Ricardo Boechat: um livro de memórias. Eduardo Barão e Pablo Fernandez resgatam 100 histórias de momentos emocionantes e divertidos dos quarenta anos de carreira do jornalista

Ricardo Boechat: um livro de memórias. Eduardo Barão e Pablo Fernandez resgatam 100 histórias de momentos emocionantes e divertidos dos quarenta anos de carreira do jornalista

Comunicação Destaque
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Barão com o livro que escreveu sobre o amigo.

Vencedor de 18 estatuetas do Prêmio Comunique-se e à frente do microfone da BandNews por 13 anos, Ricardo Boechat se consagrou como um dos jornalistas mais ácidos, eloquentes e bem-humorados do país. Dois de seus amigos mais próximos, Eduardo Barão e Pablo Fernandez, trazem 100 histórias que mostram o ser humano dedicado e o profissional exigente que ele foi em Eu sou Ricardo Boechat, livro oficial de memórias recém-lançado pela editora Panda Books. Com mais de quarenta anos de trabalho nos principais veículos de comunicação do país, Boechat descobriu no rádio, em 2005, a sua verdadeira vocação. Na obra, Barão e Pablo lembram que, empolgado com a interação que o rádio possibilita, Boechat muitas vezes divulgava seu número de celular para receber informações dos ouvintes. Em um dos relatos, vemos como (para o enlouquecimento dos diretores da rádio!) ele nunca respeitava o horário de fechamento dos programas, por sempre ter algo a mais para contar ou alguém a mais para ouvir. Nesse caso, a história não está no livro, mas Diego Casagrande e eu sofríamos com os atrasos do Boechat, Nosso programa na Bandnews Porto Alegre, entrava todos os dias  atrasado por causa do “estouro de tempo”provocado pelo Mestre em nível nacional. No dia dos aniversário de cinco da emissora, Boechat veio ancorar a programação conosco “ao vivo”do Chalé da Praça XV, um restaurante tradicional do Centro Histórico. Ele encerrou “a-tra-sa-do” como sempre. Imediatamente abri a programação local, olhei para ele e disse,

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Comemoração dos cinco anos da BandnewsPoa

“Boechat, nós temos um pedido para você.”

“Felipe, com esse tratamento que vocês estão me dando, peça o que quiser. Vou atender”

“Boechat, não estoura mais o programa.  A gente tem muita coisa na pauta e fica difícil porque os teus atrasos reduzem muito o nosso tempo local.”

“Felipe, você é um gentleman e por isso vou dizer claramente  – fez um pausa dramática  e soltou – neeeeeemmmmmm fudendo !!!”

 

Caímos na gargalhada os três s seguimos o programa. Ele foi uma das pessoas mais agradáveis que convivi no jornalismo. Entrava no ar pela manhã e não parava mais. Muitas vezes liguei para o celular dele e pedi que conversasse comigo na Band AM sobre fatos em andamento. “Vai ser curto?”, “Vai.”, eu respondia. Mas, o papo invariavelmente se estendia porque ele adorava conversar e agregar fatos e histórias. Após a morte do Boechat, ouvi muitos relatos de que ele tratava todo mundo igual, do presidente da República ao ouvinte mais simples, não concordo. Estive várias com ele e o melhor tratamento era dispensado aos mais humildes. Parava para ouvir todo mundo e quando entendia que ali havia uma história para contar se concentrava no relato da pessoa, deixando autoridades esperando. Boa, Boechat!
livroboeRicardo Boechat ganhou notoriedade e respeito por não ter papas na língua. Os autores dão exemplos de como o amigo não poupava críticas e denúncias, citando desde uma discussão acalorada com o pastor Silas Malafaia até a sua total indignação com a displicência com as vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), em janeiro de 2013. Em um dos momentos mais tocantes do livro, Barão e Pablo descrevem os bastidores da redação da BandNews FM no dia do trágico acidente de helicóptero que matou Ricardo Boechat. Com a equipe em choque, coube a Sheila Magalhães, diretora de jornalismo, dar a triste notícia. Até ali, eu não conhecia a Doce Veruska e a Dona Mercedes, por isso liguei para o Barão e tentei conversar com ele, de alguma forma eu sabia o que eles estavam passando. Nós vivemos em 2005, uma experiência semelhante na Band Porto Alegre, quando de forma trágica perdemos Bira Valdez. Barão me ouviu, choramos a distância, mas vida que segue, de algum lugar até hoje o “Toca o barco!”, ecoa nas nossas mentes. Coube ao Barão, ex-jogador de vôlei e chapeiro em uma rede de restaurantes fastfood, até encontrar sua vocação no jornalismo, substituir a “Matraca”, das nossas manhãs. Poucas vezes estive com o Barão, mas ele se transformou em um amigo, daqueles que só as ondas do rádio podem fazer. A gente mal conhece a figura, mas se sente íntimo. Por isso nesta segunda-feira vou a São Paulo dar um abraço nele no lançamento do livro. Barão é fera, nascido em São Paulo em 1981, está em rádio desde 1997. Dividiu o microfone da BandNews FM com Boechat por 13 anos e atualmente comanda o noticiário matutino da rádio com muito talento e sensibilidade. Não conheço o Pablo Fernandez, mas pelos relatos que recebo o editor-chefe dos programas matutinos da BandNews FM é vinho da mesma pipa do Boechat e Barão.
Eu sou Ricardo Boechat termina com uma comovente carta escrita pela mãe do jornalista, Mercedes Carrascal, que conta como foi passar o primeiro Dia das Mães sem o filho. O livro traz ainda um caderno de fotos que retrata muitos momentos importantes da vida de Boechat. A mulher do jornalista, Veruska (ou Doce Veruska, como ele costumava chamá-la) assina o prefácio, e ajuda a desmistificar a figura do marido, cujo objetivo de vida definiu como simplesmente ajudar o próximo.
TRECHO
“Ricardo Boechat era padrinho da filha do empresário Paulo Marinho com a atriz Maitê Proença, de quem se tornou grande amigo. Juntos, passaram por alguns perrengues, e um deles foi em 1987, quando Boechat era secretário estadual de Comunicação no Rio de Janeiro. Ficou apenas seis meses no cargo e dizia ter sido o pior período de sua vida. Na época, ele vivia na capital e os filhos em Niterói. Em um sábado de manhã, como não tinha carro, Boechat não pensou duas vezes e pediu o da Maitê – o mais novo e bonito que existia – emprestado. Era um Monza, fabricado pela General Motors (GM). Um dos mais desejados na época. Boechat vestiu bermuda e camiseta, calçou chinelos de dedo e pegou o volante para ver os filhos, com um pequeno detalhe: ele não tinha carteira de habilitação. E ele fazia isso desde os 15 anos. Na ponte Rio-Niterói, o Monza da Maitê Proença, sem a atriz, foi parado pela Polícia Rodoviária Federal. Naquela época, Boechat não aparecia na TV e, por isso, não tinha o rosto conhecido.

