Duda Melzer nega possibilidade de venda da RBS Rio Grande do Sul para Carlos Sanchez

Duda Melzer nega possibilidade de venda da RBS Rio Grande do Sul para Carlos Sanchez

Comunicação Destaque Negócios

O presidente do Grupo RBS, Duda Melzer, afirma que a nota publicada na coluna Radar, da Veja, não corresponde a realidade. Conversei hoje com Duda Melzer, que foi categórico: “Eu te afirmo que não é verdade. Não estamos vendendo a RBS/RS. Ao contrário, tivemos um 2017 sensacional. Com crescimento de audiência e de resultados. Distribuímos o maior PPR dos últimos 8 anos. Estamos com vários projetos de inovação nos nossos negócios e nos nossos produtos.” Ele promete a divulgação dos números de crescimento para os próximos dias.

Desde que a  coluna Radar On-Line da Revista Veja divulgou nesta sexta-feira(23.02) que existem negociações para venda dos ativos da RBS no Rio Grande do Sul, o assunto repercutiu forte e foi propagado especialmente via whatsapp. Só esse colunista recebeu a mensagem de mais de uma dezena de pessoas e em diferentes grupos.  O texto do Radar da Veja diz : “Plantão de Notícias. Estão avançadas as negociações entre a família Sirotsky e Carlos Sanchez para a venda total da RBS. Trata-se de um negócio de 2 bilhões de reais, envolvendo doze emissoras de TV, quinze de rádio e três jornais. Há dois anos, Sanchez comprou a filial catarinense.”

Ex-presidente da OAS delata ministro do STF Dias Toffoli

Ex-presidente da OAS delata ministro do STF Dias Toffoli

Comunicação Destaque Direito Poder Política

Em proposta de colaboração com a Justiça, Léo Pinheiro fala de suas relações com o magistrado e de uma obra em sua “mansão de revista”

Era um encontro de trabalho como muitos que acontecem em Brasília. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e o empreiteiro José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, então presidente da construtora OAS, já se conheciam, mas não eram amigos nem tinham intimidade. No meio da conversa, o ministro falou sobre um tema que lhe causava dor de cabeça. Sua casa, localizada num bairro nobre de Brasília, apresentava infiltrações e problemas na estrutura de alvenaria. De temperamento afável e voluntarioso, o empreiteiro não hesitou. Dias depois, mandou uma equipe de engenheiros da OAS até a residência de Toffoli para fazer uma vistoria. Os técnicos constataram as avarias, relataram a Léo Pinheiro que havia falhas na impermeabilização da cobertura e sugeriram a solução. É um serviço complicado e, em geral, de custo salgado. O empreiteiro indicou uma empresa especializada para executar o trabalho. Terminada a obra, os engenheiros da OAS fizeram uma nova vistoria para se certificarem de que tudo estava de acordo. Estava. O ministro não teria mais problemas com as infiltrações — mas só com as infiltrações.

A história descrita está relatada em um dos capítulos da proposta de delação do empreiteiro Léo Pinheiro, apresentada recentemente à Procuradoria-Ge­ral da República e à qual VEJA teve acesso. Condenado a dezesseis anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo do petrolão, Léo Pinheiro decidiu confessar seus crimes para não passar o resto dos seus dias na cadeia. Para ganhar uma redução de pena, o executivo está disposto a sacrificar a fidelidade de longa data a alguns figurões da República com os quais conviveu de perto na última década. As histórias que se dispõe a contar, segundo os investigadores, só são comparáveis às do empreiteiro Marcelo Odebrecht em poder destrutivo. No anexo a que VEJA teve acesso, pela primeira vez uma delação no âmbito da Lava-Jato chega a um ministro do Supremo Tribunal Federal.

No documento, VEJA constatou que Léo Pinheiro, como é próprio nas propostas de delação, não fornece detalhes sobre o encontro entre ele e Dias Toffoli. Onde? Quando? Como? Por quê? Essas são perguntas a que o candidato a delator responde apenas numa segunda etapa, caso a colaboração seja aceita. Nessa primeira fase, ele apresenta apenas um cardápio de eventos que podem ajudar os investigadores a solucionar crimes, rastrear dinheiro, localizar contas secretas ou identificar personagens novos. É nesse contexto que se insere o capítulo que trata da obra na casa do ministro do STF.

