Em meio a crise financeira, reajuste dos vereadores vai custar quase R$ 500 mil em Porto Alegre. Das 15 bancadas da Câmara, apenas a do PSol votou contra o aumento; Lucas Rivas/Rádio Guaíba

Em meio a crise financeira, reajuste dos vereadores vai custar quase R$ 500 mil em Porto Alegre. Das 15 bancadas da Câmara, apenas a do PSol votou contra o aumento; Lucas Rivas/Rádio Guaíba

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Com base em um acordo de lideres, exceto o do PSol, vereadores de Porto Alegre aprovaram aumento de 9,28% nos salários deles e dos servidores da Câmara Municipal. Com isso, o salário de cada um dos 36 parlamentares sobe de R$ 11.882 para R$ 12.984. O índice corresponde à reposição da inflação calculada pelo IPCA entre 1° de maio de 2015 e 30 de abril de 2016. O reajuste foi publicado em edição extra do Diário Oficial da Câmara de Porto Alegre, um dia depois que a Prefeitura anunciou ter admitido a suspensão de obras e projetos em função da falta de dinheiro em caixa.

Mensalmente, são repassados mais de R$ 427 mil para custear o salário dos 36 vereadores. Com aumento de 9,28%, o impacto mensal cresce em cerca de R$ 40 mil, o que, no ano, atinge R$ 480 mil. O vencimento do presidente da Câmara também vai ser reajustado de R$ 14.852 para R$ 16.231. Por mês, também são destinados pelos cofres públicos mais de 6,1 milhões para bancar o salário de 732 servidores da Câmara, entre concursados e cargos de confiança. O impactado mensal é estimado em R$ 566 mil.

Das 15 bancadas da Câmara, apenas a do PSol votou contra o reajuste. Para a líder do partido no Legislativo Municipal, vereadora Fernanda Melchiona a crise econômica do País inviabiliza o aumento dos vereadores. “Nos achamos que, além dessa questão do descompasso do salários dos políticos com a população, a conjuntura municipal mostra inoportuno e desnecessário qualquer tipo de aumento de salário dos vereadores”, defende.

Mesmo com indicativo de contenção de gastos dado pelo prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), que ontem dobrou o contingenciamento, de R$ 67 milhões para quase R$ 132 milhões, para evitar o parcelamento de salários dos servidores municipais, o líder do PDT na Câmara, vereador Marcio Bins Ely disse não ver problema em apoiar o aumento. “O prefeito também dá o reajuste da inflação para os funcionários”, frisa. A Prefeitura reconhece, porém, não ter como garantir sequer a reposição inflacionária em 2016.

Amparado por uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após ter sido cassado pela Justiça Eleitoral gaúcha por suspeita de compra de votos em troca de prestação de serviços públicos, o presidente da Câmara Municipal, vereador Cássio Trogildo(PTB) não vai se manifestar sobre o tema.