Obra da Terceira Perimetral em Porto Alegre é citada na Lava Jato. Delegado da PF relacionou pagamentos de propinas feitas pela Odebrecht a empreendimento

Obra da Terceira Perimetral em Porto Alegre é citada na Lava Jato. Delegado da PF relacionou pagamentos de propinas feitas pela Odebrecht a empreendimento

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O delegado da Polícia Federal (PF) Filipe Hille Pace, um dos responsáveis pela investigação da 35ª fase da Lava Jato, que prendeu nessa segunda-feira o ex-ministro Antonio Palocci, citou o pagamento de propinas relacionadas às obras da Terceira Perimetral em Porto Alegre. Outros empreendimentos em todo o País também foram mencionados durante a coletiva que serviu para detalhar a relação de Palocci com o grupo Odebrecht.

De acordo com Pace, a operação de hoje, chamada de Omertà, foi realizada em decorrência do aprofundamento dos investigadores nos materiais apreendidos ainda na fase denominada de Acarajé, marcada pela prisão do publicitário João Santana e da sua esposa. “Além dessas prisões, foi apreendida uma planilha que foi chamada de ‘programa especial italiano’, que trouxe muita atenção. Na época não tínhamos certeza de quem a Odebrecht falava. Finalmente, a partir dos trabalhos feitos na 26ª fase nós conseguimos entender como o esquema funcionava, o que nos levou a retornar ao que foi feito ainda na 14ª etapa, marcada pelo envolvimento da Odebrecht”, explicou.

O delegado destacou que somente uma mulher, que atuou como colaboradora da Operação Lava  Jato, “teve a coragem de quebrar o silêncio que impera na Odebrecht sobre a ofensiva. “A colaboração dessa pessoa descortinou a operação e ela nos trouxe conhecimento que permitiu retornar ao material apreendido na 14ª fase para poder chegar até aqui. Ela não sabia quem eram os beneficiários, mas nos passou dados importantes que nos permitiram afirmar que italiano era Antonio Palocci”, afirmou Pace.  (Correio do Povo)

Empreiteiro relata à justiça que deputado gaúcho Marco Maia pediu R$ 1 milhão em propina

Empreiteiro relata à justiça que deputado gaúcho Marco Maia pediu R$ 1 milhão em propina

Destaque Poder Política

O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro declarou, em depoimento nesta terça-feira ao juiz da Lava-Jato Sérgio Moro, em Curitiba, que o deputado Marco Maia (PT-RS), relator da CPI Mista da Petrobrás em 2014, ofereceu, em troca do recebimento de propina, proteção à empreiteira na comissão criada para investigar as irregularidades na estatal. O empresário foi preso pela segunda vez na semana passada. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O encontro, segundo Pinheiro, ocorreu em uma residência em Brasília, no Lago Sul. Segundo o ex-dirigente da OAS, Marco Maia declarou que o fato de ser relator de uma investigação envolvendo grandes empresas lhe trazia dificuldades conseguir, no futuro, doação para a campanha. O empreiteiro declarou que o deputado, então, pediu suposta ajuda financeira: “Queria lhe solicitar, em troca de lhe ajudar quando estiver fazendo o relatório final da CPI, uma contribuição de R$ 1 milhão”.

Léo Pinheiro disse que efetuou o pagamento para um empresário indicado pelo parlamentar. Sérgio Moro pediu ao empreiteiro para não dar mais detalhes sobre o caso de Maia e focar o depoimento na denúncia da Procuradoria da República contra o ex-senador Gim Argello, preso desde abril na Lava Jato. Argello e outros oito sofrem ação penal, incluindo o próprio Léo Pinheiro, acusados de arquitetar esquema de pagamento de R$ 5,3 milhões em propinas de empresas para evitar a convocação de empreiteiros investigados na Lava Jato a depor nas CPIs no Senado e no Congresso em 2014.

Em nota, Marco Maia declarou que as informações não procedem e que são “fruto de retaliação de um criminoso”, indiciado na CPMI. No documento, o deputado gaúcho ainda garante que não recebeu doação para a campanha eleitoral de empresas investigadas pela Comissão Mista.

Confira a nota de Maia na íntegra:

“Com relação ás declarações dadas pelo Sr. Léo Pinheiro as quais cita a minha pessoa, gostaria de dizer.

