Liberdade de Imprensa: “Me identifiquei várias vezes”, relata jornalista preso durante cobertura de ocupação. Matheus Chaparini diz que estava com duas credenciais profissionais que foram retiradas dele

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Conversei hoje no Agora/Rádio Guaíba, com o jornalista Matheus Chaparini, do Jornal Já, preso nessa quarta-feira (15) enquanto cobria a desocupação do prédio invadido da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), no Centro de Porto Alegre. Na entrevista ele garantiu que se identificou diversas vezes tanto aos agentes da Brigada Militar, quanto aos estudantes da atividade de reportagem que realizava no local. O repórter explicou que conseguiu ingressar no prédio ocupado próximo das 9h, junto com o cineasta Kevin Darc que captava imagens para um documentário, um pouco antes do efetivo da BM ingressar na Fazenda.

Segundo Chaparini, além de se identificar profissionalmente, o jornalista garantiu à polícia que não fazia parte do movimento dos estudantes. Mas, mesmo assim, segundo ele, a polícia alegou que o repórter deveria ser preso também pelo fato de estar no local.

Após a prisão, Chaparini, Kevin e demais detidos, maiores e menores de idade, foram deslocados para o Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), para transferir os menores; depois, seguiram para a 3ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), para o Palácio da Polícia para o exame de corpo de delito; depois retornaram à 3ª DPPA, onde aguardaram por bastante tempo, até serem conduzidos à Penitenciária Feminina Madre Pelletier e, depois, ao Presídio Central, algemados.

Chaparini foi indiciado por seis crimes: dano ao patrimônio, esbulho possessório (invasão de terreno ou edifício alheio com violência), desacato, resistência à prisão, organização criminosa e corrupção de menores.

 

Jornalista e cineasta independente estão entre os presos durante ocupação da Sefaz, em Porto Alegre. Jornal Já acionou advogada de sindicato para pedir a soltura dos comunicadores

Jornalista e cineasta independente estão entre os presos durante ocupação da Sefaz, em Porto Alegre. Jornal Já acionou advogada de sindicato para pedir a soltura dos comunicadores

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Os dez adultos detidos durante a ocupação de estudantes à Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), no Centro da Capital, na manhã desta quarta-feira, já fizeram exame de corpo de delito. São três mulheres e sete homens acusados de associação criminosa, dano qualificado ao patrimônio público, esbulho possessório, prejudicar o trabalho coletivo, resistência e corrupção de menores. O somatório das acusações torna a prisão inafiançável.

Em conta no Twitter, o Jornal Já confirmou a prisão de Matheus Chaparini, jornalista que fazia a cobertura do manifesto. Segundo a delegada Andrea Nicotti, da 3ª Delegacia de Pronto Atendimento da Capital, nenhum dos presos quis identificar a profissão. A policial sustenta que, por essa razão, não pode confirmar se há jornalistas entre eles. Os presos, em tese, devem ser encaminhados ao Presídio Central e as mulheres à Penitenciária Feminina Madre Pelletier.

Pela janela da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), Matheus informou que somente ele e um cineasta independente, identificado como Kevin Darc, estão entre os detidos pela manhã. A informação foi divulgada via Twitter pelo Jornal Já, que acionou a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul (Sinjor-RS). A advogada Anna Marimon, que representa a entidade sindical, está na 3ª DPPA a fim de pedir a soltura dos comunicadores.

Apreensão de menores

Ainda permanecem no Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca) cerca de 45 estudantes menores de idade, que também participaram da manifestação. A maioria vai ser encaminhada ao Departamento Médico Legal (DML) a fim de ser submetida a exame de corpo de delito. Isso porque, sob protesto de municipários e professores (que se uniram à manifestação), a Brigada Militar retirou o grupo à força, perto do meio-dia, de dentro do prédio da Fazenda. Apoiadores tentaram ingressar no prédio para se somar à ocupação, mas foram contidos pela BM, que usou bombas de efeito moral.

O Deca já adiantou que os menores só vão ser liberados com a presença de pais e familiares. Uma das preocupações dos manifestantes é a de que alguns alunos residem em regiões distantes da cidade e não conseguem estabelecer contato com parentes. A delegada de plantão do Deca ainda não revelou em quais crimes os menores serão enquadrados em função do protesto.

O que disse a BM

“Buscamos todas as formas para que saíssem pacificamente. O Estado tem o poder e dever de agir sem nenhuma necessidade de solicitar reintegração de posse. Utilizamos a força necessária para fazer a condução”, disse o tenente-coronel Mario Ikeda, comandante do Policiamento da Capital.

Entenda o protesto

O grupo que ingressou pela manhã na Sefaz é formado por estudantes contrários ao acordo para desocupação de escolas firmado ontem entre o governo do Estado e outro grupo de estudantes. Enquanto o acordo firmado ontem prevê que o PL 44 tenha votação adiada para 2017, os manifestantes que ocuparam a Sefaz hoje pedem o arquivamento do projeto por parte do Piratini. O Projeto de Lei 44/2016, enviado à Assembleia pelo Piratini, é criticado por alunos e professores pela possibilidade de ampliar a interferência de empresas privadas e serviços terceirizados na educação pública.

