Agora/Rádio Guaíba: Felipe Vieira entrevista Celso Deuscher, do Movimento Sul é Meu País

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Conversei na Guaíba com o Secretário-Geral do Movimento O Sul é o Meu País, Celso Deuscher. Ele me disse que 02 de outubro de 2016 será feito um plebiscito de iniciativa popular que vai perguntar à população do Sul se gostaria ou não de continuar pertencendo ao Brasil. Deuscher deixa claro que a Constituição Brasileira não permite a separação dos 3 estados, do restante do Brasil. Mas, baseado em acordos e leis internacionais subscritos pelo Brasil, ele defende que seja seguida a auto-determinação dos povos.

Movimento “Sul é Meu País” busca apoio da Assembleia gaúcha. Movimento fará plebiscito paralelo às eleições municipais no próximo ano

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Nesta quinta-feira, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Edson Brum (PMDB), recebeu, em frente ao Parlamento, a comitiva do movimento “Sul é meu País”. Os cavalarianos entregaram ao presidente um manifesto que sugere um plebiscito para debater a separação dos três Estados do Sul do resto do Brasil. Os separatistas defendem que os três entes federativos teriam autonomia em tornarem-se um país. A sugestão do plebiscito seria no dia 2 de outubro de 2016. A Mesa Diretora da AL encaminhou cópia do documento aos 55 parlamentares da Casa.

Na prática, o movimento existe há mais de 20 anos, e mantém uma diretoria e associação legalizada, com membros em diversas cidades dos três estados do Sul. As ideias da divisibilidade do Brasil com os três Estados formando uma nova nação, por via pacífica e democrática continuam sendo discutidas. O ex-presidente do movimento Celso Deucher, atual secretário geral do Gesul (Grupo de Estudos Sul Livre) diz que a Constituição Federal permite que movimento dessa natureza ocorra. “Não é inconstitucional como muitos atribuem”, disse, lembrando que a causa ganha adeptos e que encontros como o havido em Jaraguá do Sul buscam formar lideranças para propagar e defender a ideia de um novo país. “Não somos contra o Brasil, somos contra Brasília e o atual modelo que penaliza quem produz e isso pode ser medido, por exemplo, pela arrecadação de R$ 501 bilhões de SC, RS e PR de 2011 a 2014, mas deste montante, apenas R$ 109 bilhões retornaram aos Estados e Municípios”.

A principal diferença em relação ao Estado brasileiro seria a inversão da lógica da arrecadação tributária, diz ele. Os municípios ficariam com 70% do arrecadado e a Confederação com o restante – apenas para manter as Forças Armadas e um Parlamento ao estilo sueco, que só se reúne quando surge a necessidade de convocação. Além da questão tributária, outros fatores que motivariam a separação são o descontentamento com a democracia representativa brasileira e ausência de autonomia legislativa dos atuais estados brasileiros – que hoje têm restrições para editar leis.

Em uma eventual separação dos três estados do Sul, o país que emergiria seria relativamente rico para os padrões latino-americanos: o território teria 576 mil km2 (maior que a França) e população de 30 milhões de habitantes. O seu PIB seria de R$ 786,4 bilhões e o IDH de 0,82, similar ao do Chile.

A realização de um plebiscito está sendo planejado pelas lideranças do movimento “O Sul é o Meu Pais”. De acordo com Celso Deucher, que reside em Brusque(SC), a ideia é realizar uma consulta popular no dia das eleições municipais em outubro de 2016, mas fora dos locais de votação. A proposta é alcançar em cada cidade onde o movimento está instalado pelo menos 5% do eleitorado. Em Jaraguá do Sul seria pouco mais de cinco mil pessoas. Nos três Estados, seria no mínimo um milhão de pessoas ouvidas sobre separar ou não para formar um novo País. “Até agora propagamos a ideia, mas nunca fizemos uma consulta pública. Em outubro de 2016 faremos o plebiscito para ouvir da população se é favorável ou contrária à proposição”, comenta Celso. (Felipe Vieira com informações da Assembleia e Jdv.com.br – Foto: Vinicius Reis)