanema tem mais que ouvintes, os “Ipanêmicos” formam uma categoria de fãs muito apaixonada. Entre vários exemplos da paixão, eu próprio vi dezenas de pessoas participarem de uma promoção para tatuarem o “n” da emissora, os milhares de motoqueiros com adesivos circulando pelas ruas ou sujeito que pintou o seu fusca de amarelo e preto e fez dele uma homenagem a 94,9 FM. Raras seriam as pessoas capazes de montar um diário daquele estúdio por onde passaram nomes consagrados da música gaúcha, brasileira e internacional. Muitas delas movidas a água, café, vinho, uísque ou ervas naturais…

 

Em entrevista a Juliana Maciel, publicada no blog https://jujucrmaciel.wordpress.com , Katia falou as passagens pela Ipanema FM e o trabalho que desenvolve hoje na Rádio Elétrica. A entrevista é de 2016, mas segue atual porque tem muitas questões conceituais e o início de tudo:

Kátia inspira-se no trabalho que ela e os outros comunicadores faziam na Ipanema FM – uma rádio jovem sem modelo pronto – para continuar buscando inovações e conteúdos relevantes.

Atualmente, ela não se enxerga trabalhando em outro lugar que não na sua casa. Sempre envolvida em inúmeras atividades, ela segue produzindo o Sarau Elétrico – que acontece há 17 no Bar Ocidente – e participa do coletivo Cais Mauá de Todos – que questiona o projeto de revitalização do Cais do Porto. Ela ainda procura tempo para concluir o doutorado em Letras e para continuar a escrita de um livro que contará sobre a antiga Ipanema FM, “o trabalho dos sonhos”.

Como iniciou o teu contato com o jornalismo?

Eu não sou formada em jornalismo. Mas eu sempre gostei de ler, então eu lia livros, jornais e ouvia rádio quando era adolescente. A minha primeira experiência profissional foi como redatora de publicidade quando eu tinha 18 anos. Eu trabalhei três anos com isso e parei porque não tinha nada a ver comigo. Mas a coisa da publicidade me fazia estar muito atenta a tudo o que era publicado na mídia. Quando eu vim pra Porto Alegre, eu ouvia a rádio Bandeirantes – que virou Ipanema depois – e eu achava ela incrível porque ela fugia do padrão FM meio gritado, falado rapidinho e todo alegre. Ela parecia verdadeira e tinha um conteúdo e uma programação musical muito legal. E já que eu ouvia muito, pensei que podia trabalhar nela. Então eu escrevi o roteiro de um programa e fui na rádio Ipanema falar com o diretor. Ele achou bacana e pediu pra que eu gravasse um piloto. E assim começou.

Mas o teu primeiro trabalho em rádio não foi na Bandeirantes, certo?

Então, o Nilton Fernando falou que não podia me contratar, mas disse que a rádio Atlântida queria experimentar uma voz feminina e me sugeriu que eu fosse lá. Daí eu fui. Na época o diretor da Atlântida era o Pedrinho Sirotsky e ele me recebeu. Imagina, hoje isso seria impossível. Hoje tu não chega nem na secretária do cara. Naquele tempo, eu não sei como, mas eu chegava. Eu nem estava fazendo comunicação, eu não era nada e ele falou que tudo bem e me ofereceu um estágio, no turno da madrugada, pra que eu aprendesse como funcionava. Durante meses, das 2 h às 6 h da manhã, eu ficava falando no ar e aprendi a operar a mesa de som assim. Foi incrível. Eu ia pra rádio tipo 1 h da manhã, uma piração. Eu lia todos os jornais e ficava o dia inteiro pensando no que eu ia falar, porque eu queria falar coisas interessantes. E eu realmente falava horas de madrugada.

Nos anos 80 tu começaste a trabalhar na rádio Ipanema. Como era a relação entre os comunicadores? Vocês tinham o mesmo propósito para a rádio?

Bem, a gente estava vivendo um momento muito especial. Era o começo da redemocratização. Então, começava a se respirar um ar diferente. Entre os jovens, havia uma necessidade de falar e de entender o mundo em que estávamos vivendo. Na Ipanema, a gente queria ser fora do padrão e criticávamos muito essas rádios, como a Atlântida – que eram idiotas e superficiais para o nosso ver. Elas só tocavam músicas que estavam no top 5, top 10 das revistas tipo Billboard. E achávamos tudo isso desprezível. Nós queríamos fazer uma rádio bacana, que falasse de coisas importantes: ecologia, feminismo, naturismo, política, filosofia, literatura, poesia, a gente cobria todo o espectro de manifestações artísticas e culturais da cidade. Andávamos por terrenos que as outras rádios voltadas para público jovem não iam. Eles começaram a tocar música daqui, porque a gente tocava e deu certo. Eles começaram a fazer transmissões de shows, porque a gente fazia e dava certo. Naquela época, tínhamos muito IBOPE, mesmo com uma potência pequena. E vivíamos muito aquele universo. Era o nosso trabalho, mas era também a nossa vida de uma certa forma. Porque o que fazíamos ali era absolutamente verdadeiro. A gente era muito explícito, sincero e espontâneo. Cada comunicador tinha o seu perfil, falava do seu jeito. Não seguíamos um roteiro. Tínhamos opinião sobre tudo e cada um tinha liberdade para expor as suas ideias.

Havia algum tipo de controle sobre o conteúdo veiculado por parte do grupo Bandeirantes?

