CPI do Carf: delegado, promotor e presidente do Conselho darão primeiros depoimentos

CPI do Carf: delegado, promotor e presidente do Conselho darão primeiros depoimentos

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Com 79 requerimentos de convocação, convites e pedidos de acesso a informações sobre a mesa, deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) decidiram usar a primeira reunião de trabalho apenas para definir regras de procedimento, como o tempo reservado para os depoentes, e apreciar os documentos menos polêmicos. Por acordo, os parlamentares aprovaram um bloco de mais de dez requerimentos, que incluem o convite aos responsáveis pela Operação Zelotes: o delegado Marlon Oliveira dos Santos Cajado e o procurador da República Frederico Paiva, além da convocação do presidente do Carf e ex-secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Freitas Barreto.

“Ouví-los será um sinal para fazer a CPI funcionar sem qualquer tipo de blindagem”, disse Rubens Bueno (PPS-PR), autor da maior parte dos pedidos. A lista aprovada ainda inclui o pedido de compartilhamento de informações à CPI do Carf, conduzida pelo Senado, e à Polícia Federal, incluindo todos os inquéritos policiais instaurados no âmbito da Operação Zelotes e eventuais desdobramentos, como sigilos quebrados.

Ficaram de fora da lista de requerimentos aprovados hoje, convocações polêmicas, como a do atual ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, do ex-ministro da pasta Guido Mantega e de Jorge Rachid, secretário da Receita Federal. Na pauta que estava prevista para hoje, o presidente do colegiado, deputado Pedro Fernandes (PTB-MA), retirou os requerimentos de convocação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu filho Luis Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, apresentados pelos deputados José Aleluia (DEM-BA) e pelo líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), e o requerimento de quebra de sigilo de informações sobre o filho de Lula.

“Ontem fizemos a análise de mais de 51 requerimentos e, de início, tiramos três deles porque não se trata de assunto especifico da CPI. Pode, no futuro, voltar se houver aditamento”, explicou.

Logo no início da reunião, o relator da comissão, deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), que propôs a criação da CPI, disse que estava com o processo da Zelotes em mãos. Ele pediu prazo maior para analisar os dados da investigação conduzida pela Justiça Federal do Distrito Federal, abrindo brecha para que os outros parlamentares também pedissem mais tempo para apresentar novos requerimentos e priorizar os outros depoimentos que serão tomados.

Bacelar se comprometeu a debruçar sobre as mais de 6 mil páginas do processo durante o fim de semana e agendou para a próxima terça-feira (15), às 11h, uma nova sessão. A CPI foi criada no dia 4 de fevereiro para investigar denúncias de fraudes no conselho, ligado ao Ministério da Fazenda. Em 120 dias de trabalho, os parlamentares vão apurar supostos pagamentos de propina para manipular resultados dos julgamentos referentes a casos de sonegação fiscal.

A Zelotes foi deflagrada em março do ano passado pela Polícia Federal, investiga 24 pessoas e pelo menos 15 escritórios de advocacia e consultoria suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção. (Agência Brasil)

Câmara dos Deputados instala, hoje, nova CPI do Carf

Câmara dos Deputados instala, hoje, nova CPI do Carf

Notícias Poder Política

A Câmara dos Deputados instala, na tarde desta terça-feira, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar denúncias de irregularidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda. A nova CPI vai se debruçar sobre denúncias de fraude de bancos e grandes empresas contra a Receita Federal, que teriam realizado supostos pagamentos de propina para manipular resultados dos julgamentos referentes a casos sonegação fiscal. Além disso, hoje serão eleitos o presidente e os vice-presidentes da CPI. O Carf é um órgão do Ministério da Fazenda onde contribuintes recorrem contra multas.

A CPI foi proposta pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), que citou a Operação Zelotes, da Polícia Federal, como base para sua criação. Segundo os investigadores, uma conversa gravada com autorização da Justiça em setembro do ano passado mostra que Edison Pereira Rodrigues, ex-presidente do Carf considerava traidor quem votava contra os interesses do grupo”, escreveu Bacelar no requerimento de criação da CPI.