‘Por favor, a habilitação.’
‘Olha, seu guarda, eu não tenho, não’, disse Boechat.
‘Você não tem habilitação? Então sai do carro.’
O policial olhou-o de cima a baixo e perguntou:
‘Esse carro é seu?’
‘Não, não é meu. É da minha comadre’, afirmou.
‘Os documentos do carro. E como chama sua comadre?’
‘Maitê Proença.’ Isso no auge da carreira dela. (…)”
78891072_1179114792280092_3364850995149406208_nEU SOU RICARDO BOECHAT

Autores: Eduardo Barão e Pablo Fernandez| 224 pp.

14 X 21 cm | R$ 59,90

Editora: Panda Books

Assunto: jornalismo; crônicas, memórias

Jornalistas debatem educação no painel de abertura do Sesi com@Ciência

Jornalistas debatem educação no painel de abertura do Sesi com@Ciência

Comunicação Destaque Direito Educação

O painel de abertura do Sesi com@Ciência apresentou jornalistas de diferentes grupos de mídia do Rio Grande do Sul debatendo sobre novas iniciativas no campo do ensino. Com o tema ‘A Educação sob as lentes dos jornalistas: o que podemos esperar?’, os comunicadores Armando Burd, da Rede Pampa; Felipe Vieira, do SBT RS; Guilherme Kolling, do Jornal do Comércio; Oziris Marins, do Grupo Bandeirantes; Rosane de Oliveira, do grupo RBS, e Telmo Flor, do Correio do Povo, conversaram com o público na FIERGS analisando a perspectiva jornalística do tema.

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Encontro reuniu comunicadores de grupos de mídia do Rio Grande do Sul. Foto: Dudu Leal

Jornalista do SBT RS, Felipe Vieira abriu os trabalhos afirmando que a imprensa precisa valorizar mais a educação. “A realidade é essa: a imprensa trata muito mal a educação. Somos reativos. E não propositivos. Tem muita iniciativa legal neste evento. Circulem. Conversem com as crianças e verão uma série de projetos bem bacanas e muito bem elaborados”, frisou. Já Oziris Marins, jornalista do Grupo Bandeirantes, parabenizou a iniciativa e se disse surpreso com as boas práticas realizadas no espaço. “Dei uma volta pelo pavilhão junto dos meus colegas de painel e fiquei contente com o que vi. Esse modelo educacional do Sesi tem de ser observado com muito carinho pelos nossos governantes. É um caso de sucesso. Na Bandeirantes temos a premissa de mostrar o Rio Grande que dá certo e ideias como essas precisam ser difundidas”, disse.
Diretor de redação do Correio do Povo, Telmo Flor chamou a atenção do público para os extremismos quando se discute educação no país. “É hora de não perder tempo com tanto ódio. Muita gente fala sem ter o mínimo de fundamento. Precisamos estimular e propiciar locais de debates como esse. Precisamos falar e não gritar sobre o futuro e sobre um tema tão importante quanto esse”, enfatizou. Para o editor-chefe do Jornal do Comércio, Guilherme Kolling, chegou a hora de implementar tecnologia no ensino. “Temos de discutir uma reformulação no modelo educacional. Atualmente estamos conectados 24 horas à tela do smartphone e a educação não acompanha. Por isso, a imprensa tem papel fundamental na difusão desse novo mundo digital. De mostrar ao cidadão novidades e uma ampla gama para conhecer o que há de inovação”, avaliou.
Conforme o jornalista Armando Burd, da Rede Pampa, os laços educacionais estão cada dia mais deteriorados. “O professor não sente mais a gana de antigamente para lecionar. E isso é extremamente triste. Para a sociedade, para o profissional e para o aluno. Na minha infância os professores tinham prazer em dar aula e nós também em ter aquele momento com eles. Hoje falo com tristeza: essa relação se rompeu”. Por fim, a comentarista de política do Grupo RBS, Rosane de Oliveira, disse que é preciso valorizar os profissionais. “As escolas estão sucateadas. O Estado afirma não ter dinheiro para investir na base. Educação é a base de tudo. E não há educação sem a valorização do professor”, afirmou.
O painel foi uma das atrações do Sesi com@Ciência, um encontro com foco em educação que continua até essa terça-feira, 1º de outubro, no Centro de Eventos FIERGS, em Porto Alegre. Estudantes, docentes e pesquisadores, junto com a sociedade em geral, vão se reunir para expor, analisar e projetar o desenvolvimento do Brasil nesse tema. A expectativa é de mais de 10 mil participantes em todas as atividades nos dois dias, das 9h às 21h. Serão promovidos debates, vivências, apresentações, palestras e reflexões para o futuro.

Todas as atrações têm entrada franca. Confira em https://www.sesirs.org.br/evento/sesi-comciencia.

SBT Entrevista: Ratinho quer ampliar negócios no Rio Grande do Sul. Confira a entrevista de Felipe Vieira com Carlos Massa.

SBT Entrevista: Ratinho quer ampliar negócios no Rio Grande do Sul. Confira a entrevista de Felipe Vieira com Carlos Massa.

Comunicação Destaque Entrevistas Notícias

Após adquirir uma primeira emissora de Rádio no estado, o apresentador Ratinho, através de seu Grupo Massa, está de olho em novos investimentos para fazer no Rio Grande do Sul. Ratinho disse na entrevista para o SBT RS que pretende investir cada vez mais em rádios e televisão.

Veja aqui a entrevista completa

TV: BahTchê Papo! com Felipe Vieira celebra um ano conversando com Dunga sobre a conquista do Tetra Campeonato Mundial, família, responsabilidade social e outros assuntos

TV: BahTchê Papo! com Felipe Vieira celebra um ano conversando com Dunga sobre a conquista do Tetra Campeonato Mundial, família, responsabilidade social e outros assuntos

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David Coimbra na estreia do BahTchê Papo!

