“É essa vida que vocês realmente querem?”, questiona Roger Waters em post com imagem de Temer

“É essa vida que vocês realmente querem?”, questiona Roger Waters em post com imagem de Temer

Cultura Destaque Vídeo
O ex-baixista da banda inglesa Pink Floyd Roger Waters, famoso pelos posicionamentos políticos, surpreendeu os fãs brasileiros ao fazer uma publicação citando o presidente Michel Temer.
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Roger Waters

Na imagem, a capa do novo álbum de Waters é sobreposta com uma foto de Temer, com os dizeres “Essa é a vida que realmente queremos?”, tradução literal do título do álbum.

O texto da postagem, já com mais de 20 mil reações e 12 mil compartilhamentos, ainda questiona: “Brasil, é essa vida que vocês realmente querem?”.

“Is This the Life We Really Want?” é o primeiro álbum solo do artista em 25 anos. Com 12 faixas inéditas, ele deve ser lançado em 2 de junho. (Correio do Povo e Rádio Guaíba)

 

 

 

Temer diz que acusações da Lava Jato contra ele são “de absoluta falsidade”

Temer diz que acusações da Lava Jato contra ele são “de absoluta falsidade”

Destaque Poder Política

Citado duas vezes em delações no âmbito da Operação Lava Jato – numa delas como beneficiário de R$ 10 milhões em propina da empreiteira Odebrecht, conforme depoimento de Marcelo Odebrecht – o presidente Michel Temer disse na noite desta segunda-feira (14), durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que a informação é “de absoluta falsidade”.

“Lembro de Marcelo Odebrecht indo ao Jaburu para dizer que queria colaborar com as campanhas do PMDB e que aportaria R$ 10 milhões. O empresário quer entrar pelo Diretório Nacional para que este distribua aos candidatos. A Odebrecht entregou o dinheiro ao PMDB. Depois, eu ouvi uma história de que R$ 6 milhões foram para Duda Mendonça (publicitário) e verifiquei absoluta falsidade. Esses R$ 10 milhões entraram no partido e saíram do partido”.

Com ministros e ex-ministros envolvidos em denúncias e delações, Temer afirmou que não se pode condenar um integrante do governo apenas por notícia de investigação e, por consequência, “decretar sua morte civil e política”. O presidente garantiu que nas vezes em que houve denúncias, ele agiu rapidamente. Um dos primeiros ministros a deixar o governo, depois de vir à tona uma gravação com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, foi o então titular do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR).

“Eu chamo o interessando e digo a ele: ‘Você está denunciado, será bom continuar no governo?’. Institucionalmente, não vejo razão de o sujeito que foi objeto de inquérito tenha imediatamente decretada sua morte civil e política. Agora, sob o foco político, eu vou, sim, conversar para saber o que é melhor”, ponderou, acrescentando que é preciso deixar a Lava Jato “em paz”, sem. contudo, julgar apenas com base em delações, sem aguardar a finalização das investigações.

Questionado sobre eventuais convulsões no país, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva venha a ter a prisão decretada em algum momento, Temer admitiu que isso poderia desestabilizar o país e não seria bom para o seu governo, mas que sua gestão não seria diretamente atingida e prejudicada. “Se Lula for preso, isso causa instabilidade para o país, porque haverá movimentos sociais de contestação à decisão do Judiciário. Isso pode, sim, criar problemas. Eu não tenho dúvidas”.

Intervenção federal no Rio de Janeiro

Temer admitiu que houve, sim, um pedido do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), para que a União fizesse uma intervenção no Estado, mas que achou a proposta pouco viável, porque paralisaria emendas que preveem cortes e investimentos públicos, como a PEC 55 (antiga PEC 241 da Câmara, que propõe cortes na Saúde e na Educação pelos próximos 20 anos.

“Foi discutida (a intervenção). Melhor: foi mencionada. Mas desde logo, eu ponderei nesta lembrança que, se tivéssemos essa intervenção, paralisaríamos o Congresso Nacional, as emendas constitucionais (…) Mandamos R$ 2 bilhões para o Estado do Rio, tendo em vista um evento internacional. Se não houvesse esse aporte, não haveria Olimpíada. Vamos tentar auxiliar o Rio de Janeiro, mas também vamos fazer uma coisa com todos os estados, ver os que estão com dificuldades”.

Ocupações e protestos com a PEC 55 e a reforma do Ensino Médio

Temer voltou a criticar as ocupações de escolas e universidades por estudantes que protestam contra a PEC do Teto de Gastos e a Medida Provisória editada para reformular o Ensino Médio. Sem querer a falta de discussão antes de propor a MP, ele disse que o “incêndio” do país com a medida foi saudável para provocar o debate. Ele argumentou ainda que falta debate e diálogo entre os ocupantes de instituições de ensino com o Ministério da Educação.

“Admito os movimentos, mas lamento por eles. No nosso tempo de estudante a gente dialogava, chamava pessoas. O que eu vejo hoje são protestos físicos, não há protestos argumentativos, orais. O ministro Mendonça Filho (Educação) veio a mim para dizer que precisávamos fazer essa reforma de qualquer maneira, que a MP ia ensejar o debate. Acabamos de editar e incendiou o país. Aí, veio o esclarecimento. Não é verdade que não houve discussão. E há projetos de lei no Congresso de ante da MP com o mesmo conteúdo. Se quiserem votar um desses projetos, eu aplaudo”.

Relação com Congresso e apoio ao Parlamentarismo como governo

Questionado se sua relação próxima com o Congresso Nacional seria mais similar a de um primeiro-ministro que a de um presidente da República, Temer aproveitou para defender uma reforma parlamentarista que modifique o sistema de governo. Ele argumentou, porém, que a modificação não deve passar pela população via plebiscito (se aceita ou não a mudança), mas apenas como um referendo em que os eleitores escolham apenas qual parlamentarismo vai prevalecer.

“Eu apoio o parlamentarismo, estou convencido, embora no passado tenha defendido o presidencialismo, de que é uma coisa útil para o país. Mas eu defendo um sistema parlamentar sólido e sou mais favorável ao referendo, e não a um plebiscito, o Congresso produxir uma reforma parlamentarista e apenas submeter para que a população decida pelo modelo, se o (parlamentarismo) inglês, o francês etc”. (Jornal do Brasil)

CDL lança nota oficial sobre a crise política e econômica vivida pelo País

Economia Negócios Notícias Poder Política

Mais uma entidade divulga sua posição sobre o momento que o País vive. Desta vez é a CDL, presidida pelo empresário Alcides Debus (Rabusch).

Comunicado Oficial da CDL Porto Alegre

A CDL Porto Alegre, que há 55 anos representa o comércio varejista da Capital e do Rio Grande do Sul, e que, ao longo de sua trajetória, já vivenciou importantes crises no País, vem acompanhando este novo período de amadurecimento e superação que vive o Brasil. A entidade, assim como os demais brasileiros, nunca viu uma crise nesta proporção e com tamanho impacto no grau de confiança da população e na produção econômica nacional. Assim, a CDL Porto Alegre manifesta a sua preocupação com o cenário brasileiro e defende que haja uma retomada urgente da estabilidade política e econômica, confiando no trabalho das instituições brasileiras para que a justiça seja feita e que os fatos sejam esclarecidos. A entidade espera que o País esteja próximo à conclusão desta fase tão instável, para que o setor do varejo possa retomar o seu papel de proporcionar o acesso aos bens de consumo da sociedade gaúcha. Desta forma, acreditamos que a economia voltará a girar, o País voltará a crescer e será retomada a confiança de toda uma nação.

