Para sempre Rui; por Rejane Martins*

Para sempre Rui; por Rejane Martins*

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É praticamente impossível encontrar em Porto Alegre alguém verdadeiramente interessado em moda que desconheça a trajetória de seu maior estilista. Nascido em Novo Hamburgo em 1929, Rui nem sempre foi Rui. Batizado Flávio Henneman Spohr e destinado a ser padre ou militar pela parteira que o trouxe ao mundo, mudou de nome para assinar uma coluna em jornal e suas primeiras criações. Filho de uma tradicional família de origem alemã, desde muito cedo decidiu que a moda era o seu universo. Fez um estágio quase que obrigatório na fábrica de calçados do pai e viu que não poderia dedicar-se a uma atividade que envolvesse processos repetitivos, sem criação, sem arte. Nos momentos vagos na fábrica, desenhou seus primeiros vestidos. Começava a surgir o Rui e a desaparecer o Flávio.

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Rui Spohr Foto: Jean Pierre Kruse

Aos 22 anos decidiu que ia fazer moda e para fazer bem feito teria de beber na fonte: Paris. Foi o primeiro brasileiro a se profissionalizar em moda na França. A família protestou, mas logo viu que o guri estava decidido e não tinha mais jeito. Só restava apoiar. Na Cidade Luz, o jovem Rui se transformou em homem da moda. Vivenciou as maravilhas do maior polo cultural do mundo naqueles tempos, testemunhou o surgimento de nomes como Yves Saint Laurent e Karl Lagerfeld, que davam os primeiros passos, aprendeu a beber vinho tinto e champanhe, tornou-se fluente em francês, conheceu boa parte da Europa e trabalhou com Jean Barthé, o maior chapeleiro da França. Nem tudo foi festa em Paris. Saudades da família, agruras de ser estrangeiro sem apoio de seu país para concluir os estudos, fome durante uma longa greve dos correios que o impediu de receber o dinheiro enviado pela família para o seu sustento. Ao final do curso na Chambre Syndicale de la Couture Parisienne, decidiu que era hora de voltar para casa.

Ao chegar de Paris, instalou-se no centro da capital gaúcha para ser chapeleiro. Foi nesta época que ele tomou a segunda grande decisão de sua vida – a primeira, segundo ele, foi estudar em Paris. A segunda: casar! Chegando ao ateliê, depois de um intervalo para almoço, encontra uma moça loira, de olhos claros e um vestido rodado, sentada no sofá, à sua espera. Ela queria trabalho. Ele precisava de uma secretária para receber as clientes, marcar horários e cuidar da burocracia do ateliê. Havia outra necessidade não descoberta: amor. Casaram-se em cerca de três anos. Do início de 1960 até hoje, foram inseparáveis.

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Dóris e Rui Spohr – Foto Juliano Antunes

Ao lado de sua querida Doris, esposa, companheira e sócia, Rui vivenciou os tempos áureos da alta-costura e foi pioneiro com o objetivo de seguir um sonho e se aprofundar no mundo da moda. Nome ligado à história e à cultura do Estado e da nossa cidade, o estilista notabilizou-se pela ousadia de suas criações e ineditismo na apresentação de desfiles em Porto Alegre. Rui transformou meninas da sociedade em manequins. Ele e Doris estavam atentos à aparição de jovens de porte, de beleza diferenciada e as convidavam para serem modelos. Assim surgiram Lucia Cury e Lilian Lemmertz, entre outros nomes que brilharam na passarela Rui. A escolha de locais inusitados para mostrar suas coleções também marcou sua carreira. Um desfile em plena catedral metropolitana entrou para a história da moda e da capital. Clubes e o próprio Palácio Piratini também foram palco desses momentos.

Uma roupa atemporal, clássica, elegante, que respeita os diferentes corpos e tipos de mulher, valorizando o belo e disfarçando o que não está tão bem. Um vestido dos anos 70, 80, não importa a data, hoje pode ser usado tranquilamente, segue sendo up to date. Um estilo único, que faz valer o slogan da marca: “A sofisticada originalidade do simples”. O nome e a marca, a pessoa e a empresa se fundem em um só. RUI perpetuou sua grife transformando-a em sinônimo de elegância.