Conforme o requerimento, entre as empresas que são alvo da operação, estão as montadoras Ford e Mitsubishi; o grupo do setor de alimentação BR Foods, que detém as marcas Sadia e Perdigão; a Light, distribuidora de energia do Rio de Janeiro; o Banco Santander, que tem dívidas tributárias de R$ 3,3 bilhões; o Banco Safra, com dívidas de R$ 767 milhões; o Bank Boston, adquirido pelo Itaú, com processos envolvendo valores em torno de R$ 106 milhões; o Grupo de Comunicação RBS, que tem emissoras afiliadas da Rede Globo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, suspeito de pagar R$ 15 milhões para obter a redução de débitos fiscais de cerca de R$ 150 milhões; o Grupo Gerdau, investigado por suposta tentativa de anular débitos fiscais que chegam a R$ 1,2 bilhão; e a Camargo Corrêa, suspeita de aderir ao esquema para cancelar ou reduzir débitos fiscais de R$ 668 milhões.

A comissão terá 25 integrantes titulares e 25 suplentes, com prazo de 120 dias para concluir seu trabalho. Os líderes partidários deverão indicar seus integrantes, para que a comissão comece a funcionar. Ainda não há data marcada para o início das atividades da CPI. (Vitória Famer / Rádio Guaíba e Agência Brasil)

Zelotes: Justiça amplia prazo para manifestação da defesa

Zelotes: Justiça amplia prazo para manifestação da defesa

Destaque Direito Economia Poder Política

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da Justiça Federal em Brasília, acatou pedido apresentado por advogados de réus da Operação Zelotes e concedeu prazo de 15 dias para que Ministério Público (MP) e advogados tomem conhecimento de alguns documentos que foram recentemente incluídos no processo. Assim sendo, a partir de amanhã (17) o MP terá cinco dias para analisar os documentos e, na sequência, os advogados dos réus terão mais dez dias para apresentar as defesas.

Na audiência de hoje (16), os advogados se disseram surpreendidos com o fato de  “entre dez e 15 novos documentos”, obtidos pela Polícia Federal em outubro do ano passado, terem sido incluídos no processo apenas no dia 5 de fevereiro, véspera de carnaval. Segundo eles, há nesses documentos acusações inclusive contra pessoas que já prestaram depoimentos, o que, de acordo com as argumentações apresentadas, compromete o direito ao contraditório, por seus clientes. A Operação Zelotes investiga suposta manipulação de julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), do Ministério da Fazenda.

Entre os advogados que questionaram a prática estão Paulo Emílio Catta Preta, que defende Eduardo de Souza Ramos; Marcelo Leal, advogado de Alexandre Paes dos Santos; Roberto Podval, que faz a defesa de Mauro Marcondes e Cristina Mautoni; e Luís Rassi, advogado de Fernando César Mesquita e Francisco Mirto. “São entre dez e 15 relatórios policiais que trazem coisas novas. Por exemplo, uma menção de depósitos em contas da filha de um dos acusados. Esse depósito foi proveniente da venda de uma sala comercial. Isso, em um último momento, no qual não se pode trazer a testemunha para comprovar”, argumentou Luis Rassi.

Segundo ele, tal prática acaba “atrapalhando tudo” no processo. Mas o pior, acrescenta, é o fato de o Ministério Público Federal (MPF) ter omitido alguns documentos relevantes do juiz. “Não documentos que interessavam à defesa, mas ao próprio processo. Teve um acusado que foi absolvido por absoluta falta de provas. Agora eles [MPF] juntam provas contra esse acusado”.

“Sentença é consequência da dialética. Receber dinheiro não é crime, mas [dessa forma] a gente não vai ter como provar de onde esse dinheiro veio. Além disso, a defesa não teve acesso à cadeia de custódia, que é toda sequência de provas, para saber, por exemplo, se o relatório, a busca e apreensão, as interceptações telefônicas e telemáticas são válidas. Eu não sei o que a polícia e o MP têm. Ninguém [da defesa] teve acesso e, por isso, não temos como trabalhar esse processo”, acrescentou.

