Estado passa a divulgar índices de criminalidade só a cada seis meses

Estado passa a divulgar índices de criminalidade só a cada seis meses

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A Secretaria de Segurança Pública (SSP) vai passar a divulgar somente a cada seis meses os índices de criminalidade no Rio Grande do Sul. Até o ano passado, os dados eram divulgados a cada três meses. Os últimos índices revelados pela Secretaria, relativos ao fim do ano passado, apontaram que houve redução no policiamento e nas prisões em flagrante. A redução da frequência de divulgação dos índices de criminalidade foi confirmada nesta quarta-feira pelo secretário da Pasta, Wantuir Jacini. Segundo o gestor da Segurança Pública, o atraso na divulgação dos dados se deve à implementação de um novo sistema de análise de dados. Segundo Jacini, o atual sistema de levantamento de dados é muito trabalhoso.

“Precisamos atualizar a tecnologia. A tecnologia existente traz muitas dificuldades. (As atuais tecnologias) são manuais, dão muito trabalho para fazer”, explicou Jacini, lembrando que a legislação estadual permite a alteração.

Jacini também negou que a alteração sirva para reduzir a pressão sobre a SSP por resultados melhores. Segundo a assessoria de imprensa da Pasta, o novo sistema já está sendo implementado, e 40 servidores estão sendo treinados há duas semanas. A previsão é que em dois meses os agentes da Segurança Pública já saibam utilizar o sistema. O novo software de gestão dos dados, o Qlikview, foi adquirido com recursos do Programa de Oportunidades e Direitos (POD), parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O investimento do BID no Estado é de US$ 56 milhões, sendo US$ 6 milhões de contrapartida estadual.

Durante a gestão do ex-governador Tarso Genro também houve alteração na periodicidade de divulgação. Em 2013, o intervalo passou de mensal para trimestral.

Durante a entrevista coletiva que antecedeu a participação de Jacini em evento da Federasul, o secretário voltou a defender a atuação da Brigada Militar no acompanhamento dos últimos protestos contra o governo interino de Michel Temer. Para Jacini, a atuação foi adequada inclusive no caso em que um grupo de meninas denunciou abuso de autoridade por parte dos policiais.

“Em toda ação corresponde uma reação. As polícias, no cumprimento da lei, têm uma postura dentro da lei. É preciso que as pessoas que estão fazendo manifestações façam as manifestações, em lugares públicos, que não tirem o direito de ir e vir das pessoas. Foi adequado (o comportamento dos policiais) naquele momento”, defendeu.

Questionado sobre protestos de outros grupos em que também houve bloqueio de vias por diversas horas, como nos atos em apoio ao impeachment na Avenida Goethe, Jacini disse que as lideranças agiram de forma diferente.

“Em outras manifestações as lideranças prontamente se deram conta de que estavam tirando o direito das outras pessoas e pararam, cessaram. (No Parcão) foi falado e eles saíram dali. Se eles não saíssem, aí sim”, argumentou o secretário.

Fonte:Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba