Temer vai propor flexibilizar jornada de trabalho e salários. Reforma trabalhista daria mais força às negociações coletivas

Temer vai propor flexibilizar jornada de trabalho e salários. Reforma trabalhista daria mais força às negociações coletivas

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A flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) está na mira do governo Michel Temer. A ideia é privilegiar as negociações coletivas, em que patrões e empregados acertem redução de jornada e salários, informa GERALDA DOCA. Poderiam ser negociados, por exemplo, o parcelamento de 13º e um intervalo de almoço menor. A terceirização da atividade- fim, já aprovada pela Câmara, seria parte da reforma. Especialistas, porém, estão divididos. Para alguns, flexibilização estimularia a criação de vagas, mas outros veem inconstitucionalidade. E as principais centrais sindicais avisam: são contra. (O Globo)

Presidente da Farsul está otimista com governo interino

Presidente da Farsul está otimista com governo interino

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O presidente do Sistema Farsul, Carlos Sperotto, está otimista com os últimos acontecimentos no cenário político nacional. Sperotto ressaltou que o setor agropecuário do Rio Grande do Sul apoiou todo o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Segundo ele, foi muito importante a unidade de todo o setor agropecuário das posições emanadas pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O presidente do Sistema Farsul diz que não tem dúvida de que as mudanças virão e lembrou que muitas coisas foram originadas e nascidas na CNA pela senadora Kátia Abreu no período que desenvolveu o Ministério. “Temos uma visão positiva do novo governo já com a redução de dez ministérios. Isso sinaliza a diminuição do gasto público e estamos aí para contribuir com o novo governo”, conta. Sobre a indicação de Blairo Maggi para a pasta da Agricultura, Sperotto destacou que o Rio Grande do Sul tinha a senadora Ana Amélia Lemos como nome prioritário para a tarefa, mas a parlamentar declinou e se dispôs a apoiar o setor. Depois de conversas com o novo ministro, o setor decidiu apoia-lo. A principal reivindicação do segmento, em consonância com o Paraná, é uma política para o trigo. Além disso, temas como defesa, comércio internacional entram na pauta em políticas de médio e longo prazo.

 

Ouça entrevista com o presidente do Sistema Farsul, Carlos Sperotto

Desafio de Temer será conseguir suporte em medidas impopulares

Desafio de Temer será conseguir suporte em medidas impopulares

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Passado o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, no entorno do vice-presidente Michel Temer, segundo interlocutores, a discussão passa a ser como dosar medidas impopulares, como cortes nos gastos, com sinalizações para uma população agastada pelas crises na economia e na política. Os dois, aparentemente contraditórios, são urgentes. Tudo ainda será pesado politicamente, mas a tendência é que não seja colocada na rua, logo no início, uma proposta de reforma da Previdência, por exemplo, que poderia se converter em munição para a tropa dilmista, que ficará entrincheirada no Palácio da Alvorada. Além disso, não contribuiria para pacificar as ruas. Assim, há muito cuidado na definição do “timing” de apresentação das propostas de reforma. Há aliados de Temer sugerindo que ele comece com medidas “doces”. Por exemplo, criando um programa de crédito para as famílias que caíram na inadimplência.

O cuidado com as medidas “amargas” decorre do fato de que o apoio político a elas é menor do que a votação deste domingo (17) pode dar a entender. “O suporte para a saída da presidente não é o mesmo para uma coalizão liderada por Temer e uma agenda de ajustes na economia”, avaliou o cientista político Rafael Cortez da consultoria Tendências.

Isso porque Temer e o PMDB são opções de poder para a próxima eleição presidencial, explicou. Isso os coloca numa posição ambivalente em relação a seu principal aliado no processo de afastamento de Dilma, o PSDB. Por um lado, eles compartilham uma responsabilidade sobre o que vier a ocorrer. Por outro, disputam a liderança do antipetismo.

Além disso, está em curso um processo de reorganização no universo dos partidos. A dinâmica que vigorou desde os anos 1990 até 2014, com o PT e o PSDB protagonizando a disputa federal e os demais partidos gravitando em torno deles, se foi. Agora, todos buscam ampliar seu espaço. Assim, o vice-presidente não contaria com a boa vontade que foi dispensada a Itamar Franco (1992-1995), na época impedido de disputar a reeleição.

O professor José Matias-Pereira, da Universidade de Brasília, acredita que Temer não tentará concorrer à reeleição, caso assuma o governo, por entender que chegou a essa condição para cumprir um papel constitucional. “Ele chega numa situação bastante interessante e propícia para fazer o que é necessário.”

“O ganho pode vir da capacidade de Temer de construir um marco regulatório e um ambiente favorável para os investimentos”, disse. O programa de concessões, por exemplo, não depende do Congresso e tem uma agenda em andamento. Há investidores interessados nos empreendimentos, aguardando uma melhor definição do quadro político e econômico.

Da mesma forma, há espaço para avançar nas reformas microeconômicas, que também poderão gerar efeitos positivos na economia. Para Matias-Pereira, o principal ganho viria com a montagem de uma equipe de pessoas competentes. (R7)