Tal como está, a narrativa de Léo Pinheiro deixa uma dúvida central: existe algum problema em um ministro do STF pedir um favor despretensioso a um empreiteiro da OAS? Há um impedimento moral, pois esse tipo de pedido abre brecha para situações altamente indesejadas, mas qual é o crime? Léo Pinheiro conta que a empresa de im­per­mea­bi­li­za­ção que indicou para o serviço é de Brasília e diz mais: que a correção da tal impermeabilização foi integralmente custeada pelo ministro Tof­fo­li. Então, onde está o crime? A questão é que ninguém se propõe a fazer uma delação para contar frivolidades. Portanto, se Léo Pinheiro, depois de meses e meses de negociação, propôs um anexo em que menciona uma obra na casa do ministro Toffoli, isso é um sinal de que algo subterrâneo está para vir à luz no momento em que a delação for homologada e os detalhes começarem a aparecer.

Para ler a reportagem na íntegra, compre a edição desta semana de VEJA noiOS, Android ou nas bancas. E aproveite: todas as edições de VEJA Digital por 1 mês grátis no iba clube.

Veja: Empreiteira delata ministro do Supremo

Veja: Empreiteira delata ministro do Supremo

Destaque

A principal manchete de capa da revista Veja desta semana é: EMPREITEIRA DELATA MINISTRO DO SUPREMO. A revista não liberou ainda o resumo da reportagem em seu site. Mas, já se sabe que a  edição trata de uma parte da colaboração premiada do presidente da OAS, Leo Pinheiro, onde Dias Toffoli, ministro do STF está citado como recebedor de propinas da empreiteira.

Léo Pinheiro conta ainda detalhes das negociações que manteve com Lula para reformar o sítio de Atibaia e o triplex do Guarujá, apartamento vizinho ao que ontem teve sua proprietária indiciada pelo juiz Sergio Moro. A veja deve divulgar em instantes um resumo da reportagem bomba denunciando o Ministro Dias Toffoli como mais um dos recebedores de propina no esquema que segue sendo desvendado pela Operação Lava Jato.

DURANTE A MADRUGADA VEJA LIBEROU UM TRECHO DA REPORTAGEM

Ex-presidente da OAS delata ministro do STF Dias Toffoli

Em proposta de colaboração com a Justiça, Léo Pinheiro fala de suas relações com o magistrado e de uma obra em sua “mansão de revista”

Era um encontro de trabalho como muitos que acontecem em Brasília. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e o empreiteiro José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, então presidente da construtora OAS, já se conheciam, mas não eram amigos nem tinham intimidade. No meio da conversa, o ministro falou sobre um tema que lhe causava dor de cabeça. Sua casa, localizada num bairro nobre de Brasília, apresentava infiltrações e problemas na estrutura de alvenaria. De temperamento afável e voluntarioso, o empreiteiro não hesitou. Dias depois, mandou uma equipe de engenheiros da OAS até a residência de Toffoli para fazer uma vistoria. Os técnicos constataram as avarias, relataram a Léo Pinheiro que havia falhas na impermeabilização da cobertura e sugeriram a solução. É um serviço complicado e, em geral, de custo salgado. O empreiteiro indicou uma empresa especializada para executar o trabalho. Terminada a obra, os engenheiros da OAS fizeram uma nova vistoria para se certificarem de que tudo estava de acordo. Estava. O ministro não teria mais problemas com as infiltrações — mas só com as infiltrações.

A história descrita está relatada em um dos capítulos da proposta de delação do empreiteiro Léo Pinheiro, apresentada recentemente à Procuradoria-Ge­ral da República e à qual VEJA teve acesso. Condenado a dezesseis anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo do petrolão, Léo Pinheiro decidiu confessar seus crimes para não passar o resto dos seus dias na cadeia. Para ganhar uma redução de pena, o executivo está disposto a sacrificar a fidelidade de longa data a alguns figurões da República com os quais conviveu de perto na última década. As histórias que se dispõe a contar, segundo os investigadores, só são comparáveis às do empreiteiro Marcelo Odebrecht em poder destrutivo. No anexo a que VEJA teve acesso, pela primeira vez uma delação no âmbito da Lava-Jato chega a um ministro do Supremo Tribunal Federal.

No documento, VEJA constatou que Léo Pinheiro, como é próprio nas propostas de delação, não fornece detalhes sobre o encontro entre ele e Dias Toffoli. Onde? Quando? Como? Por quê? Essas são perguntas a que o candidato a delator responde apenas numa segunda etapa, caso a colaboração seja aceita. Nessa primeira fase, ele apresenta apenas um cardápio de eventos que podem ajudar os investigadores a solucionar crimes, rastrear dinheiro, localizar contas secretas ou identificar personagens novos. É nesse contexto que se insere o capítulo que trata da obra na casa do ministro do STF.