Governo avalia implante contra gravidez de jovem

Governo avalia implante contra gravidez de jovem

Notícias Poder Política Saúde

O Ministério da Saúde estuda oferecer implante subcutâneo e DIU (dispositivo intrauterino) para adolescentes de 15 a 19 anos, com objetivo de evitar a gravidez nessa faixa etária. Os contraceptivos têm duração de três e cinco anos. A oferta, sob consulta pública, divide o setor.  A reportagem completa está na Folha de São Paulo.

Política, propina e futebol: Jamil Chade autografa em Porto Alegre livro que expõe a corrupção na Fifa e da CBF

Esporte Mundo Notícias Poder Política

O blogueiro Cosme Rimoli, revelou o primeiro capítulo do livro em seu espaço no R7: Jamil Chade, repórter brasileiro que mais teve acesso aos bastidores da revolução que implodiu a Fifa. É correspondente do jornal Estado de S. Paulo há 15 anos na Europa. Sediado exatamente na Suíça.

A convite do senador Romário, veio depor na CPI do Futebol em Brasília. Mostrou documentos que teve acesso, como o que obriga a Seleção Brasileira a colocar seus principais jogadores em amistosos. Por isso, testes verdadeiros não podem ser feitos.

Cobriu o período nababesco, quando a cúpula da entidade se sentia intocável. Até que, incrédulo, viu tudo ruir. Acompanhou em todos os detalhes a queda de Joseph Blatter. A devassa que o Departamento de Justiça Norte Americano e o FBI fizeram na cúpula da Fifa.

Vários senhores que eram tratados como chefes de estado se revelaram bandidos. Que usavam seus cargos para acumular riqueza à custa de propinas milionárias, lavagem de dinheiro. Formaram quadrilhas, cada um na sua parte do globo. Sete foram presos, entre eles, o ex-presidente José Maria Marin. E o brasileiro acaba de ser extraditado para os Estados Unidos.

Detalhes da prisão de Marin. O fim da era Blatter e os presidentes eternos da Fifa. A participação efetiva dos patrocinadores na queda do império. Os paraísos fiscais e como os nobres membros da Fifa desfrutavam da facilidade em receber milhões e milhões de dólares. Como a dupla Havelange e Teixeira se envolveu com a ISL.

Usa Jota Hawilla e sua Traffic como fio condutor dos milhões de propina pagos a dirigentes. Toda competição importante significava dinheiro no bolso desses corruptos. Documentos da investigação do FBI são explicitados. Como a Nike virou ‘dona’ da Seleção Brasileira.

A derrama de dinheiro para a escolha dos países sedes das Copas do Mundo da Fifa. Os votos comprados que garantiram as escolhas da Rússia, do Catar. O vexatório papel de cambista milionário do ex-secretário-geral da Fifa, e possível sucessor de Blatter, o francês Jérôme Valcke.

Revelações sobre a Copa do Mundo de 2014 para deixar qualquer brasileiro envergonhado. Desde os vários estádios desnecessários, até o uso político para a manutenção do poder do atual governo. Passando pelo legado inexistente. Ao lucro das empresas privadas e ao profundo prejuízo público.

São 331 páginas de tirar o fôlego. Jamil Chade mostra um painel completo e corajoso do que acontece na Fifa e nas suas implicações políticas, sociais, econômicas. Revela que o mundo cansou de ladrões agindo como se fossem donos do futebol.

O obrigatório “Política, Propina e Futebol” será lançado no dia 21, em São Paulo. Depois, Rio e Rio Grande do Sul. No entanto, os leitores do blog terão hoje o privilégio de desfrutar o primeiro capítulo. Um presente de Jamil. Com a palavra, o autor…

3ae1 Exclusivo. O primeiro capítulo de Política, Propina e Futebol. Livro de Jamil Chade, correspondente na Suíça do jornal O Estado de São Paulo. Ele revela detalhes da implosão da Fifa de Blatter. Da Copa de 2014. E da vexatória prisão de Marin...

“Atuando como correspondente, percorri mais de setenta países, viajei com papas, chefes de Estado, secretários-gerais da Organização das Nações Unidas, visitei campos de refugiados, acompanhei resgates de vítimas de conflitos, apertei a mão de criminosos de guerra e de heróis.

Mas, em praticamente todas essas ocasiões, nas diferentes culturas, religiões e línguas que conheci, sempre que eu me apresentava como brasileiro meu interlocutor abria um sorriso e fazia um comentário sobre a camisa amarela mais conhecida do planeta. Lembro-me de estar no interior da Tanzânia, numa reportagem sobre o fato de que remédios essenciais não chegavam a uma população negligenciada de seus direitos.

Mas, num bar miserável, um pôster na parede mostrava, com um orgulho surreal, a imagem de Cafu levantando a taça da Copa de 2002. Como é que aquele pôster tinha ido parar ali, se nem mesmo existiam voos ou es- tradas asfaltadas que levassem até o local?

Nesse périplo pelo mundo, um fato sempre me surpreendeu: como nós, brasileiros, somos identificados pela nossa Seleção. Sim, trata-se de uma visão simplória, injusta, estereotipada. O Brasil é muito mais que isso. Mas essa realidade também revela que aquela camisa amarela faz parte de nossa identidade e vai muito além de representar um time de futebol. Faz parte de quem somos no mundo, gostemos ou não.

O problema é que esse bem cultural, essa Seleção que se diz “nacional”, que usa nossas cores, canta o nosso hino e diz nos representar, foi apropriada por um grupo privado que enriqueceu baseado em nossa emoção. Em nossa identidade.

Esse livro, portanto, é um chamado a todos a sair ao resgate desse nosso bem comum. Não é um livro contra a ideia da pátria de chuteiras nem um convite a queimar a camisa amarela. Muito pelo contrário. É uma convocação aos torcedores para que sejam cidadãos e não exijam apenas gols. Mas, acima de tudo, a verdade.”

Jamil Chade…

35 Exclusivo. O primeiro capítulo de Política, Propina e Futebol. Livro de Jamil Chade, correspondente na Suíça do jornal O Estado de São Paulo. Ele revela detalhes da implosão da Fifa de Blatter. Da Copa de 2014. E da vexatória prisão de Marin...

1. Abalos no Império

6h10. Quarta-feira, 27 de maio de 2015 — hotel Baur au Lac, Zurique, Suíça.

“Bom dia, senhor. Aqui é da recepção. Desculpe incomodar tão cedo, mas gostaria de pedir que o senhor descesse até o lobby do hotel. Algumas pessoas estão aguardando e temo que, se o senhor não descer, irão até o quarto. Eles são da polícia.”

