SBT Entrevista: Martha Medeiros revela que está com um roteiro original pronto para o cinema. Escritora fala de futuro, da paixão pelo Inter, situação política do país e o “novo” movimento feminista

SBT Entrevista: Martha Medeiros revela que está com um roteiro original pronto para o cinema. Escritora fala de futuro, da paixão pelo Inter, situação política do país e o “novo” movimento feminista

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Nesta quarta-feira a escritora porto-alegrense Martha Medeiros, conversou comigo no SBT Rio Grande – Segunda Edição e falou sobre o lançamento da sua obra mais recente, “O Meu Melhor”, coletânea de crônicas que selecionou entre textos bem-sucedidos junto aos leitores. Até aqui, 25 anos de cronista, foram mais de dois mil textos publicados. Essa edição comemorativa, lançada pela Editora Planeta, é antologia com cem textos já conhecidos e quatro inéditos. Ela confirmou para outubro a encenação em Porto Alegre de peça com o roteiro adaptado de sua obra e Júlia Lemmertz, outra gaúcha e colorada como Martha, no papel de protagonista. A montagem “Simples Assim”, baseada em duas crônicas, fala sobre temas da modernidade, como relações superficiais e o uso de aplicativos de relacionamento. O espetáculo teve casa cheia no eixo Rio-São Paulo.

Martha tem obras adaptadas para o teatro, cinema e televisão. Está com um roteiro original vendido, a produtora ainda não começou a rodar o filme no Rio de Janeiro. Ela tem a opção de escrever um livro baseado no próprio roteiro, por direito contratual, e já está fazendo isso. Consagrada e premiada, autora de obras como Divã e Doidas e Santas, seus livros já ultrapassaram a marca de um milhão de exemplares comercializados. Não é pouca coisa.

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Confira abaixo a íntegra da entrevista que fiz com Martha Medeiros.

Nosso bate-papo rolou solto na simpática livraria L&PM Pocket. Tanto que ele foi publicado na íntegra, sem nenhuma edição do que falamos no YouTube e Facebook, do SBT RS. Poucas pessoas imaginam que pudessem encontrar uma das autoras mais bem-sucedidas da literatura contemporânea nacional, anos atrás, num jogo do Inter contra o Aimoré em pleno Estádio Beira-Rio. Hoje em dia, poucos imaginam que possam encontrá-la sobre as águas do Guaíba, remando equilibrada em sua prancha Stand Up Paddle.  Ex-aluna do colégio Bom Conselho, Martha Medeiros formou-se em Comunicação Social e atuou mais de uma década como redatora publicitária. Se iniciou em literatura com poemas, o primeiro exercício de criação literária autoral.

Lá pelo meio da década de 80, após contato com a Editora Brasiliense, que havia editado Leminski e Caio Fernando Abreu na série Cantadas Literárias, recebeu carta elogiosa do editor Graco Prado e a promessa de novo contato, que ocorreu meses depois, junto com o convite para estrear em livro. Strip-Tease foi publicado na mesma coleção Cantadas Literárias, que admirava como leitora. O segundo livro, Meia Noite e Um Quarto, saiu em 1987 com apresentação de Caio Fernando Abreu. Houve o terceiro livro de poemas, Persona non Grata, com texto de Millôr Fernandes nas orelhas de capa. Isso ainda nos anos 90, quando embarcou para o Chile junto com o então marido, transferido por causa de trabalho. Com a oportunidade, interrompe a carreira publicitária e inicia a produção em prosa. Por intermédio do amigo e jornalista Fernando Eichenberg, começa despretensiosamente a carreira de cronista em Zero Hora. O resto da história todos já sabem, falar sobre ela é chover no molhado.

 

Abaixo, destacados em tópicos, alguns trechos selecionados da entrevista e o vídeo com a íntegra, contendo momentos inéditos, que não foram ao ar, no SBT.

O novo livro

“Textos que repercutiram e viralizaram nas redes”.

Do sucesso

“Nem em meus delírios mais lisérgicos imaginei que pudesse um dia fazer esse sucesso com leitores fidelizados. Eu me belisco até hoje, porque tem muita gente boa escrevendo”.

Referências

“Luiz Fernando Verissimo, o papa da crônica, e Marina Colasanti, escritora e jornalista que publicava livros e crônicas em revistas como a Cláudia. Eu costumo dizer que ela e minha mãe me formataram como mulher”.

O “novo” movimento feminista

“A sociedade continua violenta, cada vez mais, e a mulher acabou ganhando um novo alto-falante para os seus problemas, inclusive é um dos temas que abordo no livro, embora eu não goste do termo “empoderar”, que acho meio totalitário.  Em 8 de julho de 1994, estreei com a primeira crônica e já tinha um tom feminista, entre aspas”.

