Porto Alegre: Com financiamento coletivo, lançamento do CD Navegante – Dudu Sperb recebe Guinga acontece dia 17 no Studio Clio

Porto Alegre: Com financiamento coletivo, lançamento do CD Navegante – Dudu Sperb recebe Guinga acontece dia 17 no Studio Clio

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O cantor porto-alegrense Dudu Sperb está com financiamento coletivo aberto até sexta-feira (17/05) para o seu quinto álbum, Navegante – Dudu Sperb recebe Guinga. Todas as faixas do disco têm a assinatura do mestre carioca, em parceria com vários letristas, como Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, Zé Miguel Wisnik, Chico Buarque e Thiago Amud, entre outros. Tendo Guinga como convidado, o CD foi gravado em Porto Alegre, em 2018, no Transcedental Áudio, com excelente trabalho de Leo Bracht, produtor musical, engenheiro de som e sound designer, 5 vezes nominado no Latin GRAMMY® (nas categorias Melhor Engenharia de Gravação e Gravação do Ano) e vencedor na categoria Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa.

1 Dudu Sperb e Guinga no estúdio Transcedental POA - foto Marcel Estivalet
Dudu Sperb e Guinga no estúdio Transcedental POA. Foto Marcel Estivalet

Dudu Sperb conheceu a música de Guinga pela gravação de Elis Regina e Cauby Peixoto do clássico Bolero de Satã, em 1979. Este ícone do cancioneiro nacional está no repertório do CD, assim como outro ponto alto da carreira do carioca: Senhorinha. Essas duas, e mais a derradeira faixa que dá nome ao disco, Navegante, são parcerias com o velho amigo Paulo César Pinheiro.

Em seu trabalho anterior, So in love (2016), o intérprete já tinha gravado uma composição de Guinga, Noturno Copacabana. Depois disso, fizeram juntos quatro shows em 2018 no StudioClio. “Ficamos muito felizes, eu, ele e o público. E deste feliz e fértil encontro veio a ideia de gravarmos”, conta Dudu. Na última vinda do carioca a Porto Alegre, foram ao estúdio e registraram o seu violão. “O disco nasceu dessa amizade e de uma adoração que tenho pela música dele. Eu acho que o Guinga não é só um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos; ele é hoje um dos maiores compositores do mundo, isso dito por gente como Paco de Lucía e Michel Legrand”, completa o porto-alegrense.

CD Navegante – Dudu Sperb recebe Guinga no Catarse: os brindes para os apoiadores também englobam o próprio disco e ingresso para o show de lançamento do CD, com a participação primordial do músico Guinga, em 17 de maio de 2019 (sexta-feira), também no StudioClio (José do Patrocínio, 698). Quem quiser colaborar com a realização do novo trabalho discográfico, somente com composições do grande compositor e violonista brasileiro, pode clicar aqui, acessar a plataforma Catarse e verificar quais são os valores e recompensas disponíveis.

 

SHOW DE LANÇAMENTO DO CD:

Navegante – Dudu Sperb recebe Guinga

No palco: Dudu Sperb (voz) e Guinga (violão)

Data: 17 de maio, sexta-feira, às 21h

Local: StudioClio (R. José do Patrocínio, 698 – Cidade Baixa – Porto Alegre)

Telefone: (51) 3254-7200

Ingressos: em http://studioclio.com.br/

Valores antecipados: R$ 60,00 (meia-entrada ou entrada solidária, válida para todos os públicos ao trazerem 1 kg de alimento não-perecível) e R$ 120,00 (inteira)

No local: R$ 70,00 e R$ 140,00

 

FAIXA A FAIXA POR DUDU SPERB

 

1 – Sete estrelas (Guinga/Aldir Blanc)

Ao ritmo de uma toada de Guinga, com essas palavras de Aldir Blanc, abrimos o CD: “Eu canto a música da gente quando nua e crua…”. Além de traduzirem um pouco o espírito de outras parcerias desses dois compositores, elas representam um perfeito preâmbulo para o que está por vir, para a audição do disco. Mais adiante, a letra diz: “toda mentira minha é verdadeira”. Se pensarmos que as palavras “nua” e “crua” podem ser associadas ao conceito de verdade, é igualmente possível se compreender que essa veracidade se dá, também, através da “mentira” da canção. Ou seja, a música (que não somos nós, especificamente, mas que é uma manifestação nossa) traz em si a possibilidade da gente “ser” e “existir” de diversas formas através da interpretação. Pra mim, isso é um pouco como se dizer: “essa é a nossa música e através dela e de sua fantasia nós nos desvelamos”. E tudo que as pessoas ouvirão nesse disco tem como fundamento essa premissa da arte de ser uma “mentira” portadora de uma “verdade”.

