Taxistas estimam queda de 40% nas corridas desde o início das operações do Uber em Porto Alegre Sindicato alega que aplicativo prejudicou as operações dos táxis Foto: Samuel Maciel/CP

Taxistas estimam queda de 40% nas corridas desde o início das operações do Uber em Porto Alegre

O Sintaxi estima que as operações do aplicativo Uber diminuíram em até 40% o número de corridas de táxi em Porto Alegre. Em média, cada veículo fazia 25 corridas por dia, mas este número caiu para 15 viagens. Devido a isso, o sindicato pretende entrar com uma ação judicial na tarde desta quarta-feira pedindo a suspensão do sinal do aplicativo em empresas de telefonia celular móvel na cidade. Segundo os advogados do sindicato, a ferramenta digital opera de forma ilegal e gera prejuízos para o serviço regulamentado de táxi. O diretor Administrativo do Sintaxi, Adão Ferreira de Campos, o Uber está causando queda nos lucros e praticamente inviabilizando o sistema.

“O Uber está provocando um desequilíbrio muito grande ao sistema de táxis. Está praticamente impossível se trabalhar a noite. Até 22h ou 23h, tu até faz umas corridas. Depois, o sistema praticamente para. O taxista está sendo desestimulado a trazer o sustento para sua família”, afirmou.

Uma manifestação também foi convocada pelo Sintaxi para as 14h30 desta quarta-feira, em frente ao prédio 2 do Tribunal de Justiça. O aplicativo Uber começou as operações em Porto Alegre em novembro de 2015. Através de uma plataforma digital, a ferramenta interliga motoristas autônomos e passageiros em busca de transporte privado.

Regulamentação prevê audiência pública em 22 de junho

O impasse em torno do Uber tende a se estender pelo menos até o fim do ano, enquanto tramita na Câmara de Vereadores um projeto para regulamentar o serviço de transporte individual oferecido via aplicativo de celular na Capital. Uma audiência pública para ampliar esse debate foi marcada, hoje, para as 19h de 22 de junho, uma quarta-feira.

Pelo menos quatro comissões permanentes da Casa vão analisar a matéria até que ela chegue a plenário: Constituição e Justiça (CCJ); Finanças, Orçamento e Mercosul (Cefor); Urbanismo, Transporte e Habitação (Cuthab); e Defesa do Consumidor e Direitos Humanos (Cedecondh).

A proposta que regulamenta o Uber e concorrentes, como o WillGo, em fase de implantação na Capital, prevê, por exemplo, que o Executivo tenha acesso aos dados operacionais das empresas, e que elas paguem uma taxa mensal para cada veículo associado.

Saiba detalhes

A Prefeitura exige, no projeto, que haja autorização prévia do município; que a contratação do serviço se dê exclusivamente entre as empresas e os usuários por meio de aplicativo; que haja cadastramento de condutores e veículos e vistorias periódicas, de seis em seis meses, e que ocorra compartilhamento, em tempo real, de dados das empresas com a EPTC.

Além disso, quer que os veículos sejam emplacados exclusivamente em Porto Alegre e que haja recolhimento de ISS e o pagamento, pelas empresas, de uma taxa anual de R$ 182 por veículo, além de contratação de seguro que cubra acidentes.

O projeto também estabelece que haja um canal de atendimento 24 horas e que os veículos, com no máximo cinco anos de vida útil, sejam identificados com adesivo da empresa. O texto prevê, ainda, que os motoristas façam curso de formação e apresentem certidão negativa. (Eduardo Paganella / Rádio Guaíba)

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