‘Não houve golpe militar em 1964’, afirma Bolsonaro no Roda Viva. Para presidenciável do PSL, Parlamento declarou vago cargo de presidente da República; ele disse ainda que não vai abrir os arquivos da ditadura caso eleito; por Marcelo Osakabe/O Estado de S.Paulo

‘Não houve golpe militar em 1964’, afirma Bolsonaro no Roda Viva. Para presidenciável do PSL, Parlamento declarou vago cargo de presidente da República; ele disse ainda que não vai abrir os arquivos da ditadura caso eleito; por Marcelo Osakabe/O Estado de S.Paulo

Destaque Eleições 2018

O candidato do PSL à Presidência da República, deputado Jair Bolsonaro, defendeu a ditadura militar (1964-1985) e disse que, se eleito, não vai abrir os arquivos do regime. O parlamentar afirmou ainda, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que os atos cometidos pelos militares se justificavam pelo “clima da época, de guerra fria”, e que teria agido da mesma maneira se estivesse no lugar deles.

“Não houve golpe militar em 1964. Quem declarou vago o cargo do presidente na época foi o Parlamento. Era a regra em vigor”, disse Bolsonaro. O presidenciável defendeu ainda as atuações dos militares em casos de tortura e também a figura do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932-2015), a quem homenageou em seu voto durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Abominamos a tortura, mas naquele momento vivíamos na guerra fria”, justificou. Brilhante Ustra foi chefe do DOI-Codi, um dos principais centros de tortura durante a ditadura.

Bolsonaro ainda reclamou que a imprensa escolhe apenas os casos que afetaram militantes da esquerda para comentar. “Vocês só falam sobre casos da esquerda. Por que não falam sobre o atentado do aeroporto de Guararapes, em que morreu o Edson Regis?”, questionou, fazendo referência a um atentado a bomba ocorrido em Recife em 1966. “Um dos militantes da AP, não digo que estava lá, era o José Serra. Vamos botar o Serra nos banco dos réus então.”

Pressionado pelos jornalistas convidados a falar sobre a abertura dos arquivos da ditadura militar, o presidenciável disse duvidar que eles ainda existam. “Não vou abrir nada. Esquece isso aí, vamos pensar daqui pra frente”, desconversou.

A reportagem completa está no site do Estadão.

Após estagnar, Bolsonaro dá sinais de recuperação nas redes, sua boia de salvação; do El PaÍs

Após estagnar, Bolsonaro dá sinais de recuperação nas redes, sua boia de salvação; do El PaÍs

Eleições 2018 Notícias Poder Política

Aconteça o que acontecer, o futuro do fenômeno Jair Bolsonaro, o pré-candidato de extrema-direita ao Planalto, vai depender de sua capacidade de capitalizar o uso das redes sociais. É que o seu PSL não conseguiu fechar alianças e, por causa disso, o ex-capitão do Exército terá reduzido espaço na propaganda oficial de rádio e TV – o partido terá menos de 10 segundos diários na programação de 24 minutos  – e ausência de palanques fortes nos Estados. O problema para o presidenciável, e não só para ele, é que ainda não se sabe o quanto a eleição brasileira ainda é dependente do horário eleitoral gratuito, que começa em 31 de agosto. Antes mesmo que essa pergunta crucial seja respondida, a Internet, considerada maior trunfo e boia de salvação do militar reformado, deu sinais de arrefecer no fervor por sua candidatura. Nas últimas semanas, o apoio a Bolsonaro na redes sociais estagnou em relação ao seus concorrentes de campanha, segundo levantamento da consultoria Atlas Político. Só deu sinais de recuperação nos últimos dias, justo antes e na esteira de sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira. A reportagem completa está no El País.

Temer diz que acusações da Lava Jato contra ele são “de absoluta falsidade”

Temer diz que acusações da Lava Jato contra ele são “de absoluta falsidade”

Destaque Poder Política

Citado duas vezes em delações no âmbito da Operação Lava Jato – numa delas como beneficiário de R$ 10 milhões em propina da empreiteira Odebrecht, conforme depoimento de Marcelo Odebrecht – o presidente Michel Temer disse na noite desta segunda-feira (14), durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que a informação é “de absoluta falsidade”.

“Lembro de Marcelo Odebrecht indo ao Jaburu para dizer que queria colaborar com as campanhas do PMDB e que aportaria R$ 10 milhões. O empresário quer entrar pelo Diretório Nacional para que este distribua aos candidatos. A Odebrecht entregou o dinheiro ao PMDB. Depois, eu ouvi uma história de que R$ 6 milhões foram para Duda Mendonça (publicitário) e verifiquei absoluta falsidade. Esses R$ 10 milhões entraram no partido e saíram do partido”.

Com ministros e ex-ministros envolvidos em denúncias e delações, Temer afirmou que não se pode condenar um integrante do governo apenas por notícia de investigação e, por consequência, “decretar sua morte civil e política”. O presidente garantiu que nas vezes em que houve denúncias, ele agiu rapidamente. Um dos primeiros ministros a deixar o governo, depois de vir à tona uma gravação com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, foi o então titular do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR).

“Eu chamo o interessando e digo a ele: ‘Você está denunciado, será bom continuar no governo?’. Institucionalmente, não vejo razão de o sujeito que foi objeto de inquérito tenha imediatamente decretada sua morte civil e política. Agora, sob o foco político, eu vou, sim, conversar para saber o que é melhor”, ponderou, acrescentando que é preciso deixar a Lava Jato “em paz”, sem. contudo, julgar apenas com base em delações, sem aguardar a finalização das investigações.

Questionado sobre eventuais convulsões no país, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva venha a ter a prisão decretada em algum momento, Temer admitiu que isso poderia desestabilizar o país e não seria bom para o seu governo, mas que sua gestão não seria diretamente atingida e prejudicada. “Se Lula for preso, isso causa instabilidade para o país, porque haverá movimentos sociais de contestação à decisão do Judiciário. Isso pode, sim, criar problemas. Eu não tenho dúvidas”.

Intervenção federal no Rio de Janeiro

Temer admitiu que houve, sim, um pedido do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), para que a União fizesse uma intervenção no Estado, mas que achou a proposta pouco viável, porque paralisaria emendas que preveem cortes e investimentos públicos, como a PEC 55 (antiga PEC 241 da Câmara, que propõe cortes na Saúde e na Educação pelos próximos 20 anos.

“Foi discutida (a intervenção). Melhor: foi mencionada. Mas desde logo, eu ponderei nesta lembrança que, se tivéssemos essa intervenção, paralisaríamos o Congresso Nacional, as emendas constitucionais (…) Mandamos R$ 2 bilhões para o Estado do Rio, tendo em vista um evento internacional. Se não houvesse esse aporte, não haveria Olimpíada. Vamos tentar auxiliar o Rio de Janeiro, mas também vamos fazer uma coisa com todos os estados, ver os que estão com dificuldades”.

Ocupações e protestos com a PEC 55 e a reforma do Ensino Médio

Temer voltou a criticar as ocupações de escolas e universidades por estudantes que protestam contra a PEC do Teto de Gastos e a Medida Provisória editada para reformular o Ensino Médio. Sem querer a falta de discussão antes de propor a MP, ele disse que o “incêndio” do país com a medida foi saudável para provocar o debate. Ele argumentou ainda que falta debate e diálogo entre os ocupantes de instituições de ensino com o Ministério da Educação.

“Admito os movimentos, mas lamento por eles. No nosso tempo de estudante a gente dialogava, chamava pessoas. O que eu vejo hoje são protestos físicos, não há protestos argumentativos, orais. O ministro Mendonça Filho (Educação) veio a mim para dizer que precisávamos fazer essa reforma de qualquer maneira, que a MP ia ensejar o debate. Acabamos de editar e incendiou o país. Aí, veio o esclarecimento. Não é verdade que não houve discussão. E há projetos de lei no Congresso de ante da MP com o mesmo conteúdo. Se quiserem votar um desses projetos, eu aplaudo”.

Relação com Congresso e apoio ao Parlamentarismo como governo

Questionado se sua relação próxima com o Congresso Nacional seria mais similar a de um primeiro-ministro que a de um presidente da República, Temer aproveitou para defender uma reforma parlamentarista que modifique o sistema de governo. Ele argumentou, porém, que a modificação não deve passar pela população via plebiscito (se aceita ou não a mudança), mas apenas como um referendo em que os eleitores escolham apenas qual parlamentarismo vai prevalecer.

“Eu apoio o parlamentarismo, estou convencido, embora no passado tenha defendido o presidencialismo, de que é uma coisa útil para o país. Mas eu defendo um sistema parlamentar sólido e sou mais favorável ao referendo, e não a um plebiscito, o Congresso produxir uma reforma parlamentarista e apenas submeter para que a população decida pelo modelo, se o (parlamentarismo) inglês, o francês etc”. (Jornal do Brasil)

Rodrigo Maia afirma que, se pudesse, votaria pela cassação de Eduardo Cunha

Rodrigo Maia afirma que, se pudesse, votaria pela cassação de Eduardo Cunha

Economia Notícias Poder Política

O presidente recém-eleito da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que votaria a favor da cassação do deputado federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), seu antecessor no cargo e afastado de suas funções pelo STF (Supremo Tribunal Federal). A declaração foi feita nesta segunda-feira (18) durante entrevista no programa “Roda Viva”, da TV Cultura. Por ser presidente da Câmara, ele não votará, de acordo com regimento interno da Casa.

Maia afirmou ainda que a votação sobre a cassação de Cunha será em agosto, mas se recusou a anunciar uma data. “A sessão deve ser realizada entre 5 e 15 de agosto, mas não quero adiantar uma data sem antes conversar com os líderes partidários porque não quero ser acusado de estar acelerando ou atrasando o processo”.

O presidente da Câmara definiu a situação de Cunha como “muito difícil” e disse que o peemedebista “não é adversário, nem aliado”. Chegou a elogiar o primeiro ano da gestão de Cunha à frente da Casa, mas disse que o ex-presidente “acabou misturando os problemas [dele] com a gestão da Câmara.”

Pedro Ladeira/Folhapress

Rodrigo Maia foi eleito para presidente da Câmara para um mandato-tampão de seis meses

‘Caos’ na eleição de 2016

Ao ser questionado sobre o tema da reforma política, Rodrigo Maia afirmou que haverá “caos” nas próximas eleições municipais por conta da proibição do financiamento empresarial de campanha. “Eu acredito que candidatos a prefeitos e a vereadores farão despesas que não terão condições de bancar. Veremos o caos. As pessoas físicas não querem se envolver no processo. Eu acredito que campanhas serão essencialmente financiadas pelo fundo partidário”.

Em relação à pauta de votação da Câmara, Maia voltou a defender que nos meses de setembro e outubro, as sessões do Legislativo sejam realizadas às segundas e terças. “Sou a favor desse esforço concentrado porque o país precisa que o Legislativo continua trabalhando”. Ele estabeleceu como prioridade a votação de três projetos do Executivo na área econômica: a renegociação das dívidas do Estado, a proposta de impor limite aos gastos públicos e a lei do pré-sal.

Maia declarou ainda que é favorável à manutenção da legislação do aborto quando foi questionado sobre temas de caráter social. “Sou contra a legalização da maconha e contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas a favor da união civil”, declarou Maia. Ele se declarou ainda favorável a “uma grande auditoria” no Programa Bolsa Família. “É preciso que haja prazo para que as pessoas não fiquem indefinidamente no programa”. (UOL)