Livros: Léo Gerchmann lança “Jayme Copstein ao quadrado”. Uma obra que mostra a essência de um dos mais importantes comunicadores gaúchos.

Livros: Léo Gerchmann lança “Jayme Copstein ao quadrado”. Uma obra que mostra a essência de um dos mais importantes comunicadores gaúchos.

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Um dia antes de morrer, o meu guru, ídolo, amigo, grande jornalista e escritor Jayme Copstein entregou ao editor Marco Cena, originais de um novo livro.  O editor da Besouro Box, prometeu a Jayme que trabalharia todo aquele rico material e pensaria como transformar em um ou mais livros. Conversei com Cena sobre esta obra, em entrevista na Rádio Guaíba. Em outro momento, na TVU falamos sobre a riqueza intelectual da vida de Jayme e ali ele revelou a ideia de uma biografia, reafirmou o compromisso de uma homenagem póstuma ao grande comunicador e a promessa foi cumprida. Foi com emoção que recebi no início desta semana um exemplar  de “Jayme Copstein ao quadrado”, escrito pelo também meu amigo Léo Gerchmann. Jornalista experiente, formado pela UFRGS, autor de livros sobre a história do Grêmio. Se antes de ler, eu acreditava que Léo era a pessoa certa para escrever sobre Jayme, após a leitura tenho a convicção de que ninguém faria melhor.

jayme2Na introdução feita pelo autor da biografia, a explicação para o nome do livro: “Uma curiosidade pra lá de casual (ou não): Jayme Copstein usava o nome original, sem qualquer apelo artístico, e, apesar de adotar apenas um dos sobrenomes, contemplava também o da mãe – ou seja, tinha dois sobrenomes num só. Como o pai e a mãe eram primos de segundo grau, ele poderia ser Kopstein Copstein (o “K” da mãe de Jayme ainda tinha a grafia usada pela família na Europa). Era, então, nome real e artístico.
– Sou Copstein ao quadrado – costumava brincar.
Pode parecer algo banal, mas essa situação alcança forte simbolismo: Jayme sempre foi uma pessoa intensa. Radialista? Ok, mas muito mais que isso. Ele tinha o orgulho de ser jornalista. Mais que isso: homem de comunicação. Ainda mais: homem das artes.”

Em um texto que escrevi logo após a morte de Jayme relatei minhas visitas ao ídolo já internado na Santa Casa de Misericórdia. Apesar do quadro de saúde, seguia criativo e cheio de ideias. Rodeado de livros, anotações e reclamando da baixa velocidade de conexão da internet no apartamento 313, que ocupava no Pavilhão Pereira Filho, se negava a parar de trabalhar. Em uma caderneta tinha notas para vários artigos e algumas frases para um perfil que pretendia escrever sobre o médico José Jesus de Camargo que o tratava. “Conheci” Jayme aos 19 anos, quando comecei a ouvi-lo no Gaúcha na Madrugada. Me apaixonei pelo tom coloquial, pelo comentário bem elaborado que fazia o ouvinte refletir mesmo que estivesse sonolento e pelo respeito ao que hoje é comum, mas naquela época não era… a interatividade. Quando cheguei na Gaúcha em 1989, muitas vezes varei madrugadas quieto dentro do estúdio acompanhando a realização do programa e algumas vezes tive a honra de substituir Jayme Copstein. Graças ao conselhos do Antônio Carlos Niederauer não mexi na estrutura e mantive o programa como meu amigo o fazia. E por isso recebi elogios inesquecíveis do Jayme, Niederauer, Ranzólin e outros. Era simples, mas não era facil subsituir o gênio criativo, excelente redator, produtor de mão cheia, leitor voraz e jornalista perfeccionista. Na simplicidade está a genialidade. O programa era feito, o horário era mantido, mas sem a genialidade do mestre.  Jayme trabalhou nos principais jornais e emissoras de rádio do Rio Grande do Sul. Conquistou vários prêmios de jornalismo, entre eles a Medalha de Prata no Festival Internacional de Rádio de Nova York e vai se juntar ao Streck, Flávio(de quem era grande amigo e tinham entre eles uma admiração reciproca), Julio Rosemberg e tantos outros. Jayme, faz falta, muita falta no rádio e nas mesas de bar onde bebemos “alguns muitos chopes”.

Por isso, ler o livro  foi um alento, concordo com a minha querida Cíntia Moscovich, “Não se trata de mera sucessão de datas ou de eventos: aqui dentro, Jayme Copstein se movimenta, fala, gesticula, ri, numa narração vívida e afetuosa.”  O jornalista e biógrafo, Léo Gerchmann ancora a obra na trajetória profissional de Jayme. Ali você entenderá como um homem das letras enveredou para o rádio e o revolucionou. Jayme ficou conhecido pelo grande público como o jornalista de voz serena que criou um icônico programa de talk show na madrugada da rádio gaúcha e brasileira. Mas antes disso ele foi um literato, um homem de crônicas altamente líricas, contos divertidos, edições de Mario Quintana no Caderno H. Na Rádio Gaúcha, o comunicador, nascido em Rio Grande, exerceu todo seu conhecimento erudito para fazer melhor a vida dos notívagos. Em uma situação que surgiu quase que por acaso, ele abriu o microfone para as angústias dos ouvintes. Desbravou o vasto campo da comunicação interativa. O livro conta sobre o homem Jayme e seus trabalhos também como roteirista de radionovela e radioteatro. Mostra até mesmo o humanismo e a ousadia que levaram a Rádio Gaúcha a um prêmio internacional. Enfim, este livro trata de ir à essência de Jayme Copstein.  Ao escrever, Léo tinha a pretensão de mostrar ao leitor quem foi Jayme por inteiro. Conseguiu!
Anos-1980-Foto-10-Brasil-na-Madrugada-733x1024Lançamento(s) agendados:

Sinagoga Centro Israelita – 17/10/2019 (quinta) às 19h30– (Rua Henrique Dias, 73 – Bom Fim). Bate-papo com Lucy Copstein, Cintia Moscovich e Léo Gerchmann (dirigido a comunidade judaica)

Sarau Elétrico – Sarau do Rádio com Mauro Borba e Léo Gerchamnn – 05/11/2019 (terça) às 21h no Ocidente.

65ª Feira do Livro de Porto Alegre – 10/11/2019 (domingo), às 15h encontro com Léo Gerchmann, Felipe Vieira, Cláudio Brito, Luiz Ferraretto e Carlos Nélson seguido de sessão de autógrafos (aberto ao público em geral)

 

 

 

 

Livros: Marília Rizzon e Ana Rizzon autografam “Num Sofá de Bolinhas – Amor & Terapia” dia 23 em Gramado e em setembro na Capital gaúcha

Livros: Marília Rizzon e Ana Rizzon autografam “Num Sofá de Bolinhas – Amor & Terapia” dia 23 em Gramado e em setembro na Capital gaúcha

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Escrito com muita sensibilidade e leveza pelas primas Marília Rizzon e Ana Rizzon, uma escritora e a outra psicóloga, Num Sofá de Bolinhas – Amor & Terapia apresenta uma trama envolvente feita de amizades sinceras, encontros e desencontros amorosos, dramas familiares, psicoterapia num sofá de bolinhas e música. Muita música! Nela, o leitor encontra afeto, empatia, compaixão, franqueza entre amigos, ressentimentos, dores, lágrimas, preconceitos, prazeres, alegrias, crescimento pessoal, diálogos fortes e emocionantes, guinadas surpreendentes, leveza, humor e amor.

