Parabéns Porto Alegre, taxistas e leitores. Táxis da Capital viram bibliotecas itinerantes

Parabéns Porto Alegre, taxistas e leitores. Táxis da Capital viram bibliotecas itinerantes

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Fiquei muito feliz ao ser convidado pelo meu amigo Márcio Pinheiro, que atua como coordenador do livro da Secretaria Municipal da Cultura, para fazer parte ao lado de pessoas que admiro do lançamento do projeto Bibliotáxi, uma iniciativa para democratizar o acesso aos livros. E hoje, um dia em que abri o programa Agora da Rádio Guaíba de baixo astral (para quem não ouviu eu li o texto que publiquei aqui no site nesta quarta-feira :Dilma e Sartori, parem de bater minha carteira, acabei me sentindo melhor ao participar de um evento como esse.

O próprio prefeito José Fortunati, que já ganhou nas últimas 24 horas elogios neste espaço pelas ações do Domingo no Parque e a licitação dos ônibus da Capital, foi muito feliz ao dizer no seu pronunciamento que o noticiário das últimas semana está muito ruim. É aumento de impostos, corrupção, violência urbana… e esses projetos com tantas notícias de crise servem pelo menos para pessoas como eu acreditarem que o poder imagem146170público e a iniciativa privada podem desenvolver projetos de parceria que permitam a população acessar cultura de forma gratuita seja através de shows gratuitos, seja através de livros encontrados nos bancos de táxi e eu tenho a esperança que logo, logo também nos das lotações e ônibus.

Gostei muito de estar ao lado da minha amada guru Tânia Carvalho, que passa grandes dicas de literatura aos ouvintes da Rádio Gaúcha, do Luiz Gonzaga Lopes e do Jaime Cimenti, que tratam com tanto carinho os livros nas páginas do Correio do Povo e do Jornal do Comércio e do Pedro Ernesto Denardin, que já escreveu livros sobre futebol e estava lá todo pimpão com o primeiro DVD. (É inacreditável, mas o Pedro tem vinil. Faz tempo que ele canta, encanta e segundo alguns maldosos engana… Beijo, Pedro!)

Por sinal, vem aí a Feira do Livro, e lá você encontrará diversas opções para realizar suas doações ao Banco de Livros, coordenado pelo querido Waldir da Silveira que apresentou números maravilhosos no lançamento do Bibliotáxi: cerca de 700 mil livros recebidos em doação foram distribuídos para 414 instituições. 93 casas prisionais receberam cerca de 130 mil, 12 casa da Fase cerca de 7 mil e ele anunciou que vem aí um projeto para que todos os 120 Postos de Saúde de Porto Alegre tenham acesso aos livros. Hoje, os primeiros 6 já foram equipados com móveis e nele pacientes e acompanhantes já encontram mais de 7 mil livros a disposição.

Parabéns! Parabéns! Parabéns, Waldir, todos que trabalham no Banco de Livros profissional ou voluntariamente e principalmente para quem pratica o desapego. É claro que todos temos livros que não queremos longe de nós, mas aqueles que vão servir só para ocupar espaço nas prateleiras devem ser doados para que suas histórias encantem outras pessoas e nós possamos através da literatura fazer um País melhor. O grande Monteiro Lobato – xô, politicamente corretos que teimam em bater em um dos escritores da minha infância, esquecendo o contexto histórico do período retratado – já disse: “Um país se faz com homens e livros”.

Tá! Já sei! Escrevi demais e não expliquei como funciona o Bibliotáxi… Seguinte: você pega um táxi e, sem muito o que fazer durante aqueles minutos da viagem, pode ler um livro, disponível ali mesmo, no veículo. Chegou ao destino e quer continuar a leitura? Sem problemas! Só levar o exemplar para casa e, quando terminar a leitura, devolver em qualquer táxi cadastrado no projeto Bibliotáxi. A iniciativa foi lançada nesta quinta-feira, dia 24, em Porto Alegre, pela prefeitura, em parceria com o Banco de Livros da Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais e a Easy Taxi. Com isso, três mil carros devem virar minibibliotecas na Capital.

O projeto é um incentivo à leitura e à troca de conhecimento, pois além de estimular os leitores também incentiva o caminho inverso, fazendo com que os passageiros e parceiros do projeto doem livros. O prefeito José Fortunati destacou a importância desse tipo de ação para disseminar a cultura e o aprendizado. “Somos o estado que mais lê no Brasil. Temos que manter essa posição e ampliar o número de pessoas com o hábito da leitura. O Bibliotáxi é uma iniciativa fantástica que faz com que os livros não fiquem parados na prateleira, possibilitando que eles circulem e levem conhecimento ao maior número de pessoas possível”, disse Fortunati.

O secretário municipal de Cultura, Roque Jacoby, lembrou que nos táxis, tanto os passageiros que costumam ler quanto aqueles que não têm esse hábito serão incentivados a pegar um livro pela facilidade de acesso. “É um momento ímpar que estamos vivendo na democratização da cultura. A literatura permite que as pessoas se qualifiquem. E ela vai estar ali, gratuita, fácil, disponível sem exigências ou necessidade de cadastro”, explicou.

A ideia é que o passageiro escolha um exemplar, leve consigo e, após a leitura, coloque o livro novamente em circulação, em sua próxima corrida, nos bolsões customizados do projeto, localizados no encosto do banco dianteiro do passageiro nos veículos. O presidente do Banco de Livros, da Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais, Waldir da Silveira, ressaltou que o incentivo é, também, para que as pessoas façam suas doações de livros, ampliando ainda mais a dimensão desta biblioteca colaborativa.