Tais afirmações são mentirosas, fruto de retaliação de um criminoso por mim indiciado na CPMI. Refuto com indignação tais ilações!
Fui relator de uma CPMI em 2014, onde foi pedido o indiciamento daqueles que hoje me acusam.
Foram 52 indiciamentos, mais o pedido de investigações de 20 empresas ao CADE pela prática de crime de cartel.
Como já havia afirmado anteriormente, não recebi nenhuma doação para minha campanha eleitoral de 2014 de quaisquer empresas que estivessem sendo investigadas por tal CPMI.
Por fim, utilizarei de todas as medidas legais para que a verdade seja estabelecida e para que os possíveis desgastes a minha imagem parlamentar seja reparado em sua integralidade.
Brasília, 13 de setembro de 2016.
MARCO MAIA
Deputado Federal PT/RS”                                                                            (Rádio Guaíba)

Veja: Empreiteira delata ministro do Supremo

Veja: Empreiteira delata ministro do Supremo

Destaque

A principal manchete de capa da revista Veja desta semana é: EMPREITEIRA DELATA MINISTRO DO SUPREMO. A revista não liberou ainda o resumo da reportagem em seu site. Mas, já se sabe que a  edição trata de uma parte da colaboração premiada do presidente da OAS, Leo Pinheiro, onde Dias Toffoli, ministro do STF está citado como recebedor de propinas da empreiteira.

Léo Pinheiro conta ainda detalhes das negociações que manteve com Lula para reformar o sítio de Atibaia e o triplex do Guarujá, apartamento vizinho ao que ontem teve sua proprietária indiciada pelo juiz Sergio Moro. A veja deve divulgar em instantes um resumo da reportagem bomba denunciando o Ministro Dias Toffoli como mais um dos recebedores de propina no esquema que segue sendo desvendado pela Operação Lava Jato.

DURANTE A MADRUGADA VEJA LIBEROU UM TRECHO DA REPORTAGEM

Ex-presidente da OAS delata ministro do STF Dias Toffoli

Em proposta de colaboração com a Justiça, Léo Pinheiro fala de suas relações com o magistrado e de uma obra em sua “mansão de revista”

Era um encontro de trabalho como muitos que acontecem em Brasília. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e o empreiteiro José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, então presidente da construtora OAS, já se conheciam, mas não eram amigos nem tinham intimidade. No meio da conversa, o ministro falou sobre um tema que lhe causava dor de cabeça. Sua casa, localizada num bairro nobre de Brasília, apresentava infiltrações e problemas na estrutura de alvenaria. De temperamento afável e voluntarioso, o empreiteiro não hesitou. Dias depois, mandou uma equipe de engenheiros da OAS até a residência de Toffoli para fazer uma vistoria. Os técnicos constataram as avarias, relataram a Léo Pinheiro que havia falhas na impermeabilização da cobertura e sugeriram a solução. É um serviço complicado e, em geral, de custo salgado. O empreiteiro indicou uma empresa especializada para executar o trabalho. Terminada a obra, os engenheiros da OAS fizeram uma nova vistoria para se certificarem de que tudo estava de acordo. Estava. O ministro não teria mais problemas com as infiltrações — mas só com as infiltrações.

A história descrita está relatada em um dos capítulos da proposta de delação do empreiteiro Léo Pinheiro, apresentada recentemente à Procuradoria-Ge­ral da República e à qual VEJA teve acesso. Condenado a dezesseis anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo do petrolão, Léo Pinheiro decidiu confessar seus crimes para não passar o resto dos seus dias na cadeia. Para ganhar uma redução de pena, o executivo está disposto a sacrificar a fidelidade de longa data a alguns figurões da República com os quais conviveu de perto na última década. As histórias que se dispõe a contar, segundo os investigadores, só são comparáveis às do empreiteiro Marcelo Odebrecht em poder destrutivo. No anexo a que VEJA teve acesso, pela primeira vez uma delação no âmbito da Lava-Jato chega a um ministro do Supremo Tribunal Federal.

No documento, VEJA constatou que Léo Pinheiro, como é próprio nas propostas de delação, não fornece detalhes sobre o encontro entre ele e Dias Toffoli. Onde? Quando? Como? Por quê? Essas são perguntas a que o candidato a delator responde apenas numa segunda etapa, caso a colaboração seja aceita. Nessa primeira fase, ele apresenta apenas um cardápio de eventos que podem ajudar os investigadores a solucionar crimes, rastrear dinheiro, localizar contas secretas ou identificar personagens novos. É nesse contexto que se insere o capítulo que trata da obra na casa do ministro do STF.

Tal como está, a narrativa de Léo Pinheiro deixa uma dúvida central: existe algum problema em um ministro do STF pedir um favor despretensioso a um empreiteiro da OAS? Há um impedimento moral, pois esse tipo de pedido abre brecha para situações altamente indesejadas, mas qual é o crime? Léo Pinheiro conta que a empresa de im­per­mea­bi­li­za­ção que indicou para o serviço é de Brasília e diz mais: que a correção da tal impermeabilização foi integralmente custeada pelo ministro Tof­fo­li. Então, onde está o crime? A questão é que ninguém se propõe a fazer uma delação para contar frivolidades. Portanto, se Léo Pinheiro, depois de meses e meses de negociação, propôs um anexo em que menciona uma obra na casa do ministro Toffoli, isso é um sinal de que algo subterrâneo está para vir à luz no momento em que a delação for homologada e os detalhes começarem a aparecer.

Para ler a reportagem na íntegra, compre a edição desta semana de VEJA noiOS, Android ou nas bancas. E aproveite: todas as edições de VEJA Digital por 1 mês grátis no iba clube.

Investigados ficam com 2/3 das doações ao PMDB. Alvos da Lava Jato como Romero Jucá, em Roraima, têm campanhas proporcionalmente mais ricas

Investigados ficam com 2/3 das doações ao PMDB. Alvos da Lava Jato como Romero Jucá, em Roraima, têm campanhas proporcionalmente mais ricas

Notícias Poder Política

Os redutos dos peemedebistas que são alvo da Lava Jato receberam, nas eleições de 2010 e 2014, doações desproporcionais ao tamanho de seu eleitorado. As campanhas mais ricas do PMDB, em termos relativos, foram as dos Estados comandados por “caciques” locais, informa o Estadão Dados. Os 12 Estados de alvos da Lava Jato concentram apenas um terço dos eleitores do País, mas receberam dois de cada três reais (66%) doados a campanhas do PMDB nas duas últimas eleições para governador e senador. No ranking dos valores per capita, o primeiro colocado é o Estado de Romero Jucá. O PMDB de Roraima recebeu cerca de R$ 82 por eleitor, quase oito vezes o valor registrado no Rio. No total, o PMDB movimentou quase R$ 500 milhões. Parte significativa veio de empreiteiras investigadas na Lava Jato. Há indícios de que doações tenham sido feitas para “lavar” propinas. (O Estado de São Paulo)

PF apura doações da Andrade Gutierrez a 19 partidos. Dados oficiais revelam que PSDB, PMDB, PP, PT e PSB receberam R$ 292 milhões da empreiteira

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Economia Notícias Poder Política

A Polícia Federal (PF) elaborou um laudo, anexado nesta semana aos autos da operação Lava Jato que apura o envolvimento da empreiteira Andrade Gutierrez (AG) no esquema de cartel e corrupção na Petrobras, com o registro de R$ 292,6 milhões em doações eleitorais e partidárias, entre 2008 e 2014, para 19 partidos, entre eles PSDB, PMDB, PP, PT e PSB. São dados oficiais da contabilidade do grupo que servirão para a força-tarefa buscar provas de que propina desviada da estatal irrigou legendas de maneira oficial.

“Tendo em vista que as investigações realizadas na operação Lava Jato indicam que foram utilizadas empresas de prestação de serviços (consultoria, advocacia, engenharia e correlatas) para viabilizar pagamentos indevidos a funcionários da Petrobras e a agentes públicos, e considerando que pagamentos realizados pela Construtora Andrade Gutierrez a empresas investigadas por lavagem de capitais ou a partidos políticos e a agentes públicos foram contabilizados, primordialmente, em contas contáeis de “doações”, “aluguéis” e “prestação de serviços por pessoa jurídica”, “procedeu-se à compilação dos pagamentos realizados através dessas rubricas contábeis”, informa o laudo pericial da PF, em Curitiba.