Publicado pela Buqui Editora, Num Sofá de Bolinhas – Amor & Terapia narra a jornada de Babi Razen, uma complexa, divertida e interessante mulher contemporânea que, atormentada por um coração sofrido, passa a revisitar sua vida no sofá de bolinhas da psicóloga Alice. Uma trajetória que o leitor acompanha a cada nova sessão e que conduz a protagonista à descoberta da potência interior e ao amor próprio.

Ana Rizzon é psicóloga, especialista em Gestalt-Terapia, Terapia do Esquema e pós-graduada em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental e Piscoterapia de Casal e Família. Já teve programa de rádio, escreve para blogs e jornais, é palestrante e leciona em cursos de especialização em Terapia do Esquema. Agora, debuta também como autora.

Marília Rizzon, a Lila, é escritora, jornalista com pós Graduação em Astrologia e inventadeira. Ama contar histórias que inspiram e trazem sentido para a vida aqui, e é apaixonada por falar sobre a dinâmica do mundo, muito além das coisas do cotidiano. O que faz em seu blog, em palestras, nas redes sociais, e em programas de TV e rádio. Agora, investe também na ficção para inspirar um olhar mais sutil e encantado sobre a vida!

Num Sofá de Bolinhas _ CapaFrente“O mudar, o transmutar-se é o ingrediente central da aventura da protagonista deste livro”. E a maior inspiração que ela nos passa “é que podemos mudar nossa representação do que nos aflige, através das tarefas de compreensão do todo e, principalmente, da aceitação da realidade como ela é”, pondera Ricardo Wainer, doutor em Psicologia e pioneiro em Terapia do Esquema no Brasil, que assina o prefácio da obra. Acapa do livro traz belíssima imagem da artista plástica Jane de Bhoni, também prima das autoras. E na contracapa, depoimentos de quem já leu a história.

‘Comecei a ler e não consegui largar até acabar! O livro é cheio de afeto, empatia e diálogos marcantes. Digno de se anotar trechos pra ler depois e mão esquecer mais’. Paula Schmidlin, médica.

‘Os diálogos são doces, fortes e emocionantes, e inevitavelmente nos colocam a pensar sobre nossos próprios comportamentos’. Glenn Gomes, consultor de empresas

‘Não consegui parar de ler a trajetória de Babi. Os conselhos, ensinamentos e técnicas que este livro oferece são realmente transformadores’. Carlos Alberto Abbud, publicitário

“Vou recomendar o livro para os alunos da Terapia do Esquema como excelente exemplo das diversas técnicas e metas de um tratamento.” Ricardo Wainer, doutor em Psicologia e pioneiro no ensino de Terapia do Esquema no Brasil

SESSÔES DE AUTÓGRAFOS

O livro físico já pode ser comprado com as autoras no instagram @numsofadebolinhas, sendo entregue pelo correio. Ele também poderá ser adquirido na sessão de autógrafos em Porto Alegre, dia 03/09, na Galeria Casa Prado, no bairro Moinhos de Vento, que é cenário da vida e da história de Babi.

Antes disso, na tarde dessa sexta-feira, dia 23 de agosto, as autoras autografam a obra no Congresso Wainer de Psicoterapias Cognitivas, no Serrano Resort, em Gramado.

O ebook está sendo comercializado com exclusividade na Amazon.

PREÇOS

E-book Amazon: R$ 19,99

Livro físico: R$ 39,00

Porto Alegre: Carpinejar lança hoje  “Minha esposa tem a senha de meu celular” na Livraria Cultura do Bourbon Shopping

Porto Alegre: Carpinejar lança hoje “Minha esposa tem a senha de meu celular” na Livraria Cultura do Bourbon Shopping

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Fabrício Carpinejar   autografa hoje, às 19h,  na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country, seu novo livro: Minha esposa tem a senha de meu celular, editado pela Bertrand Brasil. Na sequência, ele bate-papo com seus fãs falando sobre fidelidade e outros assuntos.

41eAGwD6LiL._SX322_BO1,204,203,200_O  livro é um reunião de texto para os românticos, para os que se apaixonaram ou querem se apaixonar. Sempre com bom humor, Carpinejar apresenta uma ode à fidelidade em tempos de amores líquidos. Relata os mais profundos pormenores do relacionamento a dois em crônicas que fazem os leitores refletirem e se apaixonar. Tudo começou a partir do sucesso da crônica que dá nome ao livro, onde ele tratava do tema na relação com a esposa Beatriz Reys.

Confira a íntegra do texto:

“Minha mulher tem a senha do meu celular e eu tenho a dela. Nunca conversamos a respeito – simplesmente aconteceu. Assim como não conservamos a certeza de quem falou o primeiro “eu te amo”, talvez tenha sido junto.

Não há o que esconder do outro. Às vezes assistimos vídeos lado a lado, ela me mostra o que recebeu no grupo e eu apresento por onde estou navegando e peço a sua opinião sobre as notícias – os aplicativos existem para puxar conversa em vez de agravar o isolamento.

Celular não é para ser um cofre, um segredo, uma conta privada. É apenas mais um recurso para falar com os amigos.

Os aparelhos estão sempre acessíveis. Ou carregando ou virados para cima. Se surge algo na tela, qualquer um pode espiar sem escândalo. Se entra uma ligação, o primeiro que enxergar avisa quem é.

O celular é como um antigo telefone de casa, coletivo, impessoal. Não é maior do que a nossa relação. Não tem nada lá dentro que alguém necessite manter distância.

O respeito físico e virtual são iguais. Ela pode abrir Facebook, Instagram, e-mail e somente vai encontrar a minha decência.

Tem noites que saímos com um único celular. Sorteamos: hoje é o meu ou hoje é o seu?, e rimos com a divertida alternância.

Telefono com o celular dela. Ela telefona com o meu celular. Ninguém fica tenso com alguma mensagem que possa surgir.

E é uma das mais deliciosas sensações do amor: a confiança. Não se proteger, não se ocultar, não usar desculpas, não ser agressivo para omitir conversas incriminadoras, não suar frio pela deslealdade online.

Não devemos nada, não corremos o risco de uma afronta.

Ela não invade a minha privacidade, faço questão de convidá-la.”

 

 

Título: MINHA ESPOSA TEM A SENHA DO MEU CELULAR
isbn: 9788528623918
segmento específico: CRONICA BRASILEIRA
idioma: Português
encadernação: Brochura
formato: 13,8 x 20,8 x 1,2
páginas: 144
ano de edição: 2019
ano copyright: 2019
edição:

Livros: Karime Costalunga lança “Direito do Meeiro do Sócio na Apuração de Haveres – Proposta de Interpretação da Legislação Civil”

Livros: Karime Costalunga lança “Direito do Meeiro do Sócio na Apuração de Haveres – Proposta de Interpretação da Legislação Civil”

Destaque Direito Trabalho

Advogada atuante há mais de 25 anos na área de Direito de Família e Planejamento Sucessório, com foco em direito patrimonial, planejamento jurídico, além da atuação como parecerista – contratada especialmente para formulação de pareceres –, a dra. Karime Costalunga lançou hoje no Instituto Ling, seu segundo livro “Direito do Meeiro do Sócio na Apuração de Haveres – Proposta de Interpretação da Legislação Civil”,  editora Quartier Latin.
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Tendo como horizonte o problema da partilha de bens originada em regime matrimonial onde exista meação, a obra busca equacionar as dificuldades decorrentes do tratamento dado ao meeiro (pessoa que recebe a metade do patrimônio acumulado em um casamento) do sócio de sociedade limitada. Para tanto, adota-se uma interpretação sistemática das regras do Código Civil, a fim de sustentar as soluções jurídicas para o tratamento a ser conferido ao patrimônio que era da titularidade do casal e que deve, portanto, ser dividido. Como técnica de interpretação, propõe-se, pela analogia, o mesmo tratamento dado ao herdeiro do sócio, para que o meeiro também possa buscar seus haveres.

