“Se o governo vai ficar ingovernável ou não,(Dilma) deveria ter pensado nisso antes.” Osmar Terra diz que PMDB vai entregar cargos no governo Dilma.

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Conversei hoje com o deputado Osmar Terra (PMDB-RS), um dos integrantes da comissão especial do impeachment.  Para Terra, o julgamento do impeachment na Câmara será político diante de um quadro gravíssimo no país gerado pela falta de governabilidade e competência. Disse que a economia está se esfacelando e o desemprego aumenta, bem como faltam recursos para educação, saúde e segurança, além da crise moral e ética instalada no país. Em entrevista ao Programa Agora, disse que, se vai ficar na pedalada ou se a Comissão aceitará a delação de Delcídio, trata-se de uma questão irrelevante diante o cenário de caos instalado.

Osmar Terra justificou que o julgamento de Dilma seria mais condescendente se não houvesse uma crise tão severa no país. Ao ser questionado sobre um pré-julgamento dos deputados em relação a Dilma, o deputado disse que está sendo julgada politicamente uma conjuntura, mas uma avaliação do que é mais importante para o país agora. Disse que até agora não viu nada que o convencesse do contrário, pois hoje a maioria da comissão é favorável ao impeachment.  O parlamentar refutou a ideia de que o PMDB estaria articulando um golpe para colocar Michel Temer no poder, pois uma decisão como essa precisaria ter apoio de 2/3 do Congresso Nacional. Disse não ver outro caminho hoje a não ser a saída de Dilma, “Se o governo vai ficar ingovernável ou não,(Dilma) deveria ter pensado nisso antes.”

Impeachment e não impeachment são ótimos para o PMDB, sustenta Eliseu Padilha; por Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba

Impeachment e não impeachment são ótimos para o PMDB, sustenta Eliseu Padilha; por Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba

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Ex-ministro da Aviação Civil e braço direito do vice-presidente Michel Temer (PMDB), o gaúcho Eliseu Padilha (PMDB) prevê que o partido desembarque da base aliada do governo Dilma Rousseff em, no máximo, quatro semanas. Apesar disso, Padilha evita relacionar o possível desembarque do governo com o apoio do PMDB ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Isso porque, segundo Padilha, tanto o desfecho de impeachment de Dilma quanto o de não impeachment são “ótimos” para o partido, não cabendo aos peemedebistas um papel de protagonismo no processo.

“O que o PMDB, nessa questão do impeachment, tem a fazer é não fazer absolutamente nada. Para não ter nenhuma interpretação equivocada. O PMDB, por definição da Constituição, é o substituto natural. Então não tem que fazer nada. Se acontecer (o impeachment), ótimo, se não acontecer, ótimo também. Esse assunto não é do PMDB”, argumentou Padilha.

No último sábado, em convenção nacional, após o desembarque ser colocado em discussão, o PMDB decidiu por não aceitar novos cargos no governo federal por 30 dias. Nesse período, a legenda vai definir se entrega os cargos e sai do governo, como sugere Padilha, ou se permanece na aliança com o PT. Pelos cálculos de Padilha, no entanto, a tendência é evidente no sentido de o PMDB deixar a base governista uma vez que, segundo ele, essa é a defesa de 100% dos caciques da legenda.

“A tendência é que o diretório nacional decida pela entrega de todos os cargos e que o partido saia da base de sustentação. Essa decisão não é em 30 dias, mas em até 30 dias. Pode ser antes. Cem por cento das manifestações (na convenção de sábado) foram no sentido de que o PMDB deve deixar o governo. Eu pessoalmente já deixei em dezembro, não vamos esquecer isso, porque eu sabia qual o clima que estava no partido”, calculou Padilha.

A decisão final sobre o desembarque vai ficar a cargo dos 119 integrantes do diretório nacional da legenda. A legenda comanda atualmente seis ministérios e é o principal aliado nacional do PT desde que 2002, quando Luís Inácio Lula da Silva (PT) venceu as eleições presidenciais. Sobre a quantidade de cargos que o PMDB dispõe hoje no governo, Padilha disse não se lembrar de cabeça.

Além do processo de impeachment, o que pode levar Temer ao posto de presidente no lugar de Dilma, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda vai julgar as contas da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014. Caso entenda que há irregularidade, ambos perdem os postos. O entendimento de Padilha, entretanto, é de que, mesmo nesse cenário, Temer pode ser preservado a partir de uma estratégia que busca desvincular as contas de campanha de Temer das contas de Dilma, mesmo que haja uma prestação conjunta da chapa.

“Não (nos assusta o processo no TSE) porque nós temos convicção de que nós teremos como mostrar que são contas diferentes. A unicidade da chapa termina com a proclamação do resultado. A separação das contas (de campanha) é indiscutível”, defendeu.

PMDB decide não assumir cargos no governo até decisão sobre independência em 30 dias

PMDB decide não assumir cargos no governo até decisão sobre independência em 30 dias

Notícias Poder Política

O PMDB decidiu hoje (12), em convenção nacional do partido, que nenhum peemedebista assumirá cargos no governo federal nos próximos 30 dias. Nesse período, o Diretório Nacional do PMDB vai decidir sobre a proposta de rompimento ou de manutenção do apoio ao governo da presidenta Dilma Rousseff.

O cargo de ministro da Aviação Civil está vago com a saída de Eliseu Padilha, do PMDB, em dezembro. Havia uma expectativa de que o deputado federal Mauro Lopes (MG) assumisse a Secretaria de Aviação Civil nos próximos dias.

Mais cedo, o vice-presidente da República, Michel Temer, disse, durante discurso na convenção nacional, que “não é hora de dividir os brasileiros, de acirrar ânimos e levantar muros”. Segundo ele, em um momento atual de grave crise política e econômica, a hora é “de construir pontes”.

O PMDB deve reconduzir Temer à presidência nacional do partido. No total, 454 delegados vão eleger os membros do Diretório Nacional, que, por sua vez, vão escolher a nova Comissão Executiva Nacional.

Temer voltou a defender a unidade nacional e o diálogo entre todas as correntes de opinião. “O PMDB sempre teve diversidades internas, mas [que] convergem em todas as ocasiões em que é preciso cuidar do país”. (Agência Brasil)

Séfora Mota deve deixar o PRB em março; por Voltaire Porto/Rádio Guaíba

Séfora Mota deve deixar o PRB em março; por Voltaire Porto/Rádio Guaíba

Cidade Direito Notícias Poder Política Porto Alegre prefeitura

A vereadora da Capital, Séfora Mota, do PRB, anunciou que vai deixar o partido. Ela é suplente e deve deixar o cargo em março, quando retorna o titular da bancada na Câmara Municipal, José Freitas, que ocupa a Secretaria da Segurança de Porto Alegre. Séfora quer enfrentar as urnas novamente e aposta que com o resultado do seu mandato, desta vez, poderá conquistar uma vaga como titular. Entretanto, o destino é incerto e ela admite que já recebeu convites de diferentes legendas.

“Eu já fui sondada por quatro partidos e dois deles, os quais não vou revelar nomes, estão descartados. Agora minha intenção é em optar entre o PDT e o PMDB”, adiantou.

Os dois partidos fazem parte da situação e representam o comando do Paço Municipal com José Fortunati, do PDT, e Sebastião Melo, do PMDB. Sefóra revela ter uma predileção pelo vice-prefeito. “todos sabem do carinho que tenho pelo Melo. Meu desejo é muito grande de fazer campanha para ele se eleger prefeito da nossa cidade”, sinalizou.

Diante da manifestação a tendência mais forte é de que Séfora opte pelo PMDB, ainda assim, o assédio é grande por parte de lideranças do PDT. No PRB a informação é de que o desejo dos dirigentes é de que ela permaneça no partido que a projetou para o mundo da política. (Voltaire Porto/Rádio Guaíba)

Entrevista: Roberto Requião livra Dilma e chuta o pau da barraca do mercado, empresariado, Eduardo Cunha, Renan Calheiros…

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Conversei hoje (21.12.2015) no programa Agora/Rádio Guaíba com o senador Roberto Requião (PMDB/PR). Ele me disse ter boas expectativas em relação ao novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, mas ressaltou que não haverá solução sem um ajuste fiscal em cima de todas as faixas de contribuição do País. Em entrevista ao Programa Agora, disse que a fórmula de arrocho em cima do trabalhador e da fatia da população mais pobre não funciona e nem resolverá o problema nacional. Para o senador a sonegação é “ciclópica” no Brasil por conta do empresariado. Disse que as turbulências econômicas dos últimos anos foram geradas por falta de credibilidade da política.