Após ter ouvido as argumentações, o juiz Vallisney de Souza Oliveira ampliou em 15 dias os prazos previstos anteriormente para o processo – cinco dias para apreciação, pelo MP, seguidos de mais dez para apreciação e manifestação da defesa. Os prazos começam a ser contados a partir de amanhã.  (Agência Brasil)

Zelotes: Juiz decide manter prisão de seis réus

Zelotes: Juiz decide manter prisão de seis réus

Notícias Política Porto Alegre

Apesar dos pedidos dos advogados, o juiz que analisa o caso da Operação Zelotes, Vaslliney Oliveira, manteve a prisão de seis réus e decidiu dar prosseguimento ao processo. As defesas dos réus pediram à Justiça Federal a anulação do processo, a anulação da ação e a liberdade dos presos. Isso porque, segundo os defensores, eles tiveram conhecimento, hoje (16), de novos documentos que foram juntados pelo Ministério Público Federal ao processo no dia 5 de fevereiro. Os defensores também defendem que, como essa nova fase pode demorar, o juiz deve determinar a soltura dos réus.
Apesar disso, o juiz não atendeu aos pedidos mas deu um prazo de dez dias para os advogados analisarem os novos documentos. Nas audiências de hoje deveriam ser ouvidas oito testemunhas. A Operação Zelotes investiga suposta compra de medidas provisórias e suposta fraude em julgamentos do Carf, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ligado ao Ministério da Fazenda. (EBC)

Lasier Martins responde críticas ao seu trabalho no Senado

Notícias Poder Política

 

Entrevistei hoje no Agora/Rádio Guaíba, o Senador Lasier Martins(PDT/RS). Ele respondeu a crítica feita pelo ouvinte Joacir Talasca, ao trabalho que realiza no Parlamento. Segundo Lasier, mesmo em seu primeiro ano de mandato, a atuação foi intensa. Ele falou sobre o que fez, respondeu perguntas sobre projetos, impeachment de Dilma, Operação Zelotes, outros assuntos e críticas de outros ouvintes da Guaíba.

 

 

Depoimento de Lula sobre “venda” de medidas provisórias é adiado, por Andreza Matais e Fábio Fabrini/O Estado de São Paulo

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Em seu último dia de mandato, Lula recusou o pedido da extradição feito pela Itália. Foto: JF Diorio/Estadão.
Lula prestaria depoimento nesta quinta à PF. Foto: JF Diorio/Estadão.

Foi adiado o depoimento que seria prestado à Polícia Federal pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 17, sobre suposto esquema de “venda” de medidas provisórias em seu governo. O pedido foi feito pela defesa do petista e aceito por investigadores da Operação Zelotes. Mandado de intimação expedido no último dia 3 definiu que Lula teria de comparecer nesta quinta, na sede da PF em Brasília, para dar explicações sobre “fatos relacionados ao lobby realizado para a obtenção de benefícios fiscais”, por meio das MPs, que favoreceram montadoras de veículos. O caso foi revelado pelo Estado em série de reportagens publicada em outubro.

Conforme apurou o Estado, não há data marcada para que a oitiva ocorra.

Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente, é investigado na Zelotes por ter recebido R$ 2,5 milhões de um dos lobistas investigados pela “compra” das MPs. O ex-ministro Gilberto Carvalho, que foi chefe de gabinete de Lula, também é alvo da operação por suspeita de atuar em “conluio” com os investigados para, supostamente, atender a interesses das empresas do setor automotivo no Palácio do Planalto. Ambos negam veementemente ter participado de irregularidades. Luís Cláudio diz que recebeu por serviços de consultoria prestados por uma de suas empresas, a LFT Marketing Esportivo.

Em nota divulgada na semana passada, Lula disse que não tem relação com os fatos investigados, mas que está à disposição das autoridades para contribuir com o “esclarecimento da verdade”. Ele ressaltou que a MP 627, de 2013, que foi editada e aprovada no período em que seu filho recebeu dinheiro do lobista, não é de sua gestão, mas do governo da aliada e sucessora Dilma Rousseff.

Lula viajou a Brasília e prestou, no entanto, depoimentos sobre outras investigações na última quarta-feira, 16. Num deles, falou sobre o esquema de corrupção na Petrobrás, investigado na Operação Lava Jato. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki autorizou que ele fosse ouvido como “informante” em inquérito que apura formação de quadrilha por políticos de PP, PT e PMDB para desviar recursos da estatal.

Também na quarta, o ex-presidente deu explicações ao Ministério Público Federal sobre seu suposto envolvimento com um empresário italiano. Trata-se de Valter Lavitola, operador de negócios do ex-primeiro ministro da Itália Silvio Berlusconi. Atualmente, ele cumpre pena em Nápoles após ser condenado por tentar extorquir Berlusconi em 5 milhões de euros .

O pedido para que Lula fosse ouvido foi feito pelo Ministério da Justiça da Itália. É baseado numa carta enviada por Lavitola a Berlusconi em 13 de dezembro de 2011. Nela, comenta sobre uma concessão para exploração de madeira na Amazônia que teria adquirido. No texto, o ex-presidente Lula é citado em como tendo atuado para favorecê-lo em uma disputa legal quando vendia parte da concessão para uma segunda empresa, de nacionalidade chinesa.

“Ele (Lula) só conseguiu obter da direção da companhia compradora que, com uma sentença da corte arbitral, venha a impor a ales um acordo comigo”, escreveu. Lavitola comenta, no entanto, que naquele momento Lula não estaria colaborando mais.

As autoridades italianas requerem a oitiva de Lula para esclarecer sobre a suposta relação com Lavitola, além da eventual influência do ex-presidente nas tratativas para a exploração de madeira e sua interferência na disputa legal. O conteúdo das declarações de Lula não foi divulgado.

Zelotes: Ministério Público pede a condenação de mais 16 envolvidos

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Brasilia - Os procuradores da República que integram a Força Tarefa da Operação Zelotes, Frederico de Carvalho Paiva, José Alfredo de Paula Silva e Raquel Branquinho, falam da operação (Valter Campanato/Agência Brasil)
Os procuradores da República que integram a Força Tarefa da Operação Zelotes, Frederico de Carvalho Paiva, José Alfredo de Paula Silva e Raquel Branquinho, em entrevista. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Dezesseis pessoas foram denunciadas nesta segunda-feira (30) pelo Ministério Público Federal (MPF) por suposto envolvimento em negociações irregulares para a aprovação de medidas provisórias, emendas, sanções e vetos em projetos de lei. De acordo com os investigadores, foram identificadas práticas de crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e extorsão.

A nova frente de investigações da Operação Zelotes tem como origem materiais recolhidos durante as apurações de irregularidades cometidas no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

De acordo com o procurador regional da República José Alfredo de Paula Silva, uma das organizações criminosas investigadas agiu “para viabilizar a aprovação de legislação que concedeu benefícios fiscais a empresas do setor automobilístico”, o que resultou na abertura de um inquérito específico para o caso. “Para nossa surpresa, as investigações revelaram que uma organização criminosa tinha como atividade a compra de medidas provisórias no país, e atuavam em todas as frentes: na edição, na fase de emendas e na fase de sanção e veto”

Em meio às diligências feitas contra as empresas SGR Consultoria Empresarial (fundada pelo ex-auditor fiscal da Receita Federal Eivany Antônio da Silva) e a Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia Corporativa (M&M), foram identificadas ações para atender a interesses da montadora MMC junto ao Carf, última instância administrativa na esfera tributária, e obter decisões favoráveis a ela. O grupo teria atuado, posteriormente, na compra de legislações federais, como medidas provisórias que beneficiaram a MMC e o grupo Caoa, empresa montadora também do setor automobilístico, segundo o MPF. Só com ações no Carf, a MMC deixou de pagar mais de R$ 266 milhões. “Já as renúncias fiscais decorrentes da prorrogação da MP 471/2009 alcançam R$ 879,5 milhões”, disse o procurador Frederico de Carvalho Paiva. Segundo os investigadores, a MMC teria repassado R$ 57 milhões a lobistas, de forma parcelada entre 2009 e 2015. Além disso, a fim de ocultar a relação com a SGR, a MMC fez uso da M&M, com quem já tinha relacionamento comercial antigo.