Foi assim que, numa manhã de primavera no luxuoso hotel Baur au Lac, em Zurique, começou uma revolução inédita no futebol e na Fifa. Não houve chute na porta. Não houve algemas. Sem alardes nem sirenes, os policiais suí ços realizaram a operação mais espetacular e inesperada da história do esporte. O que eles fariam nos minutos seguintes representaria o maior aba-lo já vivido pelos dirigentes desde a criação da Fifa, há mais de cem anos. Um império global, com tentáculos na economia, no crime organizado, na política e até mesmo na identidade nacional de países, começaria a ruir.

Faltavam somente dois dias para as eleições presidenciais na organização. Naquele hotel com ares de nobreza decadente estavam alguns dos principais personagens da administração do futebol. Dirigentes que acu-mulavam cargos políticos em alguns países e que nunca imaginariam viver uma situação daquelas.

Acreditavam que, tais como coronéis que compram alianças com a polícia, estavam blindados contra qualquer ação da Justiça. Mas, por ironia do destino, seria no hotel tradicionalmente usado pela Fifa que uma operação mudaria a história da entidade — uma fortaleza montada desde o momento da posse de João Havelange, há quarenta anos, e que havia sequestrado o futebol para garantir lucros à oligarquia da bola.

Num curto espaço de tempo, a pedido do FBI — a agência federal de investigação dos Estados Unidos —, sete dirigentes e empresários seriam presos. Entre os detidos estavam um dos oito vice-presidentes da Fifa, Jeff Webb, das Ilhas Cayman; o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin; e o mandachuva do futebol sul-americano, o uruguaio Eugenio Figueredo. Todos eram acusados nos Estados Unidos de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude, conspiração e extorsão, o que poderia valer até vinte anos de cadeia para cada um.

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Com a ordem de prisão em mãos, os agentes pediram as chaves dos quartos em que os cartolas estavam hospedados. Um a um, eles foram des-cendo. A polícia nem sequer interrompeu duas senhoras que aspiravam os tapetes da entrada do hotel. Quem não desceu no instante em que foi chamado recebeu a visita de policiais à paisana, que exibiam uma tranqui-lidade assustadora. Com elegância, chegaram a auxiliar os suspeitos e até a aguardar que fizessem a barba antes de seguirem para a delegacia.

Aqueles empresários e dirigentes eram pessoas praticamente intocáveis em seus países de origem, seja pela influência política que tinham, seja pelos cúmplices dentro da polícia, seja por financiar campanhas de presi-dentes ou simplesmente por comprar juízes. Eram os retratos vivos de uma estrutura corrupta que havia privatizado o futebol.

Naquele mesmo dia, cartolas sul-americanos lamentaram que as prisões tivessem ocorrido na Suíça. “Se isso acontecesse na América Latina, já tínhamos resolvido tudo e estaríamos em casa”, comentou um argentino, membro da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Mas eles não estavam no Brasil nem em outra república latino-americana. As prisões ocorreram justamente na Suíça, país que passou a colaborar de forma estreita com os eua.

Não por acaso, o rosto dos dirigentes que deixavam o hotel era a ima-gem de um abalo. Alguns, sem saber muito bem o que ocorria, questionavam a polícia. Outros deixavam o local visivelmente transtornados. Eles tiveram tempo e autorização para fazer uma pequena mala. Marin, ironi-camente, saiu do Baur au Lac levando consigo uma pasta com um enorme símbolo da cbf — as cinco estrelas de campeão do mundo e as cores da seleção mais bem-sucedida da história —, como se ainda estivesse numa de suas centenas de viagens pelo mundo usando o Brasil para se promover.

Nos corredores, as sempre elegantes mulheres dos dirigentes, que até o dia anterior circulavam como verdadeiras primeiras-damas, agora desa-bavam em prantos. Em busca de ajuda, ligavam para os outros quartos a contar sobre as prisões e procurar aliados, enquanto funcionários nervosos corriam de um canto a outro. Do lado de fora, o hotel improvisou lençóis impecavelmente brancos para esconder os envolvidos e permitir que entrassem nos carros da polícia sem serem fotografados. A imagem deles não podia ser manchada.

A operação atacava o coração da Fifa. Enquanto o hotel mais tradicional de Zurique era alvo da ação policial, do outro lado da cidade os procuradores suíços invadiam a entidade máxima do futebol para confiscar documentos que pudessem ajudar na investigação sobre a compra de votos para a escolha das sedes dos Mundiais de 2018 e 2022.

Era a primeira vez desde que a Fifa se instalara na Suíça, em 1932, que o prédio de mármore de US$230 milhões foi invadido. As autoridades deixaram claro para os funcionários que ninguém deveria sair do país, nem mesmo o presidente da entidade, o suíço Joseph Blatter. Servidores de computador, repletos de informações sobre transações bancárias, e-mails pessoais e contratos secretos, foram confiscados. Mais de nove terabites de dados foram levados, o equivalente a 600 milhões de páginas de documentos do Word. Era um mundo à parte sendo alvo de uma intervenção. Esse novo mundo, até então secreto e podre, começava a ser descortinado.

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A base da operação realizada naquele 27 de maio era o inquérito que já durava quatro anos nos eua e que concluíra que a Fifa teria montado uma “Copa do Mundo da fraude”, movimentando, durante pelo menos 24 anos, US$150 milhões em propinas e subornos. O resultado dessa in-vestigação fazia parte do indiciamento da Justiça americana, que, depois das prisões, começaria a julgar cada um dos suspeitos.

A lista de eventos sob acusação de manipulação era extensa e seria capaz de desmistificar o esporte: a compra de votos para a Copa de 1998, para a Copa de 2010 e a compra de apoio para a eleição de Blatter em 2011, como também a realização de acordos para a Taça Libertadores, a Copa América, a Copa do Brasil e as suspeitas sobre os Mundiais de 2018 e 2022.

No total, além dos sete presos em Zurique, outros sete dirigentes pelo mundo teriam suas prisões decretadas, entre eles Jack Warner, ex-vice-presi-dente da Fifa e aliado de Blatter por anos. Ele se entregaria horas depois em seu país, Trinidad e Tobago, no Caribe. O fbi suspeitava que o caribenho, ex-presidente da Confederação de Futebol do Caribe, América Central e América do Norte (Concacaf), tivesse recebido US$10 milhões para votar na África do Sul como sede da Copa de 2010. Os concorrentes do Marrocos haviam oferecido US$1 milhão pelo voto, o que não teria sido suficiente.

Em 2011, na eleição para a presidência da Fifa, Warner passaria para a oposição na esperança de ganhar mais poder sob uma nova direção. Ele teria oferecido seus serviços para que o dirigente do Catar, Mohamed Bin Hammam, angariasse o máximo de votos possível e, assim, derrubasse Blatter, o então presidente da federação. Para isso, organizou uma reunião na qual Bin Hammam, naquele momento um dos vice-presidentes da Fifa, tentaria comprar votos distribuindo US$40 mil a cada eleitor do Caribe.

Segundo o FBI, eles receberiam o dinheiro em envelopes.

De volta a 2015, o processo aberto nos EUA forçaria o Ministério Público suíço a abrir a própria investigação. Em poucas semanas, aquilo que as auditorias realizadas regularmente — há mais de dez anos — pela empresa kpmg não viu nas contas da Fifa, a procuradoria em Berna detectou aparentemente sem nenhuma dificuldade: mais de 104 transações financeiras suspeitas de lavagem de dinheiro, milhões de dólares envolvidos, contas bloqueadas e mais de 160 bancos implicados.

