Confronto de ideias e acusações marcam debate na TV Record. Segurança, educação e saúde dominaram discussões dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre

Confronto de ideias e acusações marcam debate na TV Record. Segurança, educação e saúde dominaram discussões dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre

Cidade Destaque Eleições 2016 Poder Política Porto Alegre

Os candidatos à prefeitura de Porto Alegre mostraram suas propostas e colocaram frente a frente suas opiniões, neste domingo à noite na TV Record RS. O debate teve a mediação da jornalista Simone Santos, em quatro blocos de perguntas e respostas entre cinco dos postulantes a governar a Capital.

No primeiro bloco, que teve duas rodadas, houve confronto direto entre os candidatos Luciana Genro (PSol), Maurício Dziedricki (PTB), Nelson Marchezan Júnior (PSDB), Raul Pont (PT) e Sebastião Melo (PMDB). Fábio Ostermann (PSL), João Carlos Rodrigues (PMN), Julio Flores (PSTU) e Marcello Chiodo (PV) participarão de entrevistas durante a semana no programa Rio Grande no Ar.

No segundo bloco, os candidatos responderam a uma rodada de questões com temas definidos pela emissora. O sorteio dos temas foi feito ao vivo. Mais uma rodada de confronto direto entre os candidatos, com tema livre, aconteceu no terceiro bloco e o quarto bloco foi reservado para considerações finais dos candidatos.

A discussão começou com Maurício Dziedricki questionando Raul Pont sobre como seria a proposta de mudança do ex-prefeito para a Capital. “Meu partido teve quatro mandatos com prefeitos distintos. Foi um período com capacidade de investimento ímpar na cidade. Nem antes nem depois tivemos esse padrão”, destacou o candidato petista. “Deixamos essa marca que as pessoas reconhecem no cotidiano. É isso que nos trará de volta para fazer o novo de novo. A renovação é garantir à comunidade e às pessoas que constroem a cidade que elas possam efetivamente decidir o seu futuro e o futuro da sua cidade.”

Em seguida, Pont indagou Sebastião Melo sobre o processo em que a administração da qual é vice foi acusada de “contratar estagiários sem cumprir regras”. Melo replicou, criticando a abordagem acusatória. “Esta matéria não é nova, foi parar no noticiário após ser julgada a primeira instância. O MP recorreu e não está transitado em julgado. São critérios subjetivos. Estamos trabalhando num novo decreto, mesmo que sejamos vencedores no processo, a gente entendeu que precisa corrigir”, definiu. “Nosso governo tem transparência. Na democracia nem denuncismo nem absolvição podem acontecer assim. Conheço bem a matéria e nossas decisões estão bem fundamentadas”, apontou.

Melo, por sua vez, questionou Luciana Genro sobre projetos para garantir a segurança das mulheres em Porto Alegre. “Tenho o conhecimento do drama e da dificuldade que é conviver na sociedade machista. Maridos abusadores que as espancam, as tratam mal. Além de combater a violência através de várias medidas, vou combater o desemprego que deixa essas mulheres reféns de maridos abusadores”, relatou Luciana. “Pretendo fazer um programa de combate ao desemprego dessas mulheres. Incentivar fazer um curso de qualificação e receber um salário mínimo da prefeitura.” Na tréplica, Melo destacou a criação de centros de referência para combate à violência à mulher e acolhimento, em Porto Alegre.

Ao perguntar para Nelson Marchezan Jr., Luciana Genro subiu o tom, ao acusar o adversário de fazer aliança com o “PP, partido mais corrupto até que o PT” e questionar como funcia sua apresentação como “novidade” se o PSDB já tinha sido governo no RS com Yeda Crusius. “Não tenho nenhuma relação com o governo da ex-governadora, assinei a CPI do Detran e não aceitei participar pelo meu partido. Só fui a uma reunião para dizer que a investigação tinha que ser desde o início”, replicou o candidato. “As pessoas são boas em qualquer partido e são corruptas em qualquer partido. Não tenho corrupto de estimação. Essa é uma visão limitada na política. Sou sim novidade, pela transparência e história de combate à corrupção. Elas vão votar no Marchesan que trará o PSDB e não o contrário”, frisou.

Marchezan, por fim, questionou Dziedricki sobre como resolver o grave problema da segurança na Capital. “Temos que atuar em obras do Orçamento Participativo que estão atrasadas hoje e podem melhorar a segurança”, opinou o petebista. “Asfalto de uma rua, que ajuda a chegar viatura, ambulância e caminhão de bombeiros faz diferença. São ações simples e fáceis de realizar que melhoram vários pontos. Existe essa situação triste, um descalabro na segurança pública que nós queremos ampliar o combate para devolver a cidade ao cidadão”, ponderou.

A candidata Luciana Genro iniciou a rodada de considerações finais, lamentando as regras do primeiro turno que limitaram seu tempo para expor ideias. “Hoje Porto Alegre é conhecida como cidade insegura, onde a violência urbana impera. Quero chamar atenção para essa proposta para combater o desemprego de mulheres chefe de família. Quero oferecer essa chance delas trabalharem de acordo com sua capacidade e fazer um curso de qualificação para progredirem na vida.”

Raul Pont, na sequência, questionou o motivo de campanhas eleitorais dos rivais não mostrarem o pertencimento a determinados partidos e governos. “Estão vendo nos programas e propagandas que não temos candidato de situação nesse debate. Todos se apresentam como mudança, apesar de estarem e serem governo em Porto Alegre e no Estado. Nesse desastrado governo Sartori, que tem implicações enormes para a insegurança e educação na Capital. Mudança efetiva é comigo e com a Silvana. Nós estamos enfrentando o golpe que ocorreu no país, estamos fazendo a defesa dos interesses das comunidades e reivindicando a volta efetiva da participação popular.”

Maurício Dziedricki enfatizou seu papel como nome da mudança. “Não temos uma cidade maquiada, nem tampouco terra arrasada. É uma cidade que carece de novos políticos para preencher um espaço. Fiz na medida do que podia fazer como secretário. As obras que comecei, terminei. Quero ter coragem e ousadia para fazer o que funciona. Quero uma Porto Alegre melhor, mais segura, moderna e colaborativa. Para nós termos um novo futuro, é preciso trilhar um novo caminho.”

Sebastião Melo aproveitou para enfatizar aos servidores municipais que atrasos de salário “não estão na agenda” do governo, antes de apontar sua trajetória. “Me preparei para ser prefeito, fui vereador, antes tive uma caminhada social e hoje sou vice-prefeito. Amadureci muito como vice aquilo que precisa ficar e aquilo que precisa mudar. Sempre fiz tudo junto com as pessoas na vida. Serei de muita atitude, de participação popular e não de gabinete.”

Pelo sorteio, coube a Nelson Marchezan Júnior fechar o debate. Ele salientou a necessidade de mudança, reforçando o argumento que as gestões repetidas do passado estão desgastadas, “cansadas” pelo tempo. “Quero te dar dignidade para construir tua vida, teu presente e teu futuro. Nosso interesse é público, é teu. É contigo que a gente quer ganhar essa campanha. É com cada eleitor que queremos ganhar essa eleição e governar os próximos quatro anos.” (Correio do Povo)