Sobre o tempo

“A idade me deixa inquieta, mas acho um privilégio chegar nessa etapa e dizer que estou na melhor fase de minha vida, às vésperas de completar 58 anos. A maturidade é um prêmio, porque a gente filtra as coisas e vai direto no que interessa”.

O processo de criação

“Sou focada na palavra escrita, não concebo meus textos pensando em adaptações para o teatro e o cinema, a televisão. Eu penso nos leitores, o resto é consequência”.

A torcedora colorada

“Quase ninguém sabe, ou lembra. Aos 16 anos, eu vivia dentro do Beira-Rio. Assistia até Inter e Aimoré, em partidas disputadas no inverno”. Martha, não por acaso, é Medeiros e parente de grandes dirigentes colorados como o atual presidente Marcelo Medeiros.

Livros que está lendo e relendo

Está lendo “A vegetariana”, de Han Kang (premiada obra de autora sul-coreana que ganhou o Man Booker Prize e agora chega à segunda tradução no Brasil. O livro é de 2007). Martha diz que gosta de reler obras de filosofia, de onde costuma tirar ideias para crônicas, que considera o gênero literário mais livre. “É um bate-papo de bar, só que o bar é a casa do leitor”.

A situação política do país

“Estamos vivendo um momento sem precedentes. Estou assustada, parece que fomos à beira do precipício, tomara que não cheguemos a cair. Não tenho como ficar completamente alheia ao que está acontecendo, seria quase um atestado de alienação. Estamos vivendo um momento atípico. Espero que a política não esteja presente em minhas crônicas, espero que não seja necessário, a coisa acalme. No momento, estou aflita”.

Futuro

“Não estou jogando para o futuro, tendo a puxar o freio de mão. Pretendo me dedicar à literatura. Tenho vontade de voltar à poesia, com enorme material inédito guardado. Eu quero botar um pouco de mais loucura, não de mim, a minha experiência pessoaL, mas criar personagens e louquear um pouco”.

Confira abaixo a íntegra da minha conversa com a grande Martha Medeiros

 

Cissa Guimarães apresenta Doidas e Santas no Theatro São Pedro até domingo

Cissa Guimarães apresenta Doidas e Santas no Theatro São Pedro até domingo

Cidade Comportamento Cultura Porto Alegre

Vista por mais de 300 mil pessoas entre Rio de Janeiro, São Paulo e mais de 22 cidades brasileiras, a comédia romântica Doidas e Santas se consagrou como um dos espetáculos de maior sucesso da cena teatral carioca. A montagem com texto de Regiana Antonini, livremente inspirado no livro homônimo de Martha Medeiros, e dirigida por Ernesto Piccolo retorna a Porto Alegre, onde realiza temporada no Theatro São Pedro nos dias 18, 19 e 20 de novembro, sexta-feira e sábado às 21h  e domingo às 18h. Os ingressos já estão à venda na bilheteria do teatro.

Doidas e Santas é um projeto idealizado por Cissa Guimarães e sua primeira produção em mais de 30 anos de carreira no teatro. A atriz sempre desejou levar à cena um trabalho que expressasse as inquietações da mulher moderna com relação à vida contemporânea, que exige conjugar marido, filhos, realização profissional e ainda beleza e bom humor. Cissa encontrou nos textos de Martha Medeiros a motivação para tocar seu projeto e, depois de conversar com a escritora, convidou o amigo de mais de 30 anos, Ernesto Piccolo, para dirigi-la. Piccolo é diretor de Divã, sucesso teatral de Lilia Cabral, também adaptado de obra homônima de Martha Medeiros, e ainda da bem-sucedida A História de Nós 2.

O livro de Martha Medeiros é uma coletânea de crônicas independentes que forneceram a matéria-prima para Regiana Antonini construir a trama bem-humorada desta mulher moderna, que identificamos a todo o momento e em qualquer parte. Regiana acrescentou ainda à dramaturgia algumas histórias divertidas que ela mesma viveu, e que, por afinidade, poderiam muito bem ser encontradas no livro de Martha.

No palco, acompanhamos a trajetória de Beatriz (Cissa Guimarães), uma psicanalista em crise no casamento. Seu marido (Giuseppe Oristânio) é turrão e machista e não tolera a ideia da separação. Fechando o elenco, temos ‘as mulheres da vida’ de Beatriz: irmã, mãe e filha, personagens vividas pela atriz Josie Antello. O público vivencia alegrias, desilusões, neuroses da vida urbana, o prazer que se esconde no dia a dia, as relações amorosas e o poder transformador da coragem e do afeto. O cenário é de Sérgio Marimba, a iluminação de Jorginho de Carvalho, a trilha sonora de Rodrigo Penna e os figurinos de Helena Araujo e Djalma Brilhante.

