Detran admite que mais de 11 mil exames deixaram de ocorrer em função da greve de servidores

Detran admite que mais de 11 mil exames deixaram de ocorrer em função da greve de servidores

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Em função da greve dos trabalhadores do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), mais de 11 mil provas teóricas e práticas para a obtenção da carteira de motorista (CNH) deixaram de ser aplicadas, em duas semanas, no Rio Grande do Sul. Foi o que revelou hoje o secretário da Modernização Administrativa e dos Recursos Humanos, Raffaeli di Cameli. O número de exames de direção veicular não realizados é de aproximadamente 11,2 mil, entre teóricos (4,2 mil) e práticos (7 mil).

Por dia, quase mil testes foram protelados, conforme a autarquia. Já o sindicato dos servidores estima que o prejuízo seja ainda maior que o divulgado, com até 20 mil exames teóricos e práticos cancelados nesse período.

A categoria exige aumento salarial de 26,75% e valorização do plano de carreira. Conforme di Cameli, cerca de 500 Centros de Formação de Condutores (CFCs) permanecem funcionando, o que ameniza o impacto da paralisação. Mesmo que siga recebendo aulas, o candidato a motorista não consegue fazer as provas, em algumas situações.

Para Raffaeli di Cameli, os trabalhadores do Detran fazem greve em um momento “inoportuno”, com impacto da crise financeira em todas as esferas de governo. Além disso, lembrou que os servidores do Departamento não recebem o salário parcelado, ao contrário do que ocorre com os servidores do Executivo. “Não podemos criar uma pequena classe privilegiada dentro deste contexto”, ponderou. O secretário ainda salienta que o salário médio dos trabalhadores gira em torno de R$ 4 mil.

Hoje, ao menos 50 servidores do Detran fizeram mais uma manifestação em frente ao Palácio Piratini, no Centro de Porto Alegre, para pressionar o governo pela continuidade da negociação. O Sindicato dos Funcionários do Detran (Sindet) também estuda a possibilidade de ingressar com uma ação na Justiça, caso o corte de ponto seja confirmado. A adesão ao movimento, conforme o Sindet, é de aproximadamente 85%. Na semana passada, o Detran contabilizou paralisação de mais de 60% dos servidores.

Em nota, o Detran também esclareceu:

– Veículos sem restrições administrativas ou judiciais sob a guarda dos Centros de Remoção e Depósitos – CRDs, estão sendo liberados normalmente. Os atrasos nas liberações ocorrem nos casos em que os veículos possuem restrições. Em alguns casos, os CRVAs já foram autorizados pelo Detran efetuar as transações no sistema informatizado. Além disso, a direção está tomando as medidas necessárias à prestação do serviço, como a realização de mutirão para dar agilidade às liberações.

– Proprietários de veículos aguardando liberação do Detran não terão ônus por atrasos ocasionados pela greve. Cada situação, porém, está sendo analisada pontualmente.

– Candidatos em processo de habilitação não terão prejuízos no que tange à validade do Renach (Registro Nacional de Condutores Habilitados). Os exames devem ser reagendados nos CFCs tão logo se encerre a paralisação. (Lucas Rivas/Rádio Guaíba)

Sem acordo, metroviários decidem manter Trensurb funcionando apenas em horários de pico nesta quinta; por Lucas Rivas/Rádio Guaíba

Sem acordo, metroviários decidem manter Trensurb funcionando apenas em horários de pico nesta quinta; por Lucas Rivas/Rádio Guaíba

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As composições da Trensurb vão circular dentro da tabela horária, nesta quinta-feira, apenas durante os horários de pico – das 5h30min às 8h30min e das 17h30min às 20h30min. Após o pico da manhã, os metroviários vão paralisar as atividades para discutir, até o fim da tarde, a proposta encaminhada pela empresa referente à reposição salarial da categoria. A restrição do serviço foi confirmada hoje à tarde pelo Sindicato dos Metroviários do Rio Grande do Sul após reunião com a direção da Trensurb no Tribunal Regional do Trabalho (TRT4), em Porto Alegre. A assembleia dos metroviários ocorre a partir das 12h.

Conforme o presidente do Sindimetrô, Luis Henrique Chagas, que os metroviários iniciaram negociação com a empresa em março, mas ainda não conseguiram garantir a reposição da inflação. “A proposta da empresa avançou muito pouco e por isso, a partir da meia-noite, vamos paralisar com os trens circulando apenas das 5h30min às 8h30min. Depois desse horário, os serviço vai ser interrompido”, alertou.