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Galera da Ipanema anos 90: Claudio Cunha, Eduardo Santos, Júlio Reny, Nara Sarmento, Alemão Vitor Hugo, Katia Suman, Alexandre Brasil e Bruno Suman

Tínhamos um diretor que era o Nilton Fernando e, às vezes, ele dava umas enquadradas. Porque a gente, nessa atmosfera de liberdade e de criatividade, extrapolava. Eu me lembro do Nilton reclamando que estávamos virando uma rádio muito petista. O PT estava começando e, pra nós, conversar com um político e eleger um político era uma coisa nova. Então, era toda uma certa euforia e um desejo de participar do processo. Tínhamos liberdade, mas às vezes o Nilton ficava indignado que falávamos de mais. Porque, pra gente, esse papo de neutralidade não existia. Alías, mesmo que o jornalista use todo o manual de jornalismo da sua instituição e fique escolhendo as palavras, ele fala de algum lugar. E o que eu vejo de mais perigoso e perverso é uma neutralidade entre aspas – na qual o cara jura que está sendo imparcial e, na verdade, está enquadrado dentro de uma corporação, de um grupo, que tem sim os seus interesses comerciais e políticos.

Até que ano tu trabalhaste na Ipanema FM? Tu acreditas que a rádio foi perdendo a sua identidade jovem ao longo dos anos?

Eu tive três passagens pela Ipanema. Na primeira vez, eu fiquei até 99. Aí eu saí, fiquei sete anos fora. Voltei, fiquei dois anos e saí. E acho que foi perdendo sim, por uma série de fatores, afinal o mundo mudou. Naquele momento, nos anos 80 até 90 e poucos, a rádio tinha um papel fundamental, porque era muito difícil ter acesso a uma informação com aquele foco de interesse. Não tinha internet, a gente recebia notícias do centro do país e de outros lugares através de telex – que é um instrumento pré-histórico. Tinham agências de notícias que mandavam. Havia produção cultural, discos que nem eram lançados no Brasil. Era todo um esquema de lojas de importados, de amigo que viajava pra comprar. Era uma batalha conseguir a informação. A gente lia desde revistas voltadas ao público jovem a jornais do centro do país, como Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, Estado de São Paulo e a gente ficava catando coisa. Tentando trazer uma informação qualificada e variada pros ouvintes. E o mesmo vale para o repertório musical, porque a gente rodava de tudo – tudo o que a gente achava bom, né. Rolava rock, jazz, pop, música erudita, MPB… era uma gama tão ampla de diversidade musical que é impossível hoje. Porque as coisas foram ficando segmentadas. A Ipanema era uma geleia geral. Bandas que surgiram os anos 80, como Engenheiros do Havaí, TNT, Tefala, Replicantes, Garotos da Rua e Cascaveletes costumam dizer que a Ipanema foi a formação musical deles, porque a gente tocava coisas inacreditáveis para uma rádio. Então, com o tempo, a internet simplificou o acesso à informação, logo o rádio, especialmente esse rádio, perdeu muito da sua função e foi tomando outros rumos.

O que veio na tua cabeça quando foi anunciado, ano passado, que a Ipanema existiria apenas em um formato para a Web?

Bom, duas coisas. Primeiro lugar, eu não aceito essa versão de que a rádio migrou para a Web. Ela acabou. É uma desonestidade com o público dizer isso, porque é uma mentira. Todo mundo foi demitido. O que eles botaram no tal do ambiente Web foi um playlist. Um playlist não é uma rádio. Depois, eu senti até um alívio, porque ela foi tão importante pra mim e pra toda uma geração, que ver aquilo que estava sendo feito com o nome de Ipanema era triste. A última versão dela, era exatamente o oposto do que a gente fazia. Era tudo aquilo que a gente criticava – uma rádio de hits, com repetição, papo furado e todo mundo alegre. Então, em vez de fazer isso com o nome de Ipanema, acaba e assume que acabou. As coisas terminam, a roda gira, a fila anda… não tem mais espaço para uma rádio assim.

De que modo tu enxerga o rádio hoje?

Eu fico pensando, a minha filha tem 15 anos e ela nunca ouviu rádio na vida. Se eu der um rádio pra ela eu acho que ela nem vai saber o que fazer, porque eu acho que nem fabricam mais rádio hoje, todo mundo escuta no carro ou no celular. Então o que eu vejo é que ela e essa turma de adolescentes não ouvem rádio – pelo menos a turma da minha filha. Ela me pediu pra assinar o spotfy e ela ouve umas músicas pelo spotfy. Eu penso que hoje, com esse tipo de coisa, Spotfy, Deezer… não tem sentido ouvir rádio – eu falo de quem quer ouvir música. Porque, no rádio, vai ter aquele comercial chato e vai ter o cara falando. Então eu percebo que o FM virou rádio de notícias ou rádio bem popular, de música de massa, tocando sertanejo universitário.

Eu já estou em uma idade de querer ouvir gente falando, então eu ouço rádio de notícias. Mas, eu tenho muita dificuldade porque as rádios são muito caretas e são muito chatas. Então, pra mim, o que tem de legal no rádio hoje é o Boechat – de manhã cedo na Band – e eu gosto muito do programa do Juremir Machado da Silva e da Taline Oppitz sobre política na Guaíba. Eles entrevistam políticos de todos os partidos. Eles dão uma pauta e os políticos ficam meio que se confrontando e isso é muito bom porque aí tu vê como é que eles pensam. Em relação à rádio musical tem a Unisinos com um repertório musical legal e a FM Cultura. Mas eu já não tenho vontade de ouvir música no rádio.

É possível inovar trabalhando em um veículo de mídia tradicional hoje?

Eu acho que sempre é possível inovar. Eu acredito na possibilidade da criação humana. A rádio Unisinos, por exemplo, tá botando no ar a Rádio Elétrica. Então, o conteúdo que eu gero na minha casa é transmitido no FM. Isso pra mim é novo. É uma maneira de cruzar ambientes. Então, eu acho que dá pra inovar sempre. Mas por uma questão também de retração de mercado os caras não querem ousar. A Ipanema só foi possível porque aquilo que se fez naquele momento conquistou uma legião de ouvintes e com os ouvintes vieram os anunciantes. Acho que hoje, dada as facilidades tecnológicas talvez seja mais fácil inovar. Tu pode ter programa com gente falando de todas as partes do mundo, programa com gente falando de dez estados brasileiros. Eu gosto de ouvir a Band News porque é assim, tem uma ancoragem em São Paulo, mas entra gente do Rio, entra gente de Recife, entra gente de Brasília, entra gente de Porto Alegre, porque eles tem uma rede grande nacional. Mas entra dentro de um formato muito quadradinho. Então eu acho que falta pra uma boa parte de um público que cresceu e que se formou ouvindo a Ipanema, um outro tipo de rádio, um outro tipo de comunicação mais solta, menos careta, mas plural, mais livre, menos quadrada, com uma linguagem menos politicamente correta. Eu acho que uma rádio assim prosperaria. Mas eu não tenho mais energia e disposição pra formatar uma ideia e transformá-la em negócio. Eu não me vejo trabalhando em nenhuma das FMs que existem. Parece que eu não tenho perfil pra estar em alguma delas – não sei, pode ser uma loucura da minha cabeça –, mas eu criei a minha rádio Web porque fazer rádio pra mim é um negócio importante. Eu gosto, eu preciso, me ajuda a entender. Eu trago pessoas pra falar de assuntos que eu julgo relevante, eu tenho uma pauta. É quase que um ativismo que eu faço na minha rádio. Eu consigo fazer isso hoje graças à tecnologia então eu não vou tentar convencer uma empresa e mais milhões de anunciantes porque isso pra mim é muito desgastante e cansativo. Eu sou capaz de inventar um jeito de fazer rádio. E eu inventei um, a minha rádio está no ar.

Como surgiu a ideia de criar a Rádio Elétrica?

Eu comecei a transmitir em dezembro de 2010. Eu estava trabalhando nesse momento na TV COM. Quando eu saí da Ipanema para ir pra RBS, eu coloquei como uma das condições trabalhar em uma das rádios do grupo. Passou um ano e nada. Até que eu decidi fazer a minha rádio. De lá pra cá eu mudei um pouco. No começo eu transmitia ao vivo duas horas por dia – era de manhã – e fazia um rádio do jeito que eu fazia lá nos anos 80/90: falava um pouco, rodava umas músicas, voltava, falava o que tinha rodado, comentava mais alguma coisa. Aí eu voltei a trabalhar na Ipanema e quando eu saí – pela terceira vez – eu comecei a ver a Rádio Elétrica de uma outra maneira.

Como funciona a programação da Rádio Elétrica?

Eu fazia na Ipanema, o programa Talk Radio, que é basicamente uma rádio falada. Não é um diálogo com especialistas, não é uma entrevista, é uma conversa entre cidadão com tantas dúvidas e perplexidades quanto qualquer um. E eu passei a trabalhar em cima dessa ideia.

Então, na segunda-feira o papo é mais sobre cultura, eu converso com um cara que é produtor cultural. Na terça-feira eu falo com uma médica que é a Cinthya Verri e podemos entrar no terreno da psicanálise, da anatomia, ou do comportamento. Na quarta-feira, eu converso com o Diego Granto – que é professor e poeta. A gente fala muito de política, de feminismo, dos movimentos que estão acontecendo. Mas a gente fala do ponto de vista de quem está assistindo sem entender muito bem. Na mídia parece que todo mundo tem certeza, e isso me irrita um pouco. Ninguém tem dúvida. Mesmo agora nesse impeachment/golpe, cai/não cai… sempre tem um jurista, um advogado, que entendeu tudo. Então, pra fechar, na quinta-feira, eu falo com a Fabiola Pecce, que é consultora ambiental e sexta-feira é o dia da cidade, em que eu falo sobre questões de planejamento urbano.

Clique e leia a íntegra da entrevista no https://jujucrmaciel.wordpress.com

 

 

Nesta segunda-feira, 6 de novembro, tem José Galló com “O poder do encantamento” e papo-cabeça na Feira do Livro

Nesta segunda-feira, 6 de novembro, tem José Galló com “O poder do encantamento” e papo-cabeça na Feira do Livro

Agenda Destaque Feira do Livro Negócios Porto Alegre

Nesta segunda-feira, o presidente das Lojas Renner, José Galló ensina como colocar em prática a filosofia de encantamento: “encantar significa superar as expectativas, indo um passo adiante da satisfação, ao entregar algo mais do que aquilo que já esperam de nós.”  A palestra “O poder do encantamento”,  acontece no Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo (CCCEV) – Rua dos Andradas, 1223, a partir das 18 hs. Depois Galló autografará na Praça, às 19h30.

Confira outros destaques da Feira:

Programação Infantil

Às 14h, a atividade “Rádio Pirada – Oficina do Programa Brinkaredo”, no Espaço do Conhecimento Petrobras (Praça da Alfândega, em frente ao Banrisul), vai ensinar as crianças como funciona uma rádio on line.

Às 15h30min, no Teatro Carlos Urbim (entre o Margs e o Memorial do RS) tem “O Autor no Palco” com Blandina Franco e José Carlos Lollo.

Escritores Gaúchos

Às 16h, tem início o Ciclo de Palestras da Academia Rio-Grandense de Letras. Com Waldomiro Manfroi. O tema de hoje é “Autores que fizeram nossa cabeça – Caldre Fião”. Sempre no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (Rua Riachuelo, 1031), a série tem programação até o dia 11 de novembro.

Às 17h, na Tenda de Pasárgada (Praça da Alfândega, diante do Memorial do RS), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo – CAU/RS promove encontros com escritores gaúchos sobre suas inspirações em arquitetura para criação de cenários na ficção. Com Carol Bensimon e mediação de Liana Timm.