Em festas, eventos, cerimônias, quando alguém se destaca, os elogios transbordam. Surge a pergunta: De onde é essa roupa? A resposta é uma só: Rui, quem mais? De tanto se repetir a cena, consagrou-se o jargão, hoje chamado de hashtag: Rui é Rui. Hoje, nosso sentimento, deixa de lado a dor para dar lugar à paz. Nosso Rui é imortal. Estará sempre conosco.

Para sempre Rui.

 

RejaneMartins*Rejane Martins, Jornalista e Assessora de Imprensa de Rui Spohr

Morre o estilista Rui Spohr

Morre o estilista Rui Spohr

Comunicação Destaque Notícias Obituário Trabalho

Faleceu hoje, durante a madrugada, o estilista Rui Spohr aos 89 anos. O velório será no Theatro São Pedro das 12:30 hrs às 17:00 hrs. A cremação será reservada a família. Rui Spohr é pseudônimo de Flavio Spohr, o estilista brasileiro, nasceu em Novo Hamburgo,  dia 23 de novembro de 1929. Seu atelier se localiza em Porto Alegre, no bairro Moinhos de Vento. Rui foi o primeiro estilista gaúcho a estudar moda em Paris, primeiramente na Chambre Syndicale de la Couture Parisienne, e posteriormente na École Guerre Lavigne (atual ESMOD).

De família tradicional, Flavio Spohr (posteriormente assumiu o pseudônimo Rui) foi criado dentro de padrões germânicos, pelos seus pais Albino Alfredo Spohr, empresário do polo calçadista,e Maria Hortencia Hennemann Spohr, dona de casa. Irmão de José Gastão, Dulce Maria e Fredo Luiz. Rui nasceu fadado a ser padre ou militar de acordo com os costumes da época. Com uma mente criativa e inconformada, ele acreditava que tivesse nascido cedo demais no século XX e no lugar errado.

Em 1952, mudou-se para Paris sem ter fluência no idioma local, apenas com um nome e endereço de uma pessoa que o ajudaria e a referência dos seus familiares por parte de mãe na Alemanha. Em seu primeiro Natal longe de casa viajou até o vale do rio Mosela, afluente do Reno na Alemanha, a fim de encontrar seus parentes da família Treis – donos de vinhedos que passam de pai para filho desde 1602. Além de estreitar os laços com seus parentes alemães, Rui aprendeu in loco tudo o que sabe sobre vinho.

Em 4 de fevereiro de 1960, já em Porto Alegre, casa-se com Dóris Uhr Spohr, que primeiramente trabalhou como sua auxiliar no ateliê. Até hoje, os dois trabalham juntos. Em 1963, com o nascimento de Maria Paula Spohr, Rui tornou-se pai e em 1985 avô de Antônia Spohr Moro.

 

Minha entrevista com Rui Spohr na TVU

 

Carreira

Rui Spohr iniciou sua carreira aos 14 anos trabalhando na fábrica de calçados do pai e em 1948 ao assinar uma coluna de Moda semanal para um jornal gaúcho adotou o pseudônimo Rui. Um ano depois muda-se para a capital Porto Alegre e inicia o curso de Belas Artes na UFRGS e nesse mesmo ano promoveu seu primeiro desfile de moda, que ganhou destaque na Revista Globo, com suas próprias criações. Em 1952, foi de navio para a França para estudar Moda em Paris. Nesse período, foi contemporâneo de nomes como Karl Lagerfeld e Yves Saint Laurent. Em 1953, estagia para o chapeleiro parisiense Jean Barthet.

No ano de 1955, retornou ao Brasil e abre seu primeiro ateliê especializado em chapéus e começa a assinar uma página dominical sobre moda no jornal A Hora, importante diário que originou o jornal Zero Hora. Três anos mais tarde passou a confeccionar roupas femininas em seu ateliê e realizou seu primeiro desfile de alta-costura, em 1967 – dentro do próprio ateliê, na Rua Pinto Bandeira, para clientes e mídia da local. Em 1962, entrou para o “time da Rhodia[8] – grupo que reunia grandes nomes da moda no Brasil criando modelos que seriam produzidos com os tecidos que utilizavam os fios da empresa. Estas criações estrearam em um grande desfile na Fenit – a feira nacional da indústria têxtil – e depois, viajaram ao exterior para participar de desfiles e sessões de fotos das coleções a fim de divulgar a moda brasileira.