Serão distribuídas três mil sacolas aos táxis de Porto Alegre e região cadastrados no aplicativo da Easy Taxi. Os passageiros encontrarão livros em categorias variadas, cedidos pelo Banco de Livros da Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais, Secretaria Municipal da Cultura e Easy Taxi. A duração prevista do projeto é de um ano, período em que devem circular mais de 20 mil livros. “Queremos fazer com que a experiência no táxi seja cada vez mais positiva. Decidimos, então, unir o serviço à cultura, à leitura”, afirmou o gerente da região Sul da Easy Táxi, Altamiro Diniz.

Parabéns também ao Eduardo Oltramari e equipe do Shopping Total, onde aconteceu o lançamento do projeto, e a Livraria Cameron são os parceiros do projeto. O Banco de Livros doará mensalmente mil exemplares para garantir a reposição e disponibilidade de livros nos táxis cadastrados.

“Interpretar Frida é algo fascinante”, afirma Leona Cavalli. (Luiz Gonzaga Lopes/Correio do Povo)

“Interpretar Frida é algo fascinante”, afirma Leona Cavalli. (Luiz Gonzaga Lopes/Correio do Povo)

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Os artistas mexicanos Frida Kahlo e Diego Rivera viveram um caso de amor mútuo e pela arte. Maria Adelaide Amaral aceitou o desafio de escrever de forma realista o texto “Frida y Diego”, a convite do diretor Eduardo Figueiredo e do produtor do espetáculo, Maurício Machado. Após dez anos sem escrever um texto exclusivo para teatro, Adelaide convidou a atriz gaúcha de Rosário do Sul, Leona Cavalli, 45 anos, para personificar esta personagem forte das artes plásticas e do ativismo político e pelos direitos humanos na primeira metade do século XX. Ela tem a companhia do ator paulista José Rubens Chachá como Diego Rivera.

O espetáculo terá apresentações no Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/nº), neste sábado, às 21h, e no domingo, às 18h, pela programação de espetáculos nacionais do 22º Porto Alegre em Cena. O espetáculo trata do reencontro dos dois artistas, após ela ter sido libertada da prisão nos anos 1940 e após a traumática separação deles. O reencontro tem tom de reconciliação e tem a ver com uma fase difícil da vida de Frida, pois ela já está com dores do acidente que sofreu e bastante doente. Não há mais ingressos para este espetáculo.

leonaimagesNesta entrevista concedida ao Correio do Povo, Leona Cavalli, que atuou em filmes como “Carandiru” e “Olga” e em novelas e séries da Rede Globo, fala do fascínio por interpretar uma personagem única, com tanta força, sobre o espetáculo, sobre a equipe de trabalho e também sobre voltar a se apresentar no Porto Alegre em Cena e pela primeira vez pisar no palco do Theatro São Pedro. A atriz também terá espaço na edição deste final de semana no Caderno de Sábado.

CP – Como é o desafio de vivenciar o papel de Frida Kahlo?
Leona Cavalli – Interpretar Frida Kahlo é algo fascinante, pois além de ter sido uma grande pintora, desenvolveu um estilo único, deixou um legado muito grande como pensadora, ativista pela paz, pelas mulheres, pelos direitos humanos. Ela foi uma artista múltipla, pois lidou com fotografia. Visitei a Casa Azul, no México. Aqueles jardins têm esculturas maravilhosas dela. Foi um grande prazer para mim, pois foi uma artista muito conhecida e amada pela força dos seus atos.

CP – Dentro das conspirações favoráveis para este espetáculo, um texto inédito para teatro de Maria Adelaide Amaral parece ter sido uma delas, não é mesmo?
Leona – Claro. O texto da Maria Adelaide foi feito para esta montagem. A dramaturgia tem um frescor diferente em relação à Frida e Diego. Normalmente se fala mais das obras e do acidente. Começa nos anos 1940, quando ela sai da prisão, doente e com dores e reencontra Diego. Aí segue com uma série de flashbacks. Eu já havia trabalhado com texto de Maria Adelaide na série “Dalva & Herivelto”. Quando ela me convidou, aceitei sem pestanejar. Ela foi uma autora sempre presente. Das leituras de mesa aos ensaios. O mais importante é que ela trabalhou com fatos reais da vida de ambos. É sempre bom trabalhar mais próximo do realismo.

CP – Como a atuação no teatro é jogo, como está sendo jogar com José Rubens Chachá como Diego?Leona – Nós já tínhamos trabalhado juntos em “Gabriela”. Não propriamente contracenando. Nos encontramos várias vezes no teatro. Com ele, o jogo realmente se estabelece. É maravilhoso. Com duas pessoas no palco, é fundamental esta sintonia. Temos também dois músicos em cena, uma trilha sonora belíssima, figurinos e cenários impecáveis do Márcio Vinícius, além de uma bela iluminação e de várias projeções de quadros de ambos.

CP – E a tua volta ao Porto Alegre em Cena? O que é para a carreira de um ator participar deste festival, ainda mais para uma gaúcha?Leona – Eu já participei do Porto Alegre em Cena com três espetáculos: “Cacilda”, “Toda Nudez Será Castigada” e “Um Bonde Chamado Desejo”. É um dos festivais mais prestigiados do Brasil. Com estas outras montagens, eu ainda não tinha tido o prazer de atuar no Theatro São Pedro, talvez o melhor teatro do país. Sou formada em Artes Cênicas pelo Departamento de Arte Dramática da Ufrgs e o São Pedro sempre foi um sonho no tempo de faculdade. Por outro lado, é uma oportunidade de rever minha família, pois a agenda agitada que eu tenho acaba me deixando longe dos meus familiares.

 

*Fotos: Leona Cavalli é Frida Kahlo; José Rubens Chachá é Diego Rivera | Gabriel Wickbold / Divulgação / CP

Leona Cavalli  clicada por Estevam Avellar