Entrevista de Bolsonaro na Rádio Guaíba é marcada por protestos e apoio de público

Entrevista de Bolsonaro na Rádio Guaíba é marcada por protestos e apoio de público

Cidade Comportamento Comunicação Direito Notícias Poder Política Porto Alegre

A entrevista do deputado federal Jair Bolsonaro (PP) ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, rendeu protestos e vivas ao político em frente ao Estúdio Cristal. Desde a primeira fala, o parlamentar mostrou estar disposto à polêmica: “as minorias tem de se curvar às maiorias”. Com essa declaração, o progressista (que pensa em deixar a legenda e ingressar no PSC) abriu caminho para reafirmar posicionamentos referentes à contrariedade aos direitos humanos e àquilo que chamou de “doutrinação homossexual” nas escolas.

No decorrer do discurso, Bolsonaro ainda reafirmou que deve ser candidato à Presidência em 2018. A partir disso, garantiu que, se eleito, vai nomear um general do Exército para o Ministério da Educação. Também defendeu que o ideal para o produtor rural defender a propriedade contra o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) é o direito ao porte de fuzil.

As declarações polêmicas fizeram o deputado ser ovacionado e criticado. Gritos de “mito” e “fascista” foram ouvidos durante boa parte do programa. Os vidros do Estúdio Cristal também foram tomados por cartazes com dizeres contrários e favoráveis ao parlamentar. Da entrevista, Bolsonaro seguiu para a Assembleia Legislativa.

Militar da reserva, o deputado, de 60 anos, está na Capital para participar da troca de comando no Comando Militar do Sul e de uma audiência pública que discute uma “perspectiva de novo País”, organizada por três deputados do PP – Luiz Carlos Heinze, Adolfo Brito e Covatti Filho. (Reportagem e foto: Ananda Müller/Rádio Guaíba)

“Quando o homem Flávio não suportou o mito Júpiter”; por Carlos Guimarães/Rádio Guaíba

Cidade Comportamento Comunicação Cultura Notícias

Flávio Basso morreu aos 47 anos. Foto: Rafael Avancini / Divulgação / CP

Flávio Basso se chamava assim quando introduziu cabeça, corpo, alma e sacanagem dos Cascavelletes no cenário musical brasileiro na segunda metade dos anos 1980. Entre Jéssicas Roses, menstruadas, mortes por tesão e punhetinhas de verão, o escracho, o politicamente incorreto – duvido que a banda faria sucesso no mundo de vigilantes do comportamento alheio de hoje em dia -, um misto entre pornochanchada da Boca do Lixo, cachaça no Bar João, cara de pau e atitude punk tomou conta das rádios mais antenadas, chegando à trilha de novela da Globo e a programa infantil da Angélica. Sem pudores, Flávio tinha a mais pretensiosa banda sem pretensão do Brasil, que falava sobre o que realmente importava para seu público: sacanagem.

Fã de Syd Barrett, dos Beatles, do rock inglês e do rock psicodélico, o homem Flávio virou o mito Júpiter. Em 1996, lançou o maior álbum do rock gaúcho moderno. Sintonizado com Londres, letras absolutamente incríveis e uma inspiração única fizeram de “A Sétima Efervescência” um marco de inspiração na indústria do rock dos anos 1990. Diferente de tudo, lisérgico, arrebatador, o disco fez de Júpiter aquilo que Flávio sempre quis ser. A partir dali, o garoto adolescente que cantava sob um céu de blues passou a cantar na 7ª Efervescência Intergalática. O céu não era o limite, não havia mais limites criativos para o talento de Júpiter, que depois virou Apple, voltou a ser Maçã, cantou em inglês, português, chegou a ser Flávio por um dia, Júpiter para sempre.

O homem Flávio não suportou os excessos do mito Júpiter. Não suportou os excessos do rock, a angústia de querer viver rompendo a zona de conforto da caretice, vivendo como um incompreendido, um outsider, fora de seu tempo, dentro de seu mundo. Júpiter já era refém dos próprios excessos. Cambaleante, corpo frágil, visivelmente alterado em suas aparições públicas, o corpo por trás da alma nos deixou. Não é fácil viver nesse mundo chato. Mitos têm seu próprio mundo. O de Júpiter começava quando batia a sétima efervescência, num barato permanente que só parou quando Flávio caiu.

A alma Júpiter deve estar por aí, com gente legal, que curta Syd Barrett e os Beatles, onde as pessoas sejam mesmo afudê. Um lugar onde as pessoas sejam loucas e super chapadas, como ele, Júpiter. Que ele esteja num lugar do caralho! (Correio do Povo)