Feira do Livro: Academia Rio-Grandense de Letras homenageia Paixão Cortês.  Atividade ocorreu no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, neste sábado; por Cláudio Isaías/Correio do Povo

Feira do Livro: Academia Rio-Grandense de Letras homenageia Paixão Cortês. Atividade ocorreu no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, neste sábado; por Cláudio Isaías/Correio do Povo

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As lembranças e legados deixados pelo compositor, folclorista, radialista e pesquisador da cultura gaúcha Paixão Côrtes, falecido aos 91 anos em 27 de agosto deste ano, foram os temas das palestras dos escritores Waldomiro Manfroi e Alcy Cheuiche na manhã deste sábado na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre. O evento ocorreu no auditório do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs), na Praça da Alfândega. A homenagem foi prestada pela Academia Rio-Grandense de Letras e teve apoio do Instituto Estadual do Livro.

Em 1947, Paixão Côrtes liderou os estudantes que fundaram o Departamento de Tradições Gaúchas do Grêmio Estudantil do Colégio Júlio de Castilhos e que deflagraria o Movimento Tradicionalista Gaúcho. Ele e sete colegas, trajados e montados tipicamente à gaúcha, algo inédito na época, formaram o “Piquete da Tradição” que desfilou e fez guarda de honra da urna funerária dos restos mortais do general farroupilha Davi Canabarro. Solenidades culturais e cívicas, além de festivais de música e movimentos de afirmação de ser gaúcho, entre outros reflexos, surgiriam nas décadas seguintes graças ao pioneirismo daqueles estudantes.

Para Alcy Cheuiche, que recordou a convivência junto com o amigo, a maior obra de Paixão Côrtes foi resgatar a identidade cultural do gaúcho. “Ele teve a coragem”, resumiu, lembrando que na época de juventude havia uma norte-americanização muito forte. “Ele não era radical e sabia entender as coisas. Quando entrou a guitarra elétrica nos festivais de música foi aquele escândalo. Paixão Cortês disse que não havia problema e que a guitarra elétrica iria atrair os jovens à música gaúcha e não só no rock”, lembrou.

O escritor Alcy Cheuiche destacou ainda que a mais importante herança de Paixão Côrtes foi recuperar as músicas e danças típicas gaúchas que ainda existiam nos rincões do Rio Grande do Sul. “Ele fez uma pesquisa científica. Ele levava um gravador para toda a parte. Achava nos fundões alguém para resgatar um ritmo de época, aquelas festas folclóricas…”, ressaltou. “Tenho boas recordações dele”, concluiu.

 

A reportagem completa está no Correio do Povo.