O escândalo ganhou uma repercussão rápida e inédita. Nos bastidores, a classe política suíça também se viu envolvida no caso, questionando se escutas ilegais haviam sido feitas. Em Moscou, era o governo russo de Vladimir Putin que fazia apelos aos americanos para que não utilizassem o indiciamento para punir o Kremlin, que sediaria a Copa de 2018. Nos dias que se seguiram, Blatter, Putin e outros políticos passaram a levantar a tese de uma teoria da conspiração.

As razões eram, aparentemente, lógicas. Os EUA haviam perdido a Copa de 2022 para o Catar e desde 2010 tinham estabelecido como meta derrubar o sistema que os privara do Mundial. Como se não bastasse, tirar a Copa da Rússia em 2018 seria um dos golpes mais poderosos contra Putin, um rival político que tinha dado sinais claros de ruptura com o Ocidente.

Pitadas de conspiração, cenas de prisões, interesses milionários em jogo e um impacto global davam os contornos de um momento inesperado.

Apesar do caos, a Fifa continuava a acreditar que seu mundo e suas regras não tinham mudado. Assim como já havia ocorrido no passado, a ordem era abandonar os mortos e feridos e manter o discurso de que a corrupção era individual e não afetava a instituição. Era fundamental, tam-bém, preservar Blatter e apresentá-lo como a pessoa que iria limpar a Fifa. A eleição estava marcada para dali a dois dias, e, com mais de duzentas federações nacionais envolvidas, além de numerosos convidados já hospedados na cidade, a Fifa decidiu manter seu Congresso Anual em Zurique.

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Rapidamente, Blatter emitiu um comunicado banindo da entidade Marin e os demais presos na operação. “Não vamos tolerar essa atitude”, declarou o suíço. Ele pagaria caro por essa frase. Seu diretor de comunica-ção, o suíço-italiano Walter de Gregorio, também manipulava as informações. Segundo ele, Blatter estava “relaxado” e insistia que o caso não tocava a cúpula da entidade. Bombardeado, Gregorio garantia que não tinha mo-tivos para cancelar ou adiar a eleição presidencial da Fifa. Nenhum dos jornalistas presentes naquela sala na Fifa em uma coletiva convocada às pressas confiava no diretor, que já havia manipulado informações em inú-meras ocasiões e sobre inúmeros assuntos — como quando garantira que a Copa no Brasil traria amplos legados sociais à população.

Ao ser questionado sobre como Blatter vinha reagindo às acusações, ele olhou diretamente para mim e disse: “Eu sei que vocês não acreditam em mim…”. Antes que terminasse a frase, diante de mais de trezentos jornalistas num evento transmitido ao vivo, eu fiz questão de dizer em voz alta: “Não, não acreditamos em você”. Mas ele manteve o sangue-frio, ignorou meu comentário e declarou: “Este é um bom dia para a Fifa”.

No momento em que as prisões começaram, eu ainda estava no trajeto de quase três horas de trem entre Genebra e Zurique. Era para ser uma sema-na tranquila. Blatter tinha tudo para vencer mais uma eleição — a quinta — e permanecer no controle do futebol por mais quatro anos. Era uma votação de cartas marcadas. Outros concorrentes, como Michael van Praag, presidente da Federação Holandesa de Futebol, e o ex-jogador português Luís Figo, se retiraram do pleito quando perceberam que o resultado final já estava dado e que Blatter venceria.

Havia restado como elegível à presidência da entidade apenas o prín-cipe da Jordânia, Ali bin Al-Hussein. Um homem simpático, sorridente e sofisticado — como toda a monarquia árabe moderna —, mas inofensivo ao império de Blatter. Dois meses antes daquela votação eu encontraria Ali justamente no bar do Baur au Lac. Era quase meia-noite e eu havia me dado conta de que tinha perdido minha carteira. Retornei ao hotel, na es-perança de encontrá-la num dos sofás onde havia me sentado naquele dia, conversando com cartolas. Ao me ver, Ali se levantou, foi em minha dire-ção e perguntou se eu precisava de ajuda. Nos conhecemos há pelo menos três anos, e a conversa sempre flui com boas pitadas de humor. Ao enten-der que eu havia perdido a carteira, ele começou a levantar as almofadas em busca do objeto perdido. Quando percebeu que não iríamos achar, Ali não perdeu a piada: “Cuidado, aqui é o hotel da Fifa”.

Retomando o tema das eleições e da minha viagem entre Genebra e Zurique, lembro-me de ter pensado em tirar um cochilo antes de chegar à cidade-sede da Fifa, aproveitando o embalo do vagão. Eu decidira viajar de madrugada e já acordar em Zurique. Mas algo não me deixava dormir, como se eu soubesse que aquele seria um dia turbulento. No entanto, nem nos meus sonhos mais desvairados eu cogitaria a prisão de cartolas e uma operação de tal proporção.

Ironia do destino ou premonição, colegas jornalistas haviam me contado que estavam planejando lançar uma campanha contra Blatter e que publicariam naquele mesmo dia um jornal falso com notícias imaginárias sobre a Fifa e seus escândalos. Os audaciosos repórteres dariam o nome International Herald Tribune ao tabloide, que distribuiriam na estação de trem e no aeroporto de Zurique. Mas nenhum deles jamais teria coragem de ir tão longe e publicar que uma operação policial estava prestes a botar a Fifa abaixo. O jornal fictício chegou a ser lançado. Mas, ironicamente, nem mesmo a ficção conseguiu superar a realidade.

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Foi ainda no trem que consultei meu smartphone e fui diretamente para a página do New York Times, como faço todas as manhãs. Mas, em vez de encontrar reportagens sobre o combate ao terrorismo, a crise na Ucrânia ou a guerra na Síria, vi, na manchete do site, um assunto raramente tratado pelo jornal: o futebol. Pior, sobre uma entidade obscura aos olhos da opinião pública dos eua: a Fifa. Repórteres do jornal, já sabendo da operação, estavam no lobby do hotel naquela manhã e publicaram um dos furos do ano.

Eu não podia acreditar no que estava lendo. Cheguei a pensar que aqueles meus ousados colegas jornalistas tinham conseguido hackear a pá-gina do NYT e plantar uma notícia falsa. Disparei ligações, acordei fontes e rapidamente me dei conta de que tinha chegado o momento de o castelo começar a desabar.

Instantes depois, o trem chegava pontualmente à estação de Zurique. Corri até a porta do Baur au Lac, um local que frequentei por quinze anos em busca de histórias e que serviu por décadas como residência dos carto-las do mundo inteiro sempre que viajavam à Suíça para as reuniões da Fifa. Dessa vez, o acesso estava vedado para a imprensa. Ainda assim, porém, viam-se alguns dos jornalistas que por anos denunciaram a corrupção no futebol se abraçando, quase com o sentimento de dever cumprido. Outros apenas sorriam com ar de satisfação diante da história fantástica que se perfilava diante de nós.

Mas parte dos jornalistas que estavam ali não escondia a decepção por terem sido traídos por pessoas que eles promoveram como dirigentes limpos e acima de qualquer suspeita, como o simpático Jeff Webb. Ele fez muitos repórteres acreditarem que seria a pessoa certa para trazer, final-mente, credibilidade ao futebol.