O programa BahTchê Papo! apresentado pelo jornalista Felipe Vieira, comemora um ano no ar neste domingo, 4. Para celebrar a data, o entrevistado será o Capitão do Tetra, Dunga. Os dois conversam à beira do Guaíba, sobre os 25 anos da conquista, responsabilidade social, amizade e outros assuntos. Carlos Caetano Bledorn Verri, nasceu em Ijuí, é treinador e ex-futebolista brasileiro que atuava como volante. Como jogador, sua maior conquista foi a Copa do Mundo de 1994, disputada nos Estados Unidos. Como treinador, comando o Internacional e a Seleção Brasileira, conquistando a Copa América de 2007 e a Copa das Confederações de 2009. Foi considerado pela revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. A atração irá ao ar às 21h pelo Canal Bah! TV.

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Tinga falou da vida após a carreira de jogador

Felipe Vieira estreou o BahTchê Papo! entrevistando em agosto de 2018 o jornalista David Coimbra, no Canal Bah!. Desde lá foram 51 entrevistados, sempre aos domingo, 21h, com reprises durante a semana na grade do canal. Personalidades do mundo político-empresarial: José Ivo Sartori, Marcel Van Hattem, Tenente Coronel Zucco, Valter Nagelstein, Luiz Carlos Busato, João Carlos Bona Garcia, Luís Augusto Lara, Gilberto Petry, Francisco Schardong, Eduardo Fernandez, Leonardo Fração, Ricardo Breier, Fabiano Dallazen, Nadine Anflor, Juvir Costella, Ricardo Sondermann, Roberto Rachewsky…; da Gastronomia: Carlos Kristensen e Clarice Chwartzmann; das Comunicações: Regina Lima, Cléber Benvegnú, José Antônio Pinheiro Machado, Xicão Toffani, Izan Petterle, Carlos Wagner…; do Futebol: Tinga e Luciano Hocsman; da Cultura: Beatriz Araujo, Antonio Villeroy, Ricardo Giuliani, Nicholas Bublitz, Bob Bahlis, Marco Aurélio Vasconcellos e Martim César…; Medicina: Renato Kalil e Fernando Lucchese; estiveram entre os entrevistados.

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Família esteve presente na conversa com Nelson

Felipe tem dúvidas sobre a entrevista que mais repercutiu nesse primeiro ano, “A sensação que tenho é que a conversa com Nelson Sirotsky foi a mais assistida. Todos tem muita curiosidade sobre o exercício do poder.”  Ele só lamenta que não tenha conseguido ler o livro “O Oitavo dia”antes da conversa com o empresário: “A obra chegou a Porto Alegre um dia antes e ele me deu um exemplar durante a gravação. Li depois e gostei muito do trabalho feito por Nelson e Letícia Wierzchowski.” Na entrevista, o ex-presidente do Grupo RBS falou sobre sua infância e a relação com o pai, Maurício Sirotsky, mídia e quarto poder. Mas, há outras que sempre são muito legais para o jornalista: “Eu tenho o maior orgulho de ser amigo do Tinga e aprender muito com ele a cada encontro. David CoimbraJosé Antônio Pinheiro Machado e suas histórias foram entrevistas muito legais e emocionantes. Também aprendo sobre vida e os mais diversos assuntos quando converso com figuras como Dr.Fernando Lucchese, Gilberto Simões Pires e Roberto Rachewsky. É bom pode registrar essas conversas e ensinamentos em um programa que se propõe a ser um bate-papo.”

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Nadine Anflor, primeira mulher Chefe de Polícia

Segundo Felipe, a ideia de fazer um programa plural, sem pauta específica, foi cumprida até aqui. “Eu gosto de variar os temas e procurei contar boas histórias. Algumas de pessoas conhecidas outras de jovens talentosos e empreendedores como Aline Deparis, Weslei Felix Ajarda e João Pedro Petek. De quem muito se ouvirá falar”, comenta o jornalista. Para o diretor do Canal Bah!, Zento Kulczynski, é muito bom um programa como o Bah Tchê Papo! “Buscamos e isto significa ter na nossa grade entrevistas de qualidade como as apresentadas pelo jornalista Felipe Vieira, que a cada semana traz depoimentos de personalidades importantes em seus setores”, ressalta o diretor. Felipe anuncia que o próprio Zento será um dos próximos entrevistados do programa, “Ele vai falar sobre o BahTV, mas também vamos revelar o que ele fazia antes de trabalhar em comunicação. Acho que muito pouca gente sabe ou lembra.”, diz o apresentador se negando a falar mais sobre a entrevista.

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Vestido a rigor para entrevistar o Anonymous

A pauta e os convites para o programa são feitos por Felipe Vieira, que faz questão de destacar a importância de ser dirigido por Ricardo Orlandini: “Ele sempre tem histórias e dicas preciosas que enriquecem o BahTchê Papo! O programa pode ser visto nos canais 20 e 520 da NET-RS, e para a região do Vale dos Sinos no 26 e 526. A atração é transmitida nas cidades de Porto Alegre, Alvorada, Viamão, Cachoeirinha, Gravataí, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha, Sapiranga, Campo Bom, Bento Gonçalves, Farroupilha, Santa Cruz do Sul, Cruz Alta, Uruguaiana, Capão Novo, Capão da Canoa, Atlântida, Remanso e Xangri-lá.

A programação também pode ser acompanhada, em tempo real, pelo site www.bahtv.com.br e todas entrevistas estão disponíveis no Canal do jornalista Felipe Vieira no YouTube.

RS: Ministério Público de Contas entrega Comenda Guilhermino Cesar a jornalistas e defende a liberdade de expressão

RS: Ministério Público de Contas entrega Comenda Guilhermino Cesar a jornalistas e defende a liberdade de expressão

Comunicação Destaque Direito

O Ministério Público de Contas do RS, entregou nesta quinta-feira a Comenda Ministro Guilhermino Cesar pela liberdade de expressão. a jornalistas com atuação relacionado ao controle e transparência na administração pública. O mineiro Guilhermino Cesar, que leva o nome da premiação viveu 50 anos em Porto Alegre e atuou como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, jornalista, escritor, professor da Ufrgs e teve forte participação na comunidade cultural de Porto Alegre.

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Marcelo Rech Foto: MPC

Foram agraciados os jornalistas: Marcelo Rech, Telmo Flor, Juremir Machado da Silva, Taline Oppitz, Graciliano Rocha, Fernando Albrecht, Elmar Bones, Leandro Demori, Adriana Irion, André Machado, Carlos Etchichury, Paulo Sérgio Pìnto e Felipe Vieira. O presidente da Associação Nacional de Jornais, Marcelo Rech, falou em nome dos jornalistas e lembrou a frase dita há mais de um século por Louis Brandeis, ex-juiz da Suprema Corte dos EUA, “O melhor desinfetante é a luz do sol.”.

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Geraldo Da Camino Foto: MPC

Segundo o procurador geral do MPC-RS, Geraldo Da Camino, “O Ministério Público de Contas e a imprensa são parceiros no controle da administração pública, ao lado da sociedade civil. Vivemos em um momento, no mundo e no Brasil, de ameaças à liberdade de expressão, então, o MPC achou oportuno, na véspera do dia da liberdade de imprensa, homenagear alguns dos tantos jornalistas que tem colaborado com a instituição e com a sociedade no controle da administração”.

Opinião: O COAF é uma peça do estado policialesco; por Roberto Rachewsky*

Opinião: O COAF é uma peça do estado policialesco; por Roberto Rachewsky*

Artigos Destaque Economia Educação Opinião

O COAF é um dos inúmeros subprodutos da mentalidade coletivista estatista que assola o mundo.

Ele existe porque o governo acha que liberdade e privacidade se subordinam à vigilância e segurança.

Claro, vigilância e segurança dele, o governo.

O governo quer saber o que fazemos com o que é nosso porque, como ele mesmo tem muito poder para intervir nas nossas relações, se dá ao luxo de seguir o dinheiro para ver quem não está dentro dos conformes estabelecidos por ele mesmo.

Sob o pretexto de combater o terrorismo, a corrupção dos agentes do próprio governo e o enriquecimento ilícito, ele quer também, principalmente, xeretar na vida das pessoas e combater o tráfico de drogas, a sonegação fiscal e mesmo o enriquecimento privado do qual o governo sempre ambiciona um naco.

Terrorismo e corrupção são as únicas atividades violentas nesse rol, as demais são indivíduos ou grupo de indivíduos interagindo para produzir, comerciar ou consumir o que contratam livremente.

Só a existência do COAF, de leis que obrigam os bancos e outras instituições a informarem o que deveriam manter sob sigilo, mostra que vivemos num estado de sítio, onde os direitos individuais, entre os quais à liberdade e à propriedade, são violados sistematicamente.

Interessante é saber que a sociedade não apenas não crítica a existência dessa aberração cívica, como a aplaude.

De novo, não se resolve problemas como corrupção ou enriquecimento ilícito atuando sobre as consequências, devemos tratar das causas, entre elas, a necessidade da redução drástica dos poderes do estado para proteger nossos direitos.

O COAF é mais um enxugador de gelo que ajuda a produzir água congelada.

O dia em que uma investigação criminal batesse à porta de um banco, caberia aos investigadores obterem autorização judicial para vasculharem o que estivesse relacionado com o crime investigado. Isso é estado de direito. Qualquer coisa fora disso, é estado policialesco.

Discussão profunda não é se o COAF vai ficar com A ou B. Devemos discutir se o COAF deveria existir, se tem valor, para quem e para o quê.

Roberto-Rachewsky*Roberto Rachewsky, Empresário

 

 

 

 

ASSISTA: Liberalismo – o empresário Roberto Rachewsky no Programa BahTchêPapo com Felipe Vieira

ASSISTA: 21h30/TVU: Felipe Vieira entrevista Roberto Rachewsky, um liberal em Cuba

 

 

 

Governo pretende digitalizar mais de mil serviços para a população

Governo pretende digitalizar mais de mil serviços para a população

Comunicação Destaque Notícias

Para dar sequência à proposta de simplificar os serviços ao cidadão, o governo federal firmou ontem (21) com a Dinamarca um acordo para aprender boas práticas de digitalização e desburocratização de serviços. O objetivo é descobrir a melhor forma de economizar e facilitar o acesso das pessoas a serviços essenciais.

“Nós temos hoje no Brasil a questão do pagamento de impostos federais, estaduais e municipais, temos uma burocracia regulatória muito grande. E isso dificulta muito a vida dos empresários e empreendedores e impacta na geração de emprego, renda e oportunidades. Então, certamente é uma área em que temos muito a melhorar”, disse o secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Paulo Uebel.

Segundo Uebel, a meta do governo federal é digitalizar mais de mil serviços em dois anos. Ele disse, porém, que a sociedade poderá sentir a diferença bem antes, em cerca de um ano. Algo que já mudou, segundo ele, foi o certificado internacional de vacinação, necessário para viagens ao exterior. Antes, era preciso ir ao aeroporto fazer a requisição e depois voltar lá para buscar o documento, tarefa que não é tão simples para quem não mora perto do aeroporto.

“Hoje você pode fazer sem sair de casa. Precisamos pegar esse mesmo exemplo e levar para outras áreas, principalmente aquelas que afetam a vida das pessoas mais vulneráveis, o dia a dia do trabalhador, dos aposentados”, disse Uebel.

O embaixador da Dinamarca no Brasil, Nicolai Prytz, reconhece que as realidades dos dois países são diferentes – enquanto o país europeu tem pouco mais de 5 milhões de habitantes, o Brasil passa de 200 milhões –, mas diz que é possível o Brasil tirar lições úteis.

Atualmente, a Dinamarca é lidera o ranking dos países com maior índice de digitalização do mundo. Segundo Prytz, foi um caminho longo, de 15 anos, até o país chegar ao patamar atual. “Nosso caminho não foi fácil. Hoje somos líderes mundiais em [matéria de] governo digital, mas a gente cometeu muitos erros no caminho. Então, queremos dividir nossas experiências com o governo brasileiro. Porque vocês podem não cometer os mesmos erros que nós”, disse o embaixador.

Ele afirmou ainda que existem exemplos aplicáveis à realidade brasileira e que o país “sairá ganhando” se adotar as mesmas práticas. “O Brasil vê as vantagens nisso, tanto na economia quando no combate à corrupção. Ele sairá ganhando se seguir esse caminho, com certeza.”

A cooperação entre os dois países no setor de inovação vem desde 2015 e a transformação digital é o início da segunda etapa desse projeto, junto com o fortalecimento das competências na área de direitos de propriedade intelectual no Brasil. De acordo com o presidente do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), Cláudio Furtado, a quantidade de registros vem aumentando desde o ano passado, e a ideia é mais do que dobrar.

“Já estamos processando 2.500 registros de software por ano em um prazo médio de sete dias corridos para cada decisão. E nós temos uma meta ambiciosa para 2021, de processar 6 mil registros de software por ano”, acrescentou Furtado. (Agência Brasil)

Feliz aniversário Rádio Sobral !! A Voz da Região Carbonífera completa 40 anos no ar e de alguma forma eu também

Feliz aniversário Rádio Sobral !! A Voz da Região Carbonífera completa 40 anos no ar e de alguma forma eu também

Comunicação Destaque

 

No fim do ano de 1978, Butiá foi agitada pelo início dos testes experimentais da novidade, e eu deixava um radinho de pilha  com o “dial cravado” no 1140 AM. Não importava se havia ou não transmissão, o aparelho ficava ligado. D. Ilda não gostava muito: “Desliga isso, tá  gastando pilha. Dinheiro não dá em árvore”. De tempos em tempos, o silêncio era quebrado por algum teste, na maioria das vezes, o som de um vinil do Harpo tocando “San Franciscan Nights” ecoava pela casa. Cada vez que ouço a canção, lembro imediatamente da “Voz da Região Carbonífera”. Veio o natal, a virada de ano e finalmente, no dia 16 de janeiro de 1979, às 6h da manhã, a Rádio Sobral entrou no ar com o Programa Roda de Chimarrão, comandado pelo grande Heron Oliveira. Claro que naquele dia, diferente de todos outros da minha vida, acordei feliz às 05h50.

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Trabalhando na cobertura do encontro A Região Carbonífera em luta pelo mercado de carvão da Jacuí I, Clube Butiá, 21/12/90.

A rádio tinha uma programação totalmente popular, com a participação dos ouvintes pelo telefone. Naquela época, Butiá tinha cerca de 15 mil habitantes e 250 telefones de magneto. O sistema chamado de magneto funcionava com uma fonte de alimentação, sempre próxima ao equipamento para alimentar a transmissão de voz. A gente tirava o “telefone de gancho” e uma corrente elétrica era produzida, acionando a telefonista de plantão na CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações), que conectava os usuários com quem eles queriam conversar. Pois Seu Romeu era o feliz proprietário de um telefone, e o filho dele, um louco por participar. Inaugurei a interatividade da emissora.

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Greve da Busato, 1986: Grevistas espalharam “miguelitos”, com dois pneus furados e sem macaco, a solução foi levantar o carro na mão.

Heron, Luis Carlos Oliveira, Sérgio Fernandes, Alfeu Oliveira… todos promoviam um “quiz”, e lá ia eu responder. Como eram perguntas fáceis, o índice de acerto era alto, e eu, um aficionado pela rádio, me tornei um inconveniente ou, no popular, uma mala sem alça. Foi então que, em meados de fevereiro, me chamaram na Sobral, fizeram vários elogios e, para me afastar do telefone, propuseram que eu virasse uma espécie de “repórter mirim”. Aos 13 anos, eu iria cobrir os eventos esportivos da quadra da Brigada Militar, onde a gurizada jogava futebol de salão, e relataria na programação esportiva noturna chefiada pelo sargento Brasil de Oliveira Lucas. Convite feito, convite aceito. Missão dada, missão cumprida.

O vírus do rádio estava inoculado, e eu nunca quis saber de vacina para ele. Aos 16 anos, me tornei operador de áudio – como aprendiz do Pedro Rosa – e aí uma história curiosa: na primeira semana, José de Oliveira me levou para uma transmissão externa, com o objetivo de ensinar a montar os aparelhos que permitiam realizar programas de fora do estúdio. Era um sábado, e as Lojas Lebes haviam comprado uma ação de merchandising. O âncora da rádio se deslocava até a filial e lá entrevistava clientes e falava nas ofertas. Fomos para o local, e nada do colega chegar. O pessoal na sede começou a ficar nervoso. Uma série de intervenções teriam que ser feitas e não daria tempo porque havia uma jornada esportiva pela frente. O Zé me explicou o que estava acontecendo, e eu disse que faria. Ele parou, pensou… e como não tinha mais ninguém, vai tu mesmo. Fiz, fui elogiado e nunca mais deixei o microfone. Hoje, sou apresentador do SBT Rio Grande – Segunda Edição, adoro TV, mas sigo apaixonado pelo rádio.

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Transmitindo um pronunciamento do diretor da CRM, Jorge Gavronski.

Da Sobral, fui para a Charqueadas FM e, de lá, para a RBS ( Rádios Gaúcha, CBN e Itapema FM, RBS TV e TVCOM), a Band RS (Rádios Band AM, Bandnews FM e Band TV) e a Rádio Guaíba, onde apresentei um dos programas de maior credibilidade e longevidade do rádio brasileiro, o “Agora”. Aquele menino que escutava a Guaíba na casa do tio João enquanto ele lia o velho Correio do Povo fez o programa do Flávio Alcaraz Gomes, Adroaldo Streck, Amir Domingues… trabalhou com Ranzolin, Ruy, Lauro, Belmonte, Lasier, Copstein, Glênio Reis, Paulo Denis… e, bem ou mal, em maior ou menor grau, substituí todos eles.

Eu não seria quem sou se não fosse a emissora fundada pelo Padre Frederico Antonio Assmann, Zeferino Gonçalves, Romeu Carlos Leite, Walter Coiado e vários outros sócios que formaram a Sociedade Butiaense de Radiodifusão Ltda. No início, sua potência era de 250w, passou para 1 Kw e atualmente tem a potência de 2 Kw, atingindo além de Butiá as cidades de Minas do Leão, Arroio dos Ratos, São Jerônimo, Charqueadas, Eldorado do Sul, Barão do Triunfo, General Câmara, Triunfo, Venâncio Aires, Taquari, Estrela, Pantano Grande, Encruzilhada do Sul,  Rio Pardo e on-line em qualquer lugar do planeta. Quarenta anos após sua fundação a emissora continua firme e forte sob o comando de Antonio Correa (Jajá) e Francisco Garcia (Quico), cumprindo com o que uma emissora regional tem que fazer: informar o seu público sobre o que acontece na comunidade.

 

Hoje, a Rádio Sobral completa 40 anos de comunicação e, de alguma forma, eu também.

 

 

 

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Estúdio antigo, antena de transmissão e prédio da Sobral. Fotos: Facebook da Rádio Sobral
Emoção na entrega da Medalha Alberto André 2018 pela Associação Riograndense de Imprensa

Emoção na entrega da Medalha Alberto André 2018 pela Associação Riograndense de Imprensa

Comunicação Destaque Poder Porto Alegre

Com o Salão Nobre lotado, a ARI entregou a Medalha Alberto André a 11 jornalistas, na noite de 10 de dezembro. Ruy Carlos Ostermann e João Egydio Gamboa foram os decanos homenageados, junto a outros nove profissionais, Adriana Irion, Felipe Vieira, Ana Cássia Hennrich, Carla Seabra, Renato Panatieri, Wilson Rosa, Carlinhos Rodrigues, Luiz Artur Ferraretto e Alice Bastos Neves. O clima foi de reencontros e homenagens individuais a diversas pessoas que se misturavam a mestres e colegas de várias épocas.

O professor Ruy Carlos Ostermann destacou que o jornalismo lhe deu a oportunidade de praticar muitas atividades, mas a principal delas foi fazer amigos. Luiz Artur Ferraretto registrou a honra em receber a medalha justamente ao lado do professor Ruy, com quem trabalhou e pesquisou sobre a história do rádio gaúcho, e com o legado de Alberto André a quem entrevistou muitas vezes. Alice Bastos Neves e Adriana Irion destacaram a distinção como uma homenagem ímpar em suas carreiras. Renato Panatieri, Carlinhos Rodrigues e Ana Cássia Hennrich citaram suas ligações históricas com a ARI e seus dirigentes de várias épocas. Carla Seabra, Wilson Rosa e Felipe Vieira foram unânimes em agradecer seus professores e colegas da ARI. Felipe Vieira disse que a medalha era uma honra maior ainda por ser recebida ao lado do grande homenageado Ruy Carlos Ostermann. O presidente do Inter Marcelo Medeiros presenteou a ARI com uma camiseta do Internacional alusiva aos 83 anos da ARI. Diversos jornalistas consagrados estiveram presentes entre eles Flávio Tavares, Carlos Bastos e Ivo Czamanski.

O presidente da ARI destacou a colaboração de sua diretoria durante o ano de 2018 e reforçou que a Casa do Jornalista é a casa da amizade, reconhecendo o trabalho de colegas que fizeram e fazem a história da entidade  fundada em 1935. Na oportunidade convidou os associados a prestigiarem a associação que completa dezoito meses de nova diretoria, com vários projetos para 2019. No calendário de 2018 há a entrega do Prêmio ARI dia 19/12.

Participaram da entrega das medalhas aos onze agraciados a vice-presidente Cristiane Finger e o presidente do Conselho Deliberativo João Batista de Melo Filho e os diretores Antônio Goulart, Flavio Dutra, Mario Rocha, Nilson Souza, Thamara de Costa Pereira, Ayres Cerutti, José Nunes e a homenageada de 2017  Alice Urbim.

A cerimônia foi conduzida pelos jornalistas Daniela Sallet e Antônio Czamanski e contou com a participação da banda Deadline com Ricardo Azeredo, Elio Bandeira e Daniel Soares. (ARI)

Medalha Alberto André?!! Obrigado ARI !! Que responsabilidade e coroamento para 2018

Medalha Alberto André?!! Obrigado ARI !! Que responsabilidade e coroamento para 2018

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“Pelo jornalismo faria tudo de novo”, a frase é de Alberto André, poderia ser minha ou de milhares de outros apaixonados pela profissão que escolhemos. O ano de 2018, já tinha entrado para minha vida profissional, com a volta ao comando de um telejornal, o SBT Rio Grande – Segunda Edição. O desafio proposto pelo gerente de jornalismo da emissora, Danilo Teixeira, me encantou e acredito que estejamos no rumo certo. A busca da qualidade é uma obsessão diária da equipe e a resposta dos telespectadores, mostra uma audiência crescente no programa que apresento com Luciane Kohlmann,  ou seja estamos acertando mais que errando. Nem tudo é perfeito, a ida para o SBT me tirou do veículo Rádio – o que espero seja temporário -, sinto saudade da interatividade dos ouvintes. A compensação vem através de encontros com o público nas minhas andanças pelas ruas, no Zaffari da Otto, no açougue do Zanini, no Beira-Rio… e algumas vezes em forma de troféus e medalhas. Fiquei muito contente ao receber o Prêmio Press de Melhor Apresentador de TV 2018, eu estava afastado da televisão aberta – por vontade própria -, desde 2012. Já havia conquistado a premiação 7 vezes, mas esse ano teve um “gosto especial”, ainda mais que minha indicação foi feito pelos colegas de profissão. No segundo semestre incentivado por Guaracy Andrade, Ricardo Orlandini e Zento Kulczynski colocamos no ar, no BAH TV, o programa de entrevistas BahTchêPapo! que tem me oportunizado conversar com personalidades gaúchas. Por tudo isso, o ano profissional já seria maravilhoso.

Todavia, o ano só termina dia 31 de dezembro, eis que para coroar 2018, recebo o telefonema do meu professor e amigo, Luiz Adolfo Lino de Souza, presidente da nossa ARI – Associação Riograndense de Imprensa -,  comunicando que serei um dos homenageados com a medalha Alberto André. Quem me conhece sabe o que aconteceu pós despedida do Luiz Adolfo, chorei de alegria e emoção. Receber uma honraria de uma entidade do tamanho e história da nossa ARI e entrar para um seleto grupo onde estão grandes profissionais e amigos como: Alice Urbim, André Machado, Edieni Ferigollo, Enir Grigol, Eugenio Bortolon, Ivete Brandalise, Marques Leonam, Patrícia Comunello, Rosane de Oliveira e Walter Galvani; me deixa contente demais. Lembro daquele 16 de janeiro de 1979, inauguração da Rádio Sobral / Butiá, que mudou minha vida. Sim,  na quarta-feira, 16 de janeiro de 2019, se completarão 40 anos da primeira vez que falei em uma Rádio,  ainda como ouvinte. Mas logo depois em fevereiro de 1979, eu já atuava à convite de Heron oliveira, como repórter mirim na programação esportiva comandada por Brasil Oliveira Lucas. Aos 13 anos, o “vírus da comunicação” entrou pelo ouvido e tomou conta do corpo inteiro. Nunca me curei da “doença” e espero literalmente morrer trabalhando em jornalismo e comunicação, ativo como o homem que da nome a medalha que receberei.