Rui Spohr em 1975

No ano de 1968, já consagrado como costureiro, criou o vestido de noiva para a brasileira Ieda Maria Vargas, Miss Universo 1963. Em 1970 inaugurou sua Maison na Rua Miguel Tostes em Porto Alegre onde permanece até hoje. Rui também foi responsável por vestir a primeira dama Scila Médici (1971) e a primeira dama do Rio Grande do Sul (1971). Em 1986 criou os uniformes femininos da Brigada Militar do Rio Grande do Sul,[10] a polícia militar gaúcha, que são os mesmos usados até hoje.

No ano de 1988 começou a lecionar no curso de Estilismo do Calçado na Universidade Feevale(Federação de Estabelecimentos de Ensino Superior) em Novo Hamburgo, foi professor da cadeira Teoria dos Estilos durante oito anos. Em 1989 criou o vestido de noiva para a modelo Deise Nunes, Miss Brasil 1986 e primeira mulher negra a receber o título.

Em 1997 lançou sua biografia Memórias Alinhavadas, escrita em conjunto com a jornalista Beatriz Viegas-Farias. Em 2015 foi lançada a coleção Cápsula Croquis, com uma variedade de lenços e camisetas estampadas pelos croquis do estilista. Destinado a um publico jovem, essa coletânea incluiu um vídeo teaser com as novidades e com peças históricas do acervo da maison. No mesmo ano, o livro Moda e Estilo para colorir foi criado, composto por 20 lâminas com desenhos icônicos de Rui para pintar.

Em matéria no jornal Zero Hora Rui Spohr foi chamado de “o mais emblemático estilista do Sul. […] Difícil haver em Porto Alegre alguém verdadeiramente interessado em moda que desconheça a trajetória de seu maior estilista”. Seu trabalho já é estudado academicamente como uma referência, e participou de mostras de abrangência nacional, como a 500 Anos de Design Brasileiro em 2000, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, contribuindo com dois vestidos em modelos geométricos retratando a década de 70, sendo o único estilista gaúcho a participar da exposição. Entre 2004 e 2005 o Senac apresentou a mostra Estilistas Brasileiros – Uma História de Moda, que “retrata a carreira de 34 grandes criadores da moda brasileira”.Em 2011 um vestido de sua autoria integrou a exposição Moda no Brasil: criadores contemporâneos e memórias, apresentada no Museu de Arte Brasileira em São Paulo, mantido pela Fundação Armando Alvares Penteado.[15] Por muitos anos seu estilo ditou a moda porto-alegrense, e Renata Fratton Noronha, em artigo apresentado no 4º Encontro Nacional de Pesquisa em Moda, relata o prestígio que adquiriu:

“Formou-se então junto ao público uma frase que marcou e que as pessoas repetiam: ‘O Rui disse’. Querendo afirmar que com isso se ‘Rui disse’ não se discute. Outra expressão que ficou famosa, ainda naquela época: ‘Rui é Rui’. Se uma pessoa admirasse uma roupa e a elogiasse para a dona, perguntando quem tinha feito ou onde ela havia comprado traje tão bonito, se a resposta fosse ‘Rui’, o comentário logo se seguia: ‘ah, bom! Rui é Rui’.”.

Livros

(Felipe Vieira com informações da Wikipedia)

Soprano espanhola Montserrat Caballé morre aos 85 anos

Soprano espanhola Montserrat Caballé morre aos 85 anos

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A soprano espanhola Montserrat Caballé morreu neste sábado, em um hospital de Barcelona, aos 85 anos, de acordo com informações do centro médico. A artista estava internada no hospital catalão desde a metade do mês passado, por conta de uma doença que vinha sofrendo há algum tempo. O funeral de Montserrat Caballé, considerada por muitos críticos como a melhor soprano do século XX, acontecerá na próxima segunda-feira, em Barcelona, sua cidade natal.

Sua extraordinária voz permitiu que era se apresentasse nos mais importantes palcos do mundo obras como “La serva padrona” (Pergolesi); “Cosi fan tutte” (Mozart); “Norma” e “I puritani” de Bellini. Em seu repertório também se destacaram “Il trovatore”, “La Traviata”, “Um ballo in Maschera” e “Aida”, todas de Giuseppe Verdi. Ela também interpretou as heroínas “Isolda” e “Sieglinde” de Wagner, assim como nas quatro obras de Giacomo Puccini: “Tosca”, “La Boheme”, “Madame Butterfly” e “Turandot”.

Montserrat Caballé conquistou um prêmio Grammy e foi agracia com o Príncipe das Astúrias das Artes em 1991, a mais alta distinção concedida na Espanha. (Correio do Povo)

Morre Geoff Emerick, célebre engenheiro de som dos Beatles. Ele esteve esse ano em Porto Alegre ministrando Palestra e Master Class Premium

Morre Geoff Emerick, célebre engenheiro de som dos Beatles. Ele esteve esse ano em Porto Alegre ministrando Palestra e Master Class Premium

Destaque Notícias Obituário
 Faleceu na noite desta terça-feira, em Los Angeles, nos Estados Unidos, Geoff Emerick, engenheiro de som inglês conhecido mundialmente por gravar os Beatles. Em junho, ele esteve em Porto Alegre, onde palestrou sobre sua carreira e falou sobre a experiência com uma das bandas de rock mais famosas de todos os tempos e  ministrou uma Master Class Premium de três dias de duração. A capital foi a única cidade a sediar os encontros no Brasil.
Unsung-Heroes
O jovem Geoff com George Martin e os Beatles. Foto: reprodução

Geoff Emerick foi um dos mais importantes engenheiros de áudio da história e revolucionou as técnicas de gravação em estúdio. Mesmo quem nunca ouviu falar neste nome, sem dúvida conhece os seus trabalhos. O engenheiro de som é responsável por álbuns icônicos, incluindo Revolver, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e Abbey Road, dos Beatles. Com apenas 15 anos de idade, ingressou na EMI Records em Londres. Aos 17 já era responsável pelas masterizações e com 19 já era engenheiro chefe, trabalhando ao lado do produtor George Martin nos discos dos Beatles. Vencedor de diversos Grammys, incluindo Grammy técnico, tem sido influência na indústria musical nos últimos cinquenta anos. Jeff Beck, Supertramp, Cheap Trick, Elvis Costello, Johnny Cash, America e muitos outros também estão na lista de artistas gravados por Emerick. (Felipe Vieira com colaboração de Marcos Abreu e site Rock Gaúcho)

Morre Eva Sopher. Presidente da Fundação Theatro São Pedro tinha 94 anos e comandava instituição desde 1975

Morre Eva Sopher. Presidente da Fundação Theatro São Pedro tinha 94 anos e comandava instituição desde 1975

Cultura Destaque

A D.Eva Sopher, presidente da Fundação Theatro São Pedro morreu nesta quarta-feira, em sua residência, na Capital gaúcha. O velório acontece a partir das 11h desta quinta-feira, no palco do São Pedro. O Governador José Ivo Sartori decretou luto oficial de três dias no Estado. No Twitter do governo gaúcho, a mensagem sobre o falecimento diz: Carinhosa guardiã do Theatro São Pedro e empreendedora cultural, a querida Eva Sopher nos deixou nesta quarta-feira, aos 94 anos. Nossos sentimentos aos familiares e amigos e nosso agradecimento eterno por ser uma guerreira da cultura gaúcha . Já o ator e diretor Zé Adão Barbosa, escreveu em sua página do Facebook: “Uma guerreira, uma mulher que construiu um teatro, uma amiga querida. A cultura perde um ícone.” Em nota aOpus Promoções lamentou profundamente o falecimento de Eva Sopher, presidente da Fundação Theatro São Pedro. São muitas memórias que nos unem em um laço eterno. Eva dedicou sua vida em benefício da cultura e nos deixa um legado repleto de espetáculos inesquecíveis, dedicação e amor à arte.  Será sempre lembrada com orgulho e muito carinho pela classe artística brasileira. 