Ao ser questionado se vai haver o impeachment da presidente Dilma Rousseff, Requião foi categórico em dizer que ninguém contesta a seriedade da mandatária, mas disse que a crise tem como origem erros na política econômica. “Agora teremos a possibilidade de ver com o ministro Barbosa uma inflexão nacionalista da economia, em um cenário favorável ao desenvolvimento econômico com respeito aos valores nacionais”, disse. O parlamentar acredita que o Brasil precisa deixar de ser um país subordinado ao capital estrangeiro. Disse que com a mudança do ministro da Fazenda não há mais o clima anterior de insegurança institucional.

Requião disse que os que queriam derrubar Dilma, citando o ideário tucano em relação à política econômica, tinham em mente severos cortes na saúde, o fim da CLT e a precarização do executivo e dos partidos políticos, criando mandaletes do poder econômico dentro do parlamento. Ao ser questionado sobre as ações do deputado Eduardo Cunha e do senador Renan Calheiros, ambos de seu partido, o PMDB, o ex-governador do Paraná disse que os processos contra os parlamentares têm que ser concluídos de uma vez por todas e por enquanto são apenas acusações que precisam ser consolidadas com provas. Ele disse que em caso de condenação todos os culpados devem ir para a cadeia.

O senador Requião respondeu perguntas de internautas, denunciou o poder da grande mídia sobre o cenário político no país e criticou a judicialização na política, citando casos e sugerindo soluções alternativas. (Redação Luis Tósca/Rádio Guaíba)

Olívio Dutra rejeita palavra golpe e fala em “enjambração ideológica” (Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba)

Olívio Dutra rejeita palavra golpe e fala em “enjambração ideológica” (Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba)

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O ex-governador do Estado Olívio Dutra, do PT, classificou o atual processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) como resultado de uma “enjambração política e ideológica”. Conforme o ex-governador, esta ‘enjambração’ é promovida por setores que se aproveitam do momento político para tentar reduzir o tamanho do estado, com diminuição dos programas sociais e de inclusão. Apesar das fortes críticas às motivações do impeachment, o ex-governador rejeita classificar o momento atual como golpe.

“Esse processo, da forma como foi desencadeado, evidentemente é uma ‘enjambração’ política e ideológica. Que se aproveita de um instituto previsto na Constituição do impeachment. Mas isso é apenas um gancho. O que está por trás mesmo é uma ‘enjambração’ da mais baixa qualidade. A gente está vendo pelo comportamento dessas figuras na instância do Congresso, especialmente na Câmara. É uma ‘enjambração’ daqueles que entendem que o estado brasileiro não pode ter políticas sociais, de inclusão, no nível que está tendo, tem que se encolher o estado, o estado tem que ser mínimo para maioria da população, e máximo para alguns que vêm se beneficiando há anos. Não concordo, não (com a denominação de golpe). Acho que tem é essa ‘enjambração’”, disse Olívio.

O ex-governador gaúcho defende ainda que a presidente tem o direito de terminar o seu mandato. De outro lado, Olívio cobra que a presidente cumpra a agenda econômica que a elegeu, sem fazer concessões políticas a alianças e conveniências.

“A presidente Dilma não tem porque ser impedida de completar seu mandato. Ela tem o dever de tomar medidas para adequar o País, retomar o desenvolvimento. E tem o direito de completar o seu mandato. E é assim que nós podemos preservar, aprofundar a democracia, qualificá-la, consolidá-la. Exigindo inclusive o cumprimento de metas de governo que elegeram a presidente. Dilma foi eleita com um programa econômico que não é esse que ela passou a praticar, por conta das alianças e conveniências que a cercaram. Tem que cobrar dela o programa que a elegeu e lutar para que ela complete seu mandato”, defendeu Olívio.

Olívio ainda atribui a atual crise política a uma distribuição errada dos cargos pelos partidos aliados do PT no governo federal. O ex-governador acrescenta a isso o pragmatismo e a falta de projeto do PMDB para o País.

“Eu penso que a Dilma deu muita linha, fez muita concessão, não só para gente do PMDB, mas também de outros partidos. E não foi feliz na indicação desses partidos, até porque esses partidos assumiram para si as indicações e virou essa mixórdia. Essa coisa de composição de governo depois de eleição vira nisso. Panela em que todos mexem não dá uma boa comida. Nós temos gente boa e séria no PMDB, mas o PMDB não é um partido, não tem um projeto estratégico para o País. Ele representa algumas áreas, alguns setores, um cacique aqui, outro ali. Até o PT se contaminou por esse tipo de política do pragmatismo”, argumentou o ex-governador, que pretende participar dos atos em defesa do mandato de Dilma Rousseff.

Olívio, que ocupou assento na Câmara dos Deputados entre 1986 e 1989, participou da construção da atual Constituição, promulgada em 1988. Entre 1999 e 2003 foi governador do Rio Grande do Sul. (Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba – Foto: Arthur Puls/Correio do Povo)

Ibsen Pinheiro afirma que não se destitui presidente por causa de sua baixa popularidade

Entrevistas Notícias Poder Política

 

Conversei hoje com o presidente do PMDB-RS, deputado Ibsen Pinheiro, disse que o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff deve ter conteúdo técnico e também apelo popular para lograr êxito. Em entrevista ao Programa Agora/Rádio Guaíba, o parlamentar declarou não ver clareza na definição do objeto do pedido, pois não acha que estejam presentes hoje os ingredientes essenciais para o afastamento da mandatária. Destacou que o condutor do processo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, está vulnerável porque pesam contra ele denúncias que também tramitam no Legislativo federal. Ibsen disse que não se destitui um presidente só porque caiu sua popularidade, pois é preciso que haja fundamento jurídico que sustente e justifique o pedido.

“Impeachment baseado na rejeição das contas é meio fraco”, afirma Pedro Simon.  Ex-governador do Estado, entretanto, diz que chamar impeachment de golpe é “malandragem do PT”

“Impeachment baseado na rejeição das contas é meio fraco”, afirma Pedro Simon. Ex-governador do Estado, entretanto, diz que chamar impeachment de golpe é “malandragem do PT”

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O ex-senador e governador do Rio Grande do Sul, Pedro Simon (PMDB), afirmou nessa terça-feira (08), em entrevista exclusiva à Rádio Guaíba, que considera fraco o argumento que está colocado no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O ex-governador peemedebista lembra que as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), argumento central do pedido de impeachment, ainda não foram nem mesmo apreciadas pelo Congresso Nacional. Segundo Simon, o processo de impedimento de Dilma deveria ser aberto após a conclusão das investigações da Operação Lava Jato que, de alguma forma, poderiam implicar a presidente da República.

“O impeachment baseado apenas na rejeição das contas pelo Tribunal é meio fraco. O importante eram as contas da Lava Jato. No final poderia, e acho que atingiria, a presidente da República. A decisão do Tribunal de Contas da União (ainda) vai à votação pelo Congresso, que aceita a decisão ou rejeita. Então está se pedindo um impeachment sobre uma decisão que o Congresso vai decidir se é ou não é”, disse Simon.

O peemedebista ainda minimizou o fato do governo ter gastado mais do que poderia em 2014. Esta é uma das constatações do TCU que fundamenta o pedido de impeachment. Segundo Simon, irresponsabilidade fiscal é prática corriqueira na gestão pública.

“Até porque esse negócio de exagero de gastos existe desde que eu me conheço por gente. O grave que está acontecendo é a Operação Lava-Jato. Muitas coisas estão se repetindo, aumentando, aumentando. A conclusão dessa questão é que a gente vai decidir se a presidenta é isenta, não é culpada, ou se ela, que foi quatro anos a ministra de Minas e Energia tendo a Petrobras debaixo de seu comando, quatro anos chefe da Casa Civil sendo presidente do Conselho de Administração da Petrobras, e cinco anos presidente da República, qual é a responsabilidade dela nos eventuais escândalos. Em cima disso deveria ser a discussão sobre ter ou não ter impeachment”, detalhou o ex-governador.

Apesar de apresentar restrições aos argumentos colocados no atual processo de impeachment, Simon considera ridícula a tese de golpe levantada pelo PT. Segundo Simon, dizer que se trata de um golpe é uma estratégia de comunicação do Partido dos Trabalhadores.

“Com todo respeito, isso é ridículo! A discussão é absolutamente democrática, está aberta. Esse negócio de golpe é um golpe publicitário do PT. O PT quer levar à radicalização. ‘Não, eu não concordo, é o novo 64′. Absolutamente não dá para dizer isso. O PT está forçando a barra. Pode discordar do impeachment. Eu mesmo acho que não é… Eu concordo com o presidente do partido (PMDB no RS), Ibsen Pinheiro, que não era a maneira de fazer… Daí a dizer que é golpe é malandragem do PT”, argumentou.