Com prefácios de Judith Martins-Costa e Ary Oswaldo Mattos Filhos, o livro é resultado de sua defesa de Doutorado junto à UFRGS.

 

CONFIRA UMA ENTREVISTA COM KARIME COSTALUNGA E SÁLOA NEME DA SILVA, SOBRE FAMÍLIA, DIREITO, RELAÇÃO MÃE E FILHA…

 

 

 

Livros: “E Agora, Gauchada? A Crise do Rio Grande e Caminhos de Mudança” será lançado nesta quarta-feira no Instituto Ling

Livros: “E Agora, Gauchada? A Crise do Rio Grande e Caminhos de Mudança” será lançado nesta quarta-feira no Instituto Ling

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O livro nasceu de uma inquietação do economista Luiz Tadeu Viapiana e um grupo de gaúchos: que Rio Grande queremos deixar para nossos filhos e netos? Falar da crise já se tornou corriqueiro, mas quais são os caminhos possíveis para superá-la, como indivíduos e como sociedade? Como transformar a realidade e recolocar o nosso estado no caminho da prosperidade?

Partindo destas indagações, Viapiana convidou: Andre Nunes de Nunes, Cézar Busatto, Daniel Andrade, Darcy Carvalho F. dos Santos, Elis Radmann, Joal de Azambuja Rosa, Julio Francisco Gregory Brunet, Lucas Schifino, Marcelo Vernet de Beltrand, Patrícia Palermo, Paulo G.M. de Moura, Paulo Lomando, Paulo Nascimento, Roberto Balau Calazans e Ronald Krummenauer para escrever. Os quatorze capítulos da obra organizada por Viapiana oferecem análises e propostas que cobrem várias áreas: política, finanças públicas, política industrial, educação, segurança pública, governança e inovação. O resultado é um panorama das dificuldades – e possíveis soluções – que o Rio Grande do Sul precisa enfrentar se quiser recuperar a posição de destaque que já ocupou no cenário nacional.

Ainda que os pontos de vista sejam variados e cada autor tenha seu estilo argumentativo, há muito em comum nos artigos desta obra. A começar pela noção de que o debate público de ideias é indispensável se queremos transformar a nossa realidade. Outra característica que perpassa todo o volume é o caráter propositivo da maioria dos textos.

Os autores autografam o livro nesta quarta-feira, 31 de outubro,  a partir das 19h, no Instituto Ling.

E AGORA, GAUCHADA? – Luiz Tadeu Viapiana (org.)

272 páginas | 16x23cm | ISBN 978-85-540492-0-1

R$ 48,00

Arquipélago Editorial

www.livrariaarquipelago.com.br

Porto Alegre: Katia Suman e os diários secretos da Ipanema FM. Comunicadora autografa obra dia 17 de novembro na Feira do livro

Porto Alegre: Katia Suman e os diários secretos da Ipanema FM. Comunicadora autografa obra dia 17 de novembro na Feira do livro

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Milhares de vezes ao longo de anos, ela percorreu o corredor do segundo andar do prédio do Grupo Bandeirantes, em Porto Alegre, atravessou a divisória de vidro que dá acesso aos estúdios das rádios, abriu a última porta à direita e se instalou soberana na cadeira de apresentadora da Ipanema FM. No início de tudo, esse caminho foi trilhado durante a noite, quando literalmente solitária – mais ninguém trabalhava naquele horário -, pilotava a “nave ipanêmica”, nos voos a companhia de milhares de ouvintes, inclusive eu, em Butiá.  Na hoje longínqua década de 80… sem email, redes sociais, whatsapp ou qualquer outra forma instantânea de conversar com os “colegas diurnos”, instituiu um caderno que ficava na mesa do estúdio e servia como veículo de comunicação interna. E é dali uma fonte maravilhosa de histórias, recados nem sempre bem educados e “viagens” escritas por Mary Mezzari, Nilton Fernando, Mauro Borba, Nara Sarmento, KG, Porã, Jimi Joe… que ela extrai a matéria-prima para formatar: Katia Suman e os diários secretos da Ipanema FM.

Há muito tempo, Katia sabia que os 23 cadernos carinhosamente guardados com relatos dos problemas, necessidades, ideias e brigas de 1985 a 1997,  seriam transformados em livro, ” Os cadernos são um  making of.  Ali tem tudo o que a gente pensava sobre a rádio que fazíamos. Eu não sabia direito como organizar a coisa e no doutorado, orientada pelo Professor Fischer, eu descobri.”

43636837_1388662984601271_2867803977695625216_nMuitas são as vozes femininas e masculinas que fizeram a história da rádio mais Rock and Roll do sul do mundo, certamente entre as que se destacaram na fantástica história da emissora, está a da baiana Katia Suman. Sim! Ela é baiana e porreta!  Nunca exitou em dar sua opinião entre os blocos musicais e chamava a atenção por isso. Dia 17 de novembro, na Praça da Alfândega, uma infindável legião de fãs formará uma daquelas filas que “serpenteará” o entorno do trono onde a  Rainha autografará: Katia Suman e os diários secretos da Rádio Ipanema FM. Por sinal, estou curioso para saber se ela vai falar do início de tudo no veículo rádio, que pode surpreender a muita gente, mas foi na Atlântida. Bem, essa é outra história. Anota aí e não esquece: o livro será lançado dia 17 de novembro, com sessão de autógrafos, às 19h30 na Feira do Livro. Antes tem um bate papo no Teatro Carlos Urbim com Katia, Mauro Borba, Jimi Joe, alemão Vitor Hugo… outros devem confirmar ainda, a mediação será do professor Luis Augusto Fischer.

Katia começou a subir o Morro Santo Antônio, em 1983, quando ainda era Rádio Bandeirantes FM,  apresentou uma proposta de trabalho privilegiando a música brasileira e participou da migração para a nova emissora. Na Ipanema entre idas e vindas foram mais de 20 anos. Ali ganhou projeção como locutora, comentarista e programadora musical, apoiando músicos e bandas emergentes e prestigiando na programação uma variedade de gêneros. Contribuiu de forma importante para consolidar o prestígio da Rádio Ipanema, e nas palavras do professor de Rádio da UFRGS, Luiz Artur Ferraretto, ela ganhou notoriedade: “Graças à sua performance ao microfone nas noites dos 94,9 MHz, quando abre espaço para os, na sua expressão frequente, ‘radiouvintes’, em conversas que variam do hilário a uma profundidade ‘papo-cabeça’, não usual na programação jovem de consumo rápido de outras estações.  Na gerência de programação da rádio, Katia aprofundou o posicionamento de mercado da emissora, que se autodefiniu como uma estação voltada ao ‘segmento AB Rock Forever Young’, em outras palavras: rock, a música, e atitude rock, a rebeldia, para todas as idades”.

