Artigo: O silêncio do porta-voz Rêgo Barros: uma análise pela técnica do jornalismo; por Luiz Artur Ferraretto*

Artigo: O silêncio do porta-voz Rêgo Barros: uma análise pela técnica do jornalismo; por Luiz Artur Ferraretto*

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Deixemos de lado o fato de que uma entrevista coletiva deva ter como personagem central uma fonte e de que o porta-voz, o general de divisão Otávio Rêgo Barros, é apenas o intermediário entre a fonte – no caso, o presidente Jair Bolsonaro – e a sociedade, ali representada pelos jornalistas. Compreende-se que o chefe do Poder Executivo precise ter alguém de confiança para falar em seu nome com a imprensa e que, em tese, tenha pouco tempo para tantos contatos. Desconheço se, erro de várias administrações anteriores, Rêgo Barros também não possua formação na área específica de Comunicação. Obviamente, esse último aspecto não é problemático para quem escolhe embaixadores com base em laços de sangue.

Vamos, portanto, a análise do trecho da transmissão da TV oficial, no qual aparecem os questionamentos do repórter Guilherme Maziero, do UOL. O jornalista está rigidamente dentro de seu papel e, de forma sempre educada, faz perguntas procedentes. Lembremos: exercer a profissão implica representar o público junto a autoridades, especialistas, protagonistas, testemunhas… – quem pode ser qualificado tecnicamente como fonte. Maziero faz isso com propriedade.

O porta-voz, no entanto, foge do fio condutor dos questionamentos. Colocado diante das dúvidas não só de Maziero, mas expressas por outros jornalistas, Rêgo Barros procura tergiversar: “Acho que não há dúvida por parte de ninguém!”. Tenta ser impositivo, mas acaba por trair sua insegurança ao recorrer ao verbo “achar”. Quem acha não acredita. Como não consegue explicar nada, joga a compreensão para os próprios jornalistas: “No todo! Vocês têm que entender o contexto no todo!”. De qual todo se trata e a qual contexto se refere, não fica claro.

Por fim, Rêgo Barros apela para a não-resposta, atitude do entrevistado que foge de questionamentos com expressões faciais, gestos, olhares… De fato, o silêncio do porta-voz é o mais significativo do seu embate com os jornalistas. Representa a reação de quem, constatada a impossibilidade de convencer racionalmente o outro, deixa no ar a ameaça de que apenas a sua posição deva ser aceita como verdadeira. E, dessa forma, fecha-se mais um pequeno capítulo do crescente desrespeito à imprensa como instituição central de uma sociedade democrática.

 

22730560_1665748616776983_387277267865023406_n-150x150*Luiz Artur Ferraretto, Jornalista, Doutor em Comunicação e Professor da UFRGS

Menos “fake”, mais “news”; por Luiz Artur Ferraretto*

Menos “fake”, mais “news”; por Luiz Artur Ferraretto*

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Você pode ser até um cara com boas intenções, mas, por favor, pare de me encher o saco com mensagens de áudio ou de vídeo com denúncias “fortíssimas” provenientes de fontes irrelevantes. Eu não tenho tempo para tanto lixo. Não adianta me enviar o vídeo que a Globo mandou tirar do ar e só você, gênio da raça, recebeu. Não insista com o áudio do cunhado do primo do irmão do seu amigo, denunciando isto ou aquilo.


Vá se informar. Abandone a Wikipedia e o Google. Saia do Facebook e do grupo de Whats da sua família. Compre um livro. Leia três jornais por dia. Veja vários telejornais. Escute rádio. Recorra ao que você considera “alternativo”. E estude. Só não divulgue mentiras.

Vou tentar lhe ajudar. Preste atenção! É simples! Vou explicar para você o que é fonte. Trata-se de alguém responsável pelo que informa. É um sujeito claramente identificável. Desculpe-me, mas o cunhado do primo do irmão do seu amigo, se existir, não passa de mais um em meio à multidão. Só fala por ele mesmo. Repito: tem zero de representatividade.
Esta é a diferença entre a informação difundida pelo profissional e a fornecida, sem critério, por leigos. A fonte precisa ser, como tudo no processo, séria. Desculpe, mas se trata de algo que precisa ficar claro. O que você está fazendo – até com boas intenções – é apenas a velha fofoca, agora amplificada pelas redes sociais. Só isso.

 

Luiz Artur Ferraretto, Jornalista, Doutor em Comunicação e Professor da UFRGS