Impeachment de Dilma: Pepe Vargas defende edição de decretos na comissão do Senado

Impeachment de Dilma: Pepe Vargas defende edição de decretos na comissão do Senado

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Ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos, o deputado Pepe Vargas (PT-RS) disse hoje (21) não ter cometido qualquer irregularidade ao publicar decretos de crédito suplementar quando esteve à frente da pasta.  Segundo ele, esses decretos se referem não apenas a recursos do Tesouro, mas a recursos superavitários dos fundos do Idoso e da Criança e do Adolescente, obtidos por meio de doações feitas por pessoas físicas e jurídicas, não podendo ser usados para nenhum outro fim. Vargas depôs, no início da tarde desta terça-feira na Comissão Especial do Impeachment no Senado.

“A pessoa física ou jurídica aproveita a lei e faz doações aos fundos do idoso, da criança e do adolescente, inclusive para abater esses valores no Imposto de Renda. O Poder Executivo não pode retirar [esses recursos] daquele fundo”, afirmou Pepe Vargas.

Ele lembrou que o papel da secretaria é fortalecer sistema de garantias e proteção tanto de idosos como de crianças e adolescente, e que esta foi a motivação dele ao assinar os decretos.

Além disso, quando não forem aplicados no mesmo ano de exercício esses recursos obtidos a partir de doações têm de ser aportados no ano seguinte. “Com base na lei, essas pessoas podem abater do Imposto de Renda a pagar. Então, não tem como pegar esses recursos e doar para outras coisas”, acrescentou.

Antes de ser ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Pepe Vargas foi, entre 2012 e 2014, ministro do Desenvolvimento Agrário. Por esse motivo, o advogado de acusação, Miguel Reale Júnior, o questionou sobre considerar ou não como operações de crédito as operações feitas pelo governo federal com bancos públicos para viabilizar o Plano Safra.

“Tenho para mim que operação de crédito a favor da União exigiria um contrato de crédito entre banco e União. A meu ver não é esta a situação dada. O que existe é uma equalização da taxa de juros, podendo, inclusive, haver algum atraso de pagamento”, respondeu Vargas.

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Segundo Miriam Belchior, a abertura de crédito suplementar não impacta na meta. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Há pareceres que dizem que isso não configura operação de crédito. Acredito que há mais solidez dentro dessa concepção, de que o que há é uma equalização da taxa de juros”, afirmou.

Neste momento, a comissão ouve a ex-ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior. Segundo ela, os decretos que têm sido usados para justificar o impeachment da presidenta Dilma Rousseff “aumentam o cardápio, mas não aumentam os gastos”.

No início, Miriam informou que não participou da elaboração dos quatro créditos suplementares avaliados pela comissão.

“Mas quero esclarecer que a abertura de um crédito suplementar não impacta na meta, porque, a partir da Lei de Responsabilidade Fiscal, cada área tem um limite pelo qual não pode ultrapassar. Além disso, tanto na Lei Orçamentária Anual quanto nos créditos suplementares aprovados por lei ou decreto não há impacto porque todas essas dotações de despesas discricionárias são alcançadas pelo decreto de contingenciamento”, destacou a ex-ministra.

Posteriormente serão ouvidos o ex-subsecretário de Planejamento e Orçamento do Ministério da Justiça, Orlando Magalhães da Cunha, e o coordenador de Orçamento e Finanças do Ministério da Justiça, Marcelo Minghelli.

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Conversei hoje no Agora/Rádio Guaíba com o deputado federal Pepe Vargas (PT-RS). Ele me disse que a denúncia que consta na Comissão que analisa o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff não tem consistência jurídica. Na entrevista ao Programa Agora, da Rádio Guaíba, o parlamentar disse que no primeiro embate entre oposição e governo Dilma não teria cumprido os requisitos na Lei Orçamentária em 2015. Na acusação Dilma teria assinado decreto de suplementação orçamentária e usado créditos de bancos públicos para pagar programas sociais. Para ele, se a presidente Dilma tivesse cometido irregularidades os presidentes anteriores a ela também deveriam de ter sido denunciados. Lembrou que a meta fiscal foi alterada muitas vezes, inclusive no governo FHC, e esses termos não justificariam o pedido de impeachment.

Ao ser questionado sobre a retirada do pedido de inclusão da denúncia de Delcídio do Amaral do processo, Vargas disse que na “roubalheira dentro da Petrobras”, um criminoso envolvido em corrupção assina um termo de delação premiada e faz denúncias que precisam ser comprovadas dentro da lei, destacando que o pedido de impeachment de Dilma não tem nada a ver com essas denúncias.

Sobre o fato de trabalhar em uma comissão em que dois terços dos parlamentares gaúchos estão inclinados a votar pela saída de Dilma, Pepe Vargas disse que muitos integrantes da comissão estão com pretensões político-eleitoreiras, na medida em que a saída da Presidente abriria espaço na cúpula do poder. Contudo, em um País presidencialista como o Brasil, esse tipo de manobra não teria efeito.