 

2 – Canção do Lobisomen (Guinga/Aldir Blanc)

 

Essa é uma canção que, em música e letra, me parece uma boa introdução ao universo de Guinga. Sombria e bela, alude à fera incorporada à nossa humanidade que nos faz, por vezes, destruir aquilo que mais queremos ou necessitamos, que carrega o veneno sem entender por que e sem saber como se desvencilhar, se curar disso. Uma obra perene, mas que, especialmente nesse momento, se apresenta ainda mais ampliada em seu sentido.

 

3 – Choro pro Zé (Guinga/Aldir Blanc)

 

Esse choro com ares de jazz foi feito em homenagem ao grande saxofonista Zé Nogueira, com uma letra que reflete sobre a simbiose da música com a vida e do músico com seu instrumento. Mesmo sutilmente, nessa faixa cantei buscando colocar na voz ainda mais a entoação de um instrumento de sopro, como um sax.

 

4 – Catavento e girassol (Guinga/Aldir Blanc)

 

Outro clássico, e uma das canções mais conhecidas e admiradas de Guinga, Catavento e girassol é um exemplo perfeito de excelência, de beleza e de sofisticação. A exemplo do Quereres de Caetano, esse choro-canção versa sobre os desencontros dos desejos, das condutas, do jeito de ser de duas pessoas. Aqui, entretanto, essas oposições se colocam talvez de forma um tanto mais ambígua por serem colocadas mais singularmente como complementares. Exatamente como o que ocorre num reflexo no espelho: a imagem refletida sendo, ao mesmo tempo, o oposto e o arremate. E sua melodia, que vai e volta, inquietante e dramática, é marcante e sublime. Para mim, que sou barítono, os tons de muitas obras de Guinga às vezes beiram os limites da voz. A exemplo de “Canção do Lobisomem” e “Neblina e flâmulas”, entre outras, essa foi uma das canções do CD em que foi necessário atingir regiões bastante graves, um desafio técnico que resultou num ganho interpretativo: fiquei contente com as zonas sombrias da voz que alcancei e pelo quanto pude me adequar a elas para trabalhar a emoção. Me parece que, dessa forma, essas composições ganharam outros contornos.

 

5 – O silêncio de Iara (Guinga/Luis Felipe Gama)

 

Desde que a ouvi, no disco Noturno Copacabana, me encantei com esse belíssimo e singular choro-canção que alude, de forma sutil, à mítica senhora das águas, a sereia do folclore brasileiroEla possui em sua melodia algo de soporífico, de vai e vem, ao que a letra se amolda de forma hábil e elegante.

 

6 – Bolero de Satã (Guinga/Paulo César Pinheiro)

 

Foi através de Bolero de Satã, interpretada por Elis Regina e Cauby Peixoto, em 1979, que tomei conhecimento de Guinga. Lembro do quanto fiquei impressionado e encantado ao ouvi-la. Por esse motivo, pelo que ela teve de primordial como introdução ao universo do compositor, essa era uma canção que não poderia faltar no CD: gravei-a porque adoro a canção, mas sobretudo como uma homenagem a Elis, a Cauby e ao próprio Guinga.

 

7 – Ilusão real (Guinga/Zé Miguel Wisnik)

 

Outro choro-canção, misterioso, que desafia o cantor com sua melodia complexa. A letra “em aberto”, de Wisnik, permite inúmeras percepções, interpretações. Estão aqui reunidos, numa canção, dois dos principais compositores da atualidade, que estão entre os meus preferidos, e em cujas obras eu me perco e me encontro.

 

8 – Nobreza da Maré (Guinga/Anna Paes/Simone Guimarães)

 

Única obra inédita do CD, Nobreza da Maré é uma rara parceria de Guinga com outras duas compositoras. Simone Guimarães já havia feito letras para algumas de suas melodias, mas creio ser essa a primeira vez que ele, além de dividir a autoria com duas mulheres, ainda compartilha a composição da música com uma delas, no caso, com Anna Paes. Isso é ainda mais interessante pelo fato da canção também prestar homenagem a uma mulher: a vereadora Marielle, assassinada há um ano no Rio de Janeiro. Um lindo e comovente choro que me foi apresentado pelo próprio Guinga, em 2018, quando chegamos a interpretá-la, meio de improviso, num show do StudioClio.