Ela acompanhou de dentro ou de fora – sempre bem informada -, os 32 anos da Ipanema FM e agora prepara o lançamento do livro com bastidores de tudo o que viu, ouviu e participou. A exemplo da velha Continental, a Ipanema tem mais que ouvintes, os “Ipanêmicos” formam uma categoria de fãs muito apaixonada. Entre vários exemplos da paixão, eu próprio vi dezenas de pessoas participarem de uma promoção para tatuarem o “n” da emissora, os milhares de motoqueiros com adesivos circulando pelas ruas ou sujeito que pintou o seu fusca de amarelo e preto e fez dele uma homenagem a 94,9 FM. Raras seriam as pessoas capazes de montar um diário daquele estúdio por onde passaram nomes consagrados da música gaúcha, brasileira e internacional. Muitas delas movidas a água, café, vinho, uísque ou ervas naturais…

 

Em entrevista a Juliana Maciel, publicada no blog https://jujucrmaciel.wordpress.com , Katia falou as passagens pela Ipanema FM e o trabalho que desenvolve hoje na Rádio Elétrica. A entrevista é de 2016, mas segue atual porque tem muitas questões conceituais e o início de tudo:

Kátia inspira-se no trabalho que ela e os outros comunicadores faziam na Ipanema FM – uma rádio jovem sem modelo pronto – para continuar buscando inovações e conteúdos relevantes.

Atualmente, ela não se enxerga trabalhando em outro lugar que não na sua casa. Sempre envolvida em inúmeras atividades, ela segue produzindo o Sarau Elétrico – que acontece há 17 no Bar Ocidente – e participa do coletivo Cais Mauá de Todos – que questiona o projeto de revitalização do Cais do Porto. Ela ainda procura tempo para concluir o doutorado em Letras e para continuar a escrita de um livro que contará sobre a antiga Ipanema FM, “o trabalho dos sonhos”.

Como iniciou o teu contato com o jornalismo?

Eu não sou formada em jornalismo. Mas eu sempre gostei de ler, então eu lia livros, jornais e ouvia rádio quando era adolescente. A minha primeira experiência profissional foi como redatora de publicidade quando eu tinha 18 anos. Eu trabalhei três anos com isso e parei porque não tinha nada a ver comigo. Mas a coisa da publicidade me fazia estar muito atenta a tudo o que era publicado na mídia. Quando eu vim pra Porto Alegre, eu ouvia a rádio Bandeirantes – que virou Ipanema depois – e eu achava ela incrível porque ela fugia do padrão FM meio gritado, falado rapidinho e todo alegre. Ela parecia verdadeira e tinha um conteúdo e uma programação musical muito legal. E já que eu ouvia muito, pensei que podia trabalhar nela. Então eu escrevi o roteiro de um programa e fui na rádio Ipanema falar com o diretor. Ele achou bacana e pediu pra que eu gravasse um piloto. E assim começou.

Mas o teu primeiro trabalho em rádio não foi na Bandeirantes, certo?

Então, o Nilton Fernando falou que não podia me contratar, mas disse que a rádio Atlântida queria experimentar uma voz feminina e me sugeriu que eu fosse lá. Daí eu fui. Na época o diretor da Atlântida era o Pedrinho Sirotsky e ele me recebeu. Imagina, hoje isso seria impossível. Hoje tu não chega nem na secretária do cara. Naquele tempo, eu não sei como, mas eu chegava. Eu nem estava fazendo comunicação, eu não era nada e ele falou que tudo bem e me ofereceu um estágio, no turno da madrugada, pra que eu aprendesse como funcionava. Durante meses, das 2 h às 6 h da manhã, eu ficava falando no ar e aprendi a operar a mesa de som assim. Foi incrível. Eu ia pra rádio tipo 1 h da manhã, uma piração. Eu lia todos os jornais e ficava o dia inteiro pensando no que eu ia falar, porque eu queria falar coisas interessantes. E eu realmente falava horas de madrugada.

Nos anos 80 tu começaste a trabalhar na rádio Ipanema. Como era a relação entre os comunicadores? Vocês tinham o mesmo propósito para a rádio?

Bem, a gente estava vivendo um momento muito especial. Era o começo da redemocratização. Então, começava a se respirar um ar diferente. Entre os jovens, havia uma necessidade de falar e de entender o mundo em que estávamos vivendo. Na Ipanema, a gente queria ser fora do padrão e criticávamos muito essas rádios, como a Atlântida – que eram idiotas e superficiais para o nosso ver. Elas só tocavam músicas que estavam no top 5, top 10 das revistas tipo Billboard. E achávamos tudo isso desprezível. Nós queríamos fazer uma rádio bacana, que falasse de coisas importantes: ecologia, feminismo, naturismo, política, filosofia, literatura, poesia, a gente cobria todo o espectro de manifestações artísticas e culturais da cidade. Andávamos por terrenos que as outras rádios voltadas para público jovem não iam. Eles começaram a tocar música daqui, porque a gente tocava e deu certo. Eles começaram a fazer transmissões de shows, porque a gente fazia e dava certo. Naquela época, tínhamos muito IBOPE, mesmo com uma potência pequena. E vivíamos muito aquele universo. Era o nosso trabalho, mas era também a nossa vida de uma certa forma. Porque o que fazíamos ali era absolutamente verdadeiro. A gente era muito explícito, sincero e espontâneo. Cada comunicador tinha o seu perfil, falava do seu jeito. Não seguíamos um roteiro. Tínhamos opinião sobre tudo e cada um tinha liberdade para expor as suas ideias.

Havia algum tipo de controle sobre o conteúdo veiculado por parte do grupo Bandeirantes?

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Galera da Ipanema anos 90: Claudio Cunha, Eduardo Santos, Júlio Reny, Nara Sarmento, Alemão Vitor Hugo, Katia Suman, Alexandre Brasil e Bruno Suman

Tínhamos um diretor que era o Nilton Fernando e, às vezes, ele dava umas enquadradas. Porque a gente, nessa atmosfera de liberdade e de criatividade, extrapolava. Eu me lembro do Nilton reclamando que estávamos virando uma rádio muito petista. O PT estava começando e, pra nós, conversar com um político e eleger um político era uma coisa nova. Então, era toda uma certa euforia e um desejo de participar do processo. Tínhamos liberdade, mas às vezes o Nilton ficava indignado que falávamos de mais. Porque, pra gente, esse papo de neutralidade não existia. Alías, mesmo que o jornalista use todo o manual de jornalismo da sua instituição e fique escolhendo as palavras, ele fala de algum lugar. E o que eu vejo de mais perigoso e perverso é uma neutralidade entre aspas – na qual o cara jura que está sendo imparcial e, na verdade, está enquadrado dentro de uma corporação, de um grupo, que tem sim os seus interesses comerciais e políticos.

Até que ano tu trabalhaste na Ipanema FM? Tu acreditas que a rádio foi perdendo a sua identidade jovem ao longo dos anos?

Eu tive três passagens pela Ipanema. Na primeira vez, eu fiquei até 99. Aí eu saí, fiquei sete anos fora. Voltei, fiquei dois anos e saí. E acho que foi perdendo sim, por uma série de fatores, afinal o mundo mudou. Naquele momento, nos anos 80 até 90 e poucos, a rádio tinha um papel fundamental, porque era muito difícil ter acesso a uma informação com aquele foco de interesse. Não tinha internet, a gente recebia notícias do centro do país e de outros lugares através de telex – que é um instrumento pré-histórico. Tinham agências de notícias que mandavam. Havia produção cultural, discos que nem eram lançados no Brasil. Era todo um esquema de lojas de importados, de amigo que viajava pra comprar. Era uma batalha conseguir a informação. A gente lia desde revistas voltadas ao público jovem a jornais do centro do país, como Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, Estado de São Paulo e a gente ficava catando coisa. Tentando trazer uma informação qualificada e variada pros ouvintes. E o mesmo vale para o repertório musical, porque a gente rodava de tudo – tudo o que a gente achava bom, né. Rolava rock, jazz, pop, música erudita, MPB… era uma gama tão ampla de diversidade musical que é impossível hoje. Porque as coisas foram ficando segmentadas. A Ipanema era uma geleia geral. Bandas que surgiram os anos 80, como Engenheiros do Havaí, TNT, Tefala, Replicantes, Garotos da Rua e Cascaveletes costumam dizer que a Ipanema foi a formação musical deles, porque a gente tocava coisas inacreditáveis para uma rádio. Então, com o tempo, a internet simplificou o acesso à informação, logo o rádio, especialmente esse rádio, perdeu muito da sua função e foi tomando outros rumos.

O que veio na tua cabeça quando foi anunciado, ano passado, que a Ipanema existiria apenas em um formato para a Web?

Bom, duas coisas. Primeiro lugar, eu não aceito essa versão de que a rádio migrou para a Web. Ela acabou. É uma desonestidade com o público dizer isso, porque é uma mentira. Todo mundo foi demitido. O que eles botaram no tal do ambiente Web foi um playlist. Um playlist não é uma rádio. Depois, eu senti até um alívio, porque ela foi tão importante pra mim e pra toda uma geração, que ver aquilo que estava sendo feito com o nome de Ipanema era triste. A última versão dela, era exatamente o oposto do que a gente fazia. Era tudo aquilo que a gente criticava – uma rádio de hits, com repetição, papo furado e todo mundo alegre. Então, em vez de fazer isso com o nome de Ipanema, acaba e assume que acabou. As coisas terminam, a roda gira, a fila anda… não tem mais espaço para uma rádio assim.

De que modo tu enxerga o rádio hoje?

Eu fico pensando, a minha filha tem 15 anos e ela nunca ouviu rádio na vida. Se eu der um rádio pra ela eu acho que ela nem vai saber o que fazer, porque eu acho que nem fabricam mais rádio hoje, todo mundo escuta no carro ou no celular. Então o que eu vejo é que ela e essa turma de adolescentes não ouvem rádio – pelo menos a turma da minha filha. Ela me pediu pra assinar o spotfy e ela ouve umas músicas pelo spotfy. Eu penso que hoje, com esse tipo de coisa, Spotfy, Deezer… não tem sentido ouvir rádio – eu falo de quem quer ouvir música. Porque, no rádio, vai ter aquele comercial chato e vai ter o cara falando. Então eu percebo que o FM virou rádio de notícias ou rádio bem popular, de música de massa, tocando sertanejo universitário.

Eu já estou em uma idade de querer ouvir gente falando, então eu ouço rádio de notícias. Mas, eu tenho muita dificuldade porque as rádios são muito caretas e são muito chatas. Então, pra mim, o que tem de legal no rádio hoje é o Boechat – de manhã cedo na Band – e eu gosto muito do programa do Juremir Machado da Silva e da Taline Oppitz sobre política na Guaíba. Eles entrevistam políticos de todos os partidos. Eles dão uma pauta e os políticos ficam meio que se confrontando e isso é muito bom porque aí tu vê como é que eles pensam. Em relação à rádio musical tem a Unisinos com um repertório musical legal e a FM Cultura. Mas eu já não tenho vontade de ouvir música no rádio.

É possível inovar trabalhando em um veículo de mídia tradicional hoje?

Eu acho que sempre é possível inovar. Eu acredito na possibilidade da criação humana. A rádio Unisinos, por exemplo, tá botando no ar a Rádio Elétrica. Então, o conteúdo que eu gero na minha casa é transmitido no FM. Isso pra mim é novo. É uma maneira de cruzar ambientes. Então, eu acho que dá pra inovar sempre. Mas por uma questão também de retração de mercado os caras não querem ousar. A Ipanema só foi possível porque aquilo que se fez naquele momento conquistou uma legião de ouvintes e com os ouvintes vieram os anunciantes. Acho que hoje, dada as facilidades tecnológicas talvez seja mais fácil inovar. Tu pode ter programa com gente falando de todas as partes do mundo, programa com gente falando de dez estados brasileiros. Eu gosto de ouvir a Band News porque é assim, tem uma ancoragem em São Paulo, mas entra gente do Rio, entra gente de Recife, entra gente de Brasília, entra gente de Porto Alegre, porque eles tem uma rede grande nacional. Mas entra dentro de um formato muito quadradinho. Então eu acho que falta pra uma boa parte de um público que cresceu e que se formou ouvindo a Ipanema, um outro tipo de rádio, um outro tipo de comunicação mais solta, menos careta, mas plural, mais livre, menos quadrada, com uma linguagem menos politicamente correta. Eu acho que uma rádio assim prosperaria. Mas eu não tenho mais energia e disposição pra formatar uma ideia e transformá-la em negócio. Eu não me vejo trabalhando em nenhuma das FMs que existem. Parece que eu não tenho perfil pra estar em alguma delas – não sei, pode ser uma loucura da minha cabeça –, mas eu criei a minha rádio Web porque fazer rádio pra mim é um negócio importante. Eu gosto, eu preciso, me ajuda a entender. Eu trago pessoas pra falar de assuntos que eu julgo relevante, eu tenho uma pauta. É quase que um ativismo que eu faço na minha rádio. Eu consigo fazer isso hoje graças à tecnologia então eu não vou tentar convencer uma empresa e mais milhões de anunciantes porque isso pra mim é muito desgastante e cansativo. Eu sou capaz de inventar um jeito de fazer rádio. E eu inventei um, a minha rádio está no ar.

Como surgiu a ideia de criar a Rádio Elétrica?

Eu comecei a transmitir em dezembro de 2010. Eu estava trabalhando nesse momento na TV COM. Quando eu saí da Ipanema para ir pra RBS, eu coloquei como uma das condições trabalhar em uma das rádios do grupo. Passou um ano e nada. Até que eu decidi fazer a minha rádio. De lá pra cá eu mudei um pouco. No começo eu transmitia ao vivo duas horas por dia – era de manhã – e fazia um rádio do jeito que eu fazia lá nos anos 80/90: falava um pouco, rodava umas músicas, voltava, falava o que tinha rodado, comentava mais alguma coisa. Aí eu voltei a trabalhar na Ipanema e quando eu saí – pela terceira vez – eu comecei a ver a Rádio Elétrica de uma outra maneira.

Como funciona a programação da Rádio Elétrica?

Eu fazia na Ipanema, o programa Talk Radio, que é basicamente uma rádio falada. Não é um diálogo com especialistas, não é uma entrevista, é uma conversa entre cidadão com tantas dúvidas e perplexidades quanto qualquer um. E eu passei a trabalhar em cima dessa ideia.

Então, na segunda-feira o papo é mais sobre cultura, eu converso com um cara que é produtor cultural. Na terça-feira eu falo com uma médica que é a Cinthya Verri e podemos entrar no terreno da psicanálise, da anatomia, ou do comportamento. Na quarta-feira, eu converso com o Diego Granto – que é professor e poeta. A gente fala muito de política, de feminismo, dos movimentos que estão acontecendo. Mas a gente fala do ponto de vista de quem está assistindo sem entender muito bem. Na mídia parece que todo mundo tem certeza, e isso me irrita um pouco. Ninguém tem dúvida. Mesmo agora nesse impeachment/golpe, cai/não cai… sempre tem um jurista, um advogado, que entendeu tudo. Então, pra fechar, na quinta-feira, eu falo com a Fabiola Pecce, que é consultora ambiental e sexta-feira é o dia da cidade, em que eu falo sobre questões de planejamento urbano.