Clássicos da Modernidade

18h30min e 19h30, na Sala O Retrato – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo CCCEV – (Rua dos Andradas, 1223), ocorrem duas sessões da série “SMC na Feira do Livro – Clássicos da Modernidade”. O tema da primeira é “A experiência da modernidade”, por Sérgius Gonzaga. O da segunda, “A democracia da América (Tocqueville)”, por Rodrigo Lemos. Durante toda a Feira, o ciclo tem lugar na grade de programação.

 

CONFIRA MINHA ENTREVISTA COM JOSÉ GALLÖ SOBRE O LIVRO “O PODER DO ENCANTAMENTO”NA RÁDIO GUAÏBA

Feira do Livro de Canoas tem início com Teatro gratuito e outras atividades

Feira do Livro de Canoas tem início com Teatro gratuito e outras atividades

Agenda Cidade Comportamento Cultura Notícias

naometoque
Peça Não me toque, estou cheia de lágrimas homenageia Clarice Lispector. Foto: Nilton Santolin

A 32ª edição da Feira do Livro de Canoas, que começa neste sábado, dia 25 de junho, também é uma boa oportunidade para quem conhecer obras de escritores de uma forma mais lúdica: o teatro. Com entrada gratuita (mediante a retirada de senhas antecipadamente), Jorge Amado e Clarice Lispector estarão representados no Teatro do Sesc enquanto o público leitor circula pala Praça da Bandeira e o Largo da Praça, que ganharão novos e intensos dias e noites culturais. Serão 15 dias e cerca de 160 atividades gratuitas realizadas até 9 de julho.

 

A programação teatral inicia já no primeiro dia da mostra literária com apresentação de Dona Flor e Seus Dois Maridos. A montagem dirigida por Zé Adão Barbosa mostra o triangulo amoroso criado por Jorge Amado em interpretações de Kaya Rodrigues, Tom Peres e Cassiano Ranzolin. No dia seguinte, 26 de junho, às 16h, também no Teatro do SESC, a GEDA Companhia de Dança Contemporânea mostra Não me toque, estou cheia de lágrimas, espetáculo de dança baseada na personalidade e na obra de Clarice Lispector – escritora que também é tema de estudos de um dos convidados internacionais da feira, o inglês Benjamim Moser.

DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS

Dia 25 de junho, às 20h, no Teatro do SESC

(Para assistir, é necessário retirar senhas no dia do espetáculo, a partir das 18h, no local)

A obra-prima de Jorge Amado Dona Flor e Seus dois Maridos, além do triângulo amoroso, descreve a vida noturna da cidade de Salvador, seus cassinos e cabarés, a culinária baiana, os ritos do candomblé e o convívio entre políticos, doutores, poetas, prostitutas e malandros. A narrativa faz um retrato inventivo e bem-humorado das ambiguidades  que marcam  o Brasil, país dividido entre o compromisso e o prazer, a alegria e a seriedade, o trabalho e a malandragem.Canções populares e pontos de candomblé permeiam todo o espetáculo interpretadas por Flor, por Vadinho em suas serenatas, pelos amigos nos botecos e cabarés, pela cantora do Cassino e pelas amigas de Flor. A montagem tem direção musical de Simone Rasslan e Álvaro  RosaCosta, com canções garimpadas do domínio público e músicas criadas especialmente para o espetáculo por Álvaro  RosaCosta.

 

NÃO ME TOQUE, ESTOU CHEIA DE LÁGRIMAS – SENSAÇÕES DE CLARICE LISPECTOR

Dia 26 de junho, às 16h, no Teatro do SESC (Para assistir, é necessário retirar senhas no dia do espetáculo, a partir das 13h, no Teatro do SESC)

É uma obra coreográfica de dança contemporânea apresentada baseada na personalidade de Clarice Lispector, escritora nascida na Ucrânia e considerada brasileira pelo público e pela sua própria declaração. A singularidade dos seus livros e sua prosa e os movimentos que ela executou na vida desde o nascimento até a morte provoca a concepção desta obra solo que enfatiza a perturbação e inquietação desta mulher paradoxal, sombria e corajosa. Sua intimidade com as palavras refletiu a necessidade de se expressar em uma moldura gestual, ora sofisticada ora impregnada de mágoas e reflexões sobre a vida. “Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar”, escreveu Clarice Lispector.

 

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA PARA SÁBADO E DOMINGO

 

Dia 25 de junho – Sábado

18h – Área Central – Abertura Oficial – Apresentação COCAN

20h – Teatro do SESC – Teatro: Dona Flor e Seus Dois Maridos

 

Dia 26 de junho – Domingo

Das 14h às 18h – Espaço Infantil – Encontro e mostra dos Pontos de Cultura, Pontos de Leitura Municipais e Estaduais e participação da Escritora Juraci Ribeiro de Barros debatendo sobre sua trajetória literária

Das 14h às 18h – Biblioteca da Feira – Troca-troca de livros, revistas e gibis.

15h – Café Literário – Lançamento e sessão de autógrafos  da Coletânea da Associação Canoense de Escritores

Das 15h às 18h – Audit. – 50 anos da Jovem Guarda com um Documentário Musical (org. Casa do Poeta)

16h – Teatro do SESC – Espetáculo Não me toque, estou cheia de lágrimas –  Sensações de Clarice Lispector,  da Companhia Gaúcha de Dança GEDA (acessibilidade de 25 lugares, para audiodescrição)

16h – Café Literário – Lançamento e esssão de autógrafos do Livro: EU SOU o ser binário a força e o poder do nós – Autor: Dhamião Olyveira (editora Versus)

17h – Café Literário – Autógrafos Juraci Ribeiro de Barros, Poemas para elevar a alma (editora Solução)

ENTRADA FRANCA

Feira do Livro 2015: Vendas cresceram 11,25%.  Foram comercializados 445 mil exemplares nesta edição

Feira do Livro 2015: Vendas cresceram 11,25%. Foram comercializados 445 mil exemplares nesta edição

Cultura Economia Feira do Livro Notícias Porto Alegre

Durante os 17 dias da 61ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre foram comercializados 445 mil exemplares, 11,25% a mais em comparação ao ano anterior. No mesmo período, cerca de 1,5 milhão de pessoas circularam pela Praça da Alfândega, o que representa um aumento de público de 7%. Os números foram divulgados na manhã desta terça-feira (17) pela direção da Câmara Rio-Grandense do Livro.

Conforme a direção da Câmara do Livro, a programação com assuntos atuais e alinhados ao tema da campanha deste ano, que propôs uma reflexão na sociedade com a ideia de que livros ajudam a pensar, os preços convidativos e o tempo seco, que predominou em grande parte do período, foram alguns dos principais fatores que contribuíram para elevar os números. O presidente da Câmara, Marco Cena, salientou que a maioria do público era de jovens. “Foi perceptível a presença maciça desse público entre 15 e 25 anos.” A percepção reflete o cenário nacional, em que essa faixa etária tem impulsionado o mercado editorial. “Eles são economicamente ativos e acompanham seus ídolos,” avalia. Sessões de autógrafos de autores para essa faixa etária, com duração acima de 4 horas, são bons exemplos.

A Feira do Livro contou neste ano com 113 expositores. Foram autografados 741 títulos no período entre 31 de outubro e 15 de novembro, em 631 sessões de autógrafos. 578 sessões ocorreram na Praça de Autógrafos; 53 sessões de autógrafos coletivas ocorreram no andar térreo do Memorial do RS; uma sessão aconteceu no Teatro Carlos Urbim, com Alceu Valença. Na Área Infantil foram mais 22 sessões de autógrafos de escolas.

A programação para o público adulto recebeu 15 mil pessoas e contou com um total de 258 atividades, entre encontros, oficinas, apresentações artísticas e seminários. Na Área Infantil, foram 552 turmas agendadas, além das visitas sem agendamento, que participaram das 463 atividades, desde encontros com autores, ilustradores, seminários, contações de histórias, apresentações de teatro, oficinas até exposições, entre outras.

Acessibilidade

A 61ª Feira do Livro de Porto Alegre proporcionou acesso ao universo da literatura a todo tipo de leitor. Quem não enxerga as letras com os olhos, pôde tocá-las ou ouvi-las: as histórias chegavam às pessoas com deficiência visual através de livros em braile ou audiolivros. Os que têm deficiência auditiva contavam com intérpretes de libras. Pessoas com dificuldades locomotoras podiam pegar emprestadas cadeiras de rodas; rampas de acesso também foram instaladas em toda a Praça da Alfândega. (Rádio Guaíba – Foto: Otávio fortes/Feira do Livro)

Feira do Livro terá distribuição de senhas para evento com Divaldo Franco

Feira do Livro terá distribuição de senhas para evento com Divaldo Franco

Cidade Comunicação Educação Feira do Livro Notícias

A partir das 13h de amanhã, 13/11, serão distribuídas 350 senhas para a atividade com o médium Divaldo Franco. A distribuição das senhas acontece no Balcão de Informações da 61ª Feira do Livro de Porto Alegre, instalado ao lado do Memorial do RS. Divaldo Franco é considerado o sucessor de Chico Xavier, e vem à Feira para lançar sua biografia “Divaldo Franco – a trajetória de um dos maiores médiuns de todos os tempos”, escrita por Ana Landi, que também estará presente. A atividade acontece às 20h no Teatro Carlos Urbim. Abaixo, o texto sobre o livro escrito por  Maria Helena Marcon , publicado no site Mundo Espírita:

Ana Cláudia Landi é historiadora pela Universidade de São Paulo (USP). Como jornalista, atuou no Grupo Folha, Jornal da Tarde e Valor Econômico. Desde dezembro de 2013, dirige a Bella Editora. Segundo ela, autora da recente biografia de Divaldo Pereira Franco, a abordagem inicial do médium não foi fácil. Acostumado aos holofotes e às grandes plateias, Divaldo sempre resistiu em colaborar com obras que o tivessem como protagonista. Para ele, o importante são os resultados obtidos em seus quase setenta anos de trabalho, e não a personificação de seu realizador. Depois de alguns e-mails em que declinou educadamente do projeto, acabou se rendendo a um primeiro contato pessoal (…)

Foi em maio de 2012, véspera do seu aniversário de oitenta e cinco anos. Ao  se apresentar, a repórter teve, novamente, sua ideia recusada. Isso porque, segundo ele, um perfil jornalístico exigiria um dispêndio de tempo muito grande – algo impossível a quem passa mais de duzentos dias por ano em palestras. Mas, ela o convenceu a colaborar para reportagens em grandes veículos e  surgiram várias na revista Contigo!, Folha de São Paulo, Rádio CBN, The Guardian, BBC, entre outras. A relação foi se estreitando, algumas conversas, em intervalos de viagens e congressos aconteceram. Muitas visitas de Ana Landi à Mansão do Caminho e, finalmente, a ideia do livro foi aprovada. Na noite de 23 de fevereiro, uma noite de emoção, beleza e alegria, segundo Julio Zacarchenco, foi lançada a obra na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista. A fila começou a se formar às 16h. Os autógrafos começaram às 18h e, durante quatro horas, foram dois mil e seiscentos livros autografados. O tempo médio de espera por um autógrafo foi de duas horas. Ninguém reclamou, não houve tumulto. A obra constitui-se a primeira biografia jornalística sobre o espírita baiano, reconhecido como o maior divulgador do Espiritismo no mundo.