Tal como está, a narrativa de Léo Pinheiro deixa uma dúvida central: existe algum problema em um ministro do STF pedir um favor despretensioso a um empreiteiro da OAS? Há um impedimento moral, pois esse tipo de pedido abre brecha para situações altamente indesejadas, mas qual é o crime? Léo Pinheiro conta que a empresa de im­per­mea­bi­li­za­ção que indicou para o serviço é de Brasília e diz mais: que a correção da tal impermeabilização foi integralmente custeada pelo ministro Tof­fo­li. Então, onde está o crime? A questão é que ninguém se propõe a fazer uma delação para contar frivolidades. Portanto, se Léo Pinheiro, depois de meses e meses de negociação, propôs um anexo em que menciona uma obra na casa do ministro Toffoli, isso é um sinal de que algo subterrâneo está para vir à luz no momento em que a delação for homologada e os detalhes começarem a aparecer.

Para ler a reportagem na íntegra, compre a edição desta semana de VEJA noiOS, Android ou nas bancas. E aproveite: todas as edições de VEJA Digital por 1 mês grátis no iba clube.

Delegado da PF confirma informações de Veja. Revista garante que PGR não tem mais dúvidas de que Lula comandou trama contra a Lava Jato

Delegado da PF confirma informações de Veja. Revista garante que PGR não tem mais dúvidas de que Lula comandou trama contra a Lava Jato

dilma Notícias Poder Política
Parceria: Em acordo de delação premiada, o ex-senador Delcídio do Amaral revelou que seguia ordens do ex-presidente
Parceria: Em acordo de delação premiada, o ex-senador Delcídio do Amaral revelou que seguia ordens do ex-presidente. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/VEJA

Em sua última aparição pública, na manhã de quinta-feira, Lula estava abatido. Cabelos desgrenhados, cabisbaixo, olhar vacilante, entristecido. Havia motivos mais que suficientes para justificar o comportamento distante. Afinal, Dilma Rousseff, a sucessora escolhida por ele para dar sequência ao projeto de poder petista, estava sendo apeada do cargo. O fracasso dela era o fracasso dele. Isso certamente fragilizou o ex-presidente, mas não só. Há dois anos, Lula vê sua biografia ser destruída capítulo a capítulo. Seu governo é considerado o mais corrupto da história. Seus amigos mais próximos estão presos. Seus antigos companheiros de sindicato cumprem pena no presídio. Seus filhos são investigados pela polícia. Dilma, sua invenção, perdeu o cargo. O PT, sua maior criação, corre o risco de deixar de existir. E para ele, Lula, o futuro, tudo indica, ainda reserva o pior dos pesadelos. O outrora presidente mais popular da história corre o risco real de também se tornar o primeiro presidente a ser preso por cometer um crime.

VEJA teve acesso a documentos que embasam uma denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente. São mensagens eletrônicas, extratos bancários e telefônicos que mostram, segundo os investigadores, a participação de Lula numa ousada trama para subornar uma testemunha e, com isso, tentar impedir o depoimento dela, que iria envolver a ele, a presidente Dilma e outros petistas no escândalo de corrupção na Petrobras. Se comprovada a acusação, o ex-presidente terá cometido crime de obstrução da Justiça, que prevê uma pena de até oito anos de prisão. Além disso, Lula é acusado de integrar uma organização criminosa. Há dois meses, para proteger o ex-presidente de um pedido de prisão que estava nas mãos do juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, a presidente Dilma nomeou Lula ministro de Estado, o que lhe garantiu foro privilegiado. Na semana passada, exonerado do governo, a proteção acabou.

Há várias investigações sobre o ex-­presidente. De tráfico de influência a lavagem de dinheiro. Em todas elas, apesar das sólidas evidências, os investigadores ainda estão em busca de provas. Como Al Capone, o mafioso que sucumbiu à Justiça por um deslize no imposto de renda, Lula pode ser apanhado por um crime menor. Após analisar quebras de sigilo bancário e telefônico e cruzar essas informações com dados de companhias aéreas, além de depoimentos de delatores da Lava-Jato, o procurador-geral Rodrigo Janot concluiu que Lula exerceu papel de mando numa quadrilha cujo objetivo principal era minar o avanço das investigações do petrolão. Diz o procurador-geral: “Ocupando papel central, determinando e dirigindo a atividade criminosa praticada por Delcídio do Amaral, André Santos Esteves, Edson de Siqueira Ribeiro, Diogo Ferreira Rodrigues, José Carlos Costa Marques Bumlai e Maurício de Barros Bumlai (…), Luiz Inácio Lula da Silva impediu e/ou embaraçou a investigação criminal que envolve organização criminosa”.