Clique e leia a íntegra da entrevista no https://jujucrmaciel.wordpress.com

 

 

Porto Alegre: Nelson Sirotsky autografa dia 24, O Oitavo dia. Livro escrito junto com Leticia Wierzchowski narra fatos da vida pessoal e profissional de um dos maiores empresários de comunicação do País

Porto Alegre: Nelson Sirotsky autografa dia 24, O Oitavo dia. Livro escrito junto com Leticia Wierzchowski narra fatos da vida pessoal e profissional de um dos maiores empresários de comunicação do País

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Desde que foi divulgada a informação de que Nelson Sirotsky tinha aceitado o convite da Editora Sextante, uma das maiores do País, para escrever um livro sobre sua vida pessoal e profissional, há uma curiosidade generalizada sobre o que vai revelar  um dos mais poderosos empresários de comunicação do País. Um homem com poder e influência, que construiu sua carreira sendo observado pela família, amigos, concorrentes e milhões de consumidores de seus jornais, rádios e TVs. Segundo um amigo, Nelson foi corajoso ao extremo, não se poupou e não escondeu nada ao escrever algo que não é uma biografia, mas tem muito pouco de ficção. Apesar do próprio amigo dizer que a vida do Nelson daria um romance. O livro O Oitavo Dia, que Nelson P. Sirotsky autografa dia 24 de outubro na Livraria Saraiva, do Shopping Iguatemi ao lado de Leticia Wierzchowski, co-autora da obra narra fatos reais usando artifícios de narrativa ficcional para construir a estrutura do livro. o título se refere ao oitavo dia de vida de um menino judeu, quando é realizada sua circuncisão. Para quem acompanhou o trabalho, o livro é “praticamente o primeiro ato desse novo Oitavo Dia dele. Uma metáfora para o renascimento, para um novo ciclo, o novo momento de vida do Nelson.”

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A saga da família Sirotsky, que chega ao Brasil fugindo de perseguições religiosas na Europa, a trajetória pessoal e profissional de Nelson são contadas através de depoimentos, pesquisas e histórias que partem do concreto e passeiam pelo espaço da narrativa e da liberdade ficcional. Relembra a história da RBS iniciada em 1957, quando o pai dele, Maurício Sirotsky Sobrinho entrou como sócio na Rádio Gaúcha em Porto Alegre e segue quando em 1962, já acompanhado de Jayme, o tio, e de outros sócios, iniciou a operação da TV Gaúcha no Rio Grande do Sul. Em 1971, os homens da segunda geração da família começaram a trabalhar na empresa. Nelson atuou 45 anos na empresa familiar, tendo sido presidente de 1991 a 2012. Com 61 anos de existência, a RBS é um dos principais grupos de comunicação do país, atuou também em diversos segmentos – mercado imobiliário, informática, produção audiovisual, televisão por assinatura, internet, canais segmentados de televisão, e-commerce e mercado de capitais.

O oitavo dia conta a trajetória de Nelson e o envolvimento dele com personagens fortes e marcantes da política, economia e sociedade. Mostra  virtudes e fraquezas, apresenta a espiritualidade de Nelson, um lado de Nelson, desconhecido para a maioria das pessoas. Trata dos bastidores dos 21 anos em que esteve na presidência da RBS, dos altos e baixos, de decisões certas de avançar no crescimento do Grupo e erradas que causaram prejuízos financeiros e de imagem. Em determinado ponto revela o pensamento em deixar a presidência da empresa, após a associação com a Telefônica de Espanha, que gerou problemas com a Globo, mas uma crise interna muito maior  dentro da família e da RBS. Detalha as passagens de bastão do “Tio Jayme” para Nelson em 1991 e de Nelson para o sobrinho, Duda Melzer em 2012. Conta ainda a decisão de seguir no comando do Conselho de Administração da RBS até 2015, quando abdicou de qualquer cargo na empresa fundada pelo pai e iniciou uma nova fase da sua vida. Hoje capitaneia a holding familiar MAROMAR (iniciais dos nomes dos filhos Maurício, Roberto e Marina).

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Leticia Wierzchowski e Nelson Sirotsky autografam dia 24, na Saraiva do Iguatemi e dia 04/11, na Feira do Livro, em Porto Alegre. Foto: Carin Mandelli

Nelson pelo jeito concorda com minhas fontes. Ele mesmo escreve na apresentação: “Este não é um livro de memórias. Não é uma biografia. Não é uma história empresarial. Não é uma obra de ficção. Não é um romance. Não é um livro de revelações. O oitavo dia é um pouco de tudo isso.” O livro que sai pelo selo Primeira Pessoa, da editora Sextante é escrito a quatro mãos em parceria com a romancista Leticia Wierzchowski. Nelson pessoalmente redigiu seis capítulos da obra e os escreve na Primeira Pessoa. Dividido em quatro narrativas que se cruzam, o livro é um misto do relato franco e honesto do protagonista-autor com pesquisas e histórias reais, entrelaçados num fio habilmente urdido pela c0-autora, Leticia Wierzchowski, uma das mais talentosas escritoras do Brasil na atualidade.

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Porto Alegre: Flávio Ilha autografa “Longe daqui, aqui mesmo” hoje no Baden Café

Porto Alegre: Flávio Ilha autografa “Longe daqui, aqui mesmo” hoje no Baden Café

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Depois de escrever textos em coletâneas, finalmente Flávio Ilha, lança um “livro solo”.  Jornalista com JOTA maiúsculo, Ilha na verdade é um arquipélago na função que desempenha com absoluta desenvoltura. Repórter, editor, cronista do nosso tempo e crítico ácido em seus comentários, seja nas redes sociais, seja em artigos…  tive o prazer de acompanhar o trabalho “in loco”, nas muitas vezes que nos encontramos em diferentes pautas. Pois agora, o talentoso jornalista resolveu tirar da gaveta e publicar textos que só João Gilberto Noll, colegas de oficina literária e amigos próximos conheciam. Hoje, no Baden Café, ele autografa seu primeiro livro de contos: Longe daqui, aqui mesmo.

capa_flavio_2Sobre o livro, que reúne oito contos, diz o escritor Tailor Diniz: “Entre um movimento e outro de criaturas que carregam a precariedade da vida no limite do pesadelo com a realidade, quando a própria realidade pode ser o pesadelo ou vice-versa, entre a rotina de ida e volta de personagens sombrios, perpassa o texto uma visão social e psicológica aparentemente fora da narrativa, sutil, mas que, no final, deixa a sensação de um efeito único, fazendo do livro uma obra para ser lida com vagar, com os sentidos atentos às entrelinhas, àquela corrente de águas que vaza invisível, lá no fundo, além da superfície, o que sempre vem a ser o viés mais gratificante da leitura.”

Já o escritor Paulo Scott, considera Longe Daqui, aqui mesmo: “Aqui, intrincados narrativos acomodando extratos variados de tragédias não ditas, não reveladas. Aqui, narradores que variam, sempre dentro de uma função: a de velar a noção oblíqua de que todos nós estamos perdidos e de que continuaremos perdidos – narradores produzidos por um autor talentoso que, consciente ou inconscientemente, dialoga com um de seus mestres da literatura universal. Aqui, uma obra sutil, mas ao mesmo tempo estrondosa, na medida em que toma como matéria-prima o movimento fantasmagórico das esperanças e dos jogos dos relacionamentos que aos poucos vão rachando, eventualmente implodindo, como tudo que precisa, desesperadamente, seguir adiante, e segue.”

 O livro editado pela Diadorim, foi totalmente produzido na oficina de literatura de Noll, em 2016.  As ilustrações são do artista visual João Salazar, que também é músico e autor do EP “Entrópico” (2017)

SERVIÇO:

O lançamento, com sessão de autógrafos, ocorre no Baden Cafés Especiais (rua Jerônimo de Ornelas, 431) a partir das 20h.