imageConvivi pouco, mas o suficiente para conhecer a retidão, o caráter e a paixão pelo jornalismo de Alberto André. Por isso, a honra de receber uma distinção destas me deixa com a responsabilidade de tentar todos os dias fazer um jornalismo ético e de relevância para quem acompanha o meu trabalho. Em 29 de dezembro de 2015, o jornalista e pesquisador da Comunicação Social, Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite, na edição 883 do Observatório da Imprensa, resumiu assim a vida de um dos grandes jornalistas do Rio Grande do Sul, cujo centenário de nascimento havia acontecido dia 02 de dezembro de 2015:

Há 100 anos, no dia 2 de dezembro de 1915, sob o signo de Sagitário, nascia um dos maiores expoentes do jornalismo gaúcho: Alberto André (1915 – 2001). Filho dos imigrantes libaneses, Miguel e Sada André, ele nasceu em Porto Alegre. Ao longo de sua existência, desenvolveu um importante trabalho no campo do jornalismo, da política e da cultura, destacando-se como um exemplo de cidadania, dedicação e amor por sua terra.

Embora seu pai o incentivasse a formar-se em Medicina, Alberto André já sonhava, desde cedo, com o universo de uma sala de redação. Sua base educacional foi construída na Escola Lassalista de São João, no Colégio das Dores e no Colégio Júlio de Castilhos.

O profissional do jornalismo

Em 1936, começou a trabalhar na Rádio Sociedade Gaúcha, com o apoio do diretor da emissora, Nilo Ruschel (1911-1975), tendo apenas cinco minutos, duas vezes por semana, para falar acerca dos problemas de Porto Alegre, à qual devotou um amor incondicional. No ano seguinte, iniciaria sua vida acadêmica no Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mas sem abandonar sua paixão pelo jornalismo.

A sua primeira experiência na redação de um periódico foi no Jornal da Noite. Tratava-se de um jornal vespertino e político, sob a orientação de Flores da Cunha (1880-1959) e seu Partido Republicano Liberal. Com a criação do Estado Novo (1937-1945), o periódico encerrou a sua circulação. Nele, Alberto André redigia matérias muito ricas sobre a cidade de Porto Alegre.

Ainda em 1937, começou a trabalhar no jornal A Nação que pertencia à Tipografia do Centro e à Cúria Metropolitana de Porto Alegre, ganhando experiência em assuntos internacionais. Nesse período, ele teve o primeiro contato com a violência de origem ideológica contra a imprensa. O jornal A Nação, de origem germânica, acabou, em 1942, sendo depredado durante a II Guerra Mundial. Este episódio ficou conhecido, em nosso jornalismo, como a “Noite do Quebra-Quebra”. Alberto André trabalhou também no Correio da Noite, na Agência Brasileira de Notícias e colaborou no jornal, ligado ao Partido Libertador, O Estado do Rio Grande, fundado, em 1929, pelo médico e jornalista Raul Pilla (1892-1973).

O Estado Novo de Getúlio Vargas e o jornalismo

Em 1940, Alberto André recebeu o convite de Manoelito de Ornellas (1903-1969) – figura de destaque em nossas letras – para trabalhar como censor de notícias sobre a II Guerra Mundial (1939-1945), do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda, ligado Alberto-Andreao DIP. A princípio isso parece ir de encontro a sua figura democrática, porém, como censor, poupou jornais de empastelamento e avisou colegas acerca do risco de uma prisão iminente. A liberdade de informação foi o foco e a razão principal de sua carreira, como jornalista, ao longo dos anos.

Em 1941, Alberto André passou a lecionar Contabilidade no Colégio Nossa Senhora do Rosário. Na condição de professor, Alberto André assumiu a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas, um dos núcleos da futura PUCRS, lecionando em várias matérias durante 45 anos.

O jornalista do Correio do Povo

No ano em que ocorreu a famosa “Enchente de 41”, inundando de forma trágica a cidade, Alberto André se casou com Lourdes Cafruni, cuja união permaneceu sólida até a sua morte em 2001. O casal teve três filhos: Marlene (já falecida), Roberto e Fernando. Em 1941, Alberto André ingressou na redação do mais antigo e tradicional jornal da capital gaúcha, o Correio do Povo, onde trabalhou por 43 anos, atuando também como articulista na Folha da Tarde e na Folha da Tarde Esportiva que pertenciam à Empresa Jornalística Caldas Júnior. De 1942 a 1956 era Alberto André que dava a ordem para a rodagem do Correio do Povo. No ano de 1941, publicou o seu primeiro livro: Aspectos da Vida Internacional, pela Editora A Nação.

O presidente da ARI e sua visão democrática

Em 1943, formou-se em Direito pela UFRGS, atuando, por 15 anos, nessa área. Cinco anos depois, ele se filiou à Associação Riograndense de Imprensa (ARI), ocupando alguns cargos administrativos. Devido à insistência dos amigos da redação do Correio do Povo, Alberto André se candidatou à presidência da ARI, em 1956, e ganhou de forma excepcional o pleito por um voto de diferença. Dirigiu a entidade por 34 anos, posto no qual enfrentou o período do regime militar (1964-1985), auxiliando, principalmente, durante “os anos de chumbo” vários jornalistas e intelectuais, a exemplo de Flávio Tavares e Reinaldo Moura (1900-1965), então, diretor da Biblioteca pública do Estado, a escapar dos tentáculos do regime de força e repressão que havia se estabelecido no Brasil em 1964. Neste ano de 2015, no dia 19 de dezembro, a ARI comemora 80 anos de existência.

O homem político

Eleito, em 1951, para a Câmara Municipal de Porto Alegre, foi reeleito três vezes seguidas até 1963. Na condição de vereador, dedicou-se a buscar soluções para os problemas urbanos e sociais da nossa cidade, considerando isso um dever ético. Ainda em 1956, consegue seu registro, como professor, na Secretaria de Educação. Elege-se também para deputado estadual, no período de 56/60, exercendo o cargo por apenas dois meses. No ano seguinte, assumiu o cargo de Delegado Conselheiro da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), permanecendo por dois anos. Nesse ano, publicou o livro Coletânea de Legislação Tributária Municipal pela Editora Sulina.

O professor universitário

No ano de 1962, Alberto André começou a lecionar na cadeira de Direito Aplicado à Economia na Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, aposentando-se ao completar 70 anos, após 31 anos de trabalho como professor adjunto e chefe de departamento dessa universidade Ainda, em 1962, ele assumiu a presidência da Câmara Municipal de Porto Alegre, exercendo, com dignidade e altruísmo, essa importante função.

Em 1966, Alberto André é homenageado com a Medalha do Porto de Bremen na Alemanha Ocidental, que havia visitado em 1956. Um ano depois, publica, pela Editora Sulina, o livro Alemanha Hoje, no qual narra as duas viagens que fez a esse país.

No ano em que o Brasil ganhou a Copa Jules Rimet, em 1970, ele é escolhido, para assumir a direção da Faculdade dos Meios de Comunicação Social da PUCRS (Famecos). Ele permaneceu no cargo função até o ano de 1975. Ainda nesse ano, publica Ética e Códigos da Comunicação nos Cadernos de Comunicação da PUCRS. Em 1972, recebe o prêmio Destaques do Diário de Notícias e Medalha da Assembleia Legislativa. Passados dois anos, recebe o título de Comendador da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) / Secção Rio grande do Sul.

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Medalha Alberto André: ​Alice Urbim, André Machado, Edieni Ferigollo, Enir Grigol, Eugenio Bortolon, Ivete Brandalise, Marques Leonam, Patrícia Comunello, Rosane de Oliveira e Walter Galvani já receberam a homenagem Foto Luiz Ávila

O apoiador cultural

Durante o período nevrálgico da nossa política, que sucedeu ao golpe militar de 64, ele se envolveu em campanhas de interesse público, a exemplo da criação do Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa (Musecom), em 10 de setembro de 1974, em plena ditadura militar. O jornalista Sérgio Dillenburg – fundador e idealizador dessa instituição – teve o apoio incondicional da ARI e de seu presidente, em exercício, o jornalista e escritor Alberto André. Essa instituição prestou a sua homenagem, criando, no espaço do Musecom, a Sala Alberto André, na qual ocorrem diversos eventos culturais ligados à Comunicação. A campanha, para que fosse criada também a Casa de Cultura Mário Quintana, no prédio em que funcionou o famoso Hotel Majestic e morou o nosso poeta maior, teve a fundamental participação de Alberto André, então, representante da ARI no Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre,

Porto Alegre reconhece Alberto André

No ano de 1977, Alberto André recebe o título de professor Emérito da PUC, Ao iniciar a década de 80, Alberto André é agraciado com o título de Cidadão Emérito de Porto Alegre – fato que se repetiu em 1982.

Em 1980, é também escolhido Membro do Conselho Municipal do Plano Diretor de Porto Alegre, além de ser eleito chefe de Departamento de Direito Econômico e do Trabalho da UFRGS, aposentando-se em 1985. Em 1988, ele é homenageado como Patrono da 34ª Feira do Livro de Porto Alegre, em reconhecimento pelo seu trabalho, em prol da cultura gaúcha, e também por ter oficializado, por meio da criação de uma lei, esse tradicional evento cultural a céu aberto, criado, em 1955, pelo jornalista Say Marques do Diário de Notícias. A Feira do Livro ocorre, anualmente, na Praça da Alfândega no centro da capital gaúcha.

Em 1992, Alberto André publica 50 anos de imprensa, pela Editora FEPLAM. Um ano depois, ele recebe o título de Patrono das Agências de Propaganda do Rio Grande do Sul. Em 1995, o Jockey Club institui o Páreo Alberto André, sendo sua figura escolhida Decano dos Jornalistas do RS. O jornalista é homenageado pela Biblioteca da Câmara Municipal de Porto Alegre, cujo nome é Alberto André, localizando-se no terceiro andar do Legislativo.

Alberto André teve uma trajetória profissional notável, cuja palavra escrita foi utilizada, como instrumento, para o bem social e engrandecimento da cidade de Porto Alegre e do nosso estado. Esse exemplar profissional desenvolveu tantas atividades, no decorrer de sua existência, que é impossível enumerá-las nesse breve texto. A intenção, que me moveu a escrever, acerca da vida desse importante jornalista, foi a de prestar uma homenagem em seu centenário de nascimento. Alberto André fez escola, em nosso jornalismo, pela sua postura ética e tão cosmopolita em sua forma de pensar, ver e atuar como cidadão.

A presença do presidente Alberto André, na Associação Riograndense de Imprensa, foi tão marcante e significativa que recebeu o apelido de “Seu ARI”. Embora tenha se aposentado, ele jamais deixou de colaborar com artigos para jornais de todo o Rio Grande do Sul, escrevendo em sua velha e companheira máquina de escrever Remington.

A morte do ícone

O presidente de Honra e do Conselho Deliberativo da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) faleceu, em 06 de setembro de 2001, em sua residência, devido a uma insuficiência hepática, após anos de dedicação ao jornalismo, ao magistério, à advocacia e à política. Seu velório ocorreu na Assembleia Legislativa do Estado. O prefeito de Porto Alegre, na época, Tarso Genro assinou o decreto N° 13.379, determinando luto oficial, por três dias, na capital gaúcha.

Em abril de 2010, A Associação Riograndense de Imprensa (ARI), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), inaugurou o Laboratório de Recuperação do Acervo que contempla a vida e o legado cultural do Jornalista Alberto André.

O amor pelo jornalismo, que está presente em sua alma, não desapareceu com sua morte, aos 85 anos, pois, com certeza, transcende, noutra dimensão, o seu legado cultural e a intensa influência de seu trabalho na área da Comunicação Social, eternizado em sua amada Porto Alegre.

A medalha será recebida em conjunto com outros colegas – que ainda não tive acesso aos nomes -, pois muitos estão sendo comunicados da homenagem hoje. A cerimônia acontece na próxima segunda-feira(10.12.2018 ), na sede da ARI, em Porto Alegre.