Naquele momento, a realidade é que ninguém sabia ao certo quem havia sido preso. Para a imprensa brasileira, o objetivo era descobrir o que ha via ocorrido com José Maria Marin e com Marco Polo Del Nero, presidente da cbf.

Liguei para o telefone geral do hotel e pedi para falar com o quarto de Del Nero. Ele mesmo atenderia. Naquele momento, não queria que os dirigentes soubessem que eu tinha o número do quarto de cada um deles. Não me identifiquei e desliguei logo depois de ouvir sua voz. Liguei de novo, para ter certeza. Uma vez mais, com a voz nervosa, ele mesmo diria ao telefone: “Alô, alô”. “Não, Del Nero não está entre os detidos”, pensei. Desliguei e disquei de novo o número do hotel. Pedi para contatarem o quarto de Marin. Eu o havia entrevistado naquele mesmo local em mar-ço, dois meses antes da operação do fbi. Era sua despedida do cargo de presidente da CBF. Dessa vez, porém, ninguém atendeu. Tentei mais três vezes. Nada.

 Exclusivo. O primeiro capítulo de Política, Propina e Futebol. Livro de Jamil Chade, correspondente na Suíça do jornal O Estado de São Paulo. Ele revela detalhes da implosão da Fifa de Blatter. Da Copa de 2014. E da vexatória prisão de Marin...

Naquela mesma tarde, a tensão era palpável entre os cartolas. O nervosismo era evidente e as emoções estavam à flor da pele. Ninguém sabia quem seria o próximo a ser preso. Cheguei a ser empurrado quando tentei me aproxi-mar de outro vice-presidente da Fifa, o camaronês Issa Hayatou, o homem que comanda o futebol africano há trinta anos, denunciado em outros escândalos e aliado incondicional de Blatter. Ele havia sido repreendido publicamente pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), por seu envolvimento no caso do recebimento de propinas pela empresa ISL, que vendia os direitos de transmissão das Copas do Mundo. Esse caso eclodiu anos antes das prisões e revelava um amplo esquema de corrupção na Fifa, envolvendo contratos comerciais. Mas a gestão de Blatter insistia que aquela era ainda uma herança maldita de um passado já extinto. Ao lado de outros colegas, tentamos perguntar o que Hayatou achava das prisões. Sem obter uma resposta, lancei uma pergunta simples: “O senhor teme também ser preso?”. A reação foi de uma violência pouco comum. Seus assessores me empurraram, gritaram e exigiram que o hotel me retirasse do local. “Que pergunta é essa? Tenha respeito”, indignavam-se enquanto colocavam o dedo em meu peito em uma atitude de ameaça.

A delegação da cbf também não escondia a apreensão, e Marco Polo Del Nero chegou a deixar uma reunião de crise em outro hotel de luxo de Zurique pelas portas dos fundos, para evitar a imprensa. Duas horas antes, sua primeira reação havia sido a de dizer que não tinha conhecimento de nada. “Precisamos saber as razões para essa prisão”, disse, visivelmente irritado. Mas os jornalistas não se deram por satisfeitos e deixaram claro que a motivação estava publicada até mesmo no site do Departamento de Justiça dos eua. Del Nero resolveu mudar de atitude e saiu em defesa de Marin. “São contratos firmados antes da administração de Marin”, insistiu, ten-tando sustentar a tese de que os acordos comerciais sob suspeita nos eua não eram de sua gestão. “Não tem nenhum contrato depois”, continuou, insinuando que o culpado seria Ricardo Teixeira, ex-presidente da cbf.

Mas, à medida que entendeu que os jornalistas conheciam o processo e que os americanos haviam publicado os detalhes sobre a suspeita, Del Nero optou por começar a se afastar de Marin ainda durante a mesma entrevista. Questionado se sabia dos contratos sob investigação nos EUA, Del Nero se recusou a admitir algum envolvimento e começou a dar demonstrações claras de que iria usar qualquer ocasião para insistir que não atuara na gestão Marin, apesar de todas as provas mostrarem o contrário. “Eu era apenas o presidente da Federação Paulista. Não sabia de nada”, completou. Ali, a nova estratégia do velho amigo de Marin ficava escancarada: dissociar-se do colega preso e apagar qualquer rastro de envolvimento com o ex-companheiro, in-clusive retirando, durante a madrugada, o nome do cartola da fachada da sede da cbf, no Rio de Janeiro. A instituição se chama “José Maria Marin”.

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Mas o que Marco Polo Del Nero não tinha como apagar era o fato de que, por dois anos, fora o parceiro inseparável de Marin em todas as viagens da CBF e da Fifa.

Empresários e agentes estrangeiros o consideravam o “homem forte” da cbf, mesmo quando era o vice-presidente da entidade. E-mails sigilosos entre companhias, que obtive com pessoas ligadas às negociações de con-tratos com Del Nero, revelaram que ele era a pessoa incontornável em to-dos os acordos na cbf desde que Ricardo Teixeira a deixara, em março de 2012. Mesmo despachando da Federação Paulista de Futebol, ele recebia empresários em São Paulo para tratar de contratos da cbf.

Na Fifa, Del Nero também assumiu parte das funções de Teixeira. Logo que entrou para o Comitê Executivo, foi designado para presidir o Comitê de Beach Soccer, um setor dos negócios atrelado ao ex-chefe da cbf. Era também com ele que os demais cartolas agendavam reuniões e negociavam estratégias até mesmo sobre a Copa do Mundo. Eu presenciei como, em 2013, o então presidente da Conmebol, naquele momento chefe da Comissão da Copa 2014, o uruguaio Eugenio Figueredo, sugeriu a Del Nero que levasse os dirigentes da Fifa ao Brasil para desfazer impres-sões de eventuais atrasos. Naquele momento, no lobby da Fifa, Del Nero mostrou que era com ele que se negociavam de fato esses assuntos. Ele concordou com a viagem e fez questão de tecer comentários sobre os mem-bros do governo brasileiro. “Temos um comunista alucinado como ministro do Esporte”, disse ao uruguaio, explicando quem era o chefe da pasta no Palácio do Planalto na época, Aldo Rebelo.

Se o envolvimento de Del Nero era evidente nas negociações, o indiciamento do Departamento de Justiça dos Estados Unidos abria as suspeitas também nesse sentido. Num dos trechos do documento, por exemplo, os americanos apontam um homem do alto escalão da CBF, da Conmebol e membro do Comitê Executivo da Fifa como suspeito de receber e dividir as propinas com Marin. Nenhum nome é citado pelo fbi. Mas apenas Del Nero se encaixaria na descrição. Dias depois, fontes da Justiça americana confirmariam a mim que Del Nero estava sob investigação.

Diante da avalanche de denúncias, só existia uma forma de ele se proteger: fugir de Zurique. No dia seguinte à prisão dos dirigentes, come-çaria o Congresso da Fifa, com a eleição de Blatter e a tomada de decisões importantes para o futebol. Del Nero tinha todos os motivos para ficar. Seria o único brasileiro na cúpula do futebol mundial e já tinha sido infor-mado até mesmo de que havia sido premiado por Blatter por seu apoio — e voto. Em troca da lealdade, iria ganhar um cargo de maior responsabilidade na Fifa, o de vice-presidente do Comitê de Organização da Copa de 2018.

Na entrada da festa de gala da Fifa que abriu o Congresso, em Zuri-que, eu não conseguia encontrar Del Nero. Sua ausência me pareceu estranha. Pensei, ingenuamente, que seria apenas uma estratégia do brasileiro para evitar ser questionado pela imprensa. Durante o discurso de Blatter na abertura do Congresso, os jornalistas foram colocados em uma área distante, para evitar contatos com os dirigentes. Ainda assim eu tentava identificar Del Nero na multidão, mas sem sucesso. Passei a perguntar a todos os presidentes de federações que conhecia se haviam visto Del Nero. Sem graça, cada um deles evitava comentar. Até que, em plena rua de Zurique, esbarrei com a delegação de cartolas uruguaios tentando encontrar um táxi. Ali viria a confirmação: “Del Nero já se foi”, me disse um deles.

No dia seguinte, já no Rio de Janeiro, o brasileiro negaria que havia fugido e insistiria que seu retorno ao país tinha como objetivo “lidar melhor com a situação”. Semanas depois, ele também não iria para a abertura da Copa América, no Chile. Igualmente faltaria às reuniões da Fifa em julho, na Suíça, ao Mundial Feminino de Futebol, no Canadá, ao Mundial Sub-20, na Nova Zelândia, e ao Mundial de Beach Soccer, em Portugal.

A realidade é que a fuga de Del Nero criou um grande mal estar interno na entidade, além de despertar a ira de Blatter. O temor era de que a viagem do representante de uma das maiores federações nacionais desse a impressão de que dirigentes estavam abandonando o evento, temendo se-rem presos. Acuada, a “família Fifa” vivia momentos de tensão. Ninguém sabia o que poderia ocorrer nas horas seguintes.

Quem também vivia uma encruzilhada era Blatter, o pequeno homem da cidade suíça de Visp que, aos 79 anos, já não dormia desde o momento das prisões. Ele precisava acelerar suas manobras e garantir que as eleições na Fifa fossem realizadas na sexta-feira, dia 29 de maio. Qualquer atraso ou adiamento significaria dar espaço para que a indignação internacional se voltasse contra ele. O suíço conseguiu manter a votação e se eleger com 133 votos para seu quinto mandato no comando da Fifa. Tudo isso graças a um movimento de dirigentes que, diante da intervenção policial na enti-dade, optaram por fechar um pacto com o cartola para tentar garantir certa proteção. A ordem entre as federações era a de não abandonar o suíço, apesar de muitos estarem sofrendo pressões da opinião pública de seus países, de seus governos e da imprensa para dar um sinal claro de ruptura com a corrupção na Fifa.

Na comemoração da vitória, o suíço já ignorava o escândalo da corrupção e as prisões ocorridas dois dias antes. “Não sou perfeito. Mas vamos trabalhar. Prometo que vou dar uma Fifa forte a meu sucessor”, disse. Entre seus aliados africanos e asiáticos, o apoio ao suíço era total. “Blatter é um grande homem”, declarou George Weah, presidente da Federação da Libéria e ex-astro da seleção nacional. “Não precisamos mudar”, insistiu. “Blatter conhece a África”, completou o representante da Federação Nigeriana. Em seu discurso, Blatter pediu “unidade”, como se antecipasse que dias turbulentos viriam. Chegando a se emocionar e arrancando palmas, fez um apelo: “Eu só quero ficar com vocês”, disse, tremendo, com a voz embargada.

“Não precisamos de revolução, mas de evolução. Vamos recolocar a Fifa nos trilhos e vamos começar amanhã mesmo.” O suíço pensava naquele momento que havia reconquistado o poder. Parecia não ver ou não querer admitir que seu reinado estava apoiado em alicerces de barro. De seu trono, ele comandaria mais uma vez uma entidade falida moralmente, que perigava perder patrocinadores, era rejeitada pelos torcedores de todo o mundo e estava em racha com a Europa.

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Mas a ruína moral contrastava com a fortuna acumulada pela Fifa. A pior crise da história da entidade coincidia com seu momento de maior exuberância financeira. Durante o Congresso, a entidade apresentou suas contas e declarou uma receita recorde de US$5,7 bilhões, graças ao sucesso comercial da Copa do Mundo no Brasil. Seu fundo de reserva era de US$1,5 bilhão. Em apenas dez anos, e justamente quando o mundo passava pela pior crise econômica desde os anos 1930, essas reservas aumenta-ram em cinco vezes. Em quatro anos, a entidade distribuiu às federações nacionais e regionais um total de US$261 milhões em bônus.

Só que os números das urnas mostraram que a nova gestão de Blatter teria uma forte oposição. As detenções de cartolas nos dias anteriores em Zurique deram, de fato, um impulso para a campanha de Ali, que se apre-sentava como a pessoa que faria a reforma na instituição. Mesmo na América do Sul, região que tradicionalmente apoiava Blatter, por ele ser um sucessor dos projetos do brasileiro João Havelange, o jordaniano chegou a ganhar alguns votos, entre eles os do Uruguai, do Chile e do Peru. Ao discursar antes da eleição, Ali havia feito um duro alerta.

“A Fifa não é uma pessoa. Estamos numa encruzilhada e temos o direito de um novo começo”, insistiu, pedindo uma “cultura de transparência” na entidade que se autodeclarava como organização sem fins lucrativos. “A Fifa não é uma empresa privada”, disse Ali.

Na administração, uma fissura também começaria. Um dos representantes da União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) na entidade, o britânico David Gills, eleito vice-presidente da Fifa, renunciaria diante da permanência de Blatter. Por sua vez, Michel Platini, presidente da Uefa, inimigo número um de Blatter e eterno candidato à presidência da Fifa, afirmou: “Vamos continuar a pressionar”.

Sunil Gulati, presidente da Federação dos eua, também lamentou a escolha de Blatter. “É decepcionante”, disse. Para o presidente da Federação Alemã, Wolfgang Niersbach, o que preocupava era a capacidade do suíço de governar: “Haverá oposição mesmo dentro do Comitê Executivo”, ressaltou. A oposição a Blatter veio até do ministro da Justiça da Alemanha, Heiko Maas: “Ele não é a pessoa certa”, ponderou. Movimentos sociais ainda lançaram campanhas para co-letar assinaturas e pedir a demissão do suíço.

A festa que se seguiria à vitória de Blatter, ainda no dia 29, era o retra-to de uma entidade perturbada e desorientada. Ángel María Villar Llona, presidente da Federação Espanhola, era um dos dirigentes que caminhavam de forma apressada de um lado a outro enquanto grupos como o da dirigente australiana Moya Dodd debatiam a situação em cantos do salão. Do outro lado, Wilmar Valdez, presidente da Federação Uruguaia de Futebol, ouvia de um colega o comentário que os eua haviam sido “hipócritas” ao investigar a Fifa. “O que pode ocorrer ainda?”, questionava.

Mesmo antes de a comemoração começar, os dirigentes foram informa-dos pelo Departamento Jurídico da Fifa de que não precisariam permanecer na festa, principalmente aqueles que foram aconselhados por seus advogados a ficar o menor tempo possível na Suíça para evitar a saia justa de terem de prestar depoimento ou até serem presos, como os demais colegas. No local de convenções, que recebia centenas de dirigentes, cartazes foram coloca-dos nos portões informando os participantes sobre os destinos dos carros oficiais: “Aeroporto”. E esvaziando o salão muito antes de a festa terminar.

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Desde o dia em que as prisões tinham ocorrido, muitos dirigentes não dormiam bem e não viam a hora de deixar a Suíça. “Eu não tenho nada a ver com isso. Mas sei de muita gente que se queixa de não estar conseguindo dormir”, declarou um membro da Conmebol na condição de anonimato. Nenhum deles queria viver a mesma situação de José Maria Marin, Eugenio Figueredo e outros, acostumados a uma vida de luxo, suítes presidenciais, iates, tratamento de chefe de Estado e privilégios. Agora estavam em uma prisão, sem celular, com apenas uma hora de banho de sol por dia e a perspectiva de morrer em uma cadeia nos EUA.

Apesar de a prisão em Zurique não se comparar com as humilhantes e desumanas penitenciárias latino-americanas, a situação dos dirigentes contrastava com a que viviam no hotel Baur au Lac, onde se hospedavam em quartos de mais de US$3 mil a diária. Não havia mais tempo para reu-niões nas salas de mármore do prédio milionário da Fifa. Acabara o baile das Mercedes-Benz negras com motoristas usando luvas e um exército de meninas impecáveis que se ocupavam de sorrir, carregar pastas e conduzir os dirigentes a seus compromissos. Agora, era o medo que tomava conta dos dirigentes e da Fifa.

Blatter anunciaria a eles que “mais notícias ruins viriam”, e a instrução era manter a imprensa distante, conforme um dos próprios encarregados da segurança me revelaria. Em encontros a portas fechadas, os cartolas exigiam saber o que estava ocorrendo e se suas confederações teriam assistência legal. A crise também abriu outra realidade na Fifa: a desconfiança mútua entre cartolas e uma guerra nos bastidores entre aqueles que, diante das prisões, aproveitavam o momento para ganhar poder e influência.

Blatter entrou para a Fifa em 1976 e desde 1998 ocupa o cargo de presi-dente. Naquele 29 de maio de 2015, ele prometia de forma solene que aquele seria seu último mandato. “Não vou ficar por muito mais tempo”, disse, diante de seus eleitores. “Mas o que é a noção de tempo? O tempo é eterno”, brincou. No dia seguinte, ao ser questionado se temia ser preso, respondeu: “Preso por quê?”. Do outro lado do Atlântico, a procuradora americana Kelly T. Currie, uma das encarregadas da investigação, alertava: “Esse é só o começo da história”.

Longe da Fifa e já de volta a Londres após a eleição, um dos maiores adversários do dirigente suíço alertava que ele não sobreviveria politicamente. “Ele não vai durar dois anos no cargo”, atacou Greg Dyke, presidente da Associação de Futebol da Inglaterra. O britânico não estava tão errado assim. O novo reinado de Blatter duraria apenas quatro dias…”
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Morte de Vladimir Herzog completa 40 anos neste domingo

Morte de Vladimir Herzog completa 40 anos neste domingo

Comunicação Notícias

A morte do jornalista Vladimir Herzog completa 40 anos neste domingo (25). Ele era diretor do telejornal “Hora da Notícia”, veiculado pela TV Cultura de São Paulo. Segundo foi reconhecido depois, Vlado foi morto sob tortura pelos militares após ser detido nas dependências do Destacamento de Operação de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOPS/SP) . Ele deixou viúva a esposa Clarice, com os dois filhos do casal, Ivo, na época com 9 anos, e André, com 7.

A comoção causada pela morte do jornalista reaglutinou diversos setores da sociedade e provocou a primeira reação popular contra os excessos do regime militar. Por esse motivo, a data de morte foi escolhida para celebrar a democracia no país, sendo considerada o “Dia da Democracia”.

Jornalista virou símbolo da luta contra a tortura nos porões da ditadura militar
Jornalista virou símbolo da luta contra a tortura nos porões da ditadura militar

Um marco desse processo foi o ato ecumêmico realizado na Catedral da Sé. Realizado cerca de uma semana após a morte de Herzog, o ato, que  teve a presença do rabino Henry Sobel e do arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, reuniu milhares de pessoas para homenagear o jornalista, em um protesto silencioso contra o regime.

Circunstâncias da morte

Divulgada como suicídio em comunicado do II Exército na época, com a utilização de uma foto forjada, a versão das circunstância em que Valdo morreu –  também mantida pelo Inquérito Policial Militar (IPM) realizado naquele ano – foi desmontada ao longo dos anos. Com uma ação declaratória realizada no ano seguinte, Clarice Herzog conseguiu, em outubro de 1978, a condenação da União pela prisão arbitrária, tortura e morte de Vladimir.

Em 2013, como parte dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV), a família conseguiu a retificação do atestado de óbito onde consta que a morte do jornalista se deu em função de “lesões e maus tratos sofridos durante os interrogatórios em dependência do II Exército (DOI-CODI)”.

O relatório final da comissão aponta “não existir mais qualquer dúvida acerca das circunstâncias de Vladimir Herzog, detido ilegalmente, torturado e assassinado por agentes do Estado nas dependências do DOI-CODI do II Exército, em São Paulo, em outubro de 1975”.

Em setembro de 2014, a equipe de peritos da comissão concluiu laudo pericial indireto sobre a morte do jornalista, que constatou a  evidência de duas marcas distintas na região cervical, determinante para os peritos afirmarem o seguinte: “Vladimir Herzog foi inicialmente estrangulado, provavelmente com a cinta citada pelo perito criminal e, em ato contínuo, foi montado um sistema de forca uma das extremidades foi fixada a grade metálica de proteção da janela e, a outra, envolvida ao redor do pescoço de Vladimir Herzog, por meio de uma laçada móvel. Após, o corpo foi colocado em suspensão incompleta de forma a simular um enforcamento”.

Segundo o relatório da Comissão da Verdade, Vlado foi morto pela “Operação Radar”, que tinha o objetivo de localizar e desarticular a infraestrutura do Partido Comunista do Brasil (PCB) em todo o território nacional e foi responsável pela morte de 20 militantes do partido entre 1974 e 1976, 11 deles ainda desaparecidos.

Prisão

Vladimir Herzog, então diretor do telejornal Hora da Notícia, foi procurado por agentes da repressão em casa e no trabalho no dia 24 de outubro de 1975. Preocupada com a estranha visita, a esposa Clarice se dirigiu à TV Cultura onde Herzog acompanhava o fechamento e veiculação do telejornal que dirigia. Dois agentes o esperavam do lado de fora. Com intervenção de colegas e da direção da TV Cultura, Herzog não foi levado naquele dia e se prontificou a se apresentar na manhã seguinte aos militares na rua Thomás Carvalhal, 1030, sede do DOI. No dia 25, ele se apresentou conforme o combinado e ficou detido para interrogatórios, de onde não saiu com vida.