LONGE DAQUI, AQUI MESMO
Diadorim Editora
64 páginas
R$ 35
ISBN 9788593107047

David Coimbra lança “Hoje eu venci o câncer”. Livro com relatos inéditos sobre como o jornalista enfrentou a doença chega às livrarias na segunda-feira

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Escrever que David Coimbra é um dos grandes jornalistas brasileiros da atualidade, um cronista de mão cheia e um amigo dos amigos, é o óbvio. Mas e daí? Porque é óbvio não vou escrever? Ok! David  não é uma unanimidade. Todavia, não é porque há burros no planeta. Mas, normalmente até eles, o meu amigo trata com gentileza. Olha, ser David em época de intolerância nas redes sociais, requer uma dose extra de generosidade e paciência. Ainda bem que ele as têm em quantidade ilimitada. Convivi muito com o David nas quadras de futebol de salão (Futsal é coisa moderna) entre bolachas de chope, sanduíches abertos, filés,  churrascos, vários “xises” (ele já descreveu em sua coluna a experiência de traçar um cheeseburger ao meu lado) e tenho algumas longas horas em filas esperando o autógrafo do menino do IAPI. Houve uma época que ele lançou vários livros em um pequeno espaço de tempo. Sou tão fã, que tenho dedicatórias em edições diferentes de Jô na Estrada e A Mulher do Centroavante. Alguém me perguntou: Tu vai na sessão de autógrafos do David? E eu sem saber que livro… fui. Só me flagrei que já tinha devorado o livro, quando li o nome da obra na página autografada pelo David. Cometi o erro uma segunda vez, até aprender a olhar o cartaz do lançamento. Afinal de contas, “Herrar é umano, persistir… “.

Quando soube da notícia do câncer no rim, fiquei abalado como todos que conviviam com o craque das letras, mesas e quadras. Foi a força e a determinação do David em enfrentar a doença, que melhorou o ânimo dos que estavam em torno dele. É claro que o filho da D.Diva e pai do Bernardo, se abalou com a notícia(quem não se abalaria), mas encarou o desafio de ser cobaia. Apoiado pela Marcinha, amigos mais próximos e por Duda Melzer – poucos sabem, mas ele acompanhou tudo de perto – David foi a luta e venceu o monstro. Mas, para um cara que leu os “Tesouros da Juventude”e escreve crônicas e reportagens como poucos, a vitória física não basta. Ele tinha que passar e repassar psicologicamente cada momento que viveu. Por isso, chega às livrarias na próxima semana: HOJE EU VENCI O CÂNCER.

29852916_2074250996127226_1472937266_nDavid já tratou do assunto em colunas, no jornal Zero Hora. Em 18 de maio de 2013, iniciou a série: A má notícia. Na abertura do capítulo 1:  “Quando descobri que estava com câncer, desmaiei. Que decepção comigo mesmo, eu que me achava tão forte. Hoje as coisas estão diferentes, e logo você vai entender por quê. Naquele dia, 8 de março, uma sexta-feira azul e amarela de fim de verão, minha preocupação era uma misteriosa dor no peito que vinha sentindo havia algumas semanas. Os médicos fizeram todo tipo de investigação e não descobriam do que se tratava. Estava tudo bem com o coração, tudo bem com os pulmões, mas a dor aumentava a cada dia, até se tornar quase insuportável (…) Um rim tinha o dobro do tamanho do outro, e o rim grande tinha uma área escura no centro, uma mancha que lhe tomava quase todo o território. Arregalei os olhos e constatei, em voz baixa: – É câncer… Os médicos e técnicos em volta tentaram ser otimistas. – É preciso fazer mais testes – disse um deles. Mas eu sabia que era câncer. Não precisava ser médico para perceber o óbvio.”  Em outubro de 2016, no artigo: “Eu virei cobaia de um remédio contra o câncer”, ele tratou do assunto nas páginas da revista Superinteressante, que dedicou toda uma edição a doença.

“… Tinha câncer de rim com metástase e sofri um bocado, de lá para cá. Meu rim esquerdo foi extraído, e agora descobri que isso é mais uma das coisas que tenho em comum com Pelé, além da minha categoria como ponta-direita recuado. Tomei algumasdas drogas existentes no Brasil contra câncer de rim. A maioria funcionou por três ou quatro meses, mas logo as espertas células mutantes do câncer aprenderam como voltar a se reproduzir. A folhas tantas, um médico me informou:

– Se tudo der certo, você tem, no máximo, mais cinco anos.

Se tudo der certo…

Foi nesse momento que descobri o maravilhoso mundo das cobaias. Vou contar como é: agora mesmo, há cientistas que estão estudando uma única e minúscula molécula, a mesma molécula que observam já há 20 ou 30 anos de suas vidas. Esse estudo paciencioso e criterioso, somado a outros tantos igualmente pacienciosos e criteriosos, resulta na confecção de drogas com poder suficiente para derrotar vários tipos de câncer. Em breve, e espero que seja realmente em breve, eles descobrirão a cura de todos os cânceres, que o câncer não é um só, é legião, porque são muitos.

Ocorre que, em determinada etapa desses estudos, o remédio precisa ser testado em seres humanos. É aí que entramos nós, as cobaias felizes. Quando você é selecionado para participar de um desses estudos, recebe otratamento mais avançado de que a ciência dispõe. Uma dona de casa que mora em Bangu, na Zona Norte do Rio, por exemplo, recebe, gratuitamente,o mesmo tratamento pelo qual pagarão xeiques sauditas, industriais alemães ou executivos japoneses.O problema é que a dona de casa de Bangu dificilmente terá acesso a esses experimentos, por causa da burocracia do Estado brasileiro.”

Agora, depois de escrever crônicas e artigos sobre o que viveu, David concluiu seu livro um relato longo sobre tudo o que viveu nos últimos anos. Eu conversei com ele rapidamente sobre o livro, via whatsapp:

Felipe Vieira: Quando tu decidiu escrever o livro ?

David Coimbra: Tinha pensado em escrever esse livro pro Bernardo. Depois, vi que seria um livro que poderia ajudar muita gente. Gente que, de alguma forma, convive com males assim e até quem não convive, mas que pode compreender algo a respeito e usar para si mesmo. Não posso dizer que estou curado, porque esse tipo de doença sempre pode voltar. Por isso coloquei o “hoje” no título. Hoje estou curado, não sei como será amanhã, mas o que me importa é hoje.

Felipe Vieira: Como foi receber a notícia da doença?

David Coimbra: Foi terrível. Um dos piores momentos da minha vida. Lembro de cada detalhe, descrevi tudo no livro e, ao descrever, cheguei a sentir de novo aquela péssima sensação.

Felipe Vieira: Tu pensou que ia morrer?

David Coimbra: Claro. E foi por isso que decidi escrever esse livro. Decidi escrever algo pra deixar pro meu filho. Mas, depois, como continuei vivo, mudei um pouco o projeto.

Felipe Vieira: Como foi a decisão de se atirar de cabeça em um tratamento experimental?

David Coimbra: Eu não tinha alternativa. Tinha que tentar.

Felipe Vieira: Tu te sentiu uma cobaia?

David Coimbra: Eu era uma cobaia. Sou ainda. Com muito orgulho.

Felipe Vieira: O livro está restrito aos anos da doença ou tu coloca outras memórias?

David Coimbra: Escrevo sobre os anos da doença, mas recuo várias vezes, conto muitas partes da minha vida, falo de pessoas e situo os personagens. Muito do que vivi está ali.

Felipe Vieira: Como pai, adorei ler o teu livro: Meu Guri. Como foi dar a notícia para o Bernardo?

David Coimbra: Eu não dei a notícia pro Bernardo, porque ele era muito pequeno, mas houve um momento em que tive de expressar a ele claramente o que estava acontecendo. Contei isso no livro.

 

No release do livro está escrito e eu concordo plenamente. Enfrentar uma situação-limite e sair inteiro é para poucos. Após o auge da dor – seja ela física ou espiritual –, vem o depois, o dia a dia. Em Hoje eu venci o câncer, David Coimbra nos mostra como ele lidou com seus próprios medos ao enfrentar uma doença que colocou sua vida de cabeça para baixo. Logo em seguida a um diag­nóstico assustador por sua gravidade, o autor se mudou para os Estados Unidos com sua família para tentar um tratamento experimental que foi sua salvação.

Em textos por vezes crus de tão hones­tos sobre sua saga para recobrar a saúde, o autor nos pega pela mão numa viagem que intercala presente e passado. Para entender de onde tira tanta determinação, retornamos com ele à sua infância, precisa­mente ao momento em que sua mãe, com três filhos pequenos, foi abandonada pelo marido, e seguimos por sua vida adulta, por seu início no jornalismo, pelas grandes coberturas e principalmente pelos laços de amizade que foi construindo, amigos esses fundamentais para enfrentar a doença.

Ao intercalar sua narrativa com as crônicas que publicou nos momentos mais difíceis da sua vida – como o texto supreendentemente leve que escreveu no dia que teve o aterrador diagnóstico ou o angustiante relato de quando se viu inter­nado para mais uma cirurgia nos Estados Unidos, à qual se seguiram delírios em função dos opiáceos receitados –, o autor nos mostra como seguir em frente sempre, mesmo nos momentos mais assustadores. Porque para David Coimbra só existe o presente, o tempo gerúndio, o que está acontecendo. O futuro é inconfiável. E o passado se constrói a cada dia que passa.

 

Quer saber mais? Reserve um tempo na próxima semana, passe em uma livraria ou entre  no site da L&PM e baixe o e-book. Lá você vai encontrar um trecho da obra.

 

Título:

HOJE EU VENCI O CÂNCER

Preço:

34,90

Gênero:

Biografias
Saúde Memórias Crônica

Formato:

14×21

Páginas:

208

Edição:

abril de 2018
Livro da Queermuseu é retirado de bibliotecas no interior do Rio Grande do Sul. ‘Não vivemos no Estado Islâmico’, critica diretor de Cultura de Uruguaiana sobre retirada de obra; por Daiane Vivatti/Rádio Guaíba

Livro da Queermuseu é retirado de bibliotecas no interior do Rio Grande do Sul. ‘Não vivemos no Estado Islâmico’, critica diretor de Cultura de Uruguaiana sobre retirada de obra; por Daiane Vivatti/Rádio Guaíba

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Um mês após ser retirado da Biblioteca Pública de Uruguaiana, município da Fronteira Oeste, o livro sobre a exposição “Queeermuseu – Cartografias da Diferença Arte Brasileira” ainda não voltou para o acervo da instituição. A obra foi retirada pelo vereador Eric Lins (DEM) na primeira semana de outubro e, segundo o diretor de Cultura da cidade, Ricardo Peró Job, o próprio parlamentar entrou no local, pegou o livro sem autorização e até hoje não devolveu o patrimônio da biblioteca.

“O livro estava para ser catalogado, em uma sala. O vereador entrou na biblioteca e foi direto para o local onde estava a obra, então, eu acho que alguém avisou ele. Ele assinou uma folha de retirada com um funcionário que não é da biblioteca e depois fez um vídeo”, relata Job.

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Ricardo Peró Job

O vereador Lins rebateu as afirmações, dizendo que o livro estava disponível em uma prateleira, sem indicação de idade e que a retirada do catálogo foi assinada, garantindo a legalidade da ação. Ele admite, entretanto, não ter devolvido a obra à biblioteca. “Depois, eu devolvi o livro diretamente na Prefeitura, como um representante da Câmara de Vereadores”, argumenta.

Na semana passada, o vereador entregou o livro no Gabinete do prefeito Ronnie Mello (PP), junto com uma moção – contrária à divulgação da obra – aprovada pelos vereadores. Conforme a assessoria da prefeitura, o livro foi encaminhado para a Procuradoria-Geral do Município fazer uma análise para definir ver se o livro poderá ou não integrar o acervo da biblioteca. Não há prazo para a decisão.

O vereador entende que o livro possui conteúdo impróprio, que não deve ser feito e disponibilizado com verba pública. “Isso, com certeza, não é uma obra, como chamam de obra, que mereça receber apoio do dinheiro público. Se a pessoa quiser fazer isso na sua casa, comprar em uma livraria… agora, a partir do momento que você subsidia esse tipo de coisa, com dinheiro público, porque a biblioteca é pública e os funcionários também, deixa de ser algo digno”, argumenta Lins.

“Não vivemos no Estado Islâmico”, diz diretor de Cultura

O diretor de Cultura de Uruguaiana, no entanto, defende que o livro volte para o espaço. “Sinceramente, eu sou a favor da volta desse livro para a Biblioteca Municipal nessas condições: que ele fique em uma estante, fora do alcance de crianças. Acho que nós não vivemos sob a bandeira do Estado Islâmico, nós também não somos censores e o livro existe para quem gosta desse tipo de manifestação. Eu, pessoalmente, não gosto, mas o livro existe e tem que constar na biblioteca”, ressalta Job.

A posição também é defendida pela Associação Rio-Grandense de Bibliotecários (ARB), que emitiu uma nota contrária a qualquer tentativa de interferência em bibliotecas. “Considerando o cunho liberal e humanista da profissão, (a associação) manifesta-se de maneira contrária à ingerência de qualquer ente político no desenvolvimento de coleções das bibliotecas públicas. Ainda, a administração e direção de bibliotecas é de responsabilidade do bibliotecário, conforme Lei nº 4.084, de 30 de junho de 1962″, diz o comunicado.

A ARB também aponta que “a retirada, o banimento e a censura a obras específicas, ou a temáticas polêmicas, devem ser encarados com seriedade por qualquer sociedade que se apresente como democrática e essas atitudes interferem e impossibilitam justamente o debate e a cidadania”.

Situação em outras cidades

Vereadores de Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Erechim também fizeram moções contra a presença do livro da Queermuseu nas bibliotecas. Em Bento Gonçalves, na Serra, a obra foi retirada da Biblioteca Municipal e está retida na Prefeitura. De acordo com o Secretário Municipal da Cultura do município, Evandro Soares, um vereador conversou com o prefeito e pediu que o livro fosse disponibilizado com cuidado no local. Com isso, a administração está avaliando qual é a melhor forma de colocar a obra à disposição do público e, a princípio, será feita uma classificação indicativa. Soares garantiu, no entanto, que o livro da exposição vai voltar para a biblioteca.

Já em Caxias do Sul, também na Serra, o livro está em processo de catalogação. Das cidades onde os vereadores encaminharam moções contra o catálogo da Queermuseu, o único local onde a obra já está disponível para empréstimo é Erechim, no Norte do Estado. Conforme o bibliotecário do espaço, não foi solicitada a retirada da obra do acervo e, inclusive, o livro está emprestado para um leitor.

Contexto

Quando ocorrem atividades patrocinadas pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC), os livros são distribuídos gratuitamente em todas as bibliotecas públicas gaúchas. A Queermuseu estava em cartaz no Santander Cultural, em Porto Alegre, e foi encerrada em setembro – um mês antes data definida – após protestos de pessoas que acusaram a exposição de fazer apologia à pedofilia e zoofilia.