A autora, Ana Landi, sempre ao lado de Divaldo e externando grande simpatia, também autografou os livros e cumprimentou a todos. Os direitos autorais foram integralmente doados em cartório para a instituição socioeducativa “Mansão do Caminho”, criada por Divaldo na cidade de Salvador (BA), há mais de 60 anos. Todos os que adquiriram o livro, receberam também um DVD institucional da “Mansão do Caminho” e uma garrafinha de água personalizada. A parceria perfeita entre biógrafa e biografado resultou em um excelente trabalho literário e um evento de grande estilo, profunda harmonia e muita alegria, que surpreendeu positivamente a todos.

O livro é baseado em entrevistas realizadas em mais de dois anos com Divaldo.

Retrata, desde a vida familiar, em Feira de Santana, na Bahia, ao problema de paralisia que sofreu, aos dezessete anos, depois de assistir à morte do irmão José, a primeira ida a um centro espírita, a primeira psicografia, as dificuldades em  se manter na capital baiana, passando por alguns lances, possivelmente desconhecidos de muitos os que acompanham a trajetória do médium, ao longo dos anos, como o do namoro, que acabou antes de começar, os problemas ocorridos, especialmente nas primeiras viagens ao Exterior, e as benéficas intervenções espirituais de Marcelo Ribeiro, o jovem carioca desencarnado.

Também revelações de algumas das suas reencarnações anteriores. Como em Paris, visitando um enorme mosteiro, falando um francês provençal, onde se identifica para a monja mestra como o fundador daquela instituição, no ano de 1625.

Sua vinda ao Paraná, em 1954, convidado pelo então Presidente da Federativa, João Ghignone, seu primeiro encontro espiritual com Lins de Vasconcellos, ainda no avião, antes de aterrissar, é outro fato curioso narrado, com riqueza de detalhes.

As peripécias que o envolveram ao dormir no apartamento do albergue da FEP, o frio que o surpreendeu, em Curitiba, levando-o a se envolver, discretamente, entre as cortinas do auditório da antiga sede da FEP, hoje transformada em Sede Histórica, sempre em relato agradável.

Enfim, a biografia, sem endeusamento ou exageros, retrata a vida do baiano, que se comunica e interage com os Espíritos desde o quatro anos; que foi acusado de louco, charlatão e plagiador; que quase se suicidou; que sofreu diversas tentativas de assassinato no Brasil e no Exterior; que foi proibido de entrar em Portugal e Espanha, durante certo período.

Também registra os feitos notáveis desse brasileiro ilustre como o ter acolhido, na Mansão do Caminho, seiscentos e oitenta e cinco órfãos, que o presentearam com netos e bisnetos, que se transformaram em cidadãos, em homens de bem;

o ter proferido mais de quinze mil palestras no Brasil e no Exterior; ter levado o Espiritismo a países onde nunca se havia falado sobre  Doutrina Espírita; ter psicografado cerca de trezentos livros que, juntos, venderam dez milhões de exemplares.

E toda renda das suas obras mediúnicas é doada para obras assistenciais, principalmente a Mansão do Caminho.

O livro, de trezentas e duas páginas é enriquecido com fotografias de Divaldo, seus familiares, colaboradores, trabalhadores da Mansão, as primeiras crianças acolhidas, a primeira sede da Mansão e do Centro Espírita Caminho da Redenção. Também fotos de Joanna, enquanto Clara de Assis e Juana Inés de la Cruz.

Em tudo, uma obra apaixonante, escrita de forma leve, que nos conduz ao conhecimento da jornada desse ser que peregrina entre nós, esparzindo luz há tantas décadas.

Cidadania: Cubano se naturaliza brasileiro e emoção toma conta da primeira audiência do TRF4 na Feira do Livro

Cidadania: Cubano se naturaliza brasileiro e emoção toma conta da primeira audiência do TRF4 na Feira do Livro

Comunicação Mundo Notícias
Maykel Velazquez (Fotos: Sylvio Sirangelo/TRF4)
Maykel Velazquez (Fotos: Sylvio Sirangelo/TRF4)

A tarde dessa quarta-feira (11/11) marcou o início de um novo ciclo na vida de Maykel Velazquez. O auxiliar de exportação participou da primeira audiência de entrega do Certificado de Naturalização (CN) no estande do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) na 61ª Feira do Livro de Porto Alegre. Na cerimônia, Velazquez abriu mão da nacionalidade cubana, tornando-se oficialmente brasileiro. A audiência teve início às 14h e foi coordenada pela juíza federal Marciane Bonzanini, da 1ª Vara Federal de Porto Alegre. Velazquez proferiu juramento de adesão à nacionalidade brasileira e realizou um teste de proeficiência em português. No momento mais simbólico do evento, ele deixou com a magistrada sua carteira de identidade de estrangeiro, recebendo seu CN de forma permanente. Morando no Rio Grande do Sul desde 2010 e tendo requisitado a nacionalidade há cerca de um ano, o mais novo brasileiro se sente agora ainda mais em casa. “Vim para cá por amor. Tenho trabalho, lar e agora a nacionalidade”, contou sorridente, revelando que agora seu próximo plano é casar-se com seu companheiro. Para a juíza Marciane, as audiências de naturalização são ocasiões marcantes. “Cada certificado entregue é uma emoção. Por trás do processo legal há sempre uma história de vida diversa”, explicou. O ritual da entrega do certificado é, segundo a magistrada, um momento para “assegurar a esse cidadão os direitos e deveres de todo e qualquer brasileiro, condição que ele passa a assumir”.

Também participou da cerimônia o presidente do TRF4, desembargador federal Luiz Fernando Wowk Penteado. A presença do magistrado ali não era apenas institucional. “Estou aqui não só como representante do tribunal, mas tendo o prazer de rememorar minha história”, refletiu, lembrando da ocasião em que seu avô materno, um imigrante ucraniano, morador do Paraná, participou de evento semelhante, também naturalizando-se brasileiro. Penteado desejou a Velazques boas-vindas à comunidade brasileira, ressaltando a importância da naturalização: “é um processo que só enriquece a comunidade e a experiência da Justiça, um passo na nossa missão de aproximarmos os cidadãos”.

O fato da audiência ocorrer no estande do TRF4, em plena Praça da Alfândega, no Centro de Porto Alegre, também agradou aos envolvidos. “Nesse espaço a Justiça se aproxima mais ainda. O procedimento do encontro segue o mesmo, mas o ambiente muda. Todos que vêm à Feira podem acompanhar”, explicou Marciane. Já para Velazques, a localização diferente foi mais um elemento marcante de sua mudança: “no início não esperava que fosse ser assim, na rua. Quando soube, achei muito legal”, conta. O processo de naturalização parte do interesse do cidadão estrangeiro. A partir daí ele deve procurar a Polícia Federal (PF) e encaminhar seus documentos. O pedido é então analisado pelo Ministério da Justiça, que emite ou não o Certificado de Naturalização (CN). Por fim, cabe à Vara Federal mais próxima da residência do naturalizado a entrega do documento. Só em 2015, a Justiça Federal do Rio Grande do Sul (JFRS) ajuizou 78 processos de naturalização.

Feira do Livro: Esta segunda-feira tem Papo de Índio, conversa com Nerocientista, sarau com Cintia Moscovich e Pedro Gonzaga e muito mais

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Cultura Feira do Livro Notícias

O líder indígena Ailton Krenak vem à Feira do Livro de Porto Alegre para o falar sobre as contribuições indígenas para soluções dos problemas atuais. A atividade acontece às 17h na Sala Leste do Santander Cultural. Além de Ailton Krenak, Participam também professoras Marilia Raquel Albornoz Stein e Elaine Elisabetsky.

As pequenas narrativas também ganham espaço na programação. “O melhor das menores: pequenas narrativas por seus autores”, sarau com leituras de mini e micronarrativas dos alunos das oficinas de Cintia Moscovich e Pedro Gonzaga acontece às 18h30 no Auditório Barbosa Lessa (Centro Cultural CEE Erico Veríssimo).

Mais tarde, às 19h, o neurocientista Sidarta Ribeiro apresenta seu livro “Limiar – Uma década entre o cérebro e a mente”, num bate-papo sobre sonhos, memórias e inconsciente. Às 20h, Sidarta estará na Praça de Autógrafos.

Além desses destaques, tem muito mais! A programação da Área Infantil e Juvenil começa às 9h e a última atividade desta segunda na Feira do Livro de Porto Alegre acontece às 20h.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA
9h

Contação de histórias com a Turma da Alice
Agendamento escolar
Jardim do Chapeleiro Maluco

10h30

O Autor no Palco com o escritor Cláudio Levitan
Agendamento escolar
Teatro Carlos Urbim

O Autor no Palco com o escritor João Pedro Roriz
Agendamento escolar
Casa do Pensamento

14h

Colóquios de Inclusão
O Lazer e o Turismo para as pessoas com deficiência, com Rotechild Prestes, da ONG Caminhadores RS
Estação da Acessibilidade

O Autor no Palco com o escritor Alexandre Brito
Agendamento escolar
Teatro Carlos Urbim

O Autor no Palco com a escritora Simone Saueressig
Agendamento escolar
Casa do Pensamento

Sessão de Autógrafos
Escola Criança Viva (Porto Alegre)
Sala do Professor

15h

1a Mostra de Cinema Israelense
Vire à Esquerda no Fim do Mundo, de Avi Nesher.
Cine Santander Cultural

Atividade paralela: Tributo a Mario de Andrade
Participantes: Daniel e André Benites, Pedro Câncio, Miguel Espirito Santo, Julio Zanotta e convidados.
CORAG – Armazém Literário – Rua Caldas Júnior, 261

14h30

Pílulas para a alma
Uma nova abordagem de como construímos a doença e a cura.
Participante: José Renato Soethe.
Libras
Sala Oeste – Santander Cultural

Contação de histórias com a Turma da Alice
Agendamento escolar
Jardim do Chapeleiro Maluco

15h30

O Autor no Palco com a escritora Sônia Rosa
Agendamento escolar
Teatro Carlos Urbim

Contação de histórias sobre Educação Ambiental
com Adriana Stein
Promoção: Secretaria de Estado da Educação
Auditório da Inspetoria da Receita Federal

Homenagem aos 170 anos de nascimento de Amália Figueiroa
A Poesia lírica de Amália Figueiroa, sua importância para a poesia rio-grandense.
Com Gerci Oliveira Godoy, Jaqueline Puhl e Beatriz Barbisan
Sala Leste do Santander Cultural

16h

“Nos caminhos da Imprensa Rio-Grandense e Brasileira/ Por los caminos de la Prensa Riograndense y Brasileña”
Apresentação da coletânea de contos, bilíngüe português/espanhol, escritos por
trinta autores, percorrendo os caminhos da nossa imprensa desde seus primórdios até os dias atuais.
Participantes: Alcy Cheuiche, Everton Gimenis, Flavio Tavares, Celso Augusto Schröder e João Batista de Melo Filho.
Sala Oeste – Santander Cultural

Contação de histórias com a Turma da Alice
*Agendamento escolar
Jardim do Chapeleiro Maluco

16h30

Congresso Lusófono de Escrita Criativa: Aprimore técnicas literárias e conheça
os caminhos da publicação
Os grandes nomes da Escrita Criativa juntos em um evento intercontinental. Aula magna de Charles Kiefer e Luiz Antonio de Assis Brasil. Mediação: Rafael Martins Trombetta e Suriel Ribeiro.
Gratuito pelo site www.clec.vc
Participantes: Charles Kiefer, Luis Antonio de Assis Brasil, Rafael Martins Trombetta e Suriel Ribeiro.
Auditório Barbosa Lessa – CCCEV