Durante a reunião no TRT4, Chagas ressaltou que a Trensurb indicou aumentar apenas em um dia o vale alimentação, passando de 28 para 29 bilhetes por mês. Os trabalhadores pedem a reposição da inflação de 9,28%, além do chamamento de concursados pela empresa. A Trensurb ratificou a proposta de 8,28% de reajuste.

Em nota, a Trensurb reforça o pedido para que os metroviários não paralisem o serviço nesta quinta. “A direção da empresa espera que os representantes da categoria reconsiderem a posição de paralisar diante dos avanços obtidos nas negociações e com isso não haja prejuízo para a população que depende do serviço do metrô”, cita o comunicado oficial.

Termina greve dos municipários após 17 dias de impasse na Capital; por Samantha Klein/Rádio Guaíba

Termina greve dos municipários após 17 dias de impasse na Capital; por Samantha Klein/Rádio Guaíba

Cidade Notícias Política Porto Alegre prefeitura

Os servidores municipais de Porto Alegre decidiram encerrar a greve da categoria, que completou hoje 17 dias. Eles se reuniram em assembleia geral, no Parque da Harmonia, e aceitaram o acordo com o Paço Municipal, que prevê reposição parcelada da inflação e a reposição do corte de ponto.

No início da semana, o prefeito José Fortunati, confirmou o reajuste parcelado, à revelia dos servidores. Ontem, ele também aceitou rodar uma folha suplementar, repondo o desconto de salário para quem aderiu à greve. Fortunati abriu, ainda, a possibilidade de adiantar a última das quatro parcelas previstas para o reajuste da inflação, de janeiro para dezembro, se as finanças municipais melhorarem até o fim do ano.

A perspectiva é de retomada no trabalho em todas as secretarias a partir desta sexta-feira. A decisão, contudo, não foi unânime e a categoria chegou à assembleia ainda dividida. Entretanto, conforme o diretor do Simpa, Raul Giacobini, houve avanços mesmo que parciais. “Nesse momento, ficou evidente que precisávamos verificar se a categoria ainda tinha força para manter a mobilização”.

A Prefeitura deve rodar a folha extra até o início de julho. O pagamento também já deve incluir a primeira parcela do reajuste, de 1,2% retroativa a maio. Depois, os servidores recebem 2% em outubro, 4,2% em dezembro e 1,6% em janeiro, com possível antecipação para dezembro.

Por 39 votos de diferença, assembleia do Cpers decide manter greve do magistério

Por 39 votos de diferença, assembleia do Cpers decide manter greve do magistério

Educação Notícias Poder Política

Por 730 votos a 691 – uma diferença de 39 -, professores reunidos em uma assembleia geral do Cpers Sindicato decidiram, na tarde de hoje, manter a greve do magistério, que já dura 41 dias. O grupo deve avaliar e votar, ainda hoje, mais uma proposta a ser levada à negociação com o governo estadual.

No início da tarde, o Cpers divulgou que havia 20 núcleos favoráveis à retomada das aulas, enquanto 16 defendiam a continuidade da paralisação. Outros cinco revelaram a intenção de acompanhar a decisão da assembleia. Ontem, o Conselho Geral do Cpers aprovou o fim do movimento, atrelado à decisão de hoje. A votação usou urnas de papelão, a fim de evitar a polêmica de setembro do ano passado, quando o resultado da assembleia decorreu da contagem visual de crachás.

Após o Comando de Greve desocupar o prédio do Centro Administrativo Fernando Ferrari, na sexta-feira passada, o Piratini sinalizou com a primeira concessão aos professores desde o início da greve: a manutenção do adicional para quem trabalha em locais de difícil acesso, que corriam o risco de redução de salário. Mesmo com várias tratativas ao longo da semana, no entanto, a presidente do Cpers, Helenir Schürer, adverte que o governo não aceitou sequer discutir a elaboração de um calendário para reposição de perdas salariais.

“Insistimos no calendário de reposição, no pagamento de um terço da hora atividade, num compromisso do governo com a retirada do PL 044 e nenhuma alteração no plano de saúde do IPE. É a nossa pauta e o governo avançou muito pouco, com uma categoria que está empobrecida e desvalorizada. E a gente nem está falando sobre reajuste, e sim em repor um pouco das perdas que estamos sofrendo. O governo sequer consegue mostrar um futuro, que poderíamos sentar para discutir. Então é muito difícil”, avaliou.

Em documento entregue ao Cpers na última quarta-feira, o Executivo apenas se comprometeu com a manutenção dos contracheques dos grevistas, mediante recuperação dos dias letivos ao final da paralisação. O sindicato levou mais uma contraproposta à Casa Civil, ontem, reforçando o descontentamento com as propostas escassas apresentadas até agora, mas ainda não obteve retorno.

Helenir admite que a adesão da categoria à greve diminuiu um pouco em relação aos 70% estimados nas primeiras semanas. (Rádio Guaíba)

Mesmo após negativa de Fortunati, municipários mantêm greve esperando retomada de negociações. Atos e caminhada tentaram pressionar hoje o Executivo a reabrir discussão salarial com a categoria

Mesmo após negativa de Fortunati, municipários mantêm greve esperando retomada de negociações. Atos e caminhada tentaram pressionar hoje o Executivo a reabrir discussão salarial com a categoria

Cidade Destaque Poder Política Porto Alegre

Depois de voltar a organizar atos, nesta sexta-feira, o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) ainda estima que a Prefeitura possa retomar as negociações em torno da reposição salarial, embora o prefeito José Fortunati tenha rechaçado essa possibilidade, dizendo ontem que a negociação voltou à estaca zero. Concentrados em frente ao Paço Municipal, os servidores saíram em caminhada, hoje à tarde, em direção à Igreja da Pompéia, na rua Barros Cassal. A intenção é pressionar os gestores a retomarem as discussões. Os servidores passaram pelas vias Júlio de Castilhos, Conceição, Farrapos e Barros Cassal. Bloqueios momentâneos ocorreram durante trajeto, o que atrasou linhas de ônibus.

Em assembleia nessa quinta-feira, o Simpa rejeitou as três opções de parcelamento de reajuste oferecidas pela Prefeitura e manteve a greve por tempo indeterminado. Em 11 dias de paralisação, os municipários dizem que chega a 70% a adesão da categoria ao movimento grevista.

Embora uma das alternativas apresentadas pela Prefeitura venha atender à reivindicação de concluir a reposição de 9,2% em 2016, a categoria reclama que, sem retroatividade, perde, também, quando receber o 13º salário. Mesmo com a negativa, a diretora de comunicação do Simpa, Carmen Padilha, espera a retomada das negociações antes da terça-feira, data marcada para ocorrer mais uma assembleia da categoria. “Nós não acreditamos que haja esgotamento com uma categoria paralisada (…) eu não acredito que o prefeito não dialogará com seus servidores”, sintetiza.

Hoje pela manhã, os servidores municipais promoveram bloqueios momentâneos na avenida Assis Brasil, na zona Norte, enquanto outros distribuíram panfletos próximo a escolas e postos de saúde das zonas Sul e Leste.

Nessa quinta-feira, Fortunati anunciou que a folha salarial já foi rodada com o corte do ponto dos grevistas. O prefeito afirmou que a negociação voltou à estaca zero e não previu nova data para receber os representantes dos servidores.

Por decisão judicial favorável à Prefeitura, os municipários estão proibidos de repetir bloqueios a prédios e serviços públicos do Executivo, sob pena de multa diária de R$ 50 mil ao Simpa. Eles já obstruíram unidades do DMLU, Fasc, secretarias da Saúde e Administração, além de ocuparem o plenário da Câmara de Vereadores na última terça-feira. (Lucas Rivas/Rádio Guaíba)

Motoristas e cobradores receberam salário reduzido e apenas um terço do valor dos tickets alimentação; Bibiana Borba/Rádio Guaíba

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Rodoviários da Nortran realizam paralisação em Porto Alegre. Foto: Samuel Maciel/CP
Rodoviários da Nortran realizam paralisação em Porto Alegre. Foto: Samuel Maciel/CP

Apesar de o Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre ter encaminhado acordo, ontem, com os empresários de ônibus, grande parte da categoria defende mais paralisações em protesto contra a redução dos salários. Além do movimento iniciado na Nortran, parte dos funcionários da Auto Viação Navegantes cruzou os braços por volta das 10h.

O delegado sindical da empresa, Alessandro dos Santos, diz que tentou buscar um acordo com os patrões, mas não foi possível conter os ânimos dos colegas. Os ônibus da empresa também circulam a partir da zona Norte da Capital e, até então, estavam suprindo as linhas paradas da Nortran.