O ex-governador Tarso Genro (PT) comentou, em sua conta pessoal no Twitter, a afirmação do peemedebista. “Simon, discutir ‘impeachment’ é, sim, da democracia. Malandragem, porém, é usá-lo como chantagem para obstruir processo na Comissão de ética”, disse Tarso, fazendo referência à tese de que Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, aceitou o pedido de impeachment de Dilma como forma de atrasar o processo ético que pesa contra si.

Simon ainda defende que não é possível comparar o processo de impeachment contra Fernando Collor com este que tramita contra Dilma. Segundo ele, no caso de Collor, a CPI identificou relações diretas do presidente com um esquema de corrupção.

“Eu fui o homem que coordenou aquela CPI do Collor, foi feita no meu gabinete. A CPI foi toda em cima do Pedro Collor (irmão do então presidente). Agora, no decorrer foi crescendo, crescendo e apareceu o nome do presidente. Veja a diferença: pedimos uma CPI, apareceram os fatos e, baseado nesses fatos, nós pedimos o impeachment. Aqui não. Para ser igual ao Collor, eles deveriam continuar as denúncias da Lava-Jato, chegar à conclusão, e não tenho nenhuma dúvida que chegando à conclusão tem muitos motivos para pedir o impeachment da Dilma”, finalizou o peedebista, que tem em sua trajetória política quatro mandatos no Senado, último deles encerrado no início de 2015. (Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba)

Leia a íntegra da carta enviada pelo vice Michel Temer a Dilma.  Ele lista episódios que demonstrariam ‘desconfiança’ da presidente com ele. Assessoria do vice disse que ele se surpreendeu com divulgação da carta. Reportagem de Andréia Sadi/GloboNews, em Brasília

Leia a íntegra da carta enviada pelo vice Michel Temer a Dilma. Ele lista episódios que demonstrariam ‘desconfiança’ da presidente com ele. Assessoria do vice disse que ele se surpreendeu com divulgação da carta. Reportagem de Andréia Sadi/GloboNews, em Brasília

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Presidente nacional do PMDB, o vice-presidente da República, Michel Temer, enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira (7) na qual apontou episódios que demonstrariam a “desconfiança” que o governo tem em relação a ele e ao PMDB.

A mensagem, segundo a assessoria da Vice-Presidência, foi enviada em “caráter pessoal” à chefe do Executivo e, nela, ele não “não propôs rompimento” com o governo ou entre partidos, mas defendeu a “reunificação do país”.

Num dos trechos da carta, Temer escreve que passou o primeiro mandato de Dilma como um “vice decorativo”, que perdeu “todo protagonismo político” que teve no passado e que só era chamado “para resolver as votações do PMDB e as crises políticas”. Depois, lista fatos envolvendo derrotas que sofreu com atos da presidente.

Leia abaixo a íntegra da carta obtida pela GloboNews:

São Paulo, 07 de Dezembro de 2.015.

Senhora Presidente,

“Verba volant, scripta manent”.

Por isso lhe escrevo. Muito a propósito do intenso noticiário destes últimos dias e de tudo que me chega aos ouvidos das conversas no Palácio.

Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo.

Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade. Tenho-a revelado ao longo destes cinco anos.

Lealdade institucional pautada pelo art. 79 da Constituição Federal. Sei quais são as funções do Vice. À minha natural discrição conectei aquela derivada daquele dispositivo constitucional.

Entretanto, sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo.

Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança. E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice.

Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo usando o prestígio político que tenho advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no partido. Isso tudo não gerou confiança em mim, Gera desconfiança e menosprezo do governo.

Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.

1. Passei os quatro primeiros anos de governo como vice decorativo. A Senhora sabe disso. Perdi todo protagonismo político que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. Só era chamado para resolver as votações do PMDB e as crises políticas.

2. Jamais eu ou o PMDB fomos chamados para discutir formulações econômicas ou políticas do país; éramos meros acessórios, secundários, subsidiários.

3. A senhora, no segundo mandato, à última hora, não renovou o Ministério da Aviação Civil onde o Moreira Franco fez belíssimo trabalho elogiado durante a Copa do Mundo. Sabia que ele era uma indicação minha. Quis, portanto, desvalorizar-me. Cheguei a registrar este fato no dia seguinte, ao telefone.