DESTAQUES DA CRÍTICA CARIOCA

Fé na trama e no texto! O texto tem humor próprio resultando em um espetáculo divertido e ágil. Cissa expressa bem simplicidade e complexidade, alegria e tristeza, ingenuidade e sabedoria.

Bárbara Heliodora – Jornal O Globo

Cissa Guimarães está muito convincente no papel principal, usando impostação de voz e movimentos corporais na medida certa. (…) Sem recorrer à caricatura, Josie Antello faz graça explorando peculiaridades nos modos de falar e nos gestos de cada uma das três personagens que representa.

Carlos Henrique Braz – Veja Rio

O tema ‘separação’ é bem explorado e provoca boas gargalhadas … Além de encarar sua personagem com muita veracidade, Cissa exibe excelente forma física e cativa a plateia. Josie rege com maestria suas três personagens.

Adriana Lins – Revista Contigo

SINOPSE

A psicanalista Beatriz (Cissa Guimarães) vive uma crise. Embora no auge da carreira profissional, a vida pessoal anda um caos. Sua mãe, a extravagante dona Elda (Josie Antello), voltou a morar com ela e vive às turras com sua filha adolescente (também Josie Antello). E o marido Orlando (Giuseppe Oristânio), após vinte anos de casamento, está cada vez mais distante, mais surdo, mais mudo, mais morno, mais jogado no sofá. Um casamento acomodado e duas gerações em crise. Assim, não há ‘santa’ que aguente, qualquer uma fica ‘doida’.

Durante uma visita da irmã caçula, a solteirona-não-tão-convicta-assim Berenice (ainda Josie Antello, numa impagável composição tríplice) tem uma conversa reveladora que faz com que Beatriz decida dar um basta. Separa-se de um inconformado Orlando e resolve abraçar os prazeres da vida e da juventude mais uma vez.

Sai para as noites, canta, dança, conhece um rapaz… Beatriz acha que preencheu o vazio, que botou a vida nos trilhos. Até que uma longa conversa com a mãe, sobre o passado e as esperanças para o futuro, faz reacender uma fagulha. Aponta a dorzinha da saudade. E a campainha toca…

FICHA TÉCNICA

Texto: Regiana Antonini

Direção: Ernesto Piccolo

Assistente de direção: João Velho

Elenco: Cissa Guimarães, Giusepe Oristanio e Josie Antello.

Direção Musical: Rodrigo Penna 

Cenário: Sérgio Marimba

Iluminação: Jorginho de Carvalho 

Figurino: Helena Araujo e Djalma Brilhante

Design Gráfico: Thomaz Velho

Fotos: Nana Moraes

Op. de Luz: Vilmar Olos

Op. de Som: Thiago Silva

Dir. de Palco: Hildo de Assis

Contrarregra: Elquires Souza

Camareiro: Cleiton Souza

Assistente de Produção: Mayara Maia

Produção executiva: Daniela Paita

Direção de Produção: Cássia Vilasbôas

Idealização do Projeto: Cissa Guimarães

Assessoria de Imprensa em Porto Alegre: Silvia Abreu

Produção Local: Little John Entretenimento

Realização: NOVE Produções e BG produções

SERVIÇO ESPETÁCULO:

Doidas e Santas. Espetáculo com Cissa Guimarães Giusepe Oristanio e Josie Antello.

Datas: 18, 19 e 20 de novembro de 2016

Horários: Sexta-feira e Sábado – 21h |Domingo: 18h

Local: Theatro São Pedro – Praça Marechal Deodoro, s/n° | Centro Histórico | Porto Alegre/RS
Telefones: (51) 3227.5100 | 3227.5300

Ingressos:

Plateia: R$ 100,00
Cadeira Extra: R$ 100,00
Camarote Central: R$ 90,00
Camarote Lateral: R$ 80,00
Galerias: R$ 40,00

Descontos

50% para associados da AATSP (ingressos limitados)

50% para estudantes, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência

50% para idosos

50% para sócios do Clube do Assinante ZH (titular e acompanhante)

20% para colaboradores da Gol Linhas Aéreas (titular e acompanhante)

20% para portadores do cartão fidelidade Smiles da Gol Linhas Aéreas (titular e acompanhante)

Horário da Bilheteria

Das 13h até o horário de início do espetáculo
Quando não há espetáculo, das 13h às 18h30min

Sábados e domingos:

Das 15h até o horário de início do espetáculo