17h

Filosofia nas Entrelinhas Poéticas de Ferreira Gullar (2/2)
Abertura da poética de Ferreira Gullar através da busca de conceitos filosóficos nos diversos momentos de sua linguagem como experiência de percepção do mundo. Izabel Zielinsky, Célia Meirel-les, Dalva Bonatto, Jacqueline Santos, Marga Paradeda, Margit Lamachia, Maria Helena Schmitz, Noely Luft.
Sala Noé de Mello Freitas – CCCEV

Papo de índio: um encontro com Ailton Krenak
Contribuições indígenas para soluções dos problemas atuais.
Participantes: Ailton Krenak, Marília Raquel Albornoz Stein e Elaine Elisabetsky.
Sala Leste – Santander Cultural

18h

Imóveis Paredes: Como resumir, catalogar e precificar memórias
e eventos de uma
vida inteira em uma simples transação imobiliária?
Dilemas da vida moderna: Por qual valor entram no negocio os pés de bergamota, as parreiras e os butiás? Ou a lua nascendo bem na frente de sua poltrona. Resistir ou lutar?
Participantes: Miguel da Costa Franco e Tiago Holzmann da Silva.
Sala Oeste – Santander Cultural

Apresentação do projeto Livros na Mão, da Secretaria Municipal de Educação de Alvorada
Participam: escritores Marô Barbieri e Caio Riter e ilustradora Martina Schreiner
Casa do Pensamento

18h30

Chapeleiro’s Pocket Show
Jardim do Chapeleiro Maluco

O melhor das menores: pequenas narrativas por seus autores
Sarau dos alunos das oficinas de Cintia Moscovich e Pedro Gonzaga, com leituras de mini e micronarrativas elaboradas especialmente para a 61º edição da Feira do Livro de Porto Alegre.
Com Cintia Moscovich e Pedro Gonzaga
Auditório Barbosa Lessa

19h

Sonhos, memórias e inconsciente
O Neurocientista Sidarta Ribeiro apresenta seu livro.
Sidarta Ribeiro.
Sala Leste – Santander Cultural

Onde Vivem os Monstros, de Spike Jonze
Sessão de Cinema no Cine Santander Cultural

Colóquios de Inclusão
Bate-papo sobre o filme Cromossomo 21, do diretor Alex Duarte
Associação dos Familiares e Amigos do Down – AFAD (Porto Alegre)
Estação da Acessibilidade

19h30min

Direito humano à alimentação adequada : Diálogos sobre fome, erradicação da miséria , soberania alimentar com Edni Oscar Schereder e Aline Lima Bétio (Consea-RS), Gabriel Santos (Fesan-RS), Melissa Bargmann ( Ação da Cidadania RS), Reinaldo Santos e Rosani Silva ( Fórum Fome Zero de Porto Alegre).
Casa do Pensamento

20h

Os PoETs
A banda os PoETs apresenta músicas dos seus dois cds, além de inéditas.
Com Ricardo Silvestrin, Alexandre Brito e Ronald Augusto
Teatro Carlos Urbim

AUTÓGRAFOS

15h

Praça de Autógrafos:
Uma Luz na História
Caravela
Nina Tubino

16h

Memorial – Térreo:
2ª Guerra Mundial – Reflexos no Brasil
Evangraf
Hilda Flores

Praça de Autógrafos:
Descortinando Nomes EMEIS de Canoas
Edição independente
Iria M. Urnau

Sapatiras
Editora Motriz
Rafael

18h

Memorial – Térreo:
Nos Caminhos da Imprensa Rio-grandense e Brasileira / En los Camiños de la Prensa Riograndense y Brasileña
Martins Livreiro Editora
Alcy Cheuiche, org.

19h

Praça de Autógrafos:
Manoelito de Ornellas – Vida e Obra de um Ex-presidente da ARI
Editora Megalupe
Maria Alice da Silva Braga

Um Bardo Desgarrado – A Poesia Regionalista de Aureliano de Figueiredo Pinto
Olaria da Comunicação
Paulo Mendes

Comunicar-se, do solilóquio ao Conscienciês
Cornucópia da Palavra
Eucárdio Derrosso

Duda de Yorkshore em Família
Pacartes
Marisa B. Krás Borges

Encontros: Ailton Krenak
Azougue
Ailton Krenak

A Guerra de Cacimbinhas
Com Efeito
Luiz Antônio / Nikão Duarte

Dívidas de Gratidão
AGE Editora
Adroaldo Streck

O Bode Expiatório – Edição Especial
AGE Editora
Ari Riboldi

Três Planos Partidos
Editora Literária
Paulo Squeff Conceição

20h

Praça de Autógrafos:
Imóveis Paredes
Libretos
Miguel da Costa Franco

Limiar: Uma Década Entre o Cérebro e a Mente
Vieira & Lent
Sidarta Ribeiro

As Regras de Ouro da Nova Prospecção de Vendas
Evangraf
Paulo Gerhardt

A Cabana do Uruguai
Multifoco
Stéfano Mariotto de Moura

Integrantes do Programa de Alfabetização do CIEE visitam a Feira do Livro

Cidade Cultura Feira do Livro Notícias

Cerca de 40 integrantes do Programa de Alfabetização do Centro de Integração Empresa Escola do Rio Grande do Sul (CIEE-RS) visitarão a Feira do Livro de Porto Alegre na tarde desta segunda-feira, dia 09/11. Esta atividade cultural ocorre anualmente com os usuários participantes do Programa, visando a proporcionar uma proximidade maior com a leitura, seus autores e a integração entre os usuários de diversas unidades parceiras do CIEE-RS.

O grupo sairá do CIEE  Posto Borges de Medeiros, às 13h30min para se deslocar até o Santander Cultural a fim de assistir a palestra “Pílulas para a alma – Uma abordagem de como construímos a doença e a cura., com José Renato Soethe.

Logo após, cada educador social levará sua turma para a visitação à Feira, a fim de apreciar obras de autores da literatura brasileira.