“Estou consternado, muito triste. Graças ao nosso trabalho em prol da cultura, sempre estivemos próximos. Desde a Pro Arte, antes do Theatro São Pedro e, mesmo logo após a sua inauguração, estivemos juntos em muitos projetos. Tive a oportunidade de trabalhar dez anos ao lado da Eva e foi uma experiência de vida. Quando a Opus completou 15 anos, editamos o livro A Doce Fera, em homenagem a ela. Eva foi uma pessoa muito especial para mim. Me tratava como um filho e sempre retribui esse sentimento com muito carinho. Nosso último encontro foi no Teatro do Bourbon Country, na comemoração de 40 anos da Opus. Não esqueceria do nosso último abraço e de suas palavras. Eva disse estar muito orgulhosa. Lembrarei dela para o resto da vida”, Geraldo Lopes, fundador da Opus Promoções.

Eva Sopher, foi uma grande incentivadora das atividades da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa). A Fundação Ospa lamenta a partida da presidente da Fundação Theatro São Pedro, uma das mais conhecidas personalidades da cultura no Rio Grande do Sul. “A Dona Eva foi uma parceira muito presente em diferentes momentos da história da Ospa. Seu legado junto ao Theatro São Pedro é enorme, mas também se estende para as outras instituições culturais do estado”, afirma Ivo Nesralla, presidente da Fospa. A orquestra presta solidariedade à família e aos amigos de Eva Sopher, e reafirma a sua admiração pelo consistente trabalho que ela desenvolveu ao longo de décadas de dedicação à cultura.

Nascida em Frankfurt, Alemaha( 18 de junho de 1923) ela foi uma empreendedora cultural teuto-brasileira. Tornou-se conhecida por seu trabalho bem-sucedido para a recuperação do Theatro São Pedro, um dos marcos mais importantes da cidade de Porto Alegre, após um longo período de decadência. De família de origem judaica, Eva Sopher emigrou da Alemanha para o Brasil em 1936, aos treze anos de idade, em razão da perseguição nazista. Ligou-se ao grupo Pro Arte de Theodor Heuberger, no Rio de Janeiro, e depois se fixou em São Paulo, onde estudou arte, desenho e escultura no Instituto Mackenzie.

Em 1950, adquiriu nacionalidade brasileira e, em 1960, transferiu-se para Porto Alegre, já estando casada com Wolfgang Klaus Sopher. Nessa cidade, Eva reativou o Pro Arte a pedido de Heuberger, organizando concertos, espetáculos de teatro e apresentações de grandes orquestras ao longo de mais de duas décadas, trazendo a Porto Alegre artistas como Jean-Pierre Rampal, Pierre Fournier, Narciso Yepes, Mauricio Kagel, o I Musici, a Orquestra de Câmara de Jean François Paillard, Sir John Barbirolli e a Orquestra Hallé, a Orquestra de Câmara de Moscou, e a Orquestra Sinfônica de Israel, regida por Zubin Mehta. Sua casa se tornou um ponto de reunião de intelectuais gaúchos.

Em 1975, Eva Sopher assumiu a direção do Theatro São Pedro, para gerenciar as obras de sua restauração, continuando a dirigi-lo depois de sua reabertura em 1984, ora como Presidente da Fundação Theatro São Pedro. Já foi homenageada diversas vezes por seu trabalho cultural, destacando-se o recebimento da Medalha do Mérito Farroupilha, a maior honra concedida pelo Legislativo gaúcho, o prêmio Personalidade Top Ser Humano 2008 da Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional Rio Grande do Sul, uma das premiações mais cobiçadas do país na área de Recursos Humanos, e a sua escolha como patronesse do festival Porto Alegre em Cena de 2006.

Em 2015 recebeu a “Medalha de Goethe” (Goethe-Medaille) do Instituto Goethe na Alemanha pelo seu trabalho como presidente do Theatro Sao Pedro de Porto Alegre onde, segundo a justificativa do prêmio, criou “um local de encontro internacional para artistas de todos os estilos”.

A data de 07 de fevereiro, registra também a morte em 2014, aos 56 anos do músico e ator Nico Nicolaiewsky, um dos artistas recordista em apresentações no palco do Theatro São Pedro.  Confira a nota assinada pela D.Eva:

Hoje a cidade de Porto Alegre acordou triste

O Theatro São Pedro está de luto pelo falecimento de Nico Nicolaiewsky e a Sbórnia entristecida, pois perdeu hoje um de seus maiores talentos, o Maestro Pletskaya.

