Em seu retorno a Porto Alegre, Paul McCartney emociona com passeio pela carreira; por Júlia Endress/Correio do Povo

Em seu retorno a Porto Alegre, Paul McCartney emociona com passeio pela carreira; por Júlia Endress/Correio do Povo

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Um dos maiores nomes da música e uma seleção de clássicos que embalam gerações. Essa é a fórmula da “One on One”, turnê que Sir Paul McCartney apresentou na noite desta sexta-feira em Porto Alegre. Aos 75 anos e em sua segunda passagem pela cidade, o eterno Beatle subiu ao palco montado no estádio Beira-Rio pouco depois das 21h e ao longo de quase três horas esbanjou energia, “gastou” seu português com muito carisma e emocionou os 49.500 mil presentes – a lotação máxima, com ingressos esgotados bem antes – ao promover um passeio por sua carreira.
A escolhida para começar foi uma dos Beatles: “A Hard Day’s Night”. A música começou a entrar no setlist de Paul justamente nesta turnê, que estreou no ano passado, e antes não era tocada ao vivo desde os tempos do quarteto de Liverpool. As músicas da banda, por sinal, são as que ganham maior espaço dentro do atual show. Mas o Wings não fica de fora e também chega com preciosidades. A primeira dessa período é “Junior’s Farm”, marcada pela primeira saudação em português: “Oi, Porto Alegre, tudo bem?”, seguido de um “Boa noite, Brasil” fizeram o público vibrar, bem no ritmo de “Can’t buy me love”, que colocou o mar de camisetas dos Beatles e capas de chuva para dançar. Paul então avisou que ia falar (mais) em português e disparou: “é bom estar de volta” – e, obviamente, os fãs fizeram muito barulho para dizer que concordavam, que era muito bom tê-lo de volta aqui.

Na sequência, “Jet” e “Go to Get You Into My Life”, intercalando, mais uma vez, um sucesso do Wings com um dos Beatles – uma fórmula realmente infalível e que ressalta toda a versatilidade desta verdadeira lenda viva da música. Acompanhado pelos guitarristas Rusty Anderson e Brian Ray,  pelo tecladista Paul “Wix” Wickens  e pelo baterista Abe Laboriel, Paul ganha um bom reforço nos vocais, mas faz questão de cantar no estilo “um a um” que o nome da turnê sugere, como se cada verso fosse especialmente para cada fã. E ele também sola, faz caras, bocas e dancinhas e reage aos aplausos vindos da plateia em todo  final de música: “obrigado, gaúchos e gaúchas”, disse antes de cantar “I’ve Gotta a Feeling”.Com menos canções no repertório mas igualmente marcante, a carreira solo de Sir Paul chegou com “My Valentine”, canção que pareceu definir bem o clima da noite: “What if it rained, we didn’t care”, muito embora poucos instantes antes do início da apresentação a chuva tenha resolvido finalmente dar uma trégua na Capital. A música ainda foi dedicada à esposa de Paul, Nancy, que veio com ele para Porto Alegre. Num set ao piano, ele também tocou outro sucesso da fase solo, “Maybe I’m Amazed”.

A volta ao violão foi com “We Can Work It Out” e, após, o anúncio de uma viagem pelo tempo com “a primeira canção gravada pelos Beatles” e o agradecimento com um “tri bom” quando os fãs fizeram coro para “In Spite of All the Danger”, a mais antiga do setlist, da época do The Quarryman. E aí Paul abriu caminho para uma sequência só dos Fab Four, banhada por uma insistente garoa: “You Won’t See Me”, “Love Me Do”,  “And I Love Her” e “Blackbird” (com o palco movendo-se e colocando-o num lugar mais alto no palco e ele lembrando que a música fala sobre direitos humanos – a resposta da plateia veio no fim, com gritos de “Fora, Temer”) provaram que a popularidade dos Beatles segue intacta até hoje e encontra um público em constante renovação (a quantidade de famílias espalhadas pelo estádio também deixava isso claro).Paul ainda homenageou o amigo John Lennon com “Here Today” e se esforçou para explicar que viria a seguir uma de suas canções mais recentes (o “r” custava a sair): “Queenie Eye” foi seguida por “New”, ambas do álbum “New”, de 2013. A apresentação chegava à metade, mas, incansável, Macca trouxe sua gravação mais recente para demonstrar que, apesar de mais de meio século de carreira, ele não para nunca. No caso, trata-se de “FourFiveSeconds”, parceria com Rihanna e Kanye West, de 2015.