Antes do conhecimento da morte, os colegas de Vlado souberam da detenção por meio de uma nota do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, então presidido pelo alagoano Audálio Dantas. Além de anunciar a prisão de Vlado, a nota publicada no dia 26 em alguns jornais trazia o nome de mais 10 jornalistas que estavam em poder dos militares, todos presos naquele mês. Em uma reportagem completa sobre o caso publicada um mês depois no Jornal Ex, Mylon Severiano, Narciso Kalili e Palmério Dória, editores do veículo e colegas de Herzog traçaram a seguinte descrição sobre ele.

“O Vlado chegava sempre no meio da tarde, aí pelas 4 e meia. Naquela época ele era uma espécie de secretário do telejornal. Era de chegar trabalhando: pegava a pauta, lia imediatamente com uma atitude muito sua, a de coçar alguns cabelos do alto da cabeça, de pé, e o papel na outra mão. Sua função era editar e botar no ar o telejornal que nós fazíamos, com uma equipe de mais de 20 pessoas. Ou seja, às 21 horas em ponto, com script na mão, ele acompanhava da técnica os 30 minutos de “Hora da Notícia”, como um responsável e representante da redação, ali na hora, no estúdio”.

No dia seguinte chegava a nota oficial do II Exército, informando a morte do jornalista e apontando que ele teria se suicidado. O primeiro questionamento a essa versão partiu do sindicato em São Paulo. Além de informar que Vlado tinha sido procurado por agentes de segurança no dia 24 por volta das 21h30 e se apresentado espontaneamente no dia seguinte, a nota apontava a responsabilidade dos agentes pela morte de Vlado e questionava o modo arbitrário pelo qual ocorriam as prisões de jornalistas.

“Não obstante as informações oficiais fornecidas pelo II Exército, em nota distribuída à imprensa, o Sindicato dos Jornalistas deseja notar que, perante a lei, a autoridade é sempre responsável pela integridade física das pessoas que coloca sob sua guarda. O Sindicato dos Jornalistas, que ainda aguarda esclarecimentos necessários e completos, denuncia e reclama das autoridades um fim a esta situação em que jornalistas profissionais, no pleno, claro e público exercício de sua profissão, cidadãos com trabalho regular e residência conhecida, permanecem sujeitos ao arbítrio dos órgãos de Segurança, que os levam de suas casas, ou de seus locais de trabalho, sempre a pretexto de que irão apenas prestar depoimento, e os mantém presos, incomunicáveis, sem assistência da família e jurídica, por vários dias e até por várias semanas em flagrante desrespeito à lei”.

Vida de Herzog

Vlado Herzog nasceu em Osijek na Iugoslávia em 27 de junho de 1937 e se mudou para o Brasil com a família para fugir da perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Naturalizado brasileiro, mudou seu nome para Vladimir.

Vlado se formou em Filosofia pela Universidade de São Paulo em 1959 e, desde então, exerceu a atividade jornalística em diferentes veículos de imprensa e também no cinema. Ele iniciou a carreira jornalística como repórter do jornal O Estado e S. Paulo e participou do grupo responsável pela instalação da sucursal de Brasília do jornal. Em 1962, conheceu a estudante de ciências sociais Clarice Chaves, com quem iria se casar em fevereiro de 1964, cerca de dois meses do golpe militar.

Em 1963, filmou no Rio de Janeiro o documentário “Marimbás” , primeiro filme brasileiro a utilizar som direto. Em 1965, gerenciou a  produção do curta-metragem “Subterrâneos do Futebol” (1965), de Maurice Capovilla; e o início do roteiro do filme “Doramundo”, que só viria a ser filmado depois da morte dele por João Batista de Andrade. O mesmo cineasta homenageou Vlado com um documentário 30 anos depois.

Entre as primeiras consequências do regime militar na vida do casal, está a ida para Londres em 1965 onde Vlado foi contratado pela BBC. Na Inglaterra, nasceram os filhos do casal, Ivo e André. Ele voltou ao Brasil em 1968 e passou a atuar como editor da revista Visão. Em 1972, trabalhou pela primeira vez na TV Cultura.

STF devolve a Collor guarda de carros de luxo apreendidos pela PF

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Senador pediu para guardar em sua posse os veículos porque são automóveis de luxo que demandam cuidados especiais | Foto: Pedro Ladeira / Folhapress / CP

Senador pediu para guardar em sua posse os veículos porque são automóveis de luxo que demandam cuidados especiais | Foto: Pedro Ladeira / Folhapress / CP

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o senador Fernando Collor (PTB-AL) a guardar veículos de luxo que foram apreendidos em julho pela Polícia Federal na Operação Politeia, desdobramento da Operação Lava Jato. O parlamentar será o fiel depositário de um Lamborghini, um Bentley, uma Range Rover e uma Ferrari.

Dos carros apreendidos, apenas um Porsche Panamera não voltará à residência de Collor. De acordo com a decisão, o senador não apresentou termo de concordância da empresa GM Comércio de Combustível Ltda, em nome de quem está registrado o veículo.

Collor pediu ao STF para guardar em sua posse os veículos porque são automóveis de luxo que demandam cuidados especiais. “Não se tratando de bens essenciais à elucidação dos fatos investigados, nem constituindo, em si mesmos, bens ilícitos, não haveria óbice à nomeação do requerente como fiel depositário, com os deveres e ônus correspondentes”, disse a decisão do STF. (Correio do Povo)

 

Dilma garante permanência de Levy e lamenta denúncias contra Cunha. Presidente descartou acordo por trégua em processo de impeachment

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Dilma garante permanência de Levy e lamenta denúncias contra Cunha  | Foto: Jonathan Nackstrand / AFP / CP

Dilma garante permanência de Levy e lamenta denúncias contra Cunha | Foto: Jonathan Nackstrand / AFP / CP

 

Em viagem na Suécia, onde conheceu o rei e a rainha do país, a presidente Dilma Rousseff afirmou de forma enfática neste domingo que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não está saindo do governo. Além disso, a chefe de Estado brasileira disse que lamenta as recentes denúncias contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, suspeito de receber propina no esquema da Lava-Jato. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

Ao falar pela primeira vez com a imprensa após a última reunião em Brasília, Dilma demonstrou irritação com as perguntas sobre Levy. “Ele (Levy) não está saindo do governo. Eu não trato mais desse assunto”, finalizou antes de dizer aos jornalistas que nenhuma especulação será feita com o ministro da Fazenda.

Questionada sobre a avaliação do presidente do PT, Rui Falcão, que condicionou a permanência de Levy a uma mudança na política econômica, Dilma se colocou contra a posição do colega de partido. “O presidente do PT pode ter a opinião que ele quiser, mas não é a opinião do governo”, resumiu.

Em relação a Cunha, Dilma lamentou que as denúncias tenham “atingido um brasileiro”. Segundo a presidente, não houve acordo entre os chefes do Executivo e Legislativo por mais estabilidade política, mas afirmou que a oposição firmou um entendimento com o presidente da Câmara dos Deputados. Ela ainda descartou um acordo que garanta trégua na tramitação do processo de impeachment.

A viagem de Dilma a Suécia faz parte de uma turnê da presidente a países da Europa. A próxima parada será a Finlândia. (Correio do Povo)