Quem quiser prestar homenagem ao nosso grande amigo poderá vir ao Theatro São Pedro, onde ele será velado, e que foi também o local em que o artista se apresentou por mais de 29 anos.

Hoje à tarde serão prestadas homenagens de diversos amigos no local. O horário para visitação inicia às 18h e segue até as 24h de hoje (07/02) e amanhã (08/02) reiniciará após as 9h, seguindo até o final da tarde.

Com pesar, porém com boas lembranças!

Eva Sopher e Equipe do Theatro São Pedro

 

Morre Fábio Verçoza, ex-Rei Momo da Capital

Morre Fábio Verçoza, ex-Rei Momo da Capital

Cidade Destaque

Faleceu, nesta quinta-feira, o ex-Rei Momo do Carnaval de Porto Alegre por dez anos, Fábio Verçoza. Conforme informações extra-oficiais de familiares, Verçoza morreu vítima de infarto em casa, no início da noite.

Formado em Direito e Matemática, Verçoza trabalhou na Prefeitura e, em 2015, se despediu da Corte carnavalesca. Depois de passar por procedimentos médicos que quase o fizeram perder o movimento da perna direita, no ano passado, ele resolveu passar a chave.

“Prefiro sair deixando saudade. Estar aqui hoje é um presente de Deus”, disse Verçoza, à época, para o Correio do Povo. (Camila Diesel / Rádio Guaíba)

Morre Julio Machado. Autor da música Guri e primeiro vencedor da Califórnia da Canção faleceu em Uruguaiana

Morre Julio Machado. Autor da música Guri e primeiro vencedor da Califórnia da Canção faleceu em Uruguaiana

Cultura Destaque
Faleceu na madrugada desta sexta-feira, o veterinário, músico e compositor Júlio Machado da Silva Filho, “Julinho”- Autor de “Guri”, um clássico do movimento nativista em parceria com seu irmão João Machado da Silva (também falecido), Júlio também venceu a primeira Califórnia da Canção Nativa, em parceria com Colmar Duarte, com a Música Reflexão.Julinho foi presidente do festival e tinha forte aproximação com o Festival de Cosquin, na Argentina. O  sepultamento acontece  às 15h, no Cemitério Municipal Senhora Sant’Anna. (Rádio Charrua AM/FM)

 

Jornalistas Rafaela Melz e Ricardo Grecellé morrem em acidente de carro na BR 290

Jornalistas Rafaela Melz e Ricardo Grecellé morrem em acidente de carro na BR 290

Comunicação Destaque

De acordo com informações da PRF, o acidente que vitimou o casal de jornalistas Rafaela Melz e Ricardo Grecellé, aconteceu por volta das 16h30min., desta terça-feira(22). Conforme testemunhas o motorista do carro, onde eles estavam teria invadido a pista contrária. A colisão frontal resultou na morte de Rafaela e Ricardo. O veículo trafegava sentido Rosário do Sul/São Gabriel. O acidente aconteceu cerca de 6KM do posto da PRF.  O motorista do caminhão teve apenas escoriações. O veículo Up ficou com a dianteira totalmente destruída.

Ricardo, foi assessor de imprensa do Ministério Público gaúcho. Já Rafaela, circulou por diferentes veículos. Trabalhei com ela na Band. Lembro de uma editora competente e detalhista, uma jornalista sempre disposta a perseguir boas histórias para leva-las ao público.

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Rafaela Melz Foto: Reprodução RBS TV

Em um de seus últimos trabalhos, Rafaela foi editora na equipe do Mistura, da RBS TV. Em uma reportagem sobre o programa, o GShow a retratou assim:

Transformar uma hora de gravação em…cinco minutos de reportagem no ar! E com conteúdo atrativo e bonito visualmente, claro. Esse é um dos principais desafios da editora Rafaela Melz. No Mistura, ela não tem uma rotina definida, e se envolve ativamente também com os trabalhos de produção, gravações e captura de imagens. Resumindo: ela só não foi apresentadora do programa!

Para Rafa, todo o esforço vale a pena para ver uma ideia bacana sendo divulgada e causando repercussão entre o público por meio da televisão. Quando não está pensando em boas histórias para o Mistura, a guria gosta de se dedicar a assuntos como viagens e gastronomia

Encontrei no YOUTUBE uma entrevista com a Rafaela para o Espaço Experiência – Famecos, logo após se formar na PUC e receber prêmio Galo de Ouro/Festival de Gramado, em uma reportagem coletiva. Essa era a Rafaela, ela nunca perdeu esta essência como mostra a entrevista para Rodrigo Adams, com Imagens de Dudu Sachini e edição por Nataniel Zeilmann.

 

 

Jovem é morto a tiros no terminal antigo do Aeroporto Salgado Filho. Dois homens invadiram o local e mataram Marlon Roldão, de 18 anos

Jovem é morto a tiros no terminal antigo do Aeroporto Salgado Filho. Dois homens invadiram o local e mataram Marlon Roldão, de 18 anos

Cidade Destaque Poder Política Porto Alegre Segurança

Dois homens entraram no saguão do Aeroporto Salgado Filho e dispararam contra um jovem, que acabou morrendo, por volta das 11h desta segunda-feira. A vítima fatal foi identificada como Marlon Roldão Soares, que completou hoje 18 anos. O jovem deixava o setor de desembarque do terminal 2 quando foi alvejado com quatro tiros na região da cabeça e no tórax. A dupla fugiu em um GM Cobalt, de cor prata, em alta velocidade. A execução ocorreu em frente aos pais do jovem.  O Cobalt foi abandonado, em seguida, nas proximidades do Aeroporto.

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Marlon Roldão Soares,  Foto: Divulgação BM

No momento do crime, o saguão antigo do aeroporto estava cheio, já que muitos gremistas aguardavam a chegada do técnico Renato Portaluppi. Apesar da jurisdição dos aeroportos ser do governo federal, a Polícia Civil está com dois delegados no Salgado Filho para ajudar nas investigações. A área está isolada para a realização da perícia.Conforme informações preliminares da Polícia Civil, o autor dos disparos seria o  irmão da namorada de Marlon Soares.

Morre Arthur Guarisse; por *Márcio Pinheiro

Morre Arthur Guarisse; por *Márcio Pinheiro

Cidade Cultura Destaque
Final dos anos 90: eu era editor da Gazeta Mercantil/RS, suplemento regional encartado na edição nacional do jornal de economia, e li um release que falava sobre uma homenagem a Arthur Guarisse. Pensei: isto rende pauta. Chamei uma repórter e falei. “Vai lá e faz uma matéria sobre o Arthur Guarisse”. Ela me rebateu: “Quem é Arthur Guarisse?”. Naqueles milésimos de segundos entre o pedido e o meu espanto, calculei mentalmente a importância que Guarisse teve e comecei a listar alguns aspectos que me pareciam relevantes a respeito dele: “Um dos pioneiros em decoração de interiores do RS, dono de um antiquário charmosíssimo numa das casas mais lindas da Tristeza e, a partir dos anos 80, marido de Sandra Bréa”. A repórter me rebateu novamente: “Quem é Sandra Bréa?”. A partir dali, eu me dei conta que a pauta era natimorta. Do alto dos meus 30 e poucos anos na época (a repórter era aproximadamente uma década mais jovem do que eu) me dei conta que Arthur Guarisse (e também Sandra Bréa e aquele glamour de uma Porto Alegre dos anos 70) haviam caído no esquecimento.
Este Guarisse morreu hoje pela manhã. Fiquei sabendo por uma outra pequena nota publicada no Facebook que não informava a causa nem a idade dele (estimo em algo por volta de 80 anos). Falei com Arthur Guarisse uma única vez, por telefone, há cerca de sete anos, quando eu ainda fazia uma coluna sobre TV na Zero Hora. O tema de um dos textos havia sido Sandra Bréa. Guarisse me ligou para agradecer o tratamento dedicado à atriz e – na rápida conversa – me passou a impressão de ter ficado também muito feliz em ter sido lembrado depois de tantos anos. E eu que sempre valorizei as boas histórias antigas e seus personagens, tive ali uma outra lição: memória também ajuda as pessoas.
*Márcio Pinheiro é jornalista e coordenador do Livro da prefeitura de Porto Alegre – Foto: Meu Bairro Poa
*Em 2012 Arthur Guarisse concedeu uma entrevista ao site  Meu Bairro falando sobre viver em Porto Alegre e Artes.