Já na Sopal, terceira empresa que compõe o consórcio MOB, o delegado sindical Ronei de Almeida descarta o início de uma greve, ao menos por enquanto. O representante demonstra preocupação quanto à possibilidade de os trabalhadores serem ainda mais penalizados, por existir um acordo através da entidade sindical oficial. “Como o sindicato não apoia a greve, a gente pode receber multas. Vamos aguardar até o 5º dia útil, quando eles têm o prazo legal pra pagar”, disse.

Além de não terem recebido o dissídio de 11,8%, os motoristas e cobradores dos quatro consórcios privados de ônibus tiveram o valor dos tickets alimentação reduzido para um terço: de R$ 21 para R$ 7. Os salários de março são pagos entre esta quinta-feira e o quinto dia útil de abril. Apenas os funcionários da companhia pública Carris recebem as remunerações completas.

Mais protestos tomam forma também em outras regiões da cidade, como a zona Sul. Na empresa Restinga, duas assembleias marcadas para as tardes de sábado e domingo podem levar a protestos dos funcionários no início da próxima semana. O delegado sindical, Rodrigo da Silva, aponta que a falta de representatividade do Sindicato dos Rodoviários gera as dissidências. De qualquer forma, acredita que uma greve poderia beneficiar ainda mais os patrões. “Não queremos ser usados como massa de manobra para eles aumentarem ainda mais a passagem”, avaliou.

Os empresários propuseram a compensação dos valores ao longo do mês de abril. O argumento do gerente técnico da ATP, Gustavo Simionovschi, é de que, mesmo com o aumento da passagem desde ontem, os caixas estão reduzidos em razão da suspensão do reajuste por mais de um mês. Os diretores do consórcio MOB não se manifestaram sobre as paralisações, até o momento.

Com suspensão de complemento da passagem, rodoviários voltam a cogitar greve na Capital; Bibiana Borba/Rádio Guaíba

Com suspensão de complemento da passagem, rodoviários voltam a cogitar greve na Capital; Bibiana Borba/Rádio Guaíba

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Os motoristas e cobradores de ônibus de Porto Alegre voltam a ficar sem esperanças de receber o reajuste anual da categoria, de 11,8%, devido à suspensão judicial do complemento das passagens. Ontem, o Tribunal de Justiça do Estado suspendeu as liminares que determinavam que a Prefeitura pagasse R$ 0,50 a mais por viagem de cada passageiro, a três dos quatro consórcios privados que operam o sistema. Os rodoviários, que já receberam o adiantamento salarial reduzido no dia 15, agora reforçam a possibilidade de protestos se os pagamentos dos dias 31 de março e 1º de abril seguirem sem o dissídio.

Conforme o presidente do Sindicato dos Rodoviários da Capital, Adair da Silva, a primeira medida será encaminhar ação judicial, que já foi elaborada pelo setor jurídico da entidade, ao Tribunal Regional do Trabalho. Ele também admite que será mais difícil conter mobilizações da categoria ao final do mês. “Se dia 1º não pagarem novamente conforme o dissídio, aí vamos entrar com ação. Por enquanto, está tudo tranquilo e aguardamos o pagamento. Mas se não tiver, aí provavelmente vai ter movimento (de paralisação)”, indicou.

Um dos representantes dos empresários, o diretor do consórcio Via Leste, Ênio dos Reis, alertou ontem que o grupo já não está conseguindo honrar vários compromissos. Um agravo de instrumento será encaminhado pelos empresários ao TJ para buscar o pagamento do subsídio pela Prefeitura, enquanto houver congelamento da tarifa em R$ 3,25.

O Executivo já recorre ao Superior Tribunal de Justiça para tentar retomar o reajuste da tarifa para R$ 3,75. Já o PSol encaminhou, na terça-feira, ação completa pedindo a manutenção da tarifa anterior. Não há previsão para julgamento dos processos.

Rodoviários descartam greve e aguardam pagamento. Empresas de ônibus garantiram que vão honrar acordo coletivo

Rodoviários descartam greve e aguardam pagamento. Empresas de ônibus garantiram que vão honrar acordo coletivo

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Apesar do temor de uma paralisação dos rodoviários de Porto Alegre, o presidente do sindicato da categoria garante que a ameaça é irreal. “Não temos nada previsto. Não vamos movimentar uma paralisação sem antes aguardar o pagamento das empresas”, afirma Adair da Silva. O adiantamento da quinzena salarial foi pago sem o reajuste previsto em dissídio — o que não fere o previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O líder sindical da Carris e conselheiro do Comtu, Alceu Weber, também admite que paralisação, neste momento, é improvável. Conforme ele, “a tendência é empurrar até o fim do mês”. “Se no final do mês se concretizar o ato de não pagar (o índice previsto em dissídio), o locaute está configurado”, acusa.

Os empresários, no entanto, garantem pagamento integral do previsto em acordo coletivo no final do mês, uma vez que três dos quatro consórcios que operam o serviço na cidade já ganharam na Justiça liminares que garantem o subsídio. A justificativa das empresas para ameaçar o descumprimento do dissídio era que o cálculo do índice de reajuste salarial dos trabalhadores foi baseado na tarifa de R$ 3,75, que acabou se concretizando por apenas três dias.

A Procuradoria-Geral do Município (PGM) informou nessa sexta que ingressará com recurso com Agravo de Instrumento das decisões judiciais que determinam o pagamento de subsídio — que será retroativo à data de elevação do custo da passagem e equivale a R$ 0,50 por passageiro pagante. A prefeitura foi intimada no final da tarde de quinta-feira das decisões referentes aos consórcios Via Leste e Mais.

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) estima prejuízo de R$ 350 mil por dia, caso todo o sistema de transporte público careça de subsídio — R$ 10 milhões por mês, já que há cerca de 20 milhões de usuários pagantes.

ATL espera decisão da Justiça

Em meio ao embate jurídico travado entre consórcios de ônibus, Prefeitura de Porto Alegre e movimentos contrários ao aumento do valor das passagens, a Associação dos Transportadores de Passageiros por Lotação de Porto Alegre (ATL) aguarda o posicionamento final da Justiça sobre o tema. A manifestação foi feita ontem pelo gerente-executivo da ATL, Rogério Lago.

Segundo ele, o valor da passagem de lotação está diretamente vinculado ao dos ônibus. Na prática, quando a Justiça considerou improcedente o reajuste deste ano, que elevou o valor da tarifa dos ônibus de R$ 3,25 para R$ 3,75, automaticamente afetou a tarifa das lotações, que naquele momento tinha sido elevada para R$ 5,60 e retrocedeu para R$ 4,85. Até o momento, os quatro consórcios de ônibus de Porto Alegre ingressaram na Justiça para que a diferença da tarifa seja paga pela prefeitura.

Lago explicou ainda que boa parte dos quase mil trabalhadores de lotações receberam a reposição salarial. “No momento estamos administrando a situação, pagando a reposição, apesar de não ter havido o aumento da passagem”, explicou o gerente. Em Porto Alegre, há 441 veículos de lotação que atendem a 31 linhas. (Correio do Povo)

Rodoviários denunciam possível greve combinada entre empresários de ônibus e sindicato na Capital; por Bibiana Borba/Rádio Guaíba

Rodoviários denunciam possível greve combinada entre empresários de ônibus e sindicato na Capital; por Bibiana Borba/Rádio Guaíba

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Trabalhadores contrários à atual gestão do Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre denunciam a articulação de uma greve acordada entre a entidade e os empresários de ônibus, a partir desta terça-feira. Devido à suspensão do reajuste da tarifa há quase 20 dias, os consórcios já confirmaram que o depósito do adiantamento salarial dos funcionários, visível nos contracheques ainda hoje, não vai incluir os 11,8% de aumento previstos no dissídio da categoria. Uma greve serviria para que os trabalhadores cobrassem o pagamento e os empresários transferissem a cobrança à Prefeitura e à Justiça.

O delegado sindical titular da Carris, Luis Afonso Martins, relata que a categoria está dividida sobre a negociação, mas predomina o sentimento de não apoiar uma possível “greve branca”. Ainda, adverte que, se os próprios empresários forem responsáveis por uma paralisação, a Prefeitura teria o direito de romper os contratos e assumir o controle de todo o sistema.

“Não vamos aderir a uma greve patronal, que só teria o interesse de beneficiar as empresas junto aos órgãos judiciários. Os trabalhadores têm a consciência de que, se as empresas tomarem essa atitude, caberá à Prefeitura encampar todo o transporte. Haveria um rompimento unilateral por parte da ATP e isso facilitaria que a Prefeitura encampasse todo o transporte e o tornasse 100% Carris, sob o controle dos trabalhadores”, alertou.

Já o presidente do SindiRodoviários, Adair da Silva, nega o planejamento de greve e diz que a prioridade, em caso de confirmação dos salários reduzidos, será buscar o dissídio através de nova ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

“A gente não tem projeto nenhum pra paralisação, porque temos que esperar o fato acontecer. Estamos esperando os contracheques pra gente confirmar e tomar uma atitude. Já temos tudo pronto pra que, se saírem com redução de salário, vamos ingressar no Tribunal do Trabalho pra que cumpram o dissídio. Esse vai ser o primeiro passo. Depois, a gente vai reunir com a diretoria e definir o rumo”, ponderou.

A Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) não admite participar de qualquer movimentação para suspender o serviço de ônibus na Capital. Desde a última sexta-feira, no entanto, os empresários aumentaram a pressão, através de novas ações judiciais, para que a Prefeitura se responsabilize pelos prejuízos enquanto o reajuste da passagem permanecer suspenso. O gerente-executivo da entidade, Luiz Mário Magalhães Sá, também cita os investimentos irreversíveis para tentar sensibilizar a população sobre a necessidade de aumento — de R$ 3,25 para R$ 3,75.

“Não existe nenhuma possibilidade de qualquer movimento das empresas operadoras de prejudicar ou alterar a prestação do seu serviço. Elas têm plena consciência de que o transporte coletivo é uma necessidade essencial para nossa população. Nós fizemos uma série de investimentos, a população está visivelmente cientificada deles, como os 296 ônibus novos, sendo 210 com ar condicionado. É um investimento que nunca na história da cidade foi feito de maneira tão pontual como agora. Isto, nos nosso contratos, pressupõe umretorno dos investimentos que não está acontecendo. Reconhecemos a luta que a Prefeitura está travando na Justiça para reverter o quadro, mas a realidade é que as empresas estão tendo prejuízos enormes e entendemos que devemos ser ressarcidos, assim como a Carris está sendo ressarcida”, declarou.

Em entrevista à Rádio Guaíba, nesse final de semana, o vice-prefeito da Capital, Sebastião Melo (PMDB), lamentou que novas medidas judiciais por parte da ATP possam prolongar o impasse e garantiu que a Prefeitura vai recorrer novamente. Mesmo assim, a gestão municipal descarta cancelar a licitação ou assumir todo o sistema através da companhia pública Carris.

Ministro garante ação rigorosa da PRF contra paralisação de caminhoneiros. José Eduardo Cardozo projetou multas de alto valor para os que tentarem bloquear estradas

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José Eduardo Cardozo projetou multas de alto valor para os que tentarem bloquear estradas | Foto: Paulo Basa / Especial CP

José Eduardo Cardozo projetou multas de alto valor para os que tentarem bloquear estradas | Foto: Paulo Basa / Especial CP

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, garantiu que as paralisações de caminhoneiros, sem apoio dos sindicatos da categoria, terão uma resposta “rigorosa”. De acordo com ele, tanto o ministério quanto a Polícia Rodoviária Federal (PRF) vão atuar de forma enérgica contra a tentativa de “impedir o direito de ir e vir de outras pessoas e de caminhoneiros que estão tentando fazer seu trabalho”.

“Esse movimento que se realiza hoje tem um viés clara e indiscutivelmente político. Não há pauta de reivindicações”, criticou Cardozo. “Não há condições de negociar, pois questões não são apresentadas”, salientou o ministro. Levantamento no início da noite desta segunda-feira apontava que 18 pontos de vias do Rio Grande do Sul estavam afetados.

Para ele, os bloqueios de rodovias espalhados pelo país contrariam a democracia. “Na democracia legítima, as pessoas têm sua opinião, mas nunca sem ferir os direitos de outros”, enfatizou. “Temos absoluta clareza que esse movimento, por essa característica, tem baixa adesão pelos caminhoneiros do Brasil”, avaliou Cardozo. “As centrais sindicais têm se mostrado claramente contrárias a essa ação.”

Para coibir os bloqueios e tentar retomar a normalidade de circulação, o ministro salientou que há instruções claras para a PRF. “Determinamos que sejam multados, multas altas acima de R$ 1,9 mil, aos que tentarem bloquear estradas”, detalhou. “Instruímos a PRF para que atue com o efetivo necessário para desobstruir estradas e assegurar a liberdade dos que querem trabalhar”, ressaltou.

“Não admitimos que um movimento político, sem num viés de reivindicação para a categoria dos caminhoneiros possa trazer danos a quem quer que seja”, concluiu Cardozo. (Correio do Povo)