Canoas: Médicos anunciam restrição nos atendimentos do HPS e das UPAs Caçapava e Rio Branco. Justiça determina que Gamp apresente soluções em 48 horas

Canoas: Médicos anunciam restrição nos atendimentos do HPS e das UPAs Caçapava e Rio Branco. Justiça determina que Gamp apresente soluções em 48 horas

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Em assembleia realizada no início da tarde desta quarta-feira (20/12), os médicos ligados ao Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp) decidiram estabelecer uma restrição de atendimentos no Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC) e também nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Caçapava e Rio Branco entre os dias 26 e 28 de dezembro. Nesse período, somente 30% dos médicos atenderão casos considerados graves. Urgências e emergências seguirão com 100% da capacidade atual – ainda que as unidades estejam com sérias restrições de materiais e medicamentos fundamentais para o atendimento. Todos os profissionais deverão registrar o ponto normalmente.

“Ao final de dois dias, uma nova assembleia será realizada para decidir a continuidade ou não da restrição – nesse caso, por tempo indeterminado”, explica a diretora do Simers Gisele Lobato. Durante a restrição, o Simers recomenda que a população de Canoas somente busque atendimento no HPSC ou nas UPAs em casos de extrema urgência. Para demandas de baixa complexidade, a população deve procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) mais próximas.

O alerta também vale para os outros 147 municípios que encaminham seus enfermos para as unidades de saúde canoenses. “Até o dia 26, imaginamos que a Secretaria de Saúde de Canoas já terá se capacitado para receber esses pacientes em outro lugar que não seja o HPSC ou as UPAs”, indica Gisele.

O objetivo da restrição é chamar a atenção da população para as más condições das instituições de saúde administradas pelo Gamp em Canoas. Há mais de um ano, o Simers vem denunciando o sucateamento, desabastecimento e precariedade dessas unidades – que impõem sérios riscos à saúde da população que busca atendimento na cidade.

Relatos obtidos pelo Simers junto aos médicos dão conta de situações críticas. Muitos pacientes são obrigados a adquirir por conta própria os medicamentos prescritos no momento dos procedimentos. Além disso, os equipamentos de anestesia estão obsoletos e sabe-se de casos em que foi necessário reaproveitar seringas nos mesmos pacientes para lidar com a falta desse material.

Segundo Gisele, a restrição nos atendimentos também se dá em função dos atrasos salariais. Ela lembra que alguns médicos não-celetistas estão com a remuneração atrasada pelo Gamp há pelo menos cinco meses. “Além disso, desde que assumiu a gestão da saúde em Canoas, em dezembro de 2016, o Gamp jamais depositou um centavo sequer no FGTS dos médicos”, aponta Gisele.

Gamp terá 48 horas para apontar soluções:

Ainda nesta quarta-feira, o juízo da 3ª Vara do Trabalho de Canoas determinou que o Gamp seja notificado por um oficial de justiça de plantão, em regime de urgência, para que preste esclarecimentos sobre a situação dos atendimentos em até 48 horas. No mesmo prazo, a organização deverá comprovar o pagamento dos salários de novembro, sob pena de multa de 10% do valor devido a cada empregado.

SIMERS alerta: irregularidades ameaçam atendimento nas UPAs Niterói e Guajuviras, em Canoas

Falta de materiais, medicamentos e segurança ameaçam o atendimento médico nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Niterói e Guajuviras, em Canoas. O SIMERS comunicou a situação ao Conselho Federal de Medicina (Cremers) e ao responsável pelas escalas médicas dos estabelecimentos. A entidade reivindicou providências urgentes quanto as irregularidades.

Conforme os profissionais dos locais, há diversos registros de invasão nas UPAS e ameaças de agressão física aos trabalhadores nos últimos 10 dias. Além disso, os médicos estão sem receber suas remunerações desde julho.

Ministro da Saúde anuncia novo modelo de financiamento para UPAs. Ricardo Barros diz que a partir de agora caberá ao gestor municipal definir como cada unidade vai funcionar

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O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse nessa manhã, em entrevista à Rádio Guaíba, que as 12 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Rio Grande do Sul que estavam desativadas e operam de forma precária tiveram sua estrutura de funcionamento alterada para otimizar o atendimento à população. O ministro explicou que as alterações no modelo são necessárias para a continuidade do repasse de verbas. “Seguem garantidos os 50% de custeio da União com a economia de recursos feita pelo executivo”, destacou. A partir de agora, caberá ao gestor municipal definir como cada unidade vai funcionar.

Ao ser questionado sobre as consequências da PEC 241 que tramita no Congresso e prevê o contingenciamento de gastos públicos, o ministro garantiu que não haverá prejuízos para a saúde e educação. “O que o governo estabeleceu foi um teto de gastos global para o executivo. Nesse panorama, a Previdência Social vai consumir mais recursos que a educação, por exemplo”.

Barros destacou que o piso mínimo estabelecido impõe um limite que certamente será complementado por meio de emendas parlamentares. Disse que a prioridade do governo é investir em gestão e informatização da Saúde. “O projeto prevê a integração dos postos de saúde e secretarias municipais de todo o País para fazer um controle global dos recursos públicos”, detalhou. (Felipe Vieira com texto de Luis Tósca/Rádio Guaíba)