Demora na indicação do Governo Sartori para o TCE causa impasse com o PDT; por Voltaire Porto/Rádio Guaíba

Demora na indicação do Governo Sartori para o TCE causa impasse com o PDT; por Voltaire Porto/Rádio Guaíba

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O presidente estadual do PDT e deputado federal Pompeo de Matos se divide entre o processo de impeachment da presidente Dilma, em Brasília, e a administração de um impasse que envolve os trabalhistas e o governo Sartori, no Rio Grande do Sul. Depois de confirmar ontem que o secretário de Obras, Saneamento e Habitação, Gerson Burmann, vai deixar a Pasta para retornar à Assembleia como deputado estadual, o dirigente sugere que esse pode ser um primeiro passo de distanciamento do Palácio Piratini. Ainda assim, Pompeo evita falar em um suposto desembarque da atual gestão, dizendo apostar em diálogo e reaproximação. Burmann deve abandonar a chamada Super-Secretaria nos próximos dias, já que o retorno ao Parlamento está previsto para a próxima semana. A escolha de um substituto para o cargo segue sendo uma incógnita, já que o PDT não pretende fazer nova indicação.

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Gerson Burmann

O motivo para a saída de Burmann do primeiro escalão é a suposta quebra de um acordo firmado entre o PDT e o Executivo. O secretário da Casa Civil, Marcio Biolchi, garantiu, no início da gestão, que o governador previa indicar um trabalhista para o conselho do Tribunal de Contas a partir da aposentadoria compulsória do conselheiro Adroaldo Loureiro, ao completar 70 anos. O problema é que Loureiro morreu em fevereiro, aos 68, fazendo a abertura antecipada da vaga na Corte virar sinônimo de disputa e alvo de polêmica. Com a desconfiança de que o líder do governo na Assembleia, Alexandre Postal, do PMDB, possa ser o indicado, Burmann se sentiu preterido e decidiu deixar o governo.

Enquanto isso, quem está a deriva é o suplente da bancada do PDT, Vinícius Ribeiro, que deixou a função de presidente da Corag para assumir como deputado estadual após a cassação de Diógenes Basegio, no ano passado. Em meio a esse processo, Ribeiro já protocolou na Assembleia um pedido de afastamento pelo período de um mês. Ele vai viajar para a Inglaterra e para os Estados Unidos, com recursos próprios, para participar de seminários e estudos envolvendo planejamento urbano e de mobilidade. O deputado negou hoje que a viagem tenha relação com o retorno de Burmann para o Parlamento. “Eu fui convidado pela ONU e, claro, de forma antecipada. O importante é informar que já comuniquei à Assembleia Legislativa que todos os gastos com diárias e passagens serão por minha conta e abdicarei dos subsídios de parlamentar enquanto estiver fora”, esclareceu.

Vice-governador pede que secretários do PDT convençam bancada a votar a favor da alta de ICMS. Vieira da Cunha e Gerson Burmann devem servir de interlocutores na negociação

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Cairoli1O vice-governador José Paulo Cairoli se reuniu com secretários de estado do PDT, na tarde desta quarta-feira, no Palácio Piratini. O objetivo é de que os comandantes das Pastas de Educação, Vieira da Cunha, e de Obras, Gerson Burmann, sirvam de interlocutores para convencer a bancada trabalhista a votar favoravelmente ao pacote do governo. A meta principal é viabilizar o aumento de ICMS. O secretário da Casa Civil, Márcio Biolchi, também participou. Na próxima semana, deputados pedetistas já devem ser procurados pelas lideranças da legenda.

Burmann enfatizou que a busca vai ser por um apoio integral, para somar todos os oito votos da bancada. “A posição do partido é por uma posição uníssona da bancada e isso não é novidade. Reconhecemos que, entre alguns deputados, há repulsa por alguns projetos, e vamos debater, ponto a ponto, para chegar a uma construção”, enfatizou o secretário de Obras.

Vieira da Cunha também defendeu o apoio da bancada, de todos integrantes da base governista e até da oposição. “Este não é um compromisso apenas do PDT e deve ser do conjunto da Assembleia Legislativa. Para o desenvolvimento do Estado, precisamos ser sensíveis à crise, virando de vez esta página de agonia e de dificuldades financeiras”, argumentou.

O deputado do PDT, Gilmar Sossela, reconhece uma divisão interna, mas projeta um entendimento. No caso do aumento do ICMS, por exemplo, a aposta é por unidade se for estipulado um prazo de quatro anos para a vigência do reajuste.

Porém, com relação às extinções das Fundações Zoobotânica e de Produção e Pesquisa em Saúde os deputados trabalhistas acordaram pelo voto contrário, defendendo a manutenção das atividades. A conclusão é de que os serviços prestados são de interesse público e social, sem oferecer ônus em excesso e, em muitos casos, até gerando receita. Outro argumento da bancada do partido, através do líder, Eduardo Loureiro, é de que a suspensão das atividades possa provocar futuras contratações com a iniciativa privada, gerando despesas ainda maiores. (Rádio Guaíba)