 

Os 50 anos de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” também não passaram batido e o icônico álbum foi homenageado com a execução de “Being for the benefit of Mr. Kite!” e o telão ganhando as excêntricas cores do disco. Depois foi a vez que celebrar George Harrison com “Something”, acompanhada em coro pelo público.

Dono de uma performance irretocável, Paul seguiu a noite com um desfile de canções que, sozinho ou em grupo, ele deixou gravadas na história. E foi assim que ele tirou da cartolas momentos emocionantes e para lá de especiais, como quando tocou, por exemplo, “Band on the run” e “Let it Be”, daquelas acompanhadas por incontáveis lanternas de celulares ligadas e cantadas a plenos pulmões.

Como não poderia ser diferente, também não faltou a bela pirotecnia que sempre acompanha a clássica “Live and let Die” e a verdadeira catarse promovida por “Hey Jude”, responsável por encerrar a primeira parte do show – com direito a balões com os “na na na na na” escritos. No retorno para o bis, Paul e sua banda carregaram uma bandeira do Brasil , uma da Grã-Betranha e outra do movimento LGBT.

Para a última seção, Macca separou cinco canções. A primeira foi “Yesterday” – seguida de uma brincadeira sobre o show continuar ou não. “Vocês querem mais?”, ele perguntou, e o grito em uníssono foi “sim”. Depois vieram “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e  “Helter Skelter” colocando o público a pular e gastar as últimas energias da noite. Merecido. Quatro fãs então subiram ao palco e dançaram “Birthday”.

Mas o fim oficial chegou com “Golden Slumbers” e os sonhos dourados que enchem nossos olhos. Como despedida, Paul McCartney declarou um “até a próxima”. E, realmente: volte sempre, Paul.

Confira o setlist:

 

1. “Hard Day’s Night”

2. “Junior’s Farm”

3. “Can’t Buy Me Love”

4. “Jet”

5. “Go to Get You Into My Life”

6. “Let Me Roll It”

7. “I’ve Got a Feeling”

8. “My Valentine”

9. “Nineteen Hundred and Eighty-Five”

10. “Maybe I’m Amazed”

11. “We Can Work It Out”

12. “In Spite of All the Danger”

13. “You Won’t See Me”

14. “Love Me Do”

15. “And I Love Her”

16. “Blackbird”

17. “Here Today”

18. “Queenie Eye”

19. “New”

20. “Lady Madonna”

21. “FourFiveSeconds”

22. “Eleanor Rigby”

23. “I Wanna Be Your Man”

24. “Being for the Benefit of Mr. Kite”

25. “Something”

26. “A Day in the Life”

27. “Ob-La-Di, Ob-La-Da”

28. “Band on the Run”

29. “Back in the U.S.S.R”

30. “Let It Be”

31. “Live and Let Die”

32. “Hey Jude”

BIS

33. “Yesterday”

34. “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”

35. “Helter Skelter”

36. “Birthday”

37. “Golden Slumbers”

EXCLUSIVO: Já tem data novo show de Paul McCartney no Beira-Rio. Porto Alegre verá a comemoração de 50 anos de ‘Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band’ em outubro

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Beatlemaníacos se preparem !! Sir Paul McCartney promete grandes emoções na segunda passagem dele pelo Beira-Rio. O ex-Beatle se apresenta em Porto Alegre, no dia 13 de outubro, com a turnê comemorativa dos 50 anos de lançamento do álbum Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band, de 1967. Ainda não estão disponíveis informações sobre a venda de ingressos. Em Porto Alegre, ele se apresentou pela primeira vez em novembro de 2010. Mais de 50 mil pessoas assistiram ao show da turnê “Up and Coming Tour”, no Estádio do Internacional.