 

9 – Avenida Atlântica (Guinga/Thiago Amud)

 

Me encantei com esse samba-canção ao ouvi-lo numa gravação de Guinga com o clarinetista italiano Gabrielle Mirabassi. Na mesma hora perguntei a Guinga se tinha letra. Felizmente havia uma letra encantadora de Thiago Amud, outro parceiro constante do mestre carioca. Trata-se de uma canção suave e lírica como o vai e vem das ondas, e outra linda homenagem ao Rio de Janeiro.

 

10 – Nonsense (Guinga/Paulo César Pinheiro)

 

Essa composição é uma preciosidade das preciosidades. E pensar que Guinga e Paulo César Pinheiro a conceberam quando tinham por volta de 20 anos, apenas… Sua narrativa de um suicídio é feita em frases que, por serem articuladas de formas completamente inusuais, dão uma certa sensação de falta de sentido. Porém, os significados de fato estão sendo explicitados ali; basta ouvi-la uma segunda ou uma terceira vez, se debruçando mais sobre a letra. Depois de cantada uma vez inteira, a narração retorna, completa, com a mesma letra em português, mas com uma pronúncia forçadamente francesa, o que faz ampliar ainda mais essa sensação de nonsense, de não discernimento, de falta de lógica. As palavras em português “entoadas em francês”, promovem então uma desarticulação ainda maior, deslocando, misturando, escondendo ou revelando significados, aqui e ali. E a melodia dessa valsa que vai e volta, que avança e que novamente é retomada, se projeta de forma espiralada como num voo desnorteado, sugerindo ela também uma ação incompleta ou uma indecisão de chegar ao fim.

 

11 – Neblina e flâmulas (Guinga/Aldir Blanc)

 

Essa é uma canção que nos apresenta um Aldir Blanc mais lírico do que o usual. Me apaixonei por ela na primeira vez em que a ouvi, no CD que Leila Pinheiro gravou com as canções de Guinga. Sobretudo a melodia, sempre me deu vontade de chorar. Novamente os graves se impuseram, e eu imergi numa interpretação mais densa, fazendo sobressair um certo sentido de perdição que ela revela. Essa foi a única composição que, em nossos poucos encontros para definir o repertório do show, Guinga cogitou subir o tom. Mas eu me propus a cantá-la assim, no tom original como as demais canções, seguindo a navegar por suas profundezas. E adorei o resultado.

 

12 – Você, você (Guinga/Chico Buarque)

 

A única parceria desses dois mestres cariocas só poderia resultar nessa maravilha. Letra e música são tão misteriosas, tão perfeitas em si mesmas e em seu casamento, que foi um encantamento interpretá-la. E, para minha própria surpresa, essa foi uma das execuções que saíram mais de pronto. Foi só eu me deixar levar, seduzido por ela, por seu misto de devaneio e realidade, de vigilância e sono.

 

13 – Senhorinha (Guinga/Paulo César Pinheiro)

 

Creio que, junto com Bolero de Satã, essa é a canção mais conhecida de Guinga. E ela é também, possível e provavelmente, a mais amada pelo público, uma modinha que alia delicadeza e beleza em cada nota de sua primorosa melodia a uma letra plena do encanto e da sofisticação de uma história de contos de fadas. Há muitos anos, eu já havia registrado essa canção, apenas de modo demostrativo, para um outro projeto de disco que não chegou a acontecer. Agora, com sua bênção e tendo-o como guia, finalmente pude interpretá-la com Guinga.

 

14 – Navegante (Guinga/Paulo César Pinheiro)

 

Outra composição da juventude de Guinga e Paulo César Pinheiro, esse fado é uma beleza que, se não soubéssemos, julgaríamos ter sido feita por compositores mais maduros e experientes. Depois de todas as histórias narradas nas canções anteriores, essa me parecia a obra perfeita pra fechar o disco. Somos todos navegadores e seguimos rumos, queiramos ou não. Mas justamente aqui, imersos nesse universo de canções, o que fazemos, mais do que qualquer coisa, é ir em busca de emoção, soltos na imensidão. E o disco, que começou com uma espécie de testemunho sobre a música, termina ecoando a palavra coração.

Encontros com o Professor lança último livro da série de entrevistas. Vou ler o que nunca consegui assistir

Encontros com o Professor lança último livro da série de entrevistas. Vou ler o que nunca consegui assistir

Comunicação Cultura Notícias Poder

Eu nunca consegui ir no Encontros com o Professor. Como saia da TV após o horário do início do evento, nas vezes que tentei me deparei com o Studio Clio lotado e com gente aguardando do lado de fora. Não tinha como entrar e resignado eu ia em frente sabendo que tinha perdido a oportunidade de ouvir duas grandes pessoas, o Ruy e o entrevistado. Lamentei muitas das entrevistas que perdi. Para quem não sabe, no evento em formato de um talk-show, Ruy Carlos Ostermann recebia semanalmente um expoente da cultura brasileira para uma conversa informal com a participação do público. E aí com ele esbanjava cultura e charme. O Ruy é uma figura das mais carinhosas com quem trabalhei. Um sujeito de muito conteúdo, um leitor voraz e um ouvido atento a boa música. Um gentleman. Um profissional reconhecido como brilhante por onde passou: maravilhoso colunista em jornal, no rádio grande comentarista de futebol e  âncora de programas com seu estilo “erudito entendível” e passagens marcantes pela TV como o Dois Minutos de Futebol, um comentário que antecedia a programação jornalística da então TV Gaúcha e depois um programa de fim de noite, quando a Globo ainda permitia que suas afiliadas tivessem horários noturnos, o Plenário. Criado pelo Roberto Appell e produzido pela Monica O`May. O programa foi inovador, em formato de Arena, hoje muito utilizado na TV, mas naquela época não me lembro de algo semelhante.

Eu não vi o Professor no Studio Clio, mas não foram poucas as vezes que me acomodei no estúdio da Gaúcha e silenciosamente assisti o mestre sendo generoso com seus entrevistados(na foto do grande Ricardo “Kadão” Chaves, Ruy entrevista Caco Barcellos no lançamento de Rota 66. Márcio Pinheiro preparava uma reportagem para Zero Hora e eu quieto, bebendo na fonte). Substitui o Ruy algumas vezes e me limitei a não inventar. Ostermann é um grande entrevistador e no meu caso uma inspiração. Ele sempre conseguiu facilitar a aproximação do público de temas e pessoas que normalmente circulam em espaços restritos e elitizados. Tanto no Gaúcha Entrevista, quanto no Encontros… Um evento que finalizava com apresentações musicais de grupos locais, caracterizados pela extrema qualidade do trabalho e pela pouca repercussão na mídia comercial do país. Por sinal, acompanhado do produtor Paulo Moreira, Ruy abriu espaço para músicos locais de jazz em um programa que comandou na então Itapema FM. Durante uma hora, em meio a Coltrane, Gillespie, Miles e tantos outros… volta e meia surgia um “jazzista nativo”. Em uma evolução do programa resolveram tira-lo do estúdio e levar para o Solar Palmeiro, onde realizaram Jazz Sessions. Bem bacanas! Bons tempos…

Completando dez anos ininterruptos, o projeto Encontros com o Professor chega ao oitavo (e último) volume do livro que registra a série de entrevistas realizadas por Ruy Carlos Ostermann. No dia 8 de outubro, às 19h, no StudioClio, local que durante seis anos recebeu o projeto da Signi, encerra-se o ciclo de conversas comandadas pelo Professor ao longo desse período com a publicação das entrevistas realizadas em 2012 e 2013. Esses dois últimos anos do evento, os encontros aconteceram no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. O livro Encontros com o Professor – Cultura Brasileira em Entrevista trará a síntese dos encontros com Ná Ozzetti, Fanny Abramovich, Adão Iturrusgarai, Amanda Costa, André Neves, Luiz Coronel, Mario Prata, Ivo Nesralla, Fabiano de Souza, Gustavo Spolidoro, Luís Augusto Fischer, Sergius Gonzaga, Luis Fernando Verissimo, Enéas de Souza, Cláudia Laitano e os comunicadores do Sala de Redação.

Infelizmente, em função das férias agendadas há algum tempo não vou poder buscar o autógrafo do mestre. Mas, por gentileza da Cristiane Ostermann, que já me enviou o livro vou levar Ruy e seus entrevistados para tomar sol no litoral nordestino. Antecipadamente meus desejo de sucesso e um beijo professor! Muito obrigado pelos ensinamentos e pela oportunidade de acompanhar tão próximo teu trabalho genial.

 

SERVIÇO

Encontros com o Professor – Cultura Brasileira em Entrevista

Lançamento do 8° livro da série

Data: 08/10/2015

Horário: 19h

Local: StudioClio (Rua José do Patrocínio, 689 – Cidade Baixa, Porto Alegre)

Valor de capa: R$ 20,00