Uber para de avisar sobre tarifa dinâmica e gera indignação entre usuários na Capital. Desde o fim da semana passada, usuário recebe apenas valor final da corrida, sem que o aplicativo detalhe o motivo da alta de preço Regulamentação do app ainda não foi sancionada pelo prefeito José Fortunati | Foto: Ricardo Giusti / CP

Uber para de avisar sobre tarifa dinâmica e gera indignação entre usuários na Capital. Desde o fim da semana passada, usuário recebe apenas valor final da corrida, sem que o aplicativo detalhe o motivo da alta de preço

O aplicativo Uber vem perdendo clientes nos últimos dias em Porto Alegre. A queda ocorre, sobretudo, porque a empresa parou de avisar sobre a vigência ou não da tarifa dinâmica. O alerta, que até então aparecia de forma clara, antes de a corrida ser confirmada, servia para notificar o usuário de que, naquele momento, a procura pelo serviço era alta em relação ao número de motoristas disponível. Agora – pelo menos desde o fim da semana passada -, o usuário recebe, antes de embarcar, o valor final da corrida, sem que o aplicativo detalhe o motivo da alta de preço.

A advogada Luísi Menz afirmou que tradicionalmente fazia corridas de cerca de R$ 5. Porém, na volta desse mesmo trajeto, o valor dobrou sem, em nenhum momento, a empresa avisar sobre o aumento – e se em função da tarifa dinâmica ou não.

“Ontem à tarde, no domingo, para fazer um trajeto extremamente curto, eu paguei a tarifa de R$ 5,20, inclusive o motorista acabou errando um pouco o caminho o que talvez tenha aumentado ainda a mais a tarifa. Para minha surpresa, mesmo sem avisar que havia tarifa dinâmica, o Uber me cobrou na volta, que eu fiz exatamente o mesmo percurso, o valor de R$ 13,09, sem nenhum momento avisar que havia a tarifa dinâmica e qual o valor seria cobrado pelo quilômetro rodado”, conta.

O mesmo também foi relatado pela jornalista Luiza Menezes, que explicou fazer um trajeto que sempre custou cerca de R$ 11. Mas que, sem aviso nenhum, depois de uma corrida pré-agendada, o valor mostrou R$ 19, mas só quando a corrida já havia sido paga. ”Na quinta-feira, eu tinha pedido um Uber para ir na Benjamim Constant e deu cerca de R$ 11, e a volta também. Foi normal. Mas no outro dia, eu fiz um agendamento porque tinha um compromisso, no mesmo local, para eu não me perder no horário. Deu o valor médio, entre R$ 11 e R$ 13. Mas quando eu cheguei no escritório, fui olhar meu e-mail e os dois extratos da corrida mostraram R$ 19. E pensei: “ué, por que tanta diferença? Foi o mesmo trajeto feito, não deu volta nenhuma, não ando a mais”. E olhando com calma, apareceu no e-mail do extrato cerca de 1.2, 1.3 a mais do valor. Mas eu achei muito estranho que não tenha sido sinalizado quando eu pedi ou quando veio depois o meu agendamento. Só veio o valor depois que eu já tinha feito a corrida”, comenta, indignada.

Antes, o preço-base dos quilômetro rodado, assim como o tempo de duração, o preço normal e o preço dinâmico apareciam na tela do celular. Desde que o sistema mudou, o registro de viagens agora só detalha valor total gasto, sem discriminar o motivo de algum adicional.

À Rádio Guaíba, a jornalista Fernanda Ribeiro Mazzocco forneceu um relato semelhante. Ela defendeu que a empresa retorne com o antigo modelo, avisando o usuário quando a tarifa é dinâmica.

“O aplicativo precisa conversar contigo de alguma maneira, precisa avisar que aquela tarifa, que aquele preço ali cresceu. Eu queria muito que voltasse à forma antiga, é a melhor que tem para mim, porque me alertava. “Fernanda, você vai chamar uma corrida 1.5″. E hoje não, hoje eu preciso ficar olhando o valor, tentando adivinhar mais ou menos. Não, esse trajeto eu já fiz e dava tanto. Não é tão comunicativo (o app hoje). A comunicação está no aplicativo, mas tu não és alertado. E essa falta de alerta, alerta que não existe, é que faz com que algumas pessoas não tenham notado que tem ficado mais caro. Chega no final da corrida, por exemplo, e aí tu recebes o recibo no teu e-mail e também no celular que tu vais te deparar então quanto que tu vais pagar por aquela corrida”, declara.

A assessoria de imprensa da Uber já foi contatada e disse que vai analisar os relatos e o que está ocorrendo em Porto Alegre. Segundo a empresa, essas reclamações partem, especificamente, da Capital gaúcha.

Prestes a ser regulamentado pela Prefeitura, o serviço emitiu alertas, nos últimos meses, sobre o risco de alta nos valores em função das regras aprovadas pela Câmara de Vereadores. Além disso, a Uber passou a aceitar dinheiro em Porto Alegre, o que pode ter levado parte dos colaboradores a migrar para o aplicativo Cabify, que é concorrente e usa apenas o pagamento com cartão de crédito. (Vitória Famer / Rádio Guaíba)

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