4. No episódio Eliseu Padilha, mais recente, ele deixou o Ministério em razão de muitas “desfeitas”, culminando com o que o governo fez a ele, Ministro, retirando sem nenhum aviso prévio, nome com perfil técnico que ele, Ministro da área, indicara para a ANAC. Alardeou-se a) que fora retaliação a mim; b) que ele saiu porque faz parte de uma suposta “conspiração”.

5. Quando a senhora fez um apelo para que eu assumisse a coordenação política, no momento em que o governo estava muito desprestigiado, atendi e fizemos, eu e o Padilha, aprovar o ajuste fiscal. Tema difícil porque dizia respeito aos trabalhadores e aos empresários. Não titubeamos. Estava em jogo o país. Quando se aprovou o ajuste, nada mais do que fazíamos tinha sequência no governo. Os acordos assumidos no Parlamento não foram cumpridos. Realizamos mais de 60 reuniões de lideres e bancadas ao longo do tempo solicitando apoio com a nossa credibilidade. Fomos obrigados a deixar aquela coordenação.

6. De qualquer forma, sou Presidente do PMDB e a senhora resolveu ignorar-me chamando o líder Picciani e seu pai para fazer um acordo sem nenhuma comunicação ao seu Vice e Presidente do Partido. Os dois ministros, sabe a senhora, foram nomeados por ele. E a senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado.

7. Democrata que sou, converso, sim, senhora Presidente, com a oposição. Sempre o fiz, pelos 24 anos que passei no Parlamento. Aliás, a primeira medida provisória do ajuste foi aprovada graças aos 8 (oito) votos do DEM, 6 (seis) do PSB e 3 do PV, recordando que foi aprovado por apenas 22 votos. Sou criticado por isso, numa visão equivocada do nosso sistema. E não foi sem razão que em duas oportunidades ressaltei que deveríamos reunificar o país. O Palácio resolveu difundir e criticar.

8. Recordo, ainda, que a senhora, na posse, manteve reunião de duas horas com o Vice Presidente Joe Biden – com quem construí boa amizade – sem convidar-me o que gerou em seus assessores a pergunta: o que é que houve que numa reunião com o Vice Presidente dos Estados Unidos, o do Brasil não se faz presente? Antes, no episódio da “espionagem” americana, quando as conversar começaram a ser retomadas, a senhora mandava o Ministro da Justiça, para conversar com o Vice Presidente dos Estados Unidos. Tudo isso tem significado absoluta falta de confiança;

9. Mais recentemente, conversa nossa (das duas maiores autoridades do país) foi divulgada e de maneira inverídica sem nenhuma conexão com o teor da conversa.

10. Até o programa “Uma Ponte para o Futuro”, aplaudido pela sociedade, cujas propostas poderiam ser utilizadas para recuperar a economia e resgatar a confiança foi tido como manobra desleal.

11. PMDB tem ciência de que o governo busca promover a sua divisão, o que já tentou no passado, sem sucesso. A senhora sabe que, como Presidente do PMDB, devo manter cauteloso silencio com o objetivo de procurar o que sempre fiz: a unidade partidária.

Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que o País terá tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais.

Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção.

Respeitosamente,

\ L TEMER

A Sua Excelência a Senhora

Doutora DILMA ROUSSEFF

DO. Presidente da República do Brasil

Palácio do Planalto

O Globo: Para o Planalto, parte do PMDB atua contra Dilma. Braço-direito do vice Michel Temer, Padilha entrega carta de demissão

O Globo: Para o Planalto, parte do PMDB atua contra Dilma. Braço-direito do vice Michel Temer, Padilha entrega carta de demissão

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Após a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma, o ministro mais próximo do vice Michel Temer, Eliseu Padilha (A viação Civil), pediu demissão depois de tentar, sem sucesso, audiência com a presidente e o ministro Jaques Wagner (Casa Civil). A aliados, Padilha disse que saiu por lealdade a Temer, cuja relação com Dilma se deteriorou. A presidente convocou ministros para reunião de emergência ontem à tarde. O Planalto considera que parte do PMDB age contra Dilma e teme que Padilha trabalhe pelo impeachment para favorecer Temer. A reportagem completa está em O Globo.