As investigações apontaram também para o envolvimento da servidora pública Lytha Battiston Spíndola e de seus filhos Vladimir e Camilo Spíndola no caso, e do ex-diretor de Comunicação do Senado, Fernando César Mesquita, que teria recebido R$ 78 mil, como pagamento por monitorar a tramitação da MP 471 no Congresso Nacional, medida provisória que rendeu benefícios fiscais à MMC e à Caoa entre 2010 e 2015.

De acordo com os procuradores, no período em que foi assessora especial do gabinete da Casa Civil e, entre seus trabalhos, fez uma análise do texto da MP 512/2010, Lytha teria atuado no sentido de convencer a Presidência da República a ignorar um parecer técnico do Ministério da Fazenda, o que garantiu benefícios às empresas citadas. Entre 2010 e 2014, ela recebeu R$ 2 milhões da M&M, dinheiro que foi repassado a empresas de seus filhos, que segundo os procuradores, estavam a par das irregularidades.

Nas investigações foi identificada também a prática de crime de extorsão, envolvendo os denunciados Halysson Carvalho Silva e Marcos Augusto Henares Vilarinho. A extorsão foi feita após o grupo Caoa ter se recusado a pagar parte do acertado na negociação que levou à aprovação da MP 471. “Detectamos tensão interna dentro da organização criminosa denunciada. Uma das montadoras que fez o acerto não pagou, e a partir daí internamente houve um episódio de extorsão em busca de dinheiro”, disse José Alfredo.

Documentos apreendidos pelos investigadores indicaram que, juntas, as empresas MMC e Caoa deveriam pagar R$ 32 milhões à M&M, valor que seria dividido também com a SGR. Segundo mensagens trocadas pelos investigados, 40% desses valores seriam usados para pagar “colaboradores”. Para o Ministério Público, este percentual seria destinado a agentes públicos corrompidos, o que inclui parlamentares federais cujos nomes ainda não foram identificados. Os 60% restantes seriam distribuídos entre lobistas.

Segundo o apurado, Mauro Marcondes, da empresa M&M, teria recusado a repassar parte do que era devido à empresa SGR, que passou a ter problemas para pagar seus compromissos. Halysson Silva e Marcos Vilarinho foram então contratados pela SGR para ameaçar, tanto Marcondes, quanto Eduardo Ramos, da MMC. Nas conversas entre as partes, o valor reivindicado era de US$1,5 milhão. Caso a quantia não fosse paga, Halysson ameaçava entregar um dossiê sobre a MP 471 à oposição e à imprensa.

Além de pedir a prisão dos denunciados, o MPF solicitou a perda dos cargos e a cassação de aposentadorias de envolvidos, além do pagamento de, no mínimo, R$ 879,5 milhões como reparação aos cofres públicos. De acordo com os investigadores, a União perdeu R$ 1,58 milhão decorrente da lavagem de dinheiro praticada pelos denunciados.

Na relação de denunciados apresentadas pelo MPF estão José Ricardo da Silva e Eivany Antônio da Silva (por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e extorsão); Alexandre Paes dos Santos e Eduardo Gonçalves Valadão (por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e extorsão); Mauro Marcondes Machado, Cristina Mautoni Marcondes Machado, Francisco Mirto Florêncio da Silva e Eduardo de Souza Ramos (por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa); Lytha Battiston Spíndola e Robert de Macedo Soares Rittscher (por organização criminosa e lavagem de dinheiro); Paulo Arantes Ferraz (corrupção ativa); Vladimir Spíndola e Camilo Spíndola (por lavagem de dinheiro); Fernando Cesar de Moreira Mesquita (por corrupção passiva), além de Halysson Carvalho Silva e Marcos Augusto Henares Vilarinho (por extorsão). (Pedro Peduzzi/Agência Brasil)

Justiça Federal ouve mais duas testemunhas de acusação em suposta fraude na bolsa envolvendo empresa gaúcha. Amanhã mais uma pessoa presta depoimento (Samuel Vettori/Rádio Guaíba)

Direito Direito do Consumidor Economia Negócios Notícias

Mais duas testemunhas de acusação foram ouvidas hoje no processo sobre crimes contra o mercado de capitais supostamente cometidos por um corretor da bolsa de valores e um dos principais acionistas da empresa gaúcha Mundial S/A. Na segunda-feira, mais uma de acusação e sete de defesa vão se manifestar à Justiça Federal, em Porto Alegre. A data para ouvir outras nove testemunhas de defesa e o interrogatório dos réus ainda não foi definida. Depois disso, ocorre a sentença do juiz que acompanha o caso.

Ontem, quatro testemunhas de acusação, e não cinco como foi informado, acabaram prestando esclarecimento ao judiciário. Um jornalista de nome igual ao de uma testemunha, convocado por engano, acabou sendo dispensado. Amanhã mais uma pessoa presta depoimento. Já as audiências com as testemunhas de defesa foram adiadas e, com isso, fica sem data também a sessão com os réus, parte final do processo.

As audiências ocorrem na 7ª Vara Federal de Porto Alegre. Ao todo, serão realizadas 21 oitivas. A não localização de uma testemunha de acusação motivou o adiamento das demais sessões.

Os réus são acusados de manipular o mercado financeiro a partir de informações privilegiadas, produzindo uma valorização artificial nas ações da fabricante de artigos de cutelaria. De acordo com a denúncia do MPF, o crescimento no valor dos papéis da Mundial iniciou em maio de 2011, caindo abruptamente – cerca de 91% – em julho. Com isso, diversos investidores foram prejudicados. O esquema contou, ainda, com a participação de uma jornalista especializada para atuar na divulgação de matérias com o intuito de gerar confiança nas estratégias de reestruturação e crescimento da companhia, apurou o MPF.

A Mundial também é investigada na Operação Zelotes, que busca desvendar um esquema de fraude no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Uma quadrilha, segundo a Polícia Federal, fazia um “levantamento” dos grandes processos, procurando empresas com altos débitos com o Fisco e oferecendo “facilidades”, como a anulação de multas devidas à União.

Para ex -ministro, operações visam a prisão de Lula

Para ex -ministro, operações visam a prisão de Lula

Notícias Poder Política

Ex-ministro de Dilma, Gilberto Carvalho, alvo da Operação Zelotes, diz ser vítima de um “circo” que visa “desmoralizar” e “prender” o ex-presidente Lula. Em entrevista a Natuza Nery, do Painel, ele nega acusações e critica o pedido de quebra de sigilo de sua família. A reportagem está na Folha de São Paulo.

Esquema no Carf tirou bilhões da arrecadação, diz associação de fiscais. Estimativa aponta que em 2013, União ganhou só 28,8% de créditos questionados

Notícias Poder Política

Reportagem de Bárbara Nascimento, em O Globo, mostra que o esquema de venda de decisões a grandes contribuintes por parte dos integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) tirou bilhões dos cofres públicos. Levantamento da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), com base em dados fornecidos via Lei de Acesso à Informação, mostra que, em 2013, apenas 28,8% do crédito questionado no conselho foram mantidos, ou seja, a União ganhou a causa.

Em 2014, o número subiu para 41,9%, mas ainda ficou distante do que poderia ter sido arrecadado, caso o esquema de corrupção revelado pela Operação Zelotes não tivesse revertido decisões e multas aplicadas.
Em valores, dos R$ 106,7 bilhões em créditos julgados em 2013, apenas R$ 30,7 bilhões ficaram com a União. Em 2014, quando o montante questionado foi maior, R$ 157 bilhões, a Receita Federal obteve ganhos de causa equivalentes a R$ 65,8 bilhões.

Procurado, o Ministério da Fazenda não se pronunciou sobre o levantamento. Leia mais sobre esse assunto em O Globo.