Executivos da Andrade Gutierrez fecharam acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Eles estão relatando o envolvimento do grupo na formação de cartel e em pagamentos de propina a agentes públicos e políticos. Um dos itens é sobre a ocultação de valores por meio de doações eleitorais e partidárias oficiais. Otávio Marques Azevedo, ex-presidente do grupo, apontou o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, como um dos nomes responsável pelas cobranças. (Correio do Povo)

Empreiteira afirma ter financiado campanhas de Dilma com propina

Empreiteira afirma ter financiado campanhas de Dilma com propina

dilma Notícias Poder Política

Ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez afirmou ter feito doações legais às campanhas de Dilma Rousseff (PT) de 2010 e 2014 usando propinas oriundas de obras superfaturadas da Petrobras e do sistema elétrico, informam Bela Megale, Graciliano Rocha, Valdo Cruz e Leandro Colon. A informação consta na delação premiada de Otávio Marques de Azevedo no âmbito da Operação Lava Jato. O acordo ainda não foi homologado pelo Supremo. Em 2014,a segunda maior empreiteira do país doou oficialmente R$ 20 milhões para a reeleição da petista. O esquema teria envolvido R$ 10 milhões, ligados às obras das usinas de Angra 3 e Belo Monte e do Complexo Petroquímico do Rio. Ações no Tribunal Superior Eleitoral pedem a cassação da chapa de Dilma e Michel Temer por ter, entre outras acusações, se beneficiado de desvios da Petrobras. O comando da campanha de Dilma em 2014 negou qualquer irregularidade nas doações. Criticou ainda o uso político do instrumento da delação premiada.

Ainda na delação, executivo da Andrade Gutierrez disse que ex-ministro Delfim Netto recebeu propina para burlar consórcio de Belo Monte. Ele nega. (Folha de São Paulo)

Empresário diz na Lava Jato ter pago propina ao PT

Empresário diz na Lava Jato ter pago propina ao PT

Notícias Poder Política

O empresário Fernando de Moura, réu da Operação Lava Jato, afirmou em depoimento à Justiça que pagou propina para o PT e que os repasses eram intermediados pelo ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira (foto) e o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, preso desde abril em Curitiba.

Moura apontou dez contratos da Petrobrás em que diz ter feito acertos envolvendo Pereira e Duque. Ele afirmou ainda que foi do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu “a palavra final” da nomeação de Duque para a empresa. A reportagem completa está em O Estado de São Paulo. (Foto: Jamil Bittar/Reuters)

Delator da Lava Jato afirma que levou R$ 300 mil para Fernando Collor. Conhecido como Ceará, Carlos Alexandre era entregador de propina negociada pelo doleiro Alberto Youssef

Delator da Lava Jato afirma que levou R$ 300 mil para Fernando Collor. Conhecido como Ceará, Carlos Alexandre era entregador de propina negociada pelo doleiro Alberto Youssef

Notícias Poder Política

A Rede Globo teve acesso ao conteúdo do depoimento de Carlos Alexandre. Ele afirmou que, em janeiro de 2014, recebeu de Alberto Youssef uma solicitação para que transportasse R$ 300 mil para Maceió. O dinheiro estava dividido em 30 pacotes de notas de R$ 100.

Em Maceió, Ceará disse que entregou o dinheiro para Rafael Angulo Lopez. Na volta para São Paulo, Ceará disse que teve uma conversa com o doleiro Alberto Youssef: “Ah, então o dinheiro de Maceió foi para Collor!” De acordo com Carlos Alberto, Youssef disse: “Foi”

Carlos Alexandre Rocha é a segunda pessoa ligada a Alberto Youssef faz referência a entrega de dinheiro ao senador Fernando Collor. A primeira foi Rafael Angulo Lopez, apontado na investigação como braço direito de Youssef, o mesmo para quem Rocha disse que deixou dinheiro em Maceió.

Angulo já tinha dito aos investigadores que entregou ao senador R$ 68 mil, a maior parte em mãos. Em agosto, Collor foi denunciado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O Supremo ainda não decidiu se aceita a denúncia. Outros dois pedidos de abertura de inquérito contra o senador também aguardam decisão do STF.

As investigações da Operação Lava Jato apontam que o senador teria recebido, entre 2010 e 2014, R$ 26 milhões como propina por contratos firmados com a Petrobras.

Os investigadores afirmam que há indícios de que parte do dinheiro tenha sido usada comprar carros de luxo em nome de empresas de fachada usadas para lavar dinheiro. Alguns desses carros foram apreendidos pela polícia em julho e devolvidos em outubro para o senador.

A assessoria do senador Fernando Collor declarou que ele não conhece Carlos Alexandre Rocha e que o teor da delação é oportunista e sem credibilidade. Ainda segundo a assessoria, Carlos Alexandre não sabe dos fatos, apenas transmite informações que teria ouvido de terceiros, contando mentiras convenientes aos interlocutores, em benefício próprio. (JN – Foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado)