Lula não elege nem o filho. Marcos Lula ficou em 58º lugar na cidade onde o PT nasceu

Lula não elege nem o filho. Marcos Lula ficou em 58º lugar na cidade onde o PT nasceu

Destaque Eleições 2016
A derrota do PT foi tão acachapante em São Bernardo do Campo (SP), onde nasceu, que nem mesmo Marcos Lula, filho do ex-presidente, conseguiu se eleger. Aliás, ele era vereador pelo PT e não conseguiu mais do que 1.504 votos para ser reconduzido ao cargo.

Marcos Lula, que é filho do primeiro casamento de Marisa Letícia, foi adotado pelo ex-presidente. Ele tinha uma atuação muito criticada por não apresentar projetos de interesse da cidade para discussão na Câmara Municipal de São Bernardo, cidade onde seu pai mora e onde o PT foi criado. E o pior é que não há chances de Marcos Lula assumir o mandato: ele ficou em 58º lugar.

São Bernardo do Campo: Manifestantes fazem ato de apoio a Lula

São Bernardo do Campo: Manifestantes fazem ato de apoio a Lula

Direito Notícias Poder Política

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu manifestações de apoio na manhã de hoje (13) em frente ao condomínio onde mora, na Avenida Prestes Maia, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Os apoiadores, entre eles membros do Partido dos Trabalhadores (PT), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da União Jovem Socialista (UJS), começaram a se concentrar no local por volta das 9h30. A organização estima que cerca de 500 pessoas tenham participado do ato.

Ainda dentro do condomínio, Lula acenou com o neto nos braços enquanto o grupo cantava palavras de ordem. Por volta do meio-dia, o ex-presidente saiu para cumprimentar os manifestantes. A maioria das pessoas usava vermelho e muitos hasteavam bandeiras dos movimentos dos quais fazem parte e também bandeiras do Brasil. O movimento terminou por volta das 13h30.

Nesta semana, o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-presidente por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Em nota, o Instituto Lula negou as acusações. A presidenta Dilma Rousseff disse, em pronunciamento, que o pedido não tem base legal.

Neste domingo, milhares de brasileiros saíram às ruas pedindo o impeachment de Dilma. Em Brasília, cerca de 100 mil pessoas estiveram na Esplanada dos Ministérios em protesto contra a corrupção. (Agência Brasil)

Primo de Bumlai é dono de parte da residência de Lula

Primo de Bumlai é dono de parte da residência de Lula

Notícias Poder Política

Um primo do empresário José Carlos Bumlai da Costa Marques, preso na Operação Lava Jato, é o dono de uma cobertura utilizada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua família no mesmo prédio onde o petista mora em São Bernardo do Campo, informam Andreza Matais e Adriano Ceolin. O imóvel foi objeto de ação de busca e apreensão da Polícia Federal de sexta-feira, após o síndico do prédio indicar aos policiais que ele pertenceria a Lula. O aposentado Glaucos da Costamarques, primo de Bumlai, que mora em Campo Grande (MS), disse ter comprado o apartamento em 2011. Essa segunda cobertura já era utilizada pelo petista desde 2003, ano do seu primeiro mandato como presidente. Antes disso, Lula e sua família viviam no apartamento vizinho, de propriedade do advogado Roberto Teixeira. Até 2007, o PT pagou pelo aluguel do segundo imóvel, alegando que o petista precisava anexar a segunda cobertura para guardar o acervo que doou ao partido. No segundo mandato, o governo assumiu os custos sob a justificativa de que o imóvel era necessário para a segurança do presidente.  A reportagem completa está em O Estado de São Paulo.

Artigo: Carta aberta a Lula, Tito Costa

Artigo: Carta aberta a Lula, Tito Costa

Artigos Economia Notícias Poder Política

Meu caro Lula, permito-me escrever-lhe publicamente diante da impossibilidade de nos falarmos em pessoa, com a franqueza dos tempos de nossos seguidos contatos –você na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos e eu prefeito de São Bernardo do Campo.

Não vou falar das greves que ocorreram de 1979 a 1981, que projetaram seu nome no Brasil e no exterior. Não quero lembrar os dias angustiantes da intervenção no sindicato pelo ministro do Trabalho, em março de 1979, e da violência que se seguiu com prisões, processos e a sua detenção pelo Dops (Departamento de Ordem Política e Social).

Todos esses fatos sempre foram acompanhados por mim juntamente ao senador Teotônio Vilela, a Ulysses Guimarães e a numerosos políticos do então MDB.

Na véspera da intervenção no sindicato, você ligou no meu gabinete me pedindo ajuda para retirar estoques de alimentos ali guardados. Enviei caminhões da prefeitura para retirá-los e o material foi depositado na igreja matriz da cidade.

Não falo das reuniões, madrugadas adentro, em meu apartamento em São Bernardo, com figuras expressivas do mundo político e também de outras esferas, como dom Cláudio Hummes, nosso amigo, então bispo de Santo André, hoje pessoa de confiança do papa Francisco, em Roma. Éramos todos preocupados com a sua sorte, a do sindicato e também a das nossas instituições em pleno regime militar.

Prefiro não falar dos dias em que o acolhi em minha chácara na pequena cidade de Torrinha, no interior de São Paulo, acobertando-o de perseguições do poder militar da época: você, Marisa, os filhos pequenos, vivendo horas de aflição e preocupantes expectativas.

Nem quero me lembrar das assembleias do sindicato, depois da intervenção no estádio de Vila Euclides, cedido pela Prefeitura de São Bernardo, fornecendo os aparatos possíveis de segurança.

Eram os primórdios de uma carreira vitoriosa como líder operário que chegou à Presidência da República por um partido político que prometia seriedade no manejo da coisa pública e logo decepcionou a todos pelos desvios de comportamento e de abusos na condução da máquina administrativa do Estado.

E aqui começa o seu desvio de uma carreira política que poderia tê-lo consagrado como autêntico líder para um país ainda em busca de desenvolvimento. Você deixou escapar-lhe das mãos a oportunidade histórica de liderar a implantação de urgentes mudanças estruturais na máquina do poder público.

Como bem lembrou Frei Betto, seu amigo e colaborador, você, liderando o Partido dos Trabalhadores, abandonou um projeto de Brasil para dedicar-se tão somente a um ambicioso e impatriótico projeto de poder, acomodando-se aos vícios da política tradicional.

Assim, seu partido, em seus alargados anos de governo, com indissimulada arrogância, optou por embrenhar-se na busca incessante, impatriótica e irresponsável do aparelhamento do Estado em favor de sua causa que não é a do país.

Enganou-se você com a pretensão equivocada de implantar uma era de bonança artificial pela via perversa do paternalismo e do consumismo em favor das classes menos favorecidas, levando-as ao engano do qual agora se apercebem com natural desapontamento.

Por isso, meu caro Lula, segundo penso, você perdeu a oportunidade histórica de se tornar o verdadeiro líder de um país que ainda busca um caminho de prosperidade, igualdade e solidariedade para todos. Alguma coisa que poderia beirar a utopia, mas perfeitamente factível pelo poder político que você e seu partido detiveram por largo tempo.

Agora, perdido o ensejo de sua consagração como grande liderança de nossa história republicana recente, o operário-estadista, resta à população brasileira o desconsolo de esperar por uma era de dificuldades e incertezas.

Seu amigo, Tito Costa.

ANTONIO TITO COSTA, 92, advogado, foi prefeito de São Bernardo do Campo (1977-1983) pelo MDB/PMDB, quando teve atuação destacada nas greves de metalúrgicos no ABC paulista em oposição à ditadura militar. Foi também deputado federal constituinte (1987-1988)