Veja: #FERA,ODIADO E DO MAL. Eduardo Cunha já o político mais rejeitado do País: Oito em cada dez brasileiros querem sua cassação

Veja: #FERA,ODIADO E DO MAL. Eduardo Cunha já o político mais rejeitado do País: Oito em cada dez brasileiros querem sua cassação

Comunicação Notícias Poder Política

Eduardo Cunha: uma unanimidade nacional, De aliado a algoz do governo, Eduardo Cunha encarna o papel do político mais detestado do país, inclusive entre os defensores do impeachment de Dilma, e volta a recorrer a infindáveis manobras para escapar da guilhotina — até quando? por: Daniel Pereira e Thiago Prado

Lya Luft comunica saída da VEJA através das redes sociais

Lya Luft comunica saída da VEJA através das redes sociais

Comunicação Cultura Notícias

Em um breve post na rede social Facebook, a brilhante escritora Lya Luft, comunicou que deixará de escrever a coluna da VEJA:
” Comunico aos meus amigos e leitores, sobretudo da revista Veja onde escrevi por treze anos ,com orgulho e alegria, a coluna Ponto de Vista:A vida funciona por ciclos. O artigo sobre um Brasil leiloado, do fim de semana passado, foi o ultimo na Veja.Nao se abre espaço para conjeturas: é uma separaçao amigavel, tranquila e consensual. Foi um longo belo tempo de desafios e aprendizado, amizade e respeito,e só tenho a agradecer.”

Delcídio: “Lula comandava o esquema”. Delcídio do Amaral, ex-líder do governo, diz que tanto Lula como Dilma tinham pleno conhecimento da corrupção na Petrobras — e, juntos, tramaram para sabotar as investigações, inclusive vazando informações sigilosas para os investigados

Delcídio: “Lula comandava o esquema”. Delcídio do Amaral, ex-líder do governo, diz que tanto Lula como Dilma tinham pleno conhecimento da corrupção na Petrobras — e, juntos, tramaram para sabotar as investigações, inclusive vazando informações sigilosas para os investigados

Comunicação Notícias Poder Política Publicidade
Delcídio do Amaral
O Senador Delcídio do Amaral. Foto: Jefferson Coppola/VEJA

O senador Delcídio do Amaral participou do maior ato político da história do país. No domingo 13, ele pegou uma moto Harley-Davidson, emprestada do irmão, e rumou para a Avenida Paulista, onde protestou contra a corrupção e o governo do qual já foi líder. Delcídio se juntou à multidão sem tirar o capacete. Temia ser reconhecido e hostilizado. Com medo de ser obrigado pela polícia a remover o disfarce, ficou pouco tempo entre os manifestantes, o suficiente para perceber que tomara a decisão correta ao colaborar para as investigações. “Errei, mas não roubei nem sou corrupto. Posso não ser santo, mas não sou bandido.” Na semana passada, Delcídio conversou com VEJA por mais de três horas. Emocionou-se ao falar da família e ao revisitar as agruras dos três meses de prisão. Licenciado do mandato por questões médicas, destacou o papel de comando de Lula no petrolão, o de Dilma como herdeira e beneficiária do esquema e a trama do governo para tentar obstruir as investigações da Lava-Jato. O ex-líder do governo quer acertar suas contas com a sociedade ajudando as autoridades a unir os poucos e decisivos pontos que ainda faltam para expor todo o enredo do mais audacioso caso de corrupção da história. A seguir, suas principais revelações.

Por que delatar o governo do qual o senhor foi líder?

Eu errei ao participar de uma operação destinada a calar uma testemunha, mas errei a mando do Lula. Ele e a presidente Dilma é que tentam de forma sistemática obstruir os trabalhos da Justiça, como ficou claro com a divulgação das conversas gravadas entre os dois. O Lula negociou diretamente com as bancadas as indicações para as diretorias da Petrobras e tinha pleno conhecimento do uso que os partidos faziam das diretorias, principalmente no que diz respeito ao financiamento de campanhas. O Lula comandava o esquema.

Qual é o grau de envolvimento da presidente Dilma?

A Dilma herdou e se beneficiou diretamente do esquema, que financiou as campanhas eleitorais dela. A Dilma também sabia de tudo. A diferença é que ela fingia não ter nada a ver com o caso.

Lula e Dilma atuam em sintonia para abafar as investigações?

Nem sempre foi assim. O Lula tinha a certeza de que a Dilma e o José Eduardo Cardozo (ex-ministro da Justiça, o atual titular da Advocacia-Geral da União) tinham um acordo cujo objetivo era blindá-la contra as investigações. A condenação dele seria a redenção dela, que poderia, então, posar de defensora intransigente do combate à corrupção. O governo poderia não ir bem em outras frentes, mas ela seria lembrada como a presidente que lutou contra a corrupção.

Como o ex-presidente reagia a essa estratégia de Dilma?

Com pragmatismo. O Lula sabia que eu tinha acesso aos servidores da Petrobras e a executivos de empreiteiras que tinham contratos com a estatal. Ele me consultava para saber o que esses personagens ameaçavam contar e os riscos que ele, Lula, enfrentaria nas próximas etapas da investigação. Mas sempre alegava que estava preocupado com a possibilidade de fulano ou beltrano serem alcançados pela Lava-Jato. O Lula queria parecer solidário, mas estava mesmo era cuidando dos próprios interesses. Tanto que me pediu que eu procurasse e acalmasse o Nestor Cerveró, o José Carlos Bumlai e o Renato Duque. Na primeira vez em que o Lula me procurou, eu nem era líder do governo. Foi logo depois da prisão do Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, preso em março de 2014). Ele estava muito preocupado. Sabia do tamanho do Paulo Roberto na operação, da profusão de negócios fechados por ele e do amplo leque de partidos e políticos que ele atendia. O Lula me disse assim: “É bom a gente acompanhar isso aí. Tem muita gente pendurada lá, inclusive do PT”. Na época, ninguém imaginava aonde isso ia chegar.

Quem mais ajudava o ex-presidente na Lava-Jato?

O cara da confiança do Lula é o ex-deputado Sigmaringa Seixas (advogado do ex-presidente e da OAS), que participou ativamente da escolha de integrantes da cúpula do Poder Judiciário e tem relação de proximidade com ministros dos tribunais superiores.

Quando Lula e Dilma passam a trabalhar juntos contra a Lava-Jato?

A presidente sempre mantinha a visão de que nada tinha a ver com o petrolão. Ela era convencida disso pelo Aloizio Mercadante (o atual ministro da Educação), para quem a investigação só atingiria o governo anterior e a cúpula do Congresso. Para Mercadante, Dilma escaparia ilesa, fortalecida e pronta para imprimir sua marca no país. Lula sabia da influência do Mercadante. Uma vez me disse que, se ele continuasse atrapalhando, revelaria como o ministro se safou do caso dos aloprados (em setembro de 2006, assessores de Mercadante, então candidato ao governo de São Paulo, tentaram comprar um dossiê fajuto contra o tucano José Serra). O Lula me disse uma vez bem assim: “Esse Mercadante… Ele não sabe o que eu fiz para salvar a pele dele”.

O que fez a presidente mudar de postura?

O cerco da Lava-­Jato ao Palácio do Planalto. O petrolão financiou a reeleição da Dilma. O ministro Edinho Silva, tesoureiro da campanha em 2014, adotou o achaque como estratégia de arrecadação. Procurava os empresários sempre com o mesmo discurso: “Você está com a gente ou não está? Você quer ou não quer manter seus contratos?”. A extorsão foi mais ostensiva no segundo turno. O Edinho pressionou Ricardo Pessoa, da UTC, José Antunes, da Engevix, e Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez. Acho que Lula e Dilma começaram a ajustar os ponteiros em meados do ano passado. Foi quando surgiu a ideia de nomeá-lo ministro.

Compre a edição desta semana no iOS, Android ou nas bancas. E aproveite: todas as edições de VEJA Digital por 1 mês grátis no iba clube.

Blog da Veja traz reportagem sobre venda da RBS. Com aquisição, dupla de bilionários abre nova frente de diversificação; por Luís Lima/Veja

Blog da Veja traz reportagem sobre venda da RBS. Com aquisição, dupla de bilionários abre nova frente de diversificação; por Luís Lima/Veja

Comunicação Negócios Notícias Poder

A venda de oito veículos de comunicação da RBS em Santa Catarina ao Grupo NC, anunciada na última semana, surpreendeu menos por sua conclusão – a venda da operação catarinense do grupo sediado no Rio Grande do Sul foi alvo recorrente de rumores nos últimos anos – e mais pelos personagens envolvidos. Por que Carlos Sanchez e Lirio Parisotto, dois dos homens mais ricos do Brasil, segundo o ranking de bilionários da revista Forbes, ingressaram em um setor em que sequer atuam? E pagando uma fortuna – não confirmada oficialmente – de pelo menos 700 milhões de reais?

Ocorre que, embora surpreendente, a aquisição foi resultado de namoro antigo. Há pelo menos três anos os investidores tentavam acertar a compra da RBS em Santa Catarina, segundo uma fonte a par das tratativas ouvida pelo site de VEJA. E, a despeito da crise econômica – ou, talvez, também por causa dela -, Sanchez e Parisotto, com poucas opções no estagnado mercado de capitais, viram-se obrigados a olhar para os lados.

Nessa olhada de esguelha, depararam-se mais uma vez com a cobiçada operação catarinense da RBS. Segundo uma pessoa próxima a Parisotto, que pediu anonimato, o empresário passou a ter mais tempo para garimpar oportunidades de negócio desde que a Videolar, empreendimento que deu origem a sua fortuna, mudou sua principal área de atuação: em vez da fabricação de mídias removíveis, como CDs, DVDs e discos Blu-ray – segmento da indústria petroquímica que envolve uma cadeia de produção mais complexa -, a empresa passou a atuar no de refinamento de petróleo, mais simples.

Um estímulo extra para a aquisição é a vocação de Santa Catarina para a inovação. O Estado tem várias incubadoras de startups e centros de ensino que formam mão de obra para atuar em novas mídias, área que, para reduzir custos, os compradores querem priorizar no grupo. Esses fatores, segundo essa mesma fonte, motivaram o empresário a fechar negócio com a família Sirotsky, então dona da RBS.

A força do grupo em Santa Catarina, destino de mais da metade da verba publicitária do Estado, além de sua firme líderança de audiência, limitam os riscos da operação, segundo profissionais dos mercados publicitário e de mídia consultados pelo site de VEJA. Esses fatores contrabalançam o fato de Santa Catarina ser um Estado sencundário no mercado publicitário. Em 2014, o setor movimentou 1,19 bilhão de reais, segundo o Instituto Mapa, ou menos de 2% do ‘PIB publicitário’ nacional.

Lirio Parisotto e Carlos Sanchez são descritos como empresários “com sangue nos olhos”. Apesar da inexperiência no segmento da comunicação, os compradores do braço catarinense da RBS não desembarcaram no Estado para perder dinheiro, afirmam as fontes.”Os novos compradores não vieram para manter, mas para mexer, mudar e fazer crescer”, diz Paulo Alceu, jornalista catarinense que, no começou de fevereiro, deu a notícia do acordo em primeira mão.

A percepção de Alceu é ancorada nas palavras do próprio Sanchez. Em vídeo gravado por um colaborador, o empresário destaca que o novo grupo é uma empresa líder – e que ele gosta de empresas líderes.”Nós encontramos essa oportunidade aqui no Sul (…) Ela [RBS no Estado] tem mais audiência relativamente do que outras emissoras da Globo. Temos jornais aqui que são todos líderes”, afirmou. “Nós queremos crescer aqui dentro. O que dá pra ser explorado e conquistado dentro da mídia do Estado? Temos TV, jornais, rádios. O que mais podemos ter? Onde podemos crescer? Esse é nosso objetivo.”

Venda x Operação Zelotes – Por parte da RBS, o interesse da venda coincide com a citação do grupo na Operação Zelotes, da Polícia Federal, que apura irregularidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), espécie de tribunal da Receita Federal. A RBS é suspeita de pagar mais de 10 milhões de reais à SGR Consultoria Empresarial para anular multas aplicadas pelo órgão.

Com o risco de sofrer punições milionárias, a venda de ativos se torna estratégica para fazer caixa para um eventual pagamento de multas. Esse comentário zunia sempre que se falava da venda da operação catarinense da RBS. Oficialmente, o grupo afirmou apenas que a venda ocorreu para que ele pudesse centrar foco nas operações de seu Estado natal, o Rio Grande do Sul. Procurado, o grupo preferiu não conceder entrevista e que se manifestaria sobre o negócio apenas por comunicado oficial.

A transição para os novos donos deve durar dois anos. Ainda que os empresários mantenham segredo sobre detalhes desse processo, alguns passos já são conhecidos. A primeira é a provável alteração do nome RBS TV, grife que deixa Santa Catarina depois de 37 anos de existência, para TV Catarinense. Em paralelo, uma tendência forte é a digitalização de mídias impressas, como os jornais A Notícia, que circula na região de Joinville, no Norte do Estado, e Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, no Vale do Itajaí. Também especula-se sobre a possibilidade de mudanças em cargos de gerência e cordenação. O presidente do novo grupo, já se sabe, será Mário Neves, diretor-geral de televisão da RBS.

De acordo com um profissional com mais de 30 anos no mercado de comunicação catarinense, Neves tem uma ótima relação com os profissionais da empresa e não deve promover mudanças significativas. Ainda assim, segundo a fonte, o que deve falar mais alto é a visão empresarial dos novos compradores. “Eles focarão em tecnologia e prezarão pela relação de mais resultados por menos custos”, afirma. “Isso implica enxugamento e renovação.”

Uma grande revolução no Estado aconteceria se, de fato, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, dirigisse a programação do novo canal de TV, como já foi aventado. Perguntado a respeito, ele se limitou a dizer, por e-mail, que não está envolvido diretamente no projeto, mas que está “palpitando”, já que Parisotto e Sanchez são seus amigos.

“Posso ajudar meus amigos, mas como colaborador apenas. Ainda vamos conversar sobre esse assunto quando for oportuno”, diz Boni. Segundo uma das fontes, a filial catarinense da RBS chegou a receber a visita de uma diretora de redação da TV Vanguarda, filiada da Rede Globo no Vale do Paraíba e dirigida por Boni. O motivo seria o de conhecer a estrutura técnica e de jornalismo.

Perfis dos compradores – Lirio Parisotto, ex-agricultor de origem humilde nascido em Nova Bassano, no Rio Grande do Sul, tem 62 anos, é médico por formação e atualmente ostenta uma fortuna de 1,1 bilhão de dólares, o que faz dele um dos 30 maiores bilionários brasileiros, segundo a revista Forbes. Sua relação com Santa Catarina é mais longeva que a iniciada com a compra da RBS – e não se limita ao mundo dos negócios. Investidor de peso do mercado de capitais brasileiro, ele é o maior acionista individual da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). Frequentador assíduo do Costão do Santinho, resort de luxo em Florianópolis, ele já foi visto diversas vezes no Estado acompanhado de sua namorada, a modelo Luiza Brunet.

Já Carlos Sanchez – o 23º homem mais rico do país, com fortuna de 1,7 bilhão de dólares, segundo a Forbes -, é dono da EMS, pioneira e, desde 2013, líder nacional no segmento de remédios genéricos. Ele começou sua carreira trabalhando com o pai, Emiliano Sanchez, fundador da EMS, e assumiu a direção em 1988, aos 26 anos. Atualmente, a empresa, que produz, entre outros, os genéricos do Viagra, tem cerca de 7.000 funcionários. Além da EMS, o empresário é dono de outros três laboratórios: Legrand, Germed e Nova Química.

Em abril do ano passado, a EMS foi citada na Operação Lava Jato como uma das parceiras do Labogen, laboratório apontado pela Justiça como empresa de fachada que teria sido usada pelo doleiro Alberto Youssef para desvio de recursos. A declaração foi dada pelo então diretor de produção industrial e de inovação do ministério da Saúde, Eduardo Jorge Valadares Oliveira.

A suspeita que recai sobre a empresa de Sanchez é a de ter pago quase 8 milhões de reais, entre 2009 e 2014, à JD Assessoria, consultoria do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, para a obtenção de contratos com o governo. Nem Sanchez nem Parisotto quiseram falar com o site de VEJA.

VEJA: Mensagens provam que OAS bancou reformas para Lula; por Rodrigo Rangel/Veja

VEJA: Mensagens provam que OAS bancou reformas para Lula; por Rodrigo Rangel/Veja

Negócios Notícias Poder Política
O ex-presidente Lula e sua mulher Marisa Letícia: o chefe e a madame
O ex-presidente Lula e sua mulher Marisa Letícia: o chefe e a madame(Ricardo Stuckert/AP)

Em fevereiro de 2014, as obras do Edifício Solaris, no Guarujá, tinham acabado de ser concluídas. A OAS era a empreiteira responsável. O apartamento 164-A, embora novo em folha, já passava por uma reforma. Ganharia acabamento requintado, equipamentos de lazer, mobília especialmente sob encomenda e um elevador privativo. Pouca gente sabia que o futuro ocupante da cobertura tríplex de frente para o mar seria o ex-presidente Lula. Era tudo feito com absoluta discrição. Lula, a esposa, Marisa Letícia, e os filhos visitavam as obras, sugeriam modificações e faziam planos de passar o réveillon contemplando uma das vistas mais belas do litoral paulista. A OAS cuidava do resto. Em fevereiro de 2014, a reforma do sítio em Atibaia onde Lula e Marisa descansavam nos fins de semana já estava concluída. O lugar ganhou lago, campo de futebol, tanque de pesca, pedalinhos, mobília nova. Como no tríplex, faltavam apenas os armários da cozinha.

Os planos da família, porém, sofreram uma mudança radical a partir de março daquele ano, quando a Operação Lava-Jato revelou que um grupo de empreiteiras, entre elas a OAS, se juntou a um grupo de políticos do governo, entre eles Lula, para patrocinar o maior escândalo de corrupção da história do país. As ligações e as relações financeiras entre Lula e a OAS precisavam ser apagadas. Como explicar que, de uma hora para outra, o tríplex visitado pela família e decorado pela família não pertencia mais à família? Teria havido apenas uma opção de compra. O mesmo valia para o sítio de Atibaia – reformado ao gosto de Lula, decorado seguindo orientações da ex-primeira-dama e frequentado pela família desde que deixou o Planalto. Em 2014, os Lula da Silva passaram metade de todos os fins de semana do ano no sítio de Atibaia.

Por que Lula e Marisa deram as diretrizes para as reformas no tríplex do Guarujá e no sítio de Atibaia se não são seus donos? Por que a OAS, que tem seu presidente e outros executivos condenados por crimes na Operação Lava-Jato, gastou milhões com Lula? O Ministério Público acredita que está chegando perto das respostas a essas perguntas – a que o próprio Lula se recusou a responder, evadindo-se do depoimento que deveria prestar sobre o assunto na semana passada. Para o MP, Lula se valeu da construtora e de amigos para ocultar patrimônio. Os investigadores da Lava-Jato encontraram evidências concretas disso. Mensagens descobertas no aparelho celular do empreiteiro da OAS Léo Pinheiro, um dos condenados no escândalo de corrupção da Petrobras, detalham como a empresa fez as reformas e mobiliou os imóveis do Guarujá e de Atibaia, seguindo as diretrizes do “chefe” e da “madame” – Lula e Marisa Letícia, segundo os policiais.

Em fevereiro de 2014, Léo Pinheiro era presidente da OAS, responsável pela condução de um império que já teve quase 70 000 trabalhadores, em 21 países, construindo plataformas de petróleo, 12735895_1721507038068292_747714823_nhidrelétricas, estradas e grandes usinas. Àquela altura, porém, ele estava preocupado com uma empreitada bem mais modesta. A instalação de armários de cozinha em dois locais distintos: Guarujá e Atibaia – a “cozinha do chefe”. O assunto, de tão delicado, estava sendo discutido com Paulo Gordilho, outro diretor da empreiteira, que avisa: “O projeto da cozinha do chefe está pronto”. E pergunta se pode marcar uma reunião com a “madame”. Pinheiro sugere que a reunião aconteça um dia depois e pede ao subordinado que cheque “se o do Guarujá está pronto”. Seria bom se estivesse. Gordilho responde que sim. No dia seguinte, o diretor pergunta a Léo Pinheiro se a reunião estava confirmada. “Vamos sair a que horas?”, quer saber. “O Fábio ligou desmarcando. Em princípio será às 14 hs na segunda. Estou vendo, pois vou para Uruguai”, responde o presidente da empreiteira.

Para a polícia, os diálogos são autoexplicativos. No início de 2014, a OAS concluiu a construção do edifício Solaris, onde fica o tríplex de Lula, o “chefe”. A partir daí, por orientação da “Madame”, a ex-primeira-dama Marisa Letícia, a empreiteira iniciou a reforma e a colocação de mobília no apartamento, a exemplo do que já vinha fazendo no sítio de Atibaia. “Fábio”, segundo os investigadores, é Fábio Luís, o Lulinha, filho mais velho do casal. Em companhia dos pais, ele visitou as obras, participou da discussão dos projetos e, sabe-se agora, era a ponte com a família sempre que Léo Pinheiro e a OAS precisavam resolver detalhes dos serviços. Para não incomodar o “chefe” com assuntos comezinhos, a OAS tratava das minúcias diretamente com Marisa e Lulinha. Léo Pinheiro, o poderoso empreiteiro, fazia questão de ter controle sobre cada etapa da reforma. Quando havia uma mudança no projeto, ele era informado. “A modificação da cozinha que te mandei é optativa. Puxando e ampliando para lateral. Com isto (sic) fica tudo com forro de gesso e não esconde a estrutura do telhado na zona da sala”, informa Gordilho. Pela data da mensagem, ele se referia ao projeto do sítio de Atibaia.

Compre a edição desta semana no iOS, Android ou nas bancas. E aproveite: todas as edições de VEJA Digital por 1 mês grátis no iba clube.

Sorry Ancelmo e O Globo

Sorry Ancelmo e O Globo

Comunicação Notícias Poder Política

Na tarde passada, quando publiquei a nota da saída de Lauro Jardim, da Veja para O Globo, leitores de “pouca fé” me cobraram em mensagens diretas que eu era o único que estava dando a história. Que eles tinham dado um Google e ninguém mais tinha a informação.

Mídia: Radar de Lauro Jardim está apontando para o Globo

Esta é a vantagem de se ter fontes bem informadas no eixo RJ/SP/BSB. A notícia dada com exclusividade ontem é trazida hoje na coluna de Ancelmo Góis, em O Globo. Por sinal, uma recepção bem fria ao novo colega.