*Com informações dos repórteres Ananda Muller, Voltaire Porto, Lucas Rivas e Camila Diesel da Rádio Guaíba

Ao comemorar 30 anos, Jornal JÁ apresenta projetos para 2016

Ao comemorar 30 anos, Jornal JÁ apresenta projetos para 2016

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Os 30 anos de existência do Jornal JÁ serão comemorados nesta quarta-feira, 9, em encontro a ser realizado no Solar do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), na Rua General Canabarro, 363, no Centro Histórico de Porto Alegre. O evento será voltado para colaboradores e apoiadores da publicação que fizeram e fazem parte da história nessas três décadas.

O diretor do jornal, Elmar Bones, apresentará um panorama dos 30 anos da publicação. “Ultimamente temos passado por tempos difíceis, nossas atividades estavam combalidas, e, nos últimos três anos, editamos apenas quatro livros”, disse Elmar, em entrevista ao Coletiva.net.

Entretanto, segundo o diretor, 2015 já representou uma melhora significativa para o jornal, com a reformulação do site e o lançamento do Kit Antiditadura, em setembro. Dando continuidade ao processo de produções próprias, no próximo dia 18 será lançada uma edição comemorativa das três décadas do JÁ. O material contará com entrevistas de personalidades importantes, como Gabriel Garcia Marquez, Erico Verissimo e Eduardo Galeano, além de reportagens de valor histórico. “A nossa expectativa é ter as atividades normalizadas para o próximo ano”, revelou Elmar. (Coletiva.net)

No debate do JÁ, críticas à imprensa e ao regime militar

No debate do JÁ, críticas à imprensa e ao regime militar

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Avaliações sobre o desempenho da imprensa brasileira e uma revelação surpreendente sobre o destino de documentos do DOPS durante a ditadura pontuaram o debate promovido no sábado, 26, pelo jornal JÁ. O jornalista Flávio Tavares afirmou que os meios de comunicação são responsáveis “por toda esta balbúrdia e inoperância política que existe hoje no País”. E o advogado Jair Krischke revelou que os arquivos do DOPS, que foram queimados publicamente em 1986, foram antes microfilmados e hoje “estão no quinto andar do QG do Comando Militar do Sul”.

O debate foi realizado na ARI (Associação Riograndense de Imprensa) sob a coordenação do diretor da JÁ Editores, Elmar Bones, que lançou o Kit Antiditadura – três edições especiais da revista JÁ sobre o ciclo militar de 1964. “Posso dizer que vivi um dia histórico”, escreveu Elmar no site da publicação. “Tive a honra de ter a meu lado na mesa dois dos maiores lutadores pela democracia no Brasil, o jornalista Flávio Tavares e o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Kritschke”. Elmar registrou que o que mais o impressionou foi que nenhuma das cerca de 80 pessoas que estavam no auditório se ausentou durante as duas horas de conversa.

Flávio Tavares trouxe a ideia que norteou os debates: a prática de simulação introduzida pelo regime militar (era uma ditadura que simulava que era democracia) é o vírus que contamina até hoje o organismo político do País. “Até hoje vivemos isso, todos simulam que defendem o interesse público, mas cada um só defende seu próprio interesse”, disse. Ele também sustentou que os cronistas da imprensa brasileira tratam a política como se fosse a francesa ou a alemã. “É um erro porque não desmistificam o que existe. Por exemplo, este Ministério da Dilma tem oito políticos respondendo a processo e ninguém ressalta isso. Daí o desconhecimento da população e esta sensação de que o eleitor não sabe votar”.

O jornalista, que tem uma coluna semanal em Zero Hora, afirmou que Xuxa, Ratinho, Gugu e Faustão “são os ministros da Educação no Brasil e são eles os responsáveis pela deseducação da população brasileira”. Segundo ele, “os meios de comunicação atuam como caixas registradoras. O importante não são as ideias e sim seus balanços . Por isso são diretamente responsáveis pelo quadro político que temos aí”.

Jair Krischke, por sua vez, deu um exemplo concreto do que seria “a prática da simulação introduzida pelo regime militar”, apontada por Flávio: os documentos da polícia política do Rio Grande do Sul. O então governador, Amaral de Souza, anunciou publicamente em 1982 que eles foram queimados. Na verdade, revelou Jair, foram queimados os registros em papel, que antes foram microfilmados e estão mantidos em sigilo até hoje. “Estão no QG do Comando Militar do Sul”, assegurou. “Estão supostamente bem guardados, mas não podem ser consultados por ninguém. Por lógica e lei, deveriam estar no Arquivo